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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Caso da Episiotomia



Peguei esse texto do blog Psiquiatria e Toxicodependência, da Vanessa Marsden, que por sua vez retirou do Blog Barrigas e Bebés. Como achei o texto muito pertinente, resolvi postar aqui no meu blog:


["Birth Messages"; o caso da episiotomia]




"Faz uma análise simbólica dos procedimentos de rotina do parto hospitalar, por ela denominado de modelo tecnocrático do parto. Seu objetivo é elucidar os motivos pelos quais as instituições, a despeito das contra-indicações assinaladas pelas evidências científicas, continuam promovendo o uso rotineiro de vários desses procedimentos, entre os quais a episiotomia. Eles desempenham importantes funções rituais e simbólicas, atendendo, com sucesso, a diversas demandas importantes dos profissionais de saúde responsáveis pela assistência ao parto, das mulheres em trabalho de parto e da sociedade e cultura mais abrangentes.

A episiotomia é analisada como uma mutilação ritual. A vagina, em diversas culturas, inclusive a nossa, é símbolo por excelência daquilo que é natural, sexualmente poderoso e criativo na mulher, sendo, por isso mesmo, vista como ameaçadora pelos homens. É relembrada a figura mitológica da vagina dentada, que ameaça consumir ou castrar o macho impotente. No ocidente, a crença na superioridade da cultura sobre a natureza se expressa através da metáfora, popularizada por Descartes, do corpo-máquina humano, cujo controle e aperfeiçoamento cabe à ciência. O corpo da mulher é retratado pela medicina como uma máquina inerentemente defeituosa. Os argumentos em prol da episiotomia de rotina reiteram esta simbologia ao afirmar que sua adoção protege a parturiente e seu concepto dos perigos apresentados pelo defeituoso corpo feminino. Para a autora, esse é um dos procedimentos através dos quais se 'manifesta a tentativa cultural de utilizar o nascimento para demonstrar a superioridade e controle do Masculino sobre o Feminino, da Tecnologia sobre a Natureza'. Através dessa operaçào, a vagina é desconstruída pelo médico, oficiante do rito e representante da sociedade, para ser então reconstruída culturalmente.

Ademais, a episiotomia é útil conceitualmente para a obstetrícia. Ao transformar o nascimento em um procedimento cirúrgico de rotina, legitima-se a obstetrícia enquanto ato médico, pois se incorpora à sua prática um elemento central da medicina ocidental e uma das formas mais elaboradas de manipulação do corpo-máquina humano - a cirurgia. O ápice desse processo se dá com a adoção da cesariana como procedimento de rotina, sendo o Brasil citado como ilustração."

Robbie E. Davis-Floyd, Birth as an American Rite of Passage. Berkeleyand Los Angeles, University of California Press, 1992. (Resenha assinada por Sonia N. Hotimsky, no Notas sobre Nascimento e Parto, AnoIII, nº6, novembro de 1998, publicação do Grupo de Estudos sobreNascimento e Parto / Instituto de Saúde-SES-SP).

Conheci e conversei pessoalmente com a Robbie Davis-Floyd aqui em Porto Alegre, em 2004, quando fui assistir a uma palestra dela na Faculdade de Enfermagem da UFRGS. Ela é antropologista cultural e passou os últimos 20 anos pesquisando assuntos na Antropologia da Reprodução, enfocando principalmente no parto, obstetrícia e trabalho das midwives (parteiras), o qual ela continua a estudar e escrever sobre o assunto. 
Para saber mais sobre ela, clique aqui.


terça-feira, 16 de junho de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”


Por Hugo Sabatino
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”, escrito por Raphael da Câmara Medeiros Parente (Médico do Ministério da Saúde - HSE; Doutor em Ginecologia - UNIFESP; Mestre em Epidemiologia - UERJ) e publicado no Jornal do CREMERJ - ABRIL 2009 - páginas 8 e 9.

"Atualmente, há uma forte campanha governamental a favor da humanização do parto e do parto vaginal. "

RESPOSTA: Esta informação é no mínimo incompleta e tendenciosa, já que as intervenções do governo Brasileiro para redução da cesárea começaram em 1979 com o pagamento igual de honorários médicos no parto vaginal e de cesárea do INAMPS. Continuando nos anos subseqüentes até nossos dias, pelo tanto esta campanha está cumprindo 30 anos , intensificada na era do atual Governador José Serra, quando ele era ministro da Saúde.

"Este conceito de humanização, há muito distorcido, é usado para retirar substancialmente o médico do atendimento obstétrico. Para isto, são divulgadas informações erradas e levianas de que os médicos são menos “humanizados“ que outros profissionais de saúde, que são os únicos responsáveis por altas taxas de cesariana com o objetivo único de preservar sua rotina e aumentar seus ganhos e que não respeitam a autonomia e o desejo das mulheres pelo parto vaginal. Vem sendo dito, inclusive, que o médico não sabe mais realizar um parto vaginal, dando a entender que esta capacidade somente é dominada pelas parteiras, enfermeiros, obstetrizes etc."

