sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Parto domiciliar aumenta no Reino Unido


Parto domiciliar aumenta no Reino Unido, à medida que mais mulheres têm receio de infecções hospitalares e da diminuição de obstetrizes nos hospitais

Daniel Martin – 26/09/2008 – Publicado no Daily Mail, traduzido para o Português por mim .

Mais mulheres no Reino Unido estão escolhendo parir em casa, para evitar os hospitais públicos e o risco de infecções.

Os partos domiciliares constituíram 2,7% de todos os partos na Inglaterra e País de Gales em 2006, o último ano em que as estatísticas estão disponíveis.

Isso representa 18.100 mulheres parindo seus filhos em casa naquele ano, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.
Os números de partos domiciliares estão gradualmente aumentando desde 1988, cujo índice era de apenas 0,9%.
Os especialistas dizem que as mulheres optam por parir em casa porque elas serão atendidas durante todo o tempo por uma obstetriz (ou parteira), e elas podem assegurar que sua casa estará limpa.




A falta de 5.000 obstetrizes do sistema público de saúde inglês significa que, em alguns hospitais, uma obstetriz tem que atender três mulheres ao mesmo tempo.



Uma recente pesquisa feita pela Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido encontrou 23% das gestantes mal alimentadas no hospital, enquanto que 26% disseram que haviam sido deixadas preocupadas ou sozinhas. Uma em cada cinco mulheres disse ao representante da Comissão que as enfermarias ou banheiros estavam sujos.

Mary Newburn, chefe da política de investigação no National Childbirth Trust*, disse: “As mulheres também se dão conta que quando dão à luz no hospital, elas perdem o controle sobre o que acontece com elas e com seus bebês, sua família geralmente é separada delas e elas sua privacidade, liberdade e intimidade são limitadas”.

Andrew Shennan, professor de Obstetrícia do Tommy's Baby Charity** disse: “Alguns hospitais podem ser muito desoladores e o ambiente pode ser até mesmo desagradável.” Os cuidados puerperais em hospitais também recebem críticas. “Há mulheres que estão preocupadas sobre as infecções hospitalares e isso é perfeitamente compreensível.”


Ele acrescenta: “Nos anos 70 e 80, se acreditava que os partos domiciliares eram perigosos. Houve então um forte incentivo ao parto hospitalar, porque as pessoas estariam rodeadas de equipamentos de alta tecnologia. As pessoas agora estão se dando conta que para as mulheres com baixo risco de complicações, o parto domiciliar pode ser mais apropriado.”

Há uma enorme variação regional em partos domiciliares, com os índices mais altos vistos nas áreas mais ricas.

O governo inglês quer que sejam oferecidas a todas as gestantes um “amplo leque de opções para o parto” até o final de 2009. Porém há um longo caminho a ser percorrido: 43% das gestantes sequer são consultadas sobre onde querem parir, diz a Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido.


Os ministros também querem que todos os hospitais tenham os índices do “padrão-ouro” de algumas instituições, onde 12% das mulheres têm parto domiciliar.

Porém Cathy Warwick, do Colégio Real de Obstetrizes, disse: “Há muitas mulheres que querem parir em casa, mas não têm essa chance, simplesmente porque não há suficientes obstetrizes por aí para transformar essa escolha em realidade. Sem investimento em serviços de obstetrizes e maternidades, essa será uma promessa vazia.”

Em 2006, 24,3% dos nascimentos foram por cesárea no Reino Unido - 0,2% a mais do que no ano anterior. Os especialistas mostram preocupação, alertando que uma cesárea aumenta as chances do bebê de sofrer desconforto respiratório e que ela também pode dificultar o vínculo da mãe com o bebê.

*Instituição pública do Reino Unido que dá suporte e informações à população sobre Gravidez, Parto e Maternidade/Paternidade.


**Instituição pública do Reino Unido que fornece informações sobre gravidez e parto aos futuros pais e mães daquele país.

4 comentários:

Cristiane A. Fetter disse...

Eu acho muito legal, até assisti pela tv vários partos domiciliares enquanto estava grávida.
Eu particularmente não faria, não tenho coragem, apesar de ser adepta do parto normal, prefiro que sejam em um ambiente controlado.
Não sou como a minha avó e nem tive a vida que ela teve (6 filhas em casa).
Mas louvo quem o faz.
Beijocas

Carla Beatriz disse...

Cris,

O artigo trata justamente disso: da mulher poder escolher se quer ter o filho em casa ou no hospital. Ter a opção de escolha já é um grande passo. Mesmo que muitas mulheres ainda não possam optar por um parto domiciliar no Reino Unido, é MUITO mais opção do que há no Brasil. Aqui, só opta pelo parto domiciliar quem tem dinheiro. Quem não tem condições, não tem opção mesmo, tem o filho nos hospital pelo SUS.
Por isso, as Casas de Parto são importantes para dar uma opção a mais às mulheres de baixa renda, que podem ter um parto humanizado sem precisar pagar por ele. E se houvessem obstetrizes do serviço público que atendessem partos domiciliares, seria então perfeito!

Cris Bispo disse...

Obrigada pela visita e pelo link.

Vc pode não acreditar, mas seu blog está há uns 3 ou 4 dias aberto numa aba do meu navegador para eu não esquecer de lê-lo.

Juro que, assim que eu tiver um tempinho faço uma longa visita.

Essa matéria do parto domiciliar é muito interessante. Foi ela que me chamou a atenção.

Ufa! Falei muito, como sempre.

Beijos! =*

Carla Beatriz disse...

Cris,

O parto domiciliar é uma realidade concreta em alguns países europeus como Inglaterra e Holanda.

Aqui no Brasil, cresce a cada dia o número de mulheres que escolhem ter seus filhos em casa. Eu fui uma delas: tive minha filha de parto domiciliar. Eu posso te dizer que foi a melhor escolha que eu fiz para parir minha filha. No meu blog está o link para o relato de parto de minha filha, se você quiser ler. E volte sempre que quiser, é um prazer ter tua visita!

Um beijo,