terça-feira, 2 de junho de 2009
Estou de volta!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Ficar com os avós pode ser pior para os bebês?
Os avós trazem coisas positivas e negativas, segundo os pesquisadores.
Muitos dos bebês que ficam aos cuidados dos avós enquanto os pais trabalham talvez se saíssem melhor em creches e na escola maternal, afirma um estudo britânico.
Os avós com frequência podem ajudar a desenvolver o vocabulário de um bebê, mas talvez não possam oferecer outras experiências educacionais e sociais que uma criança necessita, dizem pesquisadores do Institute of Education, em Londres.
Eles verificaram que crianças que foram cuidadas pelos avós aos nove meses de idade foram consideradas como tendo mais problemas de comportamento aos três anos do que as que ficaram aos cuidados de uma creche, escolinha, babá ou outro membro da família.
Os problemas de comportamento relatados pareceram afetar crianças de todos os níveis sociais.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Benefícios da amamentação prolongada
(Tradução publicada no site Amigas do Parto, original no site KellyMom - Breasfeeding & Parenting)
Amamentar crianças maiores têm benefício nutricional
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança é muito parecido com o leite no primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança:sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Crianças nascidas de cesariana podem ser mais propensas à asma
PARIS (AFP) - As crianças nascidas de cesariana podem ser mais propensas adesenvolver asma do que os nascidos de parto normal, segundo um estudo holandês realizado com cerca de 3.000 crianças, que será publicado na edição desta semana da revista especializada Thorax.
O número de crianças que sofrem de asma aumentou consideravelmente nas últimas décadas, principalmente nos países industrializados.
Paralelamente, a proporção de partos por cesárea aumentou na maioria dos países desenvolvidos, passando de 5% nos anos 1970 para mais de 30% em 2000em certas regiões do mundo.
Caroline Roduit e seus colegas do Instituto holandês da Saúde e do Meio ambiente durante 8 anos 2.917 crianças nascidas entre maio de 1996 edezembro de 1997 na Holanda. Deste total, 247 (8,5%) eram nascidas porcesariana. A Holanda tem taxa de natalidade por cesariana fraca em relação aos demais países ocidentais.
No total da população estudada, 12,4% das crianças tiveram asma aos oitoanos de idade.
Os pesquisadores mostraram que as crianças nascidas de cesárea tinham risco maior de ter asmas, com mais probabilidade ainda entre as crianças cujos pais eram alérgicos e que tinham, portanto, uma "predisposição" a esta doença. O risco era multiplicado por dois entre as crianças com um dos pais alérgicos e por três entre as crianças com os dois países alérgicos.
"Nossos resultados destacam a importância das interações entre fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento da asma entre as crianças", indicaram os pesquisadores.
"O aumento do percentual de cesárea é parcialmente devido ao pedido das mães, sem razões médicas", destacaram os pesquisadores. "Elas devem ser informadas sobre o risco de asma para suas crianças, particularmente quandoos países têm antecedentes de asma ou alergia", concluíram.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Um Dia Histórico

segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Amamentar reduz risco de câncer de mama
Artigo publicado no BBCBrasil.com.
Amamentar reduz risco de câncer de mama, diz estudo. Mães que amamentam seus filhos por um total de um ano reduzem em quase 5% os riscos de desenvolver câncer de mama, sugere uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha. sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Parto normal aumenta sensibilidade da mãe ao choro do bebê
Artigo publicado no G1.
Pesquisa foi feita medindo ativação de áreas 'maternais' do cérebro. Trabalho tem implicações para entender e até prever depressão pós-parto.
Uma pesquisa publicada na revista científica "The Journal of Child Psychology" sugere que pode haver um elo mais poderoso entre mãe que tiveram filhos por parto normal e seus bebês do que aquele que existe entre mães e seus filhos nascidos por cesariana. Segundo os pesquisadores, a primeira categoria de mães é mais sensível ao choro de seu próprio filho, a julgar pelo padrão de ativação cerebral materno, medido com a ajuda de ressonância magnética de duas a quatro semanas depois do parto.
