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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Caso da Episiotomia



Peguei esse texto do blog Psiquiatria e Toxicodependência, da Vanessa Marsden, que por sua vez retirou do Blog Barrigas e Bebés. Como achei o texto muito pertinente, resolvi postar aqui no meu blog:


["Birth Messages"; o caso da episiotomia]




"Faz uma análise simbólica dos procedimentos de rotina do parto hospitalar, por ela denominado de modelo tecnocrático do parto. Seu objetivo é elucidar os motivos pelos quais as instituições, a despeito das contra-indicações assinaladas pelas evidências científicas, continuam promovendo o uso rotineiro de vários desses procedimentos, entre os quais a episiotomia. Eles desempenham importantes funções rituais e simbólicas, atendendo, com sucesso, a diversas demandas importantes dos profissionais de saúde responsáveis pela assistência ao parto, das mulheres em trabalho de parto e da sociedade e cultura mais abrangentes.

A episiotomia é analisada como uma mutilação ritual. A vagina, em diversas culturas, inclusive a nossa, é símbolo por excelência daquilo que é natural, sexualmente poderoso e criativo na mulher, sendo, por isso mesmo, vista como ameaçadora pelos homens. É relembrada a figura mitológica da vagina dentada, que ameaça consumir ou castrar o macho impotente. No ocidente, a crença na superioridade da cultura sobre a natureza se expressa através da metáfora, popularizada por Descartes, do corpo-máquina humano, cujo controle e aperfeiçoamento cabe à ciência. O corpo da mulher é retratado pela medicina como uma máquina inerentemente defeituosa. Os argumentos em prol da episiotomia de rotina reiteram esta simbologia ao afirmar que sua adoção protege a parturiente e seu concepto dos perigos apresentados pelo defeituoso corpo feminino. Para a autora, esse é um dos procedimentos através dos quais se 'manifesta a tentativa cultural de utilizar o nascimento para demonstrar a superioridade e controle do Masculino sobre o Feminino, da Tecnologia sobre a Natureza'. Através dessa operaçào, a vagina é desconstruída pelo médico, oficiante do rito e representante da sociedade, para ser então reconstruída culturalmente.

Ademais, a episiotomia é útil conceitualmente para a obstetrícia. Ao transformar o nascimento em um procedimento cirúrgico de rotina, legitima-se a obstetrícia enquanto ato médico, pois se incorpora à sua prática um elemento central da medicina ocidental e uma das formas mais elaboradas de manipulação do corpo-máquina humano - a cirurgia. O ápice desse processo se dá com a adoção da cesariana como procedimento de rotina, sendo o Brasil citado como ilustração."

Robbie E. Davis-Floyd, Birth as an American Rite of Passage. Berkeleyand Los Angeles, University of California Press, 1992. (Resenha assinada por Sonia N. Hotimsky, no Notas sobre Nascimento e Parto, AnoIII, nº6, novembro de 1998, publicação do Grupo de Estudos sobreNascimento e Parto / Instituto de Saúde-SES-SP).

Conheci e conversei pessoalmente com a Robbie Davis-Floyd aqui em Porto Alegre, em 2004, quando fui assistir a uma palestra dela na Faculdade de Enfermagem da UFRGS. Ela é antropologista cultural e passou os últimos 20 anos pesquisando assuntos na Antropologia da Reprodução, enfocando principalmente no parto, obstetrícia e trabalho das midwives (parteiras), o qual ela continua a estudar e escrever sobre o assunto. 
Para saber mais sobre ela, clique aqui.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mulheres: O Parto é Nosso!


Hoje resolvi tirar o pó de meu blog, que anda bem abandonadinho, coitado, por conta de meu novo trabalho na área de suporte, que me deixa ocupadíssima o dia inteiro e sem vontade de sentar na frente do computador à noite, exceto para assistir meus seriados americanos.


Recebi um artigo pela lista do Parto do Princípio e resolvi compartilhá-lo, apesar dele já ter sido brilhantemente comentado pela Kalu, do Mamíferas. Mas como eu tive meus dois filhos de parto natural, um no hospital e a outra em casa, quis dar minha contribuição, colocando trechos do artigo aqui no blog:


O parto é delas (por Luciana Benatti)



"Abuso de intervenções médicas, falta de informação e de segurança para decidir têm tirado de muitas mulheres o direito ao parto natural. A cesárea, indicada para situações de risco, ainda ocorre de forma indiscriminada no Brasil



Parto na água e sem anestesia? No país campeão mundial de cesarianas, pode parecer coisa de gente maluca. Na verdade, trata-se da escolha consciente de mulheres que, alheias ao apelo do parto “prático, rápido e indolor” prometido pelos defensores da cesárea com hora marcada, decidiram vivenciar o nascimento de seus filhos com a maior naturalidade possível. O que envolve também abrir mão de tecnologias e de intervenções médicas desnecessárias. Se a gestação for de baixo risco, o parto normal é mais seguro para a mãe e para o bebê.



Por ser uma cirurgia, a cesárea só é indicada quando há risco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, isso ocorre em, no máximo, 15% dos casos. No entanto, a cesariana representa 43% dos partos realizados no Brasil, considerando o setor público e o privado. No universo dos planos de saúde chega a 80%, enquanto no Sistema Único de Saúde soma 26%. Todos concordam: o procedimento, quando bem indicado, é capaz de salvar vidas. Por outro lado, se realizado sem uma indicação médica precisa, pode expor a mulher e o recém-nascido a riscos desnecessários. “Quando você agenda uma cesariana sem que a mulher tenha entrado em trabalho de parto, pode estar retirando o bebê antes da sua completa formação”, afirma Andréia Abib, gerente-técnico assistencial de produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula as atividades das operadoras de planos privados. “Uma mulher bem informada jamais iria desejar isso”, acredita Andréia. Como parte de uma campanha em favor do parto normal e da redução das cesarianas desnecessárias, a agência elaborou uma carta de esclarecimento e convidou as operadoras a enviá-la às usuárias. Em maio, o Ministério da Saúde também lançou campanha de incentivo ao parto normal, com um comercial estrelado pela atriz Fernanda Lima, que teve seus gêmeos dessa forma.


De acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz, em duas maternidades particulares do Rio de Janeiro, 92% das cesarianas foram feitas com data e hora marcadas, antes de a mulher entrar em trabalho de parto. “É um escândalo”, critica a epidemiologista Silvana Granado Nogueira da Gama, integrante da equipe.




O mesmo estudo da Fiocruz derruba um argumento muito freqüente, o de que as próprias mulheres brasileiras desejariam o parto cesáreo: 70% das gestantes não manifestaram preferência pela cesariana no início da gravidez, mas quase 90% a fizeram. “Isso indica que há um convencimento durante o pré-natal”, afirma Lena Peres, do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde.


“Cesariana é uma técnica. Parto normal, uma arte”, diz o obstetra Jorge Kuhn, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Muitos médicos se formam sem saber fazer parto normal”, afirma a doula e educadora perinatal Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama). A doula é uma acompanhante de parto treinada para oferecer suporte físico, emocional e afetivo."






Para ler o artigo completo, clique aqui.

Eu tive minha filha de parto domiciliar em outubro de 2004 e mesmo quase 5 anos depois, ainda vejo muitas mulheres tendo seus filhos de cesariana, seja ela eletiva ou não. As razões são as mais variadas: cordão enrolado, bebê muito grande, pouco líquido amniótico, falta de contração, falta de dilatação, bacia estreita, cesárea prévia, etc. É uma pena que as mulheres ainda deixem de tomar o evento do parto para si e deixem que os médicos decidam por elas!