RESPOSTA: De fato o conceito de humanização é frequentemente interpretado em forma distorcida, inclusive pelo responsável deste documento, ao qual estou respondendo. Em várias publicações de nosso grupo na Universidade de Campinas, temos identificado, em casos de baixo risco, os seguintes pilares da Humanização:
A) Respeito aos processos fisiológicos da Gestação, parto, puerpério e amamentação materna;
B) Participação multiprofissional e interdisciplinares; e
C) Respeito as costumes regionais e individuais do casal .
Sem a presença destes três pilares não pode ser considerada a atenção ao nascimento de baixo risco, como humana. O problema é complexo porém bem claro para não abrir mão destes pilares. Realizar a finalização de uma gestação de baixo risco, mediante uma cesárea, sem causa médica que a justifique, ainda que esta seja a pedido da gestante (as indicações médicas estão identificadas claramente em todos os livros da especialidade), é uma conduta médica que não respeita os processos fisiológicos do trabalho de parto, parto e nascimento, por este motivo o procedimento cirúrgico realizado de forma desnecessária, deixa de ser um procedimento natural, humano ou fisiológico. Esta situação está bem explicada em todos os livros de texto da especialidade. Aquele profissional que não respeita este principio se coloca por em cima de este processo normal natural (humano), tentando com esta atitude superar este processo fisiológico, delicado, e bastante complexo que envolve qualidade de vida de duas pessoas e de uma família, Seria como pretender modificar fenômenos naturais como a saída do sol ou de um entardecer. O que podemos sim é participar ou assistir a esses fenômenos para sua contemplação com uma boa companhia, porém o que não podemos, ainda que sejamos profissionais competentes e inteligentes de ser capaz e melhorar esse processo. Em relação a querer melhorar o fenômeno do nascimento através de uma cesárea estou colocando a foto e comentário a este respeito, do eminente e respeitado Prof. Dr. Bussâmara Neme, matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 15 de Fevereiro deste ano. Pelo tanto aqueles médicos que realizam este procedimentos seguramente são menos humanos que aqueles que respeitam o processo fisiológico do nascimento em casos normais, e esta não é uma definição leviana e sim fundamentada na fisiologia do processo. O prestigioso pesquisador Holandês Pieter Eric Treffers (1996), na Guia de Maternidade Segura da OMS, nos informa que: “A Obstetrícia deve acompanhar a fisiologia. Intervenções cirúrgicas devem prevenir ou corrigir patologias e não aperfeiçoar a fisiologia”. Por outro lado todos os livros de cirurgia colocam a operação cesáreas como sendo “cirurgia de alto risco”, devido a que o cirurgião deve invadir o peritônio, aumentando com isto os riscos durante e após a cirurgia, sendo que no caso das cesáreas este risco se estende também a próximas gestações como o demonstram os estudos de Clark (1985). Fig. 2 Estes dados demonstram claramente que desde o ponto de vista dos riscos as mulheres que são submetidas a cesáreas desnecessárias estarão sendo colocadas (sem causa) em próximas gestações a riscos que aumentam significativamente a padecer de um acretismo placentário, o que pode de fato ser muito difícil de corrigir, colocando a vida da mulher em um grupo de maior chance de morte (lamentavelmente esta informação não e transmitida as mulheres que solicitam cesáreas desnecessárias). Esta atitude de sonegar informação esta em conflito com o juramento Hipocratico que diz “Primeiro não fazer dano” (Primum non noccere).
Leia o artigo na íntegra aqui.
Fonte: Grupo de Parto Alternativo - CAISM/UNICAMP

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mulheres desafiam médicos e aguentam a dor para dar à luz em casa

Elas dispensam tecnologia e anestesia para parir no conforto do lar.

Se você tivesse duas opções: sentir dor ou não sentir dor, qual escolheria? Um grupo de mulheres não tem dúvida: não ligam de sentir dor, quando ela compensa. São mães que abriram mão dos confortos da medicina moderna e tiveram seus filhos “à moda antiga”: em casa. A prática ganha cada vez mais adeptas, mas não têm o apoio de boa parte dos médicos.

“Fiquei 45 horas em trabalho de parto e oito horas em trabalho de parto ativo, com contrações regulares de minuto em minuto”, conta a cantora Ana Ariel, de 26 anos.

Parece muito sofrimento? Pois Ana afirma que foi exatamente o contrário: um alívio. “Pude depois de duas horas já tomar meu banho, no nosso banheiro, deitar na nossa cama, na nossa casa. E comer o merecido prato especial do maridão”, conta.

Ela não é a única. “Só de pensar que minha filha poderia ficar em observação quatro horas longe de mim me dava arrepios”, afirma a professora de yoga Fabiana Higa. “Em nenhum momento me passou pela cabeça ir para o hospital. Mesmo nas piores dores”, diz Fabiana que deu à luz em sua nova casa, que não tinha sido nem montada, nem tinha energia elétrica. Por pouco, a filha não nasceu no hotel. “Luana nasceu no aconchego dos braços dos pais”, conta ela

“Pode parecer meio doida toda a história, mas foi sensata do ponto de vista da natureza. Parir é um ato fisiológico extremamente natural da mulher”, diz Fabiana. A arquiteta Fernanda Passos, de 29 anos, concorda. “O nascer de um filho já é um evento único na vida de uma mulher e participar ativamente desse processo é incrível”, afirma ela, que no começo da gravidez nem considerava a possibilidade de parir em casa. “Me faltava coragem”, admite Fernanda.

A decisão só ocorreu após uma pedra no rim. “Fiquei cinco dias internada no hospital que eu teria minha filha. Queria fugir de todos aqueles procedimentos dos hospitais, da burocracia e das regrinhas ditadas por enfermeiras”, conta a arquiteta. “Logo que saí, falei para meu marido que não queria colocar meus pés lá nunca mais, que não conseguia me ver parindo naquele lugar”, avisou Fernanda.

Foi quando ela começou a primeira parte da “batalha” que as mães que querem ter seus filhos em casa enfrentam. Round 1: o marido. “Ele já foi logo dizendo: ‘não inventa!’", conta Fernanda. “Ele dizia que queria estar cercado de tecnologia, que se sentiria mais seguro.”

A discussão só foi vencida com o tempo. Em vez de brigar, Fernanda passou a contar relatos de partos domiciliares, informava dados sobre o assunto e levou o marido para um curso de preparação para o parto. “No curso ele percebeu o quão simples é nascer, tomou conhecimento da importância da mulher se sentir segura e a vontade para parir”, conta a arquiteta. “No segundo dia do curso, ele disse: ‘se você quer mesmo ter nossa filha em casa é melhor mandar arrumar o aquecedor’”.

Pacientes x Médicos

Depois de convencer o marido, vem a segunda parte: o médico. Fernanda abriu o jogo com sua ginecologista e teve o apoio dela. Na hora do parto, a médica foi até sua casa e fez o parto. Fernanda Higa também contou com o apoio do obstetra. “O médico deixou a decisão nas nossas mãos. Claro, ele alertou, mas a palavra final foi nossa. Ele respeitou o meu desejo.”

Mas isso é raro. Ana Ariel conversou com sua médica e a profissional concordou em limitar a intervenção médica ao mínimo possível – desde que o parto fosse no hospital. A cantora apresentava risco de parto prematuro, mas mesmo assim não abriu mão de parir em casa. O parto ocorreu apenas com o marido e uma parteira.

Grávida de 22 semanas, a terapeuta ocupacional Carla Arruda, de 25 anos, nem pretende informar seu médico da decisão de ter seu filho, Henrique, em casa. “Há muito preconceito e me expôr a um médico que não acredita no parto domiciliar só me traria desgaste. Faço apenas o pré-natal com esse médico para ter referência em meu hospital caso necessite ser internada ou algo de errado aconteça na minha gestação”, conta ela.

Leia o restante do artigo aqui.

A foto é do parto domiciliar de minha filha, ocorrido em outubro de 2004. Depois que o bebê nasce, a gente esquece de toda a dor. Basta olhar para meu grande sorriso com minha filha nos braços, logo após seu nascimento. Um parto de cócoras, sem drogas, sem intervenções, totalmente natural e extremamente empoderador.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Famosa teve parto de cócoras!