Para ser mais exato, a resposta aumentada das mães de parto normal aparece em regiões do cérebro ligadas à regulação de emoções, motivação e comportamentos habituais. A conclusão faz algum sentido diante do aparente elo que existe entre o parto por cesariana e um risco aumentado de depressão pós-parto, verificado em mulheres, e também do cuidado diminuído com a cria presente em animais cujos filhotes não nascem por via vaginal.
Os conhecimentos atuais sobre o parto normal também indicam que ele ajuda a desenvolver os circuitos cerebrais ligados ao apego pelos recém-nascidos. Exemplo disso é a liberação periódica de oxitocina, o famoso "hormônio da confiança" (ou "hormônio do apego") durante o nascimento natural.
Menos ativas
"Queríamos saber quais áreas do cérebro ficariam menos ativas em mães que têm seus filhos por cesariana", diz James Swain, pesquisador do Centro de Estudos da Infância da Universidade Yale (EUA). "Nossos resultados apóiam a teoria de que variações nas condições de nascimento que alteram as experiências neurohormonais do parto podem diminuir a sensibilidade do cérebro materno humano no começo da fase pós-parto."
Outro detalhe importante: as mesmas áreas ligadas ao esforço do nascimento também influenciam o estado emocional da mãe. "Conforme mais e mais mães optam por ter filhos mais velhas, tendo, portanto, mais chances de passar por uma cesariana, esses resultados vão se tornando importantes. Podem, por exemplo, ajudar a identificar precocemente o risco de depressão pós-parto e atacar o problema", afirma Swain.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Cesariana aumenta risco de diabetes em bebês
Artigo publicado no BBCBrasil.com.
Bebês que nascem por cesariana têm 20% mais chances de desenvolver diabetes tipo 1, indica uma pesquisa publicada na revista científica PubMed.
Os pesquisadores da Queen’s University, em Belfast, na Irlanda do Norte, revisaram 20 estudos já publicados sobre crianças nascidas por cesárea que sofrem de diabetes tipo 1. Os resultados indicam que esse tipo de parto contribui para um aumento de 20% no risco do bebê se tornar diabético.
Segundo os pesquisadores, esse aumento não pôde ser explicado por nenhum outro fator como peso da criança no nascimento, idade da mãe, diabetes na gestação ou aleitamento materno.
De acordo com Chris Cardwell, que liderou o estudo, é provável que esse aumento ocorra porque os bebês que nascem por esse método são expostos primeiro à bactéria proveniente do hospital, e não da mãe.
O risco normal de um bebê desenvolver a diabetes do tipo 1 é de três para cada 1 mil crianças.
Opção
De acordo com Iain Frame, diretor de pesquisa da ONG Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, as mães devem levar esse risco em consideração quando há escolha pelo tipo de parto.
“Já sabemos que a genética e as infecções infantis têm um papel importante no desenvolvimento da diabetes tipo 1 em crianças, mas os resultados desse estudo indicam que o modo como o bebê nasce pode afetar as chances de desenvolver essa condição”, afirmou o diretor.
Segundo ele, são necessárias mais pesquisas nessa área para descobrir a relação entre a cesariana e o risco de desenvolver a diabetes tipo 1.
Um levantamento encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil e divulgado em maio deste ano, usou dados de 2006 e indica que a cesariana representa 43% dos partos realizados no setor público e no privado.
Entre as mulheres que utilizam planos de saúde, esse percentual é ainda maior e chega a 80%. No Sistema Único de Saúde (SUS), 26% dos partos são cesáreas.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Avós e Educação dos Filhos
Crianças crescem mais felizes e ajustadas quando os avós desempenham um papel importante em sua educação, segundo um estudo realizado por cientistas da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.A coordenadora do estudo, Ann Buchannan, disse que a proximidade entre netos e avós é benéfica para as crianças e cada vez mais comum diante da atribulada rotina de trabalho dos pais.
“O que foi especialmente interessante foi identificar a ligação entre a presença dos avós e o bem-estar das crianças", disse Buchannan.
"E só proximidade não basta; apenas os avós que participaram de verdade na educação é que provocaram um impacto positivo em seus netos”, afirmou a pesquisadora.