Não somos nós que tivemos nossos filhos no aconchego de nosso lar e cercadas de pessoas dando-nos apoio e carinho as loucas e irresponsáveis e sim as mães que escolhem deliberadamente uma cesárea e que se submetem a uma cirurgia para tirar um bebê imaturo (de 38 semanas ou menos) do útero*. Essas sim são as loucas e irresponsáveis.


“Quando você agenda uma cesariana sem que a mulher tenha entrado em trabalho de parto, pode estar retirando o bebê antes da sua completa formação”, afirma Andréia Abib, gerente-técnico assistencial de produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula as atividades das operadoras de planos privados. “Uma mulher bem informada jamais iria desejar isso”, acredita Andréia.


O caminho natural é o mais óbvio: deixar a natureza seguir seu curso. Quem vai indicar que está pronto para nascer será seu bebê e é quando irá se iniciar seu trabalho de parto, que pode levar, em média, 12 horas (mas pode demorar mais, especialmente se for seu primeiro filho). O trabalho de parto é uma preparação do corpo para a expulsão do feto do útero e isso faz parte do processo de nascer. O bebê precisa fazer força para sair e encontrar a saída do útero e isso é uma metáfora para a vida: que temos, muitas vezes, fazer força para sair e encontrar nossos caminhos na vida. Tirar isso de um bebê é, no mínimo, muito egoísmo.


* Paráfrase de um trecho do post da Kalu.


Foto: Arquivo pessoal, outubro de 2004, durante meu trabalho de parto domiciliar.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Parto Pélvico

Aproveitando que a Max me fez uma pergunta sobre parto pélvico, resolvi fazer este post, já que a maioria das pessoas pensam que não é possível um parto normal de bebê pélvico.
É possível sim!

Segue um texto retirado do blog
Parir é Nascer:


"O parto (pélvico) de uma maneira geral, transcorre espontâneo, sem contratempos, sem qualquer artifício estranho. Entre as silvícolas entrevistadas não há lembrança de criança que tenha morrido por retenção de cabeça. O fato repercutiria através dos tempos e marcaria o folclore indígena em historias repetidas em sucessivas gerações.

1 - a posição agachada alarga o canal vaginal em todo o seu diâmetro. Canal mais aberto, menos risco de prender a cabeça.

2 - O peso do corpo da criança ao sair, dirigido para baixo, executa moderada e suave tração que colabora para a complementação espontânea do parto. Acreditamos no que a experiência de algumas dezenas de casos nos mostrou: não havendo contra-indicação (que o médico sabe perceber) o parto espontâneo se cumpre sem colaboração estranha. Os riscos de complicações para a mãe e para o feto são muito menores do que se esses partos fossem todos cesáreas. Índias da mata não têm medo de apresentação de nádegas. Simplesmente não fazem nada, não atrapalham a natureza, deixam a criança nascer. Sabem que na maioria dos casos nascem bem..."

(Trecho do livro: "Aprenda a Nascer e Viver com os Índios" - Moysés Paciornik - paginas 67-68)
Antes de tentar um parto pélvico, há alguns recursos o qual a mulher pode recorrer para tentar virar o bebê, conforme informações do blog da Renata Olah, que é Doula e Fisioterapeuta especializada em saúde da mulher:

1. Moxabustão

É a acupuntura "térmica". O estímulo é feito através da queima de um bastão de artemísia. Esse bastão é aproximado ao local a ser estimulado, provocando no organismo reações fisiológicas parecidas com àquelas provocadas pelas agulhas.

2. Posicionamento

Há algumas posturas que, feitas diariamente estimulam o posicionamento correto do bebê. Eles devem ser feitos 3x ao dia, por pelo menos 15 minutos.

3. Técnicas com rebozo

O rebozo é um tecido parecido com um xale e usado por doulas para mobilizar a pelve da gestante. Há algumas manobras feitas com o auxílio do rebozo que ajudam bastante! Se você tiver uma doula em seu parto, converse com ela a respeito.

4. Homeopatia

Homeopatia também é um recurso. A substância "Pulsatilla 6CH" é a indicada. Mas consulte um homeopata antes para ver se não há contra-indicações.

5. Versão externa
É o reposicionamento do bebê feito pelo médico manualmente. Deve ser realizado somente por profissionais bem treinados e capacitados. É uma manobra dolorosa para a mãe, sendo muitas vezes necessária a administração de analgesia ou analgésicos.

Fontes:
http://www.birthinternational.com/
http://www.gentlebirth.org/archives/breechcl.html
Recomendo a leitura dos dois blogs citados acima para ler os artigos completos. Uma decisão só deveria ser tomada após obter informação a respeito.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”


Por Hugo Sabatino
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”, escrito por Raphael da Câmara Medeiros Parente (Médico do Ministério da Saúde - HSE; Doutor em Ginecologia - UNIFESP; Mestre em Epidemiologia - UERJ) e publicado no Jornal do CREMERJ - ABRIL 2009 - páginas 8 e 9.

"Atualmente, há uma forte campanha governamental a favor da humanização do parto e do parto vaginal. "

RESPOSTA: Esta informação é no mínimo incompleta e tendenciosa, já que as intervenções do governo Brasileiro para redução da cesárea começaram em 1979 com o pagamento igual de honorários médicos no parto vaginal e de cesárea do INAMPS. Continuando nos anos subseqüentes até nossos dias, pelo tanto esta campanha está cumprindo 30 anos , intensificada na era do atual Governador José Serra, quando ele era ministro da Saúde.

"Este conceito de humanização, há muito distorcido, é usado para retirar substancialmente o médico do atendimento obstétrico. Para isto, são divulgadas informações erradas e levianas de que os médicos são menos “humanizados“ que outros profissionais de saúde, que são os únicos responsáveis por altas taxas de cesariana com o objetivo único de preservar sua rotina e aumentar seus ganhos e que não respeitam a autonomia e o desejo das mulheres pelo parto vaginal. Vem sendo dito, inclusive, que o médico não sabe mais realizar um parto vaginal, dando a entender que esta capacidade somente é dominada pelas parteiras, enfermeiros, obstetrizes etc."