Cássia Linhares: 'Fiz um parto de cócoras como as índias'

A atriz Cássia Linhares tornou-se mãe no dia 30 de dezembro de 2008. De parto de cócoras, ela deu à luz Eduarda, que nasceu com 3,3kg e 49cm, no hospital Barra D'Or.

- Mesmo na emergência, pois nenhuma maternidade tinha vaga disponível, conseguimos fazer um lindo parto humanizado, de cócoras como as índias - conta a atriz, que se diz realizada com a maternidade. - Estou completamente apaixonada, mudada, melhorada e tudo mais 'ada' de melhor no mundo.

De tão agarrada que já está à filha, a atriz não sabe nem se vai contratar uma babá:

- E sabe que nem sei se terei por enquanto, estou com tanto ciúmes dessa menina. Ai, que amor é esse?!

(Notícia retirada daqui.)

O parto de cócoras é um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade, mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não se tem mais a compressão de importantes vasos sanguíneos que acontece com a mulher deitada de costas. (Retirado daqui)

Desde a mais remota antigüidade, as mulheres procuravam posições que facilitassem o parto. Nas gravuras antigas o mais comum é ver mulheres ajoelhadas, de cócoras, ou em banquinhos baixos de parto. De um jeito ou de outro o que se observa é que as costas estão em posição vertical. A posição das pernas é variável.

Na civilização ocidental, com a entrada da figura do obstetra no parto, as mulheres foram colocadas deitadas de costas em mesas cada vez mais específicas, com as pernas abertas, para que a região genital pudesse ser bem observada. E assim é que funciona até hoje, para a maioria dos médicos e hospitais.

Algumas vantagens do parto de cócoras:

- O parto é mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade;

- A oxigenação do bebê é melhor, pois não ocorre a compressão da veia cava pelo peso do útero;

- A necessidade de episiotomia é menor;

- A mulher se sente mais no controle da situação;

- O companheiro tem uma participação mais ativa ao prover o suporte da posição.

(Retirado daqui.)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Memórias de um Ex-cesarista



Recebi este excelente texto de autoria da Dydy, cuja parte inicial eu transcrevo aqui. Vale a pena ler!


Memórias de um Ex-cesarista


Antes eu era um obstetra normal. Era chamado para as festas corporativas de final de ano, dormia a noite inteira e raramente recebia ligações de gestantes nos feriados. E se acontecesse, eu ligava para um colega de plantão e ele operava pra mim.Tinha uma vida social e ia a todos os compromissos pré-agendados, inclusive minhas cesáreas. Tudo pontualmente.


Foi quando conheci a Clara, uma enfermeira recém formada em obstetrícia, contratada para humanizar o parto numa das maternidades em que eu operava. Essas “pressões do governo para reduzir cesárea, sabe como é. Pensei que fosse só pra constar. Afinal, eu já tinha uma postura muito humanizada, oras. Entre a extração do bebê e a seção de tubos nasais da pediatra, eu mostrava a criança rapidamente para a mãe, que ficava emocionada. Mas a pediatra precisava fazer o trabalho dela e isso era o prioritário naquele momento. A mãe teria o resto da vida para curtir. Uma noite sem ele, não mudaria nada.


Enfim, esta Enfermeira começou a conversar com as gestantes que chegavam antes de eu chegar, até que um dia, as peguei numa posição constrangedora: ela e a “mãezinha” de cócoras! Até então só tinha visto tamanha acrobacia em filmes eróticos muitos selecionados. Peguei a doente e operei antes que acontecesse algo pior.


Um dia quando fui ao hospital após a ligação de uma paciente “pós-termo” (40 semanas) e, enquanto me paramentava, escutei um gemido suave e um choro de bebê. Corremos para salvá-los, mas já era tarde. O feto nasceu de um parto completamente “contaminado”. E por sorte, ficaram bem, e tiveram alta após uma semana de nosso ritual de descontaminação. Fizemos o que pudemos: antibióticos, desinfecção. Nunca cheirei tanto éter na vida....


Por pouco não cai no chão. Nas mãos de uma enfermeira que dizia “Acostume-se, ‘doutor’, no futuro os partos serão assim...” O que ela sabia sobre futuro com estas práticas retrogradas? Foi muito traumatizante pra mim, mas pelo menos, ambos sobreviveram.


Para ler o final da história, clique aqui. :-)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar do filho de Márcio Garcia causa polêmica

"Uma reportagem do jornal O Dia de hoje fala sobre a polêmica que causou o parto do filho do ator Márcio Garcia e de Andréa Santa Rosa, realizado em casa. "

Eu vi o post acima sobre a polêmica do parto domiciliar do Márcio Garcia e Andréa Santa Rosa no blog Nave Mãe e resolvi colocar a reportagem aqui:

Parto em casa: uma técnica polêmica

Obstetra afirma que conforto do lar não compensaria falta de segurança

Dar à luz de forma natural, sem injeções e anestesia, dentro da própria casa? Ou optar por ter o bebê num hospital e contar com profissionais e equipamentos preparados para qualquer imprevisto?

O nascimento do pequeno Felipe, filho de Andrea Santa Rosa e do ator Márcio Garcia, em casa, alimentou a polêmica em torno dos partos caseiros. A criança veio ao mundo pelas mãos da enfermeira Heloísa Lessa, 48 anos, parteira há 20. Com 202 nascimentos no ‘currículo’, ela crê que a mulher precisa “colocar o bebê” por conta própria, sem interferências externas, na posição em que mais se sentir confortável e num ambiente acolhedor. Tudo isso para que os hormônios citocina e endorfina — necessários ao parto — sejam produzidos naturalmente.

Leia a reportagem completa aqui.

Ainda sobre este assunto, coloco aqui a entrevista que a revista Caras fez com a parteira Heloísa Lessa, sobre o parto domiciliar da Andréa Santa Rosa:

Mulher de Márcio Garcia dá à luz em casa... sem anestesia. Andréa Santa Rosa já está bem após ter dado à luz Felipe, na manhã de ontem, na residência do casal, no Rio de Janeiro.

De acordo com a enfermeira obstetra Heloisa Lessa, responsável pelo nascimento do terceiro filho do ator, o parto domiciliar, sem anestesia, é doloroso, mas proporciona um prazer enorme à mãe e ao bebê e, inclusive, diminui a ocorrência de depressão pós-parto. "Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites, é uma viagem", declarou a parteira em entrevista exclusiva ao Portal Caras.