Divórcio
Os pesquisadores acompanharam mais de 1,5 mil crianças e adolescentes, de 11 a 16 anos, cujos avós substituíam os pais na realização de algumas tarefas diárias.
Eles observaram que os avós foram muito importantes ao ajudá-los a superar dificuldades do dia-a-dia, como implicância de colegas da escola, aconselhá-los sobre qual universidade escolher e planejar o futuro.
A pesquisa apontou também que os avós podem ajudar as crianças a superar traumas, como o divórcio dos pais.
“Em épocas de separações dos pais muitos avós desempenharam um papel importante ao trazer conforto aos netos e estabilidade a toda família”, disse Eirini Flouri, do Instituto de Educação de Londres, que participou do estudo.
De acordo com o trabalho, quase um terço das avós maternas tomam conta dos netos regularmente na Grã-Bretanha e quatro em cada 10 o fazem esporadicamente.
Isso é muito verdadeiro. Meus pais me ajudam ativamente na educação e criação de meus filhos, desde que me divorciei de meu marido e fui morar sozinha c0m as crianças. Eu não moro com meus pais não! Minha mãe vai todo dia à minha casa, para ficar com as crianças, enquanto eu saio para trabalhar. Meu pai leva regularmente meu filho à escola, que é um pouquinho longe de casa.
Quem se encarrega de vesti-los, alimentá-los, preparar o lanche da escola, etc, é minha mãe. É ela também que os leva no pediatra, para que eu não precise sair em horário de expediente do trabalho. Meu pai está responsável pela reforma de meu apartamento, foi ele quem contratou os pedreiros, pintores, supervisiona a obra e ainda está fazendo toda a instalação elétrica.
Não imagino como seria minha vida sem a ajuda preciosa de meus pais!sexta-feira, 30 de maio de 2008
Cesariana aumenta risco de morte do bebê nos partos que a seguem
Médico explica problemas associados ao número desnecessário de procedimentos. Útero da gestante pode se romper, entre outras chances de complicação.
Luis Fernando Correia*
O aumento do numero de cesarianas, preocupa as autoridades de saúde em todos os países do mundo e em nosso país, não é diferente.
A cesariana é uma opção de tratamento para dificuldades no parto normal ou parto por via baixa, como é chamado. O que se questiona são as indicações do método de maneira excessiva. Uma preocupação é com as possíveis conseqüências das cesarianas sobre as gravidezes subseqüentes e os recém-natos. As gestações que seguem as cesarianas trazem um risco aumentado de ruptura uterina no momento do trabalho de parto, bem como a ocorrência de natimortos.
Para estudar a relação entre a cesariana e a gestação seguinte, pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estudaram os registros de nascimentos e morte fetal da Escócia, em um período de oito anos, para estudar a possível relação.
Morte maior
Foram avaliados mais de 120 nascimentos no período estudado. A incidência de morte fetal foi 65% maior em mulheres que haviam passado por uma cesariana na gestação anterior. O risco variou de acordo com a idade gestacional.
O risco de ocorrer um caso de morte fetal ou parto prematuro de natimorto foi maior por volta das 34 semanas de gestação. Mesmo em gestantes no final de gestação (nascimento após 39 semanas), o risco absoluto de nascer um feto morto era duas vezes maior nas mulheres com cesariana em gestação anterior, quando comparado ao risco de quem teve um parto normal anteriormente.
No Brasil, as taxas de cesariana vêm caindo nos últimos oito anos. Em 1999 a média dos estados era de 28,4% e, em 2002, foi de 25,9%, porém se mantém em níveis alarmantes, atingindo em São Paulo 32% em 2003, segundo o Ministério da Saúde.
* Luís Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN
Como eu já disse outras vezes, sou contra as cesáreas desnecessárias. Infelizmente, elas são a triste realidade obstétrica do Brasil. Neste domingo, fui à pracinha com meus filhos e encontramos uma das "tias" da escolinha que eles freqüentavam no ano passado. Ela estava com a filhinha de 2 anos. Durante nosso papo, entramos no assunto gestação e parto e eu, para variar, perguntei como a filha tinha nascido.
- Foi parto normal ou cesárea?