RESPOSTA: De fato o conceito de humanização é frequentemente interpretado em forma distorcida, inclusive pelo responsável deste documento, ao qual estou respondendo. Em várias publicações de nosso grupo na Universidade de Campinas, temos identificado, em casos de baixo risco, os seguintes pilares da Humanização:
A) Respeito aos processos fisiológicos da Gestação, parto, puerpério e amamentação materna;
B) Participação multiprofissional e interdisciplinares; e
C) Respeito as costumes regionais e individuais do casal .
Sem a presença destes três pilares não pode ser considerada a atenção ao nascimento de baixo risco, como humana. O problema é complexo porém bem claro para não abrir mão destes pilares. Realizar a finalização de uma gestação de baixo risco, mediante uma cesárea, sem causa médica que a justifique, ainda que esta seja a pedido da gestante (as indicações médicas estão identificadas claramente em todos os livros da especialidade), é uma conduta médica que não respeita os processos fisiológicos do trabalho de parto, parto e nascimento, por este motivo o procedimento cirúrgico realizado de forma desnecessária, deixa de ser um procedimento natural, humano ou fisiológico. Esta situação está bem explicada em todos os livros de texto da especialidade. Aquele profissional que não respeita este principio se coloca por em cima de este processo normal natural (humano), tentando com esta atitude superar este processo fisiológico, delicado, e bastante complexo que envolve qualidade de vida de duas pessoas e de uma família, Seria como pretender modificar fenômenos naturais como a saída do sol ou de um entardecer. O que podemos sim é participar ou assistir a esses fenômenos para sua contemplação com uma boa companhia, porém o que não podemos, ainda que sejamos profissionais competentes e inteligentes de ser capaz e melhorar esse processo. Em relação a querer melhorar o fenômeno do nascimento através de uma cesárea estou colocando a foto e comentário a este respeito, do eminente e respeitado Prof. Dr. Bussâmara Neme, matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 15 de Fevereiro deste ano. Pelo tanto aqueles médicos que realizam este procedimentos seguramente são menos humanos que aqueles que respeitam o processo fisiológico do nascimento em casos normais, e esta não é uma definição leviana e sim fundamentada na fisiologia do processo. O prestigioso pesquisador Holandês Pieter Eric Treffers (1996), na Guia de Maternidade Segura da OMS, nos informa que: “A Obstetrícia deve acompanhar a fisiologia. Intervenções cirúrgicas devem prevenir ou corrigir patologias e não aperfeiçoar a fisiologia”. Por outro lado todos os livros de cirurgia colocam a operação cesáreas como sendo “cirurgia de alto risco”, devido a que o cirurgião deve invadir o peritônio, aumentando com isto os riscos durante e após a cirurgia, sendo que no caso das cesáreas este risco se estende também a próximas gestações como o demonstram os estudos de Clark (1985). Fig. 2 Estes dados demonstram claramente que desde o ponto de vista dos riscos as mulheres que são submetidas a cesáreas desnecessárias estarão sendo colocadas (sem causa) em próximas gestações a riscos que aumentam significativamente a padecer de um acretismo placentário, o que pode de fato ser muito difícil de corrigir, colocando a vida da mulher em um grupo de maior chance de morte (lamentavelmente esta informação não e transmitida as mulheres que solicitam cesáreas desnecessárias). Esta atitude de sonegar informação esta em conflito com o juramento Hipocratico que diz “Primeiro não fazer dano” (Primum non noccere).
Leia o artigo na íntegra aqui.
Fonte: Grupo de Parto Alternativo - CAISM/UNICAMP

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mulheres desafiam médicos e aguentam a dor para dar à luz em casa

Elas dispensam tecnologia e anestesia para parir no conforto do lar.

Se você tivesse duas opções: sentir dor ou não sentir dor, qual escolheria? Um grupo de mulheres não tem dúvida: não ligam de sentir dor, quando ela compensa. São mães que abriram mão dos confortos da medicina moderna e tiveram seus filhos “à moda antiga”: em casa. A prática ganha cada vez mais adeptas, mas não têm o apoio de boa parte dos médicos.

“Fiquei 45 horas em trabalho de parto e oito horas em trabalho de parto ativo, com contrações regulares de minuto em minuto”, conta a cantora Ana Ariel, de 26 anos.

Parece muito sofrimento? Pois Ana afirma que foi exatamente o contrário: um alívio. “Pude depois de duas horas já tomar meu banho, no nosso banheiro, deitar na nossa cama, na nossa casa. E comer o merecido prato especial do maridão”, conta.

Ela não é a única. “Só de pensar que minha filha poderia ficar em observação quatro horas longe de mim me dava arrepios”, afirma a professora de yoga Fabiana Higa. “Em nenhum momento me passou pela cabeça ir para o hospital. Mesmo nas piores dores”, diz Fabiana que deu à luz em sua nova casa, que não tinha sido nem montada, nem tinha energia elétrica. Por pouco, a filha não nasceu no hotel. “Luana nasceu no aconchego dos braços dos pais”, conta ela

“Pode parecer meio doida toda a história, mas foi sensata do ponto de vista da natureza. Parir é um ato fisiológico extremamente natural da mulher”, diz Fabiana. A arquiteta Fernanda Passos, de 29 anos, concorda. “O nascer de um filho já é um evento único na vida de uma mulher e participar ativamente desse processo é incrível”, afirma ela, que no começo da gravidez nem considerava a possibilidade de parir em casa. “Me faltava coragem”, admite Fernanda.

A decisão só ocorreu após uma pedra no rim. “Fiquei cinco dias internada no hospital que eu teria minha filha. Queria fugir de todos aqueles procedimentos dos hospitais, da burocracia e das regrinhas ditadas por enfermeiras”, conta a arquiteta. “Logo que saí, falei para meu marido que não queria colocar meus pés lá nunca mais, que não conseguia me ver parindo naquele lugar”, avisou Fernanda.

Foi quando ela começou a primeira parte da “batalha” que as mães que querem ter seus filhos em casa enfrentam. Round 1: o marido. “Ele já foi logo dizendo: ‘não inventa!’", conta Fernanda. “Ele dizia que queria estar cercado de tecnologia, que se sentiria mais seguro.”

A discussão só foi vencida com o tempo. Em vez de brigar, Fernanda passou a contar relatos de partos domiciliares, informava dados sobre o assunto e levou o marido para um curso de preparação para o parto. “No curso ele percebeu o quão simples é nascer, tomou conhecimento da importância da mulher se sentir segura e a vontade para parir”, conta a arquiteta. “No segundo dia do curso, ele disse: ‘se você quer mesmo ter nossa filha em casa é melhor mandar arrumar o aquecedor’”.

Pacientes x Médicos

Depois de convencer o marido, vem a segunda parte: o médico. Fernanda abriu o jogo com sua ginecologista e teve o apoio dela. Na hora do parto, a médica foi até sua casa e fez o parto. Fernanda Higa também contou com o apoio do obstetra. “O médico deixou a decisão nas nossas mãos. Claro, ele alertou, mas a palavra final foi nossa. Ele respeitou o meu desejo.”

Mas isso é raro. Ana Ariel conversou com sua médica e a profissional concordou em limitar a intervenção médica ao mínimo possível – desde que o parto fosse no hospital. A cantora apresentava risco de parto prematuro, mas mesmo assim não abriu mão de parir em casa. O parto ocorreu apenas com o marido e uma parteira.

Grávida de 22 semanas, a terapeuta ocupacional Carla Arruda, de 25 anos, nem pretende informar seu médico da decisão de ter seu filho, Henrique, em casa. “Há muito preconceito e me expôr a um médico que não acredita no parto domiciliar só me traria desgaste. Faço apenas o pré-natal com esse médico para ter referência em meu hospital caso necessite ser internada ou algo de errado aconteça na minha gestação”, conta ela.

Leia o restante do artigo aqui.

A foto é do parto domiciliar de minha filha, ocorrido em outubro de 2004. Depois que o bebê nasce, a gente esquece de toda a dor. Basta olhar para meu grande sorriso com minha filha nos braços, logo após seu nascimento. Um parto de cócoras, sem drogas, sem intervenções, totalmente natural e extremamente empoderador.


sábado, 28 de março de 2009

Trailer do documentário "Orgasmic Birth"

Eu já havia postado aqui antes o resumo do documentário Parto Orgásmico (Orgasmic Birth) de Debra Pascali-Bonaro.

Publico agora o trailer do filme. Lindo. Emocionante. Vale a pena assistir. Confesso, constrangida, que ainda não assisti. Grande falha minha, que pretendo corrigir em breve.

"Desafiando o mito de que é doloroso e perigoso por natureza e deve ser deixado nas mãos dos médicos, o filme mostra as potencialidades emocionais, espirituais e físicas do parto. Acompanhamos de forma íntima onze mulheres que num trabalho de dar a luz o mais natural possível, gemem, beijam, riem e até gozam. O depoimento de vários especialistas no assunto, médicos e parteiras, junto com as mães, comprovam que estatisticamente esta é uma forma de parir mais saudável e mais segura, tanto para a mãe quanto para o bebê."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Famosa teve parto de cócoras!