Ela já realizou mais de 200 partos fisiológicos ou naturais, ou seja, sem o uso de anestesias ou fórceps. Há quase duas décadas atuando nas casas das gestantes, Heloisa conclui que o método está virando uma tendência. "Até o ano 2000, fazia três partos por ano. Agora, são 35 a cada 12 meses em média".

Por Patrícia Moraes

-Foi a primeira vez que Andréa deu à luz em casa?
-Sim. A primeira vez, no nascimento de Pedro, foi cesariana. Na segunda, quando Nina nasceu, ela fez um parto normal no hospital e com anestesia. A Andréa é do tipo de mulher que não gosta de tomar remédios. Então, optou pelo parto fisiológico, em casa.

-E como a mulher se prepara para esse tipo de parto?
-Ela tem que se convencer de que é capaz de dar à luz sem anestesia, como deve ser. Mais de 85% das mulheres são capazes, as outras têm mesmo que procurar o hospital. Não há ritual, nem preparação. Há um pré-natal bem feito, para se ter informações sobre a saúde de mãe e filho. Se não corresse tudo bem com a Andréa, por exemplo, nós iríamos para um hospital. Tenho uma equipe de plantão para qualquer emergência.

-Como é o nascimento?
-No caso do Felipe, a Andréa começou a sentir contrações às 21h e ele só nasceu às 6h30. No intervalo entre as contrações, a mulher descansa. Quando vem aquele pico de dor, eu faço massagem, seguro a mão e converso com a parturiente. Tudo para acalmá-la e não prejudicar o momento.

-O que acontece com o corpo da mulher ao ser adotado esse tipo de procedimento?
-Há muita liberação de hormônio. Ao contrário do parto no hospital, que estressa a mulher por causa da preparação, dos médicos e do ambiente, o parto em casa é perfeito para a mulher relaxar e curtir o momento. O organismo libera oxitocina, responsável pelas contrações, e endorfina, que, como a cocaína, proporciona um prazer enorme. É uma verdadeira viagem. Tem que passar por isso para entender.

-E a dor?
-É grande. Não vou dizer que a mulher não sente nada. Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites. Toda mulher, na hora, fala: 'Eu não agüento mais'. A Andréa chegou a dizer que queria desistir. Aí, eu liguei para o hospital e disse que estávamos indo. Quando desliguei o telefone ela disse: 'Já cheguei até aqui. Vamos continuar'. E o bebê nasceu. Como era de madrugada, o Márcio estava dormindo e acordou quando a cabecinha do bebê já estava aparecendo. Foi uma experiência incrível para pai, mãe e bebê.

-Como é após o nascimento?
-O bebê nasce e logo vai mamar no peito. Isso aproxima a criança e mulher. Por isso, não há depressão pós-parto depois desse procedimento. A satisfação da mulher é enorme. Peço que a mãe fique em casa, em repouso, por uma semana, acompanhando cada novidade do filho. Depois, tudo volta ao normal.

-A senhora tem filhos?
-Tenho três. Minha história é muito parecida com a da Andréa. Na primeira gravidez, não estava muito ambientada com a idéia do parto natural, meu bebê estava sentando, então, fiz cesárea. Mas, já no segundo, quis fazer parto normal. Foi de cócoras, com as luzes apagadas. No terceiro, foi em casa. Minha neta, Julia, de 2 anos, também nasceu assim. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Foi lindo.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar de Famoso!





Bebê veio ao mundo nesta quarta-feira, 10, de parto natural.

Um ambiente tranqüilo, familiar e sem a intervenção de medicamentos. Foi assim que Felipe, terceiro filho do ator Márcio Garcia e de sua mulher, a nutricionista Andréa Santa Rosa, veio ao mundo na manhã desta quarta-feira, 10, na casa do casal, no Joá, na Zona Sul do Rio. Pesando 3.950kg, o bebê nasceu às 6h da manhã, na cama do casal, e sem o uso de anestesia no parto. O nascimento foi assistido pela parteira Heloísa Lessa e pelo paizão Márcio, que fez questão de acompanhar tudo de perto.

“A Andréa estava bastante tranqüila, porque já sabia bastante coisa sobre o parto natural. Tanto é que ontem (09) ela estava no dentista quando começou a sentir algumas dores, mas continuou o tratamento e foi para casa numa boa”, contou a mãe do ator Eliana Garcia, que fez questão de ir paparicar o neto logo cedo.
Para continuar lendo a matéria, clique aqui.
Assim como a Fernanda Lima, que teve seus filhos gêmeos de parto normal, a mulher de Márcio Garcia optou por um parto domiciliar assistido por parteira. Só tenho que elogiar aos dois, por terem feito uma escolha tão bela, consciente e empoderadora e ainda tornar isso público.

Quem sabe assim mais mulheres desfaçam o mito do parto domiciliar e vejam que afinal de contas, não é um bicho de sete cabeças, é mais uma opção - senão a melhor - de parir um filho.
Não é necessário um hospital, nem procedimentos médicos, nem anestesia e nem tecnologia para parir. Tudo o que se necessita é de apoio, carinho e um profissional qualificado para atender o parto - e este não precisa ser, necessariamente, um médico.
Parabéns, Andréa Santa Rosa e Márcio Garcia, é de celebridades como vocês que o Brasil precisa!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Hoje é Aniversário de minha filha!


Minha querida filha Melissa Nicole está completando 4 anos de idade na data de hoje!


A festinha dela vai ser na escola hoje, amanhã vou postar as fotos aqui no blog.

Com o nascimento da Melissa, meu sonho de ser mãe de uma menina se concretizou. Eu a tive em casa, em um maravilhoso e empoderador parto domiciliar, após sete horas de trabalho de parto ativo. O parto dela foi tranqüilo e perfeito, apesar de dolorido. Mas valeu a pena, pois eu pude tê-la do jeito que eu queria. Sem intervenções, sem anestesia e sem lacerações. Recuperação rápida e fácil. Com o parto dela, eu me realizei completamente como mãe e como MULHER.
Parabéns, minha querida filha. Que Deus ilumine sempre tua vida e que tu sigas os desígnios dEle. Mamãe te ama muito e Jesus também. :-)
Update em 31/10/2008:
As fotos da festinha estão aqui. A Melissa ficou linda, vestida de Cinderela! :-)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Filmes: Parto Orgásmico e O Aborto dos Outros

Parto Orgásmico

(Orgasmic Birth) de Debra Pascali-Bonaro.

Documentário. Estados Unidos, 2007. 87min.