- Cesárea.
- E por que foi cesárea?
- Ah, eu não senti nenhuma dor, aí a médica teve que fazer cesárea.
- Mas de quantas semanas estavas?
- Acho que 39 semanas ... É que a médica marcou uma data para eu começar a sentir as dores. Se as dores não começassem até aquela data, ela faria a cesárea. Aí o dia chegou, eu não sentia dor nenhuma, então ela marcou a cesárea. Para mim foi bom, porque eu tinha plano de saúde, então correu tudo bem.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Amamentar diminui risco de artrite da mãe
A equipe de cientistas da Universidade de Malmo comparou 136 mulheres com artrite com 544 que não apresentavam o problema.
Eles perceberam que as que haviam amamentado por 13 meses ou mais tinham metade das chances de desenvolver a doença em relação às que nunca haviam praticado o aleitamento materno.
As mulheres que haviam amamentado durante um ano tiveram 25% menos riscos de desenvolver artrite, acrescentaram os especialistas.
Vida saudável
Segundo os cientistas, a amamentação libera grande quantidade do hormônio oxitocina, que pode reduzir os níveis de estresse, controlar a pressão sangüínea e proporcionar sensações de bem-estar.
Por outro lado, a amamentação também aumenta a carga de prolactina, estimulando o sistema imunológico e podendo ocasionar, curiosamente, a artrite reumatóide.
Os pesquisadores afirmam que estudos anteriores mostraram que as mulheres têm mais chances de desenvolver artrite logo após dar à luz e, diante dos últimos resultados, acreditam que os riscos são reduzidos com a prática da amamentação e o passar do tempo.
Os cientistas não souberam, no entanto, apontar as razões para as conclusões do estudo.
“Uma explicação poderia ser de que as mulheres que amamentam levam vidas mais saudáveis. Mas ainda não sabemos com certeza os mecanismos que explicam os benefícios da amamentação a longo prazo contra a artrite”, disseram os especialistas.
A artrite é uma doença auto-imune que ocorre quando o corpo ataca as articulações, confundindo-as com corpos estranhos.
O problema afeta mais as mulheres do que os homens.
O estudo foi publico na revista especializada Annals of Rheumatic Diseases.

Eu amamentei meus filhos por mais de um ano cada um: meu filho por um ano e nove meses e minha filha, por um ano e sete meses. Na foto acima, sou eu amamentando minha filha, que estava com um ano e seis meses na ocasião.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Sem Medo de Ser Infeliz
Hoje em dia, a tristeza nem sempre é encarada como algo que faz parte da vida nem mesmo por boa parte dos médicos. E os critérios de diagnóstico que distinguem esse sentimento da depressão ainda não são claros. Resultado: muita gente anda se enchendo de antidepressivos sem necessidade.Os economistas David Blanchflower, do Darthmouth College , nos Estados Unidos, e Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, publicaram recentemente um estudo que traz uma revelação sobre os nossos altos e baixos: segundo os pesquisadores, a probabilidade de termos episódios de tristeza profunda é muito maior na meia-idade, lá pelos 40 anos, do que na juventude ou na velhice. O artigo iluminou ainda mais um assunto que é alvo de muita discussão nos tempos atuais: a incidência de depressão e as formas de combatê-la.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença atinge cerca de 121 milhões de pessoas no planeta. Desse total, apenas 25% recebem tratamento adequado. A dificuldade é justamente diagnosticar um problema que é subjetivo e envolve emoções complexas. “Apesar das tentativas de padronização dos métodos que identificam esse mal, os critérios para isso ainda não são precisos”, justifica o psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília.
De forma geral, a depressão se distancia da tristeza quando os sintomas — falta de interesse pelas atividades cotidianas e insônia, entre vários outros — duram mais do que o esperado ou são desproporcionais ao episódio que despertou esse sentimento em determinado momento da vida. Nesses casos, e quando o médico afasta totalmente a possibilidade de se tratar de “tristeza reativa” — nome que os especialistas dão à dor que resulta de uma perda ou uma decepção —, os psiquiatras defendem a medicação. “Até mesmo os casos mais leves de depressão clínica devem ser tratados com antidepressivos para evitar que se transformem em problemas mais sérios lá na frente”, afirma Boechat.