Cássia Linhares: 'Fiz um parto de cócoras como as índias'

A atriz Cássia Linhares tornou-se mãe no dia 30 de dezembro de 2008. De parto de cócoras, ela deu à luz Eduarda, que nasceu com 3,3kg e 49cm, no hospital Barra D'Or.

- Mesmo na emergência, pois nenhuma maternidade tinha vaga disponível, conseguimos fazer um lindo parto humanizado, de cócoras como as índias - conta a atriz, que se diz realizada com a maternidade. - Estou completamente apaixonada, mudada, melhorada e tudo mais 'ada' de melhor no mundo.

De tão agarrada que já está à filha, a atriz não sabe nem se vai contratar uma babá:

- E sabe que nem sei se terei por enquanto, estou com tanto ciúmes dessa menina. Ai, que amor é esse?!

(Notícia retirada daqui.)

O parto de cócoras é um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade, mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não se tem mais a compressão de importantes vasos sanguíneos que acontece com a mulher deitada de costas. (Retirado daqui)

Desde a mais remota antigüidade, as mulheres procuravam posições que facilitassem o parto. Nas gravuras antigas o mais comum é ver mulheres ajoelhadas, de cócoras, ou em banquinhos baixos de parto. De um jeito ou de outro o que se observa é que as costas estão em posição vertical. A posição das pernas é variável.

Na civilização ocidental, com a entrada da figura do obstetra no parto, as mulheres foram colocadas deitadas de costas em mesas cada vez mais específicas, com as pernas abertas, para que a região genital pudesse ser bem observada. E assim é que funciona até hoje, para a maioria dos médicos e hospitais.

Algumas vantagens do parto de cócoras:

- O parto é mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade;

- A oxigenação do bebê é melhor, pois não ocorre a compressão da veia cava pelo peso do útero;

- A necessidade de episiotomia é menor;

- A mulher se sente mais no controle da situação;

- O companheiro tem uma participação mais ativa ao prover o suporte da posição.

(Retirado daqui.)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mulheres redescobrem o parto natural

O Brasil é um dos recordista de cesarianas no mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza uma taxa ideal em torno de 15% do total desse tipo de intervenção nos partos, no País, ainda de acordo com o órgão, alguns serviços privados de saúde atingem cifras de mais de 90%. Até na rede pública brasileira as cesarianas ficam entre 30 e 40%. Contudo, algumas mulheres invertem a tendência e estão preferindo o parto natural. Em Curitiba, um dos maiores defensores desse método foi o médico obstetra Moysés Paciornik, que morreu em 26/12/2008, após sofrer uma parada ardíaca ao ser submetido a uma cirurgia.


Além de defender que os bebês nasçam por intervenção cirúrgica apenas quando houverem riscos para a vida da mãe ou da própria criança, ele foi um grande divulgador dos benefícios do parto de cócoras. Nele, como o próprio nome diz, as mulheres têm seus filhos acocoradas - como fazem as integrantes de tribos indígenas - e não deitadas.“O parto normal deitado nasceu na Europa, mas não é o mais indicado à saúde da mulher, pois pode causar problemas no canal vaginal. As mulheres que passam por ele, quando estão perto da menopausa, geralmente apresentam problemas de útero e bexiga. Em contrapartida, isto não acontece com as índias, que geralmente têm dezenas de filhos sem passar por cesariana e permanecem com a saúde perfeita”, afirmou o médico durante entrevista concedida a O Estado na semana anterior ao Natal. Segundo Moysés, quando a gestante deita para ter o filho, seu canal vaginal se estreita em torno de 28%, o que dificulta a passagem do bebê e o obriga a forçar caminho para nascer.

Já no parto de cócoras, o períneo (região que, para as mulheres, começa na parte de baixo da vulva e vai até o ânus) vai para trás e a bexiga sobe, o que faz com que o canal de parto se alargue e o nascimento seja facilitado.

“O parto de cócoras é menos dolorido e muito mais rápido, pois a mãe empurra a criança de maneira mais fácil. Quando comecei a divulgá-lo por aqui (no Paraná), há cerca de 30 anos, ele foi muito criticado. Porém, atualmente, está sendo cada vez mais aceito e tido seus benefícios reconhecidos”, declarou. “O parto de cócoras é muito gratificante para a mulher, pois é ela quem o realiza e não o médico. Além disso, ela vê o filho nascer, o que não acontece no parto deitado.” Em Curitiba, no hospital público Victor Ferreira do Amaral e no particular Santa Cruz, já existem mesas de parto especiais que permitem que a mulher fique em variadas posições e não apenas deitada.
Vivência
A missionária Cynthia Palumbo, de 46 anos, vivenciou tanto a experiência de ter um filho por cesariana quanto por parto normal de cócoras. Há 26 anos, devido a algumas complicações gestacionais, ela teve seu primeiro filho por procedimento cirúrgico.
Na segunda gestação, ficou decepcionada ao ouvir de um médico que, por ter tido o primeiro bebê por cesariana, não conseguiria ter o segundo de forma natural. Foi então que ela procurou Paciornik e conseguiu fazer o parto de cócoras. Posteriormente, teve outros cinco filhos por este método, sendo o último há dez anos.

“O primeiro parto de cócoras foi um pouco difícil, mas mesmo assim bem mais tranquilo do que a cesárea. A partir do segundo, foi ficando cada vez mais rápido e fácil. Além disso, a recuperação é muito mais rápida. Nos dias seguintes à cesariana, eu mal conseguia levantar em função da dor que sentia e era mais difícil fazer as coisas, inclusive cuidar do bebê.”
Artigo publicado no Paraná Online em 01/01/2009.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Memórias de um Ex-cesarista



Recebi este excelente texto de autoria da Dydy, cuja parte inicial eu transcrevo aqui. Vale a pena ler!


Memórias de um Ex-cesarista


Antes eu era um obstetra normal. Era chamado para as festas corporativas de final de ano, dormia a noite inteira e raramente recebia ligações de gestantes nos feriados. E se acontecesse, eu ligava para um colega de plantão e ele operava pra mim.Tinha uma vida social e ia a todos os compromissos pré-agendados, inclusive minhas cesáreas. Tudo pontualmente.


Foi quando conheci a Clara, uma enfermeira recém formada em obstetrícia, contratada para humanizar o parto numa das maternidades em que eu operava. Essas “pressões do governo para reduzir cesárea, sabe como é. Pensei que fosse só pra constar. Afinal, eu já tinha uma postura muito humanizada, oras. Entre a extração do bebê e a seção de tubos nasais da pediatra, eu mostrava a criança rapidamente para a mãe, que ficava emocionada. Mas a pediatra precisava fazer o trabalho dela e isso era o prioritário naquele momento. A mãe teria o resto da vida para curtir. Uma noite sem ele, não mudaria nada.


Enfim, esta Enfermeira começou a conversar com as gestantes que chegavam antes de eu chegar, até que um dia, as peguei numa posição constrangedora: ela e a “mãezinha” de cócoras! Até então só tinha visto tamanha acrobacia em filmes eróticos muitos selecionados. Peguei a doente e operei antes que acontecesse algo pior.


Um dia quando fui ao hospital após a ligação de uma paciente “pós-termo” (40 semanas) e, enquanto me paramentava, escutei um gemido suave e um choro de bebê. Corremos para salvá-los, mas já era tarde. O feto nasceu de um parto completamente “contaminado”. E por sorte, ficaram bem, e tiveram alta após uma semana de nosso ritual de descontaminação. Fizemos o que pudemos: antibióticos, desinfecção. Nunca cheirei tanto éter na vida....