Desafiando o mito de que é doloroso e perigoso por natureza e deve ser deixado nas mãos dos médicos, o filme mostra as potencialidades emocionais, espirituais e físicas do parto. Acompanhamos de forma íntima onze mulheres que num trabalho de dar a luz o mais natural possível, gemem, beijam, riem e até gozam. O depoimento de vários especialistas no assunto, médicos e parteiras, junto com as mães, comprovam que estatisticamente esta é uma forma de parir mais saudável e mais segura, tanto para a mãe quanto para o bebê.


O filme será exibido aqui em Porto Alegre no dia 11/10/08, sábado, às 10 horas da manhã, na Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul (Rua Gen. João Telles, 317).

Ingressos SOMENTE antecipados com zezedoula@gmail.com.

O Aborto dos Outros

de Carla Gallo.

Documentário. Brasil, 2008. 72 min.

Ninguém é a favor do aborto, tampouco a mulher que se submete à prática. Talvez seja esta a principal mensagem do filme O Aborto dos Outros, da diretora Carla Gallo, que estreou no início de setembro em São Paulo.

Apresentado como “um filme sobre a maternidade, afetividade, intolerância e solidão”, o documentário traz depoimentos de mulheres que viveram a experiência do aborto, da adolescente engravidada por estupro à mãe que descobre a malformação do feto.

As filmagens ocorreram no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp e em mais três hospitais que prestam atendimento para casos previstos em lei, dentro do Programa de Aborto Legal: Hospital Pérola Byington, Unifesp e Hospital do Jabaquara, estes da Capital. “É um filme que precisa ser visto e comentado, cujo maior mérito está em abordar a problemática do aborto com foco nas mulheres. Ele é duro do ponto de vista emocional, mas mostra com serenidade e clareza que não se trata de uma experiência fácil, mesmo para a mulher opta pelo aborto”, diz o ginecologista e obstetra Ricardo Barini. Ele aparece no documentário realizando o ultrassom e depois a interrupção da gestação de um feto anencéfalo, autorizada por um juiz de Campinas.

"Não é um filme panfletário, longe disso. É uma proposta de discussão sobre um problema gigantesco da sociedade brasileira, que criminaliza o aborto, mas é um dos países com maiores índices nessa prática (1.200 mil por ano, segundo estimativas do ministério da saúde, 2007/ uma a cada 4 gestações é interrompida voluntariamente)", diz Carla Gallo, diretora do filme.

O filme será exibido aqui em Porto Alegre no Cine Santander Cultural, na 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, no dia 25/10/2008, sábado, às 19 horas. Entrada Franca.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Parto domiciliar aumenta no Reino Unido


Parto domiciliar aumenta no Reino Unido, à medida que mais mulheres têm receio de infecções hospitalares e da diminuição de obstetrizes nos hospitais

Daniel Martin – 26/09/2008 – Publicado no Daily Mail, traduzido para o Português por mim .

Mais mulheres no Reino Unido estão escolhendo parir em casa, para evitar os hospitais públicos e o risco de infecções.

Os partos domiciliares constituíram 2,7% de todos os partos na Inglaterra e País de Gales em 2006, o último ano em que as estatísticas estão disponíveis.

Isso representa 18.100 mulheres parindo seus filhos em casa naquele ano, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.
Os números de partos domiciliares estão gradualmente aumentando desde 1988, cujo índice era de apenas 0,9%.
Os especialistas dizem que as mulheres optam por parir em casa porque elas serão atendidas durante todo o tempo por uma obstetriz (ou parteira), e elas podem assegurar que sua casa estará limpa.




A falta de 5.000 obstetrizes do sistema público de saúde inglês significa que, em alguns hospitais, uma obstetriz tem que atender três mulheres ao mesmo tempo.



Uma recente pesquisa feita pela Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido encontrou 23% das gestantes mal alimentadas no hospital, enquanto que 26% disseram que haviam sido deixadas preocupadas ou sozinhas. Uma em cada cinco mulheres disse ao representante da Comissão que as enfermarias ou banheiros estavam sujos.

Mary Newburn, chefe da política de investigação no National Childbirth Trust*, disse: “As mulheres também se dão conta que quando dão à luz no hospital, elas perdem o controle sobre o que acontece com elas e com seus bebês, sua família geralmente é separada delas e elas sua privacidade, liberdade e intimidade são limitadas”.

Andrew Shennan, professor de Obstetrícia do Tommy's Baby Charity** disse: “Alguns hospitais podem ser muito desoladores e o ambiente pode ser até mesmo desagradável.” Os cuidados puerperais em hospitais também recebem críticas. “Há mulheres que estão preocupadas sobre as infecções hospitalares e isso é perfeitamente compreensível.”


Ele acrescenta: “Nos anos 70 e 80, se acreditava que os partos domiciliares eram perigosos. Houve então um forte incentivo ao parto hospitalar, porque as pessoas estariam rodeadas de equipamentos de alta tecnologia. As pessoas agora estão se dando conta que para as mulheres com baixo risco de complicações, o parto domiciliar pode ser mais apropriado.”

Há uma enorme variação regional em partos domiciliares, com os índices mais altos vistos nas áreas mais ricas.

O governo inglês quer que sejam oferecidas a todas as gestantes um “amplo leque de opções para o parto” até o final de 2009. Porém há um longo caminho a ser percorrido: 43% das gestantes sequer são consultadas sobre onde querem parir, diz a Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido.


Os ministros também querem que todos os hospitais tenham os índices do “padrão-ouro” de algumas instituições, onde 12% das mulheres têm parto domiciliar.

Porém Cathy Warwick, do Colégio Real de Obstetrizes, disse: “Há muitas mulheres que querem parir em casa, mas não têm essa chance, simplesmente porque não há suficientes obstetrizes por aí para transformar essa escolha em realidade. Sem investimento em serviços de obstetrizes e maternidades, essa será uma promessa vazia.”

Em 2006, 24,3% dos nascimentos foram por cesárea no Reino Unido - 0,2% a mais do que no ano anterior. Os especialistas mostram preocupação, alertando que uma cesárea aumenta as chances do bebê de sofrer desconforto respiratório e que ela também pode dificultar o vínculo da mãe com o bebê.

*Instituição pública do Reino Unido que dá suporte e informações à população sobre Gravidez, Parto e Maternidade/Paternidade.


**Instituição pública do Reino Unido que fornece informações sobre gravidez e parto aos futuros pais e mães daquele país.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Parto normal ou cesárea?

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS*
Atualmente no Brasil, muitas mulheres grávidas têm sido submetidas ao que é conhecido como "desneCesárea".

O PARTO , além de ser um ato fisiológico, é também um evento familiar, pessoal e sagrado e, em mais de 80% dos casos, não deveria ser um ato médico.

A cesárea, indicada em 10% a 15% dos casos, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde), é uma cirurgia de grande porte e maior risco. Sendo assim, somente deveria ser realizada no intuito de salvar a vida da mãe e/ou do bebê ou de evitar risco de dano à integridade da unidade mãe-bebê.

Os índices de cesárea no país e no mundo vêm crescendo, é verdade, na maioria das vezes por razões de conveniência do médico ou da mulher. Dessa forma, devemos aplaudir todas as tentativas de normalizar a situação e incentivar o parto normal, como aquela recentemente tomada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A iniciativa da Anvisa traz um conjunto de medidas como o direito da parturiente de escolher o acompanhante durante o trabalho de parto e o pós-parto imediato e a liberdade de escolha quanto à posição em que dará à luz, entre outras.

Ainda há outras medidas de incentivo ao parto normal, como o são a construção de mais casas de parto -não só para as mulheres menos favorecidas- e a criação de mais cursos formadores de boas parteiras e enfermeiras obstetras.

Quais seriam, então, as situações em que o médico tem, necessariamente, de optar pela cesárea em detrimento do parto normal? Embora em alguns casos essa decisão possa ser tomada com antecedência, ainda durante o pré-natal -como nos casos de placenta prévia centro-total-, na grande maioria das vezes ela só pode ser tomada durante o trabalho de parto, como no herpes genital ativo.

Neste ponto, é importante destacar que situações como falta de dilatação do colo uterino antes do trabalho de parto efetivo, cesárea prévia, bacia estreita, bebê grande e gestação gemelar não são razões para a realização de uma cesárea.

Caso a cesárea seja de fato necessária, aí, sim -mas somente aí-, ela estaria indicada, e não da forma que vem acontecendo atualmente no Brasil, mormente no serviço privado, em que 80% a 90% das grávidas têm sido submetidas, na imensa maioria dos casos, ao que é conhecido como uma "desneCesárea".

A mulher deve ser incentivada a exercer o protagonismo ativo no processo de dar à luz. A mãe, plenamente informada sobre a evolução de um parto ainda durante as consultas pré-natal, terá ampla participação durante o processo e condições de tomar decisões compartilhadas com o profissional de saúde.

A palavra do médico, sua experiência cotidiana e a bagagem de conhecimento científico que carrega valem muito, evidentemente. Contudo, há toda uma exaustiva literatura científica que aponta ser a parteira a melhor profissional para acompanhar um parto normal numa gestante de baixo risco.

Ao médico caberia o atendimento dos 10% a 15% dos casos em que estaria verdadeiramente justificada a operação cesariana e dos 5% dos casos em que seriam necessárias intervenções, tais como o fórcipe e a vácuo-extração. Humanização? Sim! Não humanização do parto, pois este já é um evento humano e nós, profissionais de saúde, não somos desumanos, mas humanização da assistência ao parto e nascimento, evitando procedimentos muitas vezes ineficazes, danosos e dolorosos.

Para finalizar, é precsio dizer que devemos melhorar também a formação dos médicos, pois estes comumente terminam o período de residência, após a faculdade, com uma visão muito distorcida de um evento natural, o parto.

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS , 54, é professor assistente do departamento de obstetrícia da Unifesp/ EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina), plantonista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, do SUS. Médico obstetra e ginecologista, acompanha partos há 33 anos.

*Texto publicado em Tendências/Debates do Painel do Leitor da UOL.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cesariana aumenta risco de diabetes em bebês


Artigo publicado no BBCBrasil.com.

Bebês que nascem por cesariana têm 20% mais chances de desenvolver diabetes tipo 1, indica uma pesquisa publicada na revista científica PubMed.

Os pesquisadores da Queen’s University, em Belfast, na Irlanda do Norte, revisaram 20 estudos já publicados sobre crianças nascidas por cesárea que sofrem de diabetes tipo 1.

Os resultados indicam que esse tipo de parto contribui para um aumento de 20% no risco do bebê se tornar diabético.

Segundo os pesquisadores, esse aumento não pôde ser explicado por nenhum outro fator como peso da criança no nascimento, idade da mãe, diabetes na gestação ou aleitamento materno.

De acordo com Chris Cardwell, que liderou o estudo, é provável que esse aumento ocorra porque os bebês que nascem por esse método são expostos primeiro à bactéria proveniente do hospital, e não da mãe.

O risco normal de um bebê desenvolver a diabetes do tipo 1 é de três para cada 1 mil crianças.

Opção

De acordo com Iain Frame, diretor de pesquisa da ONG Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, as mães devem levar esse risco em consideração quando há escolha pelo tipo de parto.

“Já sabemos que a genética e as infecções infantis têm um papel importante no desenvolvimento da diabetes tipo 1 em crianças, mas os resultados desse estudo indicam que o modo como o bebê nasce pode afetar as chances de desenvolver essa condição”, afirmou o diretor.

Segundo ele, são necessárias mais pesquisas nessa área para descobrir a relação entre a cesariana e o risco de desenvolver a diabetes tipo 1.

Um levantamento encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil e divulgado em maio deste ano, usou dados de 2006 e indica que a cesariana representa 43% dos partos realizados no setor público e no privado.

Entre as mulheres que utilizam planos de saúde, esse percentual é ainda maior e chega a 80%. No Sistema Único de Saúde (SUS), 26% dos partos são cesáreas.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maternidades têm até dezembro para incentivar parto humanizado

Notícias da Anvisa

Brasília, 22 de julho de 2008 - 16h45


Os serviços de atendimento obstétrico e neonatal têm até dezembro para adotar medidas que incentivem o parto humanizado e a redução dos índices de mortalidade materna e neonatal no país. As novas normas, que definem alguns pontos que mudam a relação "serviço x mulher x bebê x acompanhante", constam da resolução RDC 36 e da Instrução Normativa 02 , da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


"O desafio de vincular o pré-natal ao ambiente do parto, além dos demais conteúdos incluídos pela Anvisa nas novas regras fortalece a estratégia de política pública e responde ao anseio da sociedade", destacou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a solenidade da lançamento da RDC, nesta terça-feira, em Brasília. "A redução da mortalidade materna e neonatal é questão prioritária para o governo", afirmou Temporão.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, lembrou que nem sempre os direitos da mãe são observados na hora do parto. "As alterações propostas pela Agência fazem parte de um processo de conquista da sociedade, para garantia dos direitos das mães, dos bebês e dos familiares, que deve ser observado pelos serviços de saúde", disse o diretor-presidente. "Para que as iniciativas alcancem os resultados esperados é fundamental a cooperação das esferas estaduais e municipais", complementou Mello.

A RDC aborda aspectos de organização, recursos humanos, infra-estrutura física, materiais e equipamentos obrigatórios. Já a Instrução Normativa define critérios para a avaliação do desempenho e padrão de funcionamento global do serviço, inclusive com o levantamento de dados epidemiológicos.

O regulamento se aplica a toda a instituição de saúde no país, que exerça atividade de atenção obstétrica e neonatal, seja ela pública, privada, civil ou militar, funcionando como independente ou inserida em um hospital geral, incluindo aquelas que executam ações de ensino e pesquisa.

Nem todas as normas têm prazo para entrar em vigor. Em relação à estrutura física, os serviços de saúde só terão que se adaptar quando forem realizar reforma ou ampliação. As futuras construções terão que ser planejadas de acordo com as novas regras. Os demais dispositivos, que envolvem a forma como as atividades são desempenhadas, devem ser adotados até 1º de dezembro de 2008.

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES A VIGORAR ATÉ DEZ/2008

Adota a presença de acompanhante de livre escolha da mulher no acolhimento, trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
Proporciona acesso a métodos não farmacológicos e não invasivos de alívio à dor e de estímulo à evolução fisiológica do trabalho de parto.
Possibilita que os períodos clínicos do parto sejam assistidos no mesmo ambiente.
Garante à mulher condições de escolha das diversas posições no trabalho de parto, desde que não existam impedimentos clínicos.
Estimula o contato imediato, pele a pele, da mãe com o recém-nascido, favorecendo vínculo e evitando perda de calor.
Estimula o aleitamento materno ainda no ambiente do parto.
Adota o Método Canguru, quando indicado.


PRINCIPAIS ALTERAÇÕES QUE DEVEM VIGORAR QUANDO DA REFORMA, AMPLIAÇÃO OU CONSTRUÇÃO DO SERVIÇO

Adota o Quarto PPP (para partos normais). Este ambiente tem capacidade para um ou dois leitos com banheiro anexo.
Prevê área para movimentação ativa da mulher, desde que não existam impedimentos clínicos.
Prevê soluções para alívio não farmacológico da dor e de estímulo à evolução fisiológica do trabalho de parto, tais como: barra fixa ou escada de Ling; bola de Bobat ou cavalinho.
Garante a adoção de alojamento conjunto desde o nascimento.
Garante a privacidade da parturiente e seu acompanhante.

Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cesariana aumenta risco de morte do bebê nos partos que a seguem

Artigo publicado no Globo.com:

Médico explica problemas associados ao número desnecessário de procedimentos. Útero da gestante pode se romper, entre outras chances de complicação.

Luis Fernando Correia*

O aumento do numero de cesarianas, preocupa as autoridades de saúde em todos os países do mundo e em nosso país, não é diferente.

A cesariana é uma opção de tratamento para dificuldades no parto normal ou parto por via baixa, como é chamado. O que se questiona são as indicações do método de maneira excessiva. Uma preocupação é com as possíveis conseqüências das cesarianas sobre as gravidezes subseqüentes e os recém-natos. As gestações que seguem as cesarianas trazem um risco aumentado de ruptura uterina no momento do trabalho de parto, bem como a ocorrência de natimortos.


Para estudar a relação entre a cesariana e a gestação seguinte, pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estudaram os registros de nascimentos e morte fetal da Escócia, em um período de oito anos, para estudar a possível relação.

Morte maior

Foram avaliados mais de 120 nascimentos no período estudado. A incidência de morte fetal foi 65% maior em mulheres que haviam passado por uma cesariana na gestação anterior. O risco variou de acordo com a idade gestacional.

O risco de ocorrer um caso de morte fetal ou parto prematuro de natimorto foi maior por volta das 34 semanas de gestação. Mesmo em gestantes no final de gestação (nascimento após 39 semanas), o risco absoluto de nascer um feto morto era duas vezes maior nas mulheres com cesariana em gestação anterior, quando comparado ao risco de quem teve um parto normal anteriormente.

No Brasil, as taxas de cesariana vêm caindo nos últimos oito anos. Em 1999 a média dos estados era de 28,4% e, em 2002, foi de 25,9%, porém se mantém em níveis alarmantes, atingindo em São Paulo 32% em 2003, segundo o Ministério da Saúde.

* Luís Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN

Como eu já disse outras vezes, sou contra as cesáreas desnecessárias. Infelizmente, elas são a triste realidade obstétrica do Brasil. Neste domingo, fui à pracinha com meus filhos e encontramos uma das "tias" da escolinha que eles freqüentavam no ano passado. Ela estava com a filhinha de 2 anos. Durante nosso papo, entramos no assunto gestação e parto e eu, para variar, perguntei como a filha tinha nascido.

- Foi parto normal ou cesárea?

- Cesárea.

- E por que foi cesárea?

- Ah, eu não senti nenhuma dor, aí a médica teve que fazer cesárea.

- Mas de quantas semanas estavas?

- Acho que 39 semanas ... É que a médica marcou uma data para eu começar a sentir as dores. Se as dores não começassem até aquela data, ela faria a cesárea. Aí o dia chegou, eu não sentia dor nenhuma, então ela marcou a cesárea. Para mim foi bom, porque eu tinha plano de saúde, então correu tudo bem.

Alguém tem alguma dúvida que a cesárea dela foi completamente desnecessária?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Campanha de Incentivo ao Parto Normal

O Ministério da Saúde lançou a Campanha Incentivo ao Parto Normal. A cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil no setor público e no privado. Nos planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chegando a 80%. Já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos.

Por ser uma cirurgia, a cesariana somente é indicada para os casos que tragam risco para a mãe ou o seu bebê. Quando realizada sem que exista uma indicação médica precisa, aumentam os riscos de complicações e de morte para a mulher e para o recém-nascido.

Não é raro que as cesarianas sejam agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Finalmente, as chances de a mulher sofrer uma hemorragia ou infecção no pós-parto também são maiores em caso de cesárea, existindo ainda um risco aumentado de ocorrer problemas em futuras gestações, como a ruptura do útero e o mau posicionamento da placenta.




LINDO! Eu vi comercial da campanha esta semana e ADOREI, além de ter me deixado comovida! Eu já havia elogiado a Fernanda Lima em meu post anterior e este comercial que ela fez só me fez aumentar a admiração pela grande mulher que ela é. Ela mostrou que as mulheres podem ser muito mais que somente um rosto bonito. Tudo o que ela diz no comercial é verdadeiro. Eu tive meus dois filhos de parto normal, participei ativamente do parto e minha recuperação foi rápida.

Mais um ponto para Fernanda Lima!


Parabéns, Fernanda! O Brasil precisa de mais celebridades como você! Continue assim!

domingo, 20 de abril de 2008

Parto Normal de Gêmeos!

Francisco e João nasceram às 23h06, na sexta-feira, 18, de parto normal - um procedimento corajoso e raro* nos dias de hoje para quem dá à luz gêmeos. Um bebê veio ao mundo com 46 cm e 2,925 kg, e o outro com 49,5 cm e 2,555kg."

*Raro é ver uma celebridade brasileira fazer um parto normal.
*Raro é ver uma mulher brasileira fazer um parto normal.
*Raro é ver uma mulher brasileira fazer um parto normal
de gêmeos.


Parabéns, Fernanda! O Brasil precisa de mais celebridades como você!

OMS critica Brasil por excesso de cesáreas

Para representante de organização internacional, taxas praticadas por operadoras de saúde são "absurdas"

As taxas de cesáreas praticadas por planos e seguros-saúde brasileiros, de 80%, são "absurdas" e refletem o quanto o país está distante de oferecer uma assistência de qualidade à mulher.
A avaliação é do médico obstetra Antonio Horacio Toro Ocampo, representante no Brasil da Opas (Organização Panamericana de Saúde) -escritório regional da OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo relatório da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), divulgado ontem pela Folha, 79,7% dos partos realizados no sistema suplementar são cesáreas. Na rede pública, o índice é de 27%.
Para ele, a redução de 15% em três anos na taxa de cesáreas, proposta pela ANS aos planos e seguros-saúde, é insuficiente.
Conforme o pacto que a ANS pretende firmar com as operadoras de saúde, o índice de cesáreas ficaria em 68%. Segundo Ocampo, a OMS considera aceitável que de 10% a 15% dos partos sejam cesáreas, em razão das eventuais complicações que podem surgir durante a gravidez.

"Os atuais índices [das cesáreas] dos hospitais privados no Brasil são absurdos, inaceitáveis, extremamente elevados e fogem totalmente da indicação obstétrica. Quase nenhuma mulher consegue se livrar [das cesarianas]."

Em algumas regiões do país, especialmente na Sul e na Sudeste, ocorre uma cesárea a cada dois partos. "Isso reflete problemas na assistência desde o pré-natal. Implica riscos desnecessários."

Entre os riscos à gestante estão hemorragias e infecções, que elevam em três vezes as chances de mortalidade materna, segundo estudos internacionais. Para o bebê, os principais riscos são problemas respiratórios relacionados à prematuridade.

Na opinião de Ocampo, o cenário brasileiro só será mudado quando as universidades sensibilizarem os estudantes de medicina de que a cesárea não é o melhor para a mulher. "O nascimento não pode ser encarado como um comércio, mas sim como um ato humano muito nobre." Além disso, defende o médico, é preciso que as mulheres sejam conscientizadas de que o parto vaginal é muito mais vantajoso.

Mudanças
Segundo o obstetra Nilson Roberto de Melo, presidente da Febrasgo (entidade que reúne as sociedades de ginecologia e obstetrícia), as metas propostas pela ANS "são melhores do que nada". "O assunto é complexo, e as mudanças devem ser graduais."

Para o médico, o fato de no passado a cesariana já ter sido mais bem remunerada do que o parto normal foi um dos fatores que estimularam a "cultura da cesárea". Somado a isso estariam a falta de qualificação médica provocada pelo boom de faculdades de medicina no país e a redução do treinamento obstétrico. "Os planos de saúde estão interessados em mão-de-obra barata. E, muitas vezes, esse tipo de profissional não está treinado para fazer um parto vaginal com segurança."

Outra questão seria a preferência das mulheres pela cesárea em razão de mitos como a redução da sexualidade após o parto vaginal. "A paciente não quer e, por conveniência, o médico acaba aceitando em fazer a cesárea."

Segundo José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), é complicado aplicar índices de redução para as cesáreas. "Essa história de premiar as instituições pode criar um clima de inibição na indicação de cesáreas para situações em que elas sejam realmente necessárias."

Ele discorda que a falta de educação médica seja um fator importante para o excesso de cesarianas. "A maioria dos médicos atua no sistema público e no privado. Por que ele estaria apto a fazer parto vaginal no público e não no privado?", questiona.

Amaral diz que os planos de saúde poderiam ajudar a reverter os índices oferecendo mais estímulo ao médico tanto do ponto de vista financeiro (pagando melhor o parto vaginal) como no aspecto de humanização no parto.
Para o obstetra Carlos Alberto Montenegro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as brasileiras preferem a cesárea por entenderem que ela preserva mais a feminilidade. "Se não houvesse preferência, não vingaria [o excesso de cesáreas]", afirma.

Folha de S. Paulo - CLÁUDIA COLLUCCI - 12 de janeiro de 2006


Eu tive meus dois filhos de parto normal: meu filho nasceu de parto natural humanizado no hospital e minha filha nasceu em casa, de parto natural humanizado domiciliar. Eu sou a prova de que é possível ter parto normal no Brasil, quando se quer e se tem um médico que acredita na capacidade da mulher de parir.

Eu nunca quis ser submetida a uma cesárea e fui afortunada, pois encontrei uma equipe médica que pensava como eu.

Eu nasci de parto normal e minha mãe sempre me passou uma visão positiva sobre o parto.

As mulheres têm que acreditar que são capazes de parir sim!

Viva o parto normal e as mulheres que têm a coragem de ir na contramão dos nascimentos no Brasil! Hoje em dia, ter filho de parto normal é considerado um ato de coragem, quando deveria ser estimulado e encarado como um ato fisiológico normal. Parir os filhos pela vagina é normal, é fisiológico e nós mulheres fomos feitas para isso. Diga não às cesáreas desnecessárias!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Relato de Parto


Estou muito contente hoje! Finalmente consegui publicar, após três anos e três meses, o relato de parto domiciliar de minha filha no site ONG Amigas do Parto!


Apesar de não estar mais casada com o pai de meus filhos,
ele foi parte muito importante nos partos de nossos dois filhos e,
em especial, no parto domiciliar de nossa filha.
Nosso casamento acabou três meses e meio após este parto.

O relato está aqui. Aguardo ansiosa os comentários! :-)
Quero deixar meu agradecimento à Adriana por publicar meu relato no site da ONG Amigas do Parto e à Trícia, pela força que me deu. Valeu, meninas!