“O crescimento do tratamento da depressão tem benefícios como a redução de suicídios e o aumento da produtividade”, alerta, em artigo recém-publicado no British Medical Journal, o psiquiatra Ian Hickie, da Universidade de Sydney, na Austrália. No entanto, há quem afirme que o número cada vez maior de diagnósticos de depressão denote a falta de critério dos médicos ao avaliar os pacientes. “Por falta de preparo, muitos acabam prescrevendo remédios para amenizar episódios simples de tristeza”, admite Boechat.
Médicos, psicólogos e psicanalistas do mundo todo começam a levantar uma bandeira que pode parecer estranha: a de que a tristeza não deve ser evitada a qualquer custo, pois faz parte do nosso cotidiano e até nos ajuda a crescer. “Há um sentido existencial nesse sentimento, pois ele nos faz questionar a nossa vida e buscar caminhos alternativos”, defende o psicólogo Fabiano Murgia, de São Paulo, autor do livro Salve a Depressão (Editora Edicta). Ele acredita que os quadros depressivos geralmente são criados por emoções mal resolvidas. E o remédio, de acordo com essa visão, alivia apenas o sintoma, sem cuidar da raíz do problema em si.
Essa tese, aliás, é defendida por vários pesquisadores. O livro The Antidepressant Solution (“A solução dos antidepressivos”, sem edição em português), do psiquiatra Joseph Glenmullen, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, provocou alvoroço ao colocar os antidepressivos na berlinda. Além de defender um controle mais rígido sobre o diagnóstico dos casos de depressão, o autor traz à tona possíveis efeitos colaterais dos medicamentos. Em teoria, eles são seguros e não provocam dependência. “Mas os efeitos de longo prazo ainda não são totalmente conhecidos”, ressalva o estudioso Jerome Wakefield, da Universidade de Nova York, que escreveu The Loss of Sadness (“A perda da tristeza”, também sem edição em português).
O ideal, então, seria procurar um especialista com formação adequada para lidar com casos de depressão. E recorrer aos remédios apenas quando eles forem realmente necessários. Afinal de contas, como disse Carlos Drummond de Andrade no poema Viver Não Dói, “o sofrimento é opcional; a dor é inevitável”.
MELANCÓLICOS E CRIATIVOS
Vários artistas e intelectuais, atormentados por situações que deram origem à angústia severa, encontraram nas artes o meio para superar a dor ao longo da vida. Um exemplo é o holandês Vincent van Gogh (1853-1890). Aos 27 anos, quando decidiu se dedicar à pintura, ele acreditava que suas telas iriam livrá-lo da melancolia que o assolava. No caso dele, a arte como remédio não funcionou. Mas os resultados dessa estratégia são reconhecidos, hoje, como algumas das obras mais importantes da história da pintura. O compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) é outro gênio que, no caso, se refugiou na música. Pouco antes de morrer, já completamente surdo, ele continuava escrevendo suas partituras para aliviar uma permanente sensação de sofrimento intenso.A ANATOMIA DA TRISTEZA
Pessoas jovens e idosas têm menos chances de desenvolver quadros de angústia e depressão do que aquelas que estão na meia-idade. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista Social Science & Medicine pelos economistas David Blanchflowere Andre Oswald. Os pesquisadores fizeram um levantamento de estatísticas sobre o bem-estar da população de vários países e descobriram que o gráfico da felicidade tem a forma da letra “U”, levando-se em conta a evolução do bem-estar nas diferentes fases da vida. No Brasil, por exemplo, a idade média para que alguém atinja o fundo do poço é 36,6 anos. “É uma idade inferior à registrada em outros países, mas o padrão de evolução do bem-estar é igual em todas as regiões do globo”, garante Oswald. A interpretação da análise é simples: crianças, jovens e idosos sentem-se melhor porque sofrem menos pressões e cobranças econômicas e sociais. Mas há quem ressalve: “Outras pesquisas indicam uma incidência maior de bem-estar na meia-idade”, diz Allan Horwitz, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, co-autor do livro The