Por pouco não cai no chão. Nas mãos de uma enfermeira que dizia “Acostume-se, ‘doutor’, no futuro os partos serão assim...” O que ela sabia sobre futuro com estas práticas retrogradas? Foi muito traumatizante pra mim, mas pelo menos, ambos sobreviveram.


Para ler o final da história, clique aqui. :-)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar do filho de Márcio Garcia causa polêmica

"Uma reportagem do jornal O Dia de hoje fala sobre a polêmica que causou o parto do filho do ator Márcio Garcia e de Andréa Santa Rosa, realizado em casa. "

Eu vi o post acima sobre a polêmica do parto domiciliar do Márcio Garcia e Andréa Santa Rosa no blog Nave Mãe e resolvi colocar a reportagem aqui:

Parto em casa: uma técnica polêmica

Obstetra afirma que conforto do lar não compensaria falta de segurança

Dar à luz de forma natural, sem injeções e anestesia, dentro da própria casa? Ou optar por ter o bebê num hospital e contar com profissionais e equipamentos preparados para qualquer imprevisto?

O nascimento do pequeno Felipe, filho de Andrea Santa Rosa e do ator Márcio Garcia, em casa, alimentou a polêmica em torno dos partos caseiros. A criança veio ao mundo pelas mãos da enfermeira Heloísa Lessa, 48 anos, parteira há 20. Com 202 nascimentos no ‘currículo’, ela crê que a mulher precisa “colocar o bebê” por conta própria, sem interferências externas, na posição em que mais se sentir confortável e num ambiente acolhedor. Tudo isso para que os hormônios citocina e endorfina — necessários ao parto — sejam produzidos naturalmente.

Leia a reportagem completa aqui.

Ainda sobre este assunto, coloco aqui a entrevista que a revista Caras fez com a parteira Heloísa Lessa, sobre o parto domiciliar da Andréa Santa Rosa:

Mulher de Márcio Garcia dá à luz em casa... sem anestesia. Andréa Santa Rosa já está bem após ter dado à luz Felipe, na manhã de ontem, na residência do casal, no Rio de Janeiro.

De acordo com a enfermeira obstetra Heloisa Lessa, responsável pelo nascimento do terceiro filho do ator, o parto domiciliar, sem anestesia, é doloroso, mas proporciona um prazer enorme à mãe e ao bebê e, inclusive, diminui a ocorrência de depressão pós-parto. "Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites, é uma viagem", declarou a parteira em entrevista exclusiva ao Portal Caras.

Ela já realizou mais de 200 partos fisiológicos ou naturais, ou seja, sem o uso de anestesias ou fórceps. Há quase duas décadas atuando nas casas das gestantes, Heloisa conclui que o método está virando uma tendência. "Até o ano 2000, fazia três partos por ano. Agora, são 35 a cada 12 meses em média".

Por Patrícia Moraes

-Foi a primeira vez que Andréa deu à luz em casa?
-Sim. A primeira vez, no nascimento de Pedro, foi cesariana. Na segunda, quando Nina nasceu, ela fez um parto normal no hospital e com anestesia. A Andréa é do tipo de mulher que não gosta de tomar remédios. Então, optou pelo parto fisiológico, em casa.

-E como a mulher se prepara para esse tipo de parto?
-Ela tem que se convencer de que é capaz de dar à luz sem anestesia, como deve ser. Mais de 85% das mulheres são capazes, as outras têm mesmo que procurar o hospital. Não há ritual, nem preparação. Há um pré-natal bem feito, para se ter informações sobre a saúde de mãe e filho. Se não corresse tudo bem com a Andréa, por exemplo, nós iríamos para um hospital. Tenho uma equipe de plantão para qualquer emergência.

-Como é o nascimento?
-No caso do Felipe, a Andréa começou a sentir contrações às 21h e ele só nasceu às 6h30. No intervalo entre as contrações, a mulher descansa. Quando vem aquele pico de dor, eu faço massagem, seguro a mão e converso com a parturiente. Tudo para acalmá-la e não prejudicar o momento.

-O que acontece com o corpo da mulher ao ser adotado esse tipo de procedimento?
-Há muita liberação de hormônio. Ao contrário do parto no hospital, que estressa a mulher por causa da preparação, dos médicos e do ambiente, o parto em casa é perfeito para a mulher relaxar e curtir o momento. O organismo libera oxitocina, responsável pelas contrações, e endorfina, que, como a cocaína, proporciona um prazer enorme. É uma verdadeira viagem. Tem que passar por isso para entender.

-E a dor?
-É grande. Não vou dizer que a mulher não sente nada. Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites. Toda mulher, na hora, fala: 'Eu não agüento mais'. A Andréa chegou a dizer que queria desistir. Aí, eu liguei para o hospital e disse que estávamos indo. Quando desliguei o telefone ela disse: 'Já cheguei até aqui. Vamos continuar'. E o bebê nasceu. Como era de madrugada, o Márcio estava dormindo e acordou quando a cabecinha do bebê já estava aparecendo. Foi uma experiência incrível para pai, mãe e bebê.

-Como é após o nascimento?
-O bebê nasce e logo vai mamar no peito. Isso aproxima a criança e mulher. Por isso, não há depressão pós-parto depois desse procedimento. A satisfação da mulher é enorme. Peço que a mãe fique em casa, em repouso, por uma semana, acompanhando cada novidade do filho. Depois, tudo volta ao normal.

-A senhora tem filhos?
-Tenho três. Minha história é muito parecida com a da Andréa. Na primeira gravidez, não estava muito ambientada com a idéia do parto natural, meu bebê estava sentando, então, fiz cesárea. Mas, já no segundo, quis fazer parto normal. Foi de cócoras, com as luzes apagadas. No terceiro, foi em casa. Minha neta, Julia, de 2 anos, também nasceu assim. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Foi lindo.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar de Famoso!





Bebê veio ao mundo nesta quarta-feira, 10, de parto natural.

Um ambiente tranqüilo, familiar e sem a intervenção de medicamentos. Foi assim que Felipe, terceiro filho do ator Márcio Garcia e de sua mulher, a nutricionista Andréa Santa Rosa, veio ao mundo na manhã desta quarta-feira, 10, na casa do casal, no Joá, na Zona Sul do Rio. Pesando 3.950kg, o bebê nasceu às 6h da manhã, na cama do casal, e sem o uso de anestesia no parto. O nascimento foi assistido pela parteira Heloísa Lessa e pelo paizão Márcio, que fez questão de acompanhar tudo de perto.

“A Andréa estava bastante tranqüila, porque já sabia bastante coisa sobre o parto natural. Tanto é que ontem (09) ela estava no dentista quando começou a sentir algumas dores, mas continuou o tratamento e foi para casa numa boa”, contou a mãe do ator Eliana Garcia, que fez questão de ir paparicar o neto logo cedo.
Para continuar lendo a matéria, clique aqui.
Assim como a Fernanda Lima, que teve seus filhos gêmeos de parto normal, a mulher de Márcio Garcia optou por um parto domiciliar assistido por parteira. Só tenho que elogiar aos dois, por terem feito uma escolha tão bela, consciente e empoderadora e ainda tornar isso público.

Quem sabe assim mais mulheres desfaçam o mito do parto domiciliar e vejam que afinal de contas, não é um bicho de sete cabeças, é mais uma opção - senão a melhor - de parir um filho.
Não é necessário um hospital, nem procedimentos médicos, nem anestesia e nem tecnologia para parir. Tudo o que se necessita é de apoio, carinho e um profissional qualificado para atender o parto - e este não precisa ser, necessariamente, um médico.
Parabéns, Andréa Santa Rosa e Márcio Garcia, é de celebridades como vocês que o Brasil precisa!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Hoje é Aniversário de minha filha!


Minha querida filha Melissa Nicole está completando 4 anos de idade na data de hoje!


A festinha dela vai ser na escola hoje, amanhã vou postar as fotos aqui no blog.

Com o nascimento da Melissa, meu sonho de ser mãe de uma menina se concretizou. Eu a tive em casa, em um maravilhoso e empoderador parto domiciliar, após sete horas de trabalho de parto ativo. O parto dela foi tranqüilo e perfeito, apesar de dolorido. Mas valeu a pena, pois eu pude tê-la do jeito que eu queria. Sem intervenções, sem anestesia e sem lacerações. Recuperação rápida e fácil. Com o parto dela, eu me realizei completamente como mãe e como MULHER.
Parabéns, minha querida filha. Que Deus ilumine sempre tua vida e que tu sigas os desígnios dEle. Mamãe te ama muito e Jesus também. :-)
Update em 31/10/2008:
As fotos da festinha estão aqui. A Melissa ficou linda, vestida de Cinderela! :-)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A ''epidemia'' dos partos cirúrgicos


Gilberto Dupas*


Nos últimos meses, a comunidade médica dos obstetras agitou-se em razão das medidas tomadas pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) procurando incentivar as mães a optarem pelo parto normal. Corporativismo e onipotência à parte, estamos cansados de saber que a aliança entre interesses financeiros dos hospitais, conforto dos médicos e comodismo ou receio mal esclarecido das mães têm feito dos partos cirúrgicos, com seus riscos de intervenção de grande porte, uma verdadeira epidemia no Brasil.

É interessante lembrar que a hospitalização para o parto foi fato histórico-social traumático e prepotente. Ainda antes da anestesia e das técnicas mais elementares de assepsia - quando a internação tentou ser imposta como norma, rompendo uma tradição de milênios de partos feitos em casa e assistidos por mulheres experientes - as gestantes tiveram de ser "forçadas" à internação hospitalar e reagiram duramente. A razão principal era a "percepção" de violência e perda de intimidade. Mas havia outra razão importante: a propagação das infecções produzidas pelos médicos ao manipularem as mulheres "em série" nos hospitais, sem que sequer lavassem as mãos, o que aumentava em muito o índice de mortalidade nos partos. Na verdade, ao se liberar de maneira radical das crenças metafísicas, a medicina contemporânea operou uma verdadeira má revolução ética e uma ruptura do seu compromisso de estar a serviço do doente, e não da doença. Separando o doente - subjetivado na relação consigo mesmo e com seu médico - do combate à doença, o discurso médico não é mais capaz de levar em conta na sua prática o drama imaginário, a determinação simbólica e o aspecto ético do sofrimento na relação medicina-doença. O médico não pergunta mais "como você está se sentindo", mas "passe-me seus exames". E são muitos, e muito caros, os exames. O sofrimento fica restrito à doença e a dor, à neurofisiologia.

Para essa medicina tecnocientífica, o doente não é mais que o porta-voz dos sinais da sua doença através dos seus sintomas. Um exemplo importante são os procedimentos ligados ao nascimento de uma criança. A medicina transformou-o de uma função fisiológica - para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado - num evento fundamentalmente cirúrgico-hospitalar. Como lembra Vera Iaconelli, o corpo humano passa a ser considerado incapaz e necessitado de "constantes correções de seus desvios biológicos". Todo aparato hospitalar, diretamente ligado à história da industrialização e do capitalismo, vem sendo criticado há décadas e, no entanto, encontra incríveis resistências para ser modificado. Proliferam hospitais modernos e equipamentos sofisticados, mas o "médico da família" desaparece.

No Brasil, quase 80% dos partos no serviço privado são feitos por cesariana, quando a Organização Mundial da Saúde a recomenda em apenas 10% a 15% dos casos. A redução desse índice tem encontrado enormes resistências, a principal delas é o aparato médico-hospitalar e seus interesses econômicos e de conforto. Na rede pública brasileira, esses índices caíram quando o reembolso do parto cirúrgico passou a ser reduzido em relação ao normal. Maternidade é vista como fábrica; parturiente, como máquina; e bebê, como produto. O parto, transformado em evento cirúrgico, vê na mulher meramente um recipiente a ser esvaziado. A ênfase na rapidez e no controle - que predominam nos partos - atrapalha os pais em se apoderarem de seu novo papel, levando-os a duvidar de sua capacidade futura de cuidar dos seus filhos. Vera Iaconelli lembra que o atendimento à gestante é um dos "exemplos mais notáveis da forma pela qual se lida com as questões da subjetividade, pois o espaço das elaborações do vivido mostra-se subtraído e evitado", imprimindo ao parto - início de uma nova vida - a marca registrada tecnológica contemporânea de lidar com o corpo, com a sexualidade e com a morte: banalização ou ocultamento.

Curioso notar que, quando as maternidades de hospitais de luxo querem "modernizar" seu atendimento de parto, introduzem pequenas concessões, como permitir ao bebês ficarem no quarto com a mãe ou serem colocados sobre seu colo, por alguns instantes, ainda na sala de parto. Só muito recentemente as normas hospitalares reconheceram as óbvias advertências de que crianças saram mais depressa em ambiente hospitalar quando a mãe pode ficar com elas nas internações, ou quando têm acesso a salas com jogos e pequenas diversões eventuais, como os chamados "médicos da alegria". Décadas de lutas se passaram para que os lobbies dos grandes fabricantes mundiais de leite em pó fossem parcialmente vencidos e médicos mais responsáveis voltassem a insistir no papel essencial do aleitamento materno exclusivo, para a saúde do bebê. Na realidade, são todos resquícios de um saber milenar que a medicina moderna havia rejeitado.

Enquanto isso, hospitais de periferia carentes de recursos substituem com enorme vantagem as caríssimas, invasivas e "frias" incubadoras pelos hábitos consagrados das "mães-canguru". Ou seja, arrogância e intolerância sempre embalaram as importantes e evidentes conquistas da medicina contemporânea.

Donald Woods Winnicott, famoso pediatra e psicanalista, já dizia sobre o parto que médicos são muito necessários quando algo dá errado. Mas "não são especialistas nas questões relativas à intimidade, vitais tanto para a mãe quanto para o bebê", que precisam apenas de "recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria". É o oposto do que faz, infelizmente, o aparato médico-cirúrgico contemporâneo.

*Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional (IRI-USP), presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais, O Mito do Progresso e o recém-lançado romance O Incidente

Artigo publicado no Estadão neste sábado, 18/10/2008, Dia do Médico.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Celebridades, Parto Normal e Cesárea Desnecessária

Muitas pessoas se inspiram nas celebridades, por isso o Ministério da Saúde as tem usado para promover suas campanhas de incentivo ao parto normal e da amamentação. Mas é sempre bom separar o joio do trigo, sabendo que nem todas as celebridades são um bom exemplo a ser seguido, principalmente quando elas optam por uma cesárea eletiva (e desnecessária), deixam o filho recém-nascido para trabalhar ou desmamam precocemente seus bebês.

A Renata, do blog Mamíferas, escreveu um excelente texto a respeito da experiência de amamentação das celebridades e que vale a pena ler. Ali, ela fala bandeira levantada pelas mulheres de "não ser menos mãe" e da preciosa oportunidade que essas mulheres deixam de aproveitar para crescer e se empoderar.

Eu digo mais: as mulheres que optam por uma cesárea eletiva, ou que queriam um parto normal, mas acabam sofrendo uma cesárea e se resignam, dizendo: "Não deu para ser parto normal, mas meu bebê nasceu bem e eu não sou menos mãe por causa disso", sem ao menos questionar o porquê daquela cesárea, estão enganando a si mesmas. (É importante dizer que eu não sou contra a cesárea, e sim contra a cesárea desnecessária e sua conseqüente banalização)

Em um universo de 80% de cesáreas em hospitais privados, dá para perceber que algo está errado: ou as mulheres perderam a capacidade de parir, ou a cesárea está sendo banalizada e as mulheres adotam o discurso "não sou menos mãe" para não se sentirem inferiorizadas em relação às mulheres que tiveram seus filhos de parto normal. Aceitar passivamente que "não deu para ser normal" e considerar a cesárea como um "parto indolor" tem sido prejudicial para as mulheres que vão ter seus bebês após elas.

Em minha opinião, Cada vez que uma mulher opta por uma cesárea eletiva, ela está diminuindo as chances de outra mulher ter seu filho de parto normal, pois o médico irá induzir essa outra mãe a ter seu filho de cesárea, para facilitar a vida dele. Quanto mais mulheres tiverem seus filhos de cesárea desnecessária, mais mulheres terão que lutar para ter seus filhos de parto normal e não serem bem sucedidas em muitos casos, como eu já vi acontecer. Isso é o mais triste: essas mulheres querem ter seus filhos de parto normal e não conseguem, porque os médicos não estão mais preparados para atender um parto e sim fazer uma cesárea, que deveria ser feita em somente 15% dos casos.

Por isso, é louvável quando celebridades como a Fernanda Lima têm seus bebês de parto normal, para mostrar às mulheres que é possível sim, parir o filho naturalmente, sem precisar recorrer à cesárea desnecessariamente.

Mais louvável ainda é quando mulheres comuns se unem para dar orientação e apoio umas às outras, como os sites Amigas do Parto e Parto do Princípio e a ONG Amigas do Parto. Com essas iniciativas, as mulheres brasileiras têm acesso a informações e têm a oportunidade de vivenciar um parto normal e empoderador, além de conseguir amamentar seus filhos.
Aproveitem e leiam esta reportagem da revista Galileu: Parto sem Cortes, que mostra a história de mulheres que optaram ter seus bebês de parto natural, sem a aplicação de anestesia e até mesmo longe de médicos e hospitais.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Filmes: Parto Orgásmico e O Aborto dos Outros

Parto Orgásmico

(Orgasmic Birth) de Debra Pascali-Bonaro.

Documentário. Estados Unidos, 2007. 87min.

Desafiando o mito de que é doloroso e perigoso por natureza e deve ser deixado nas mãos dos médicos, o filme mostra as potencialidades emocionais, espirituais e físicas do parto. Acompanhamos de forma íntima onze mulheres que num trabalho de dar a luz o mais natural possível, gemem, beijam, riem e até gozam. O depoimento de vários especialistas no assunto, médicos e parteiras, junto com as mães, comprovam que estatisticamente esta é uma forma de parir mais saudável e mais segura, tanto para a mãe quanto para o bebê.


O filme será exibido aqui em Porto Alegre no dia 11/10/08, sábado, às 10 horas da manhã, na Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul (Rua Gen. João Telles, 317).

Ingressos SOMENTE antecipados com zezedoula@gmail.com.

O Aborto dos Outros

de Carla Gallo.

Documentário. Brasil, 2008. 72 min.

Ninguém é a favor do aborto, tampouco a mulher que se submete à prática. Talvez seja esta a principal mensagem do filme O Aborto dos Outros, da diretora Carla Gallo, que estreou no início de setembro em São Paulo.

Apresentado como “um filme sobre a maternidade, afetividade, intolerância e solidão”, o documentário traz depoimentos de mulheres que viveram a experiência do aborto, da adolescente engravidada por estupro à mãe que descobre a malformação do feto.

As filmagens ocorreram no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp e em mais três hospitais que prestam atendimento para casos previstos em lei, dentro do Programa de Aborto Legal: Hospital Pérola Byington, Unifesp e Hospital do Jabaquara, estes da Capital. “É um filme que precisa ser visto e comentado, cujo maior mérito está em abordar a problemática do aborto com foco nas mulheres. Ele é duro do ponto de vista emocional, mas mostra com serenidade e clareza que não se trata de uma experiência fácil, mesmo para a mulher opta pelo aborto”, diz o ginecologista e obstetra Ricardo Barini. Ele aparece no documentário realizando o ultrassom e depois a interrupção da gestação de um feto anencéfalo, autorizada por um juiz de Campinas.

"Não é um filme panfletário, longe disso. É uma proposta de discussão sobre um problema gigantesco da sociedade brasileira, que criminaliza o aborto, mas é um dos países com maiores índices nessa prática (1.200 mil por ano, segundo estimativas do ministério da saúde, 2007/ uma a cada 4 gestações é interrompida voluntariamente)", diz Carla Gallo, diretora do filme.

O filme será exibido aqui em Porto Alegre no Cine Santander Cultural, na 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, no dia 25/10/2008, sábado, às 19 horas. Entrada Franca.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Parto domiciliar aumenta no Reino Unido


Parto domiciliar aumenta no Reino Unido, à medida que mais mulheres têm receio de infecções hospitalares e da diminuição de obstetrizes nos hospitais

Daniel Martin – 26/09/2008 – Publicado no Daily Mail, traduzido para o Português por mim .

Mais mulheres no Reino Unido estão escolhendo parir em casa, para evitar os hospitais públicos e o risco de infecções.

Os partos domiciliares constituíram 2,7% de todos os partos na Inglaterra e País de Gales em 2006, o último ano em que as estatísticas estão disponíveis.

Isso representa 18.100 mulheres parindo seus filhos em casa naquele ano, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.
Os números de partos domiciliares estão gradualmente aumentando desde 1988, cujo índice era de apenas 0,9%.
Os especialistas dizem que as mulheres optam por parir em casa porque elas serão atendidas durante todo o tempo por uma obstetriz (ou parteira), e elas podem assegurar que sua casa estará limpa.




A falta de 5.000 obstetrizes do sistema público de saúde inglês significa que, em alguns hospitais, uma obstetriz tem que atender três mulheres ao mesmo tempo.



Uma recente pesquisa feita pela Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido encontrou 23% das gestantes mal alimentadas no hospital, enquanto que 26% disseram que haviam sido deixadas preocupadas ou sozinhas. Uma em cada cinco mulheres disse ao representante da Comissão que as enfermarias ou banheiros estavam sujos.

Mary Newburn, chefe da política de investigação no National Childbirth Trust*, disse: “As mulheres também se dão conta que quando dão à luz no hospital, elas perdem o controle sobre o que acontece com elas e com seus bebês, sua família geralmente é separada delas e elas sua privacidade, liberdade e intimidade são limitadas”.

Andrew Shennan, professor de Obstetrícia do Tommy's Baby Charity** disse: “Alguns hospitais podem ser muito desoladores e o ambiente pode ser até mesmo desagradável.” Os cuidados puerperais em hospitais também recebem críticas. “Há mulheres que estão preocupadas sobre as infecções hospitalares e isso é perfeitamente compreensível.”


Ele acrescenta: “Nos anos 70 e 80, se acreditava que os partos domiciliares eram perigosos. Houve então um forte incentivo ao parto hospitalar, porque as pessoas estariam rodeadas de equipamentos de alta tecnologia. As pessoas agora estão se dando conta que para as mulheres com baixo risco de complicações, o parto domiciliar pode ser mais apropriado.”

Há uma enorme variação regional em partos domiciliares, com os índices mais altos vistos nas áreas mais ricas.

O governo inglês quer que sejam oferecidas a todas as gestantes um “amplo leque de opções para o parto” até o final de 2009. Porém há um longo caminho a ser percorrido: 43% das gestantes sequer são consultadas sobre onde querem parir, diz a Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido.


Os ministros também querem que todos os hospitais tenham os índices do “padrão-ouro” de algumas instituições, onde 12% das mulheres têm parto domiciliar.

Porém Cathy Warwick, do Colégio Real de Obstetrizes, disse: “Há muitas mulheres que querem parir em casa, mas não têm essa chance, simplesmente porque não há suficientes obstetrizes por aí para transformar essa escolha em realidade. Sem investimento em serviços de obstetrizes e maternidades, essa será uma promessa vazia.”

Em 2006, 24,3% dos nascimentos foram por cesárea no Reino Unido - 0,2% a mais do que no ano anterior. Os especialistas mostram preocupação, alertando que uma cesárea aumenta as chances do bebê de sofrer desconforto respiratório e que ela também pode dificultar o vínculo da mãe com o bebê.

*Instituição pública do Reino Unido que dá suporte e informações à população sobre Gravidez, Parto e Maternidade/Paternidade.


**Instituição pública do Reino Unido que fornece informações sobre gravidez e parto aos futuros pais e mães daquele país.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Parto normal ou cesárea?

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS*
Atualmente no Brasil, muitas mulheres grávidas têm sido submetidas ao que é conhecido como "desneCesárea".

O PARTO , além de ser um ato fisiológico, é também um evento familiar, pessoal e sagrado e, em mais de 80% dos casos, não deveria ser um ato médico.

A cesárea, indicada em 10% a 15% dos casos, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde), é uma cirurgia de grande porte e maior risco. Sendo assim, somente deveria ser realizada no intuito de salvar a vida da mãe e/ou do bebê ou de evitar risco de dano à integridade da unidade mãe-bebê.

Os índices de cesárea no país e no mundo vêm crescendo, é verdade, na maioria das vezes por razões de conveniência do médico ou da mulher. Dessa forma, devemos aplaudir todas as tentativas de normalizar a situação e incentivar o parto normal, como aquela recentemente tomada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A iniciativa da Anvisa traz um conjunto de medidas como o direito da parturiente de escolher o acompanhante durante o trabalho de parto e o pós-parto imediato e a liberdade de escolha quanto à posição em que dará à luz, entre outras.

Ainda há outras medidas de incentivo ao parto normal, como o são a construção de mais casas de parto -não só para as mulheres menos favorecidas- e a criação de mais cursos formadores de boas parteiras e enfermeiras obstetras.

Quais seriam, então, as situações em que o médico tem, necessariamente, de optar pela cesárea em detrimento do parto normal? Embora em alguns casos essa decisão possa ser tomada com antecedência, ainda durante o pré-natal -como nos casos de placenta prévia centro-total-, na grande maioria das vezes ela só pode ser tomada durante o trabalho de parto, como no herpes genital ativo.

Neste ponto, é importante destacar que situações como falta de dilatação do colo uterino antes do trabalho de parto efetivo, cesárea prévia, bacia estreita, bebê grande e gestação gemelar não são razões para a realização de uma cesárea.

Caso a cesárea seja de fato necessária, aí, sim -mas somente aí-, ela estaria indicada, e não da forma que vem acontecendo atualmente no Brasil, mormente no serviço privado, em que 80% a 90% das grávidas têm sido submetidas, na imensa maioria dos casos, ao que é conhecido como uma "desneCesárea".

A mulher deve ser incentivada a exercer o protagonismo ativo no processo de dar à luz. A mãe, plenamente informada sobre a evolução de um parto ainda durante as consultas pré-natal, terá ampla participação durante o processo e condições de tomar decisões compartilhadas com o profissional de saúde.

A palavra do médico, sua experiência cotidiana e a bagagem de conhecimento científico que carrega valem muito, evidentemente. Contudo, há toda uma exaustiva literatura científica que aponta ser a parteira a melhor profissional para acompanhar um parto normal numa gestante de baixo risco.

Ao médico caberia o atendimento dos 10% a 15% dos casos em que estaria verdadeiramente justificada a operação cesariana e dos 5% dos casos em que seriam necessárias intervenções, tais como o fórcipe e a vácuo-extração. Humanização? Sim! Não humanização do parto, pois este já é um evento humano e nós, profissionais de saúde, não somos desumanos, mas humanização da assistência ao parto e nascimento, evitando procedimentos muitas vezes ineficazes, danosos e dolorosos.

Para finalizar, é precsio dizer que devemos melhorar também a formação dos médicos, pois estes comumente terminam o período de residência, após a faculdade, com uma visão muito distorcida de um evento natural, o parto.

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS , 54, é professor assistente do departamento de obstetrícia da Unifesp/ EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina), plantonista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, do SUS. Médico obstetra e ginecologista, acompanha partos há 33 anos.

*Texto publicado em Tendências/Debates do Painel do Leitor da UOL.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Parto normal aumenta sensibilidade da mãe ao choro do bebê



Artigo publicado no G1.

Pesquisa foi feita medindo ativação de áreas 'maternais' do cérebro. Trabalho tem implicações para entender e até prever depressão pós-parto.

Uma pesquisa publicada na revista científica "The Journal of Child Psychology" sugere que pode haver um elo mais poderoso entre mãe que tiveram filhos por parto normal e seus bebês do que aquele que existe entre mães e seus filhos nascidos por cesariana. Segundo os pesquisadores, a primeira categoria de mães é mais sensível ao choro de seu próprio filho, a julgar pelo padrão de ativação cerebral materno, medido com a ajuda de ressonância magnética de duas a quatro semanas depois do parto.

Para ser mais exato, a resposta aumentada das mães de parto normal aparece em regiões do cérebro ligadas à regulação de emoções, motivação e comportamentos habituais. A conclusão faz algum sentido diante do aparente elo que existe entre o parto por cesariana e um risco aumentado de depressão pós-parto, verificado em mulheres, e também do cuidado diminuído com a cria presente em animais cujos filhotes não nascem por via vaginal.


Os conhecimentos atuais sobre o parto normal também indicam que ele ajuda a desenvolver os circuitos cerebrais ligados ao apego pelos recém-nascidos. Exemplo disso é a liberação periódica de oxitocina, o famoso "hormônio da confiança" (ou "hormônio do apego") durante o nascimento natural.

Menos ativas

"Queríamos saber quais áreas do cérebro ficariam menos ativas em mães que têm seus filhos por cesariana", diz James Swain, pesquisador do Centro de Estudos da Infância da Universidade Yale (EUA). "Nossos resultados apóiam a teoria de que variações nas condições de nascimento que alteram as experiências neurohormonais do parto podem diminuir a sensibilidade do cérebro materno humano no começo da fase pós-parto."


Outro detalhe importante: as mesmas áreas ligadas ao esforço do nascimento também influenciam o estado emocional da mãe. "Conforme mais e mais mães optam por ter filhos mais velhas, tendo, portanto, mais chances de passar por uma cesariana, esses resultados vão se tornando importantes. Podem, por exemplo, ajudar a identificar precocemente o risco de depressão pós-parto e atacar o problema", afirma Swain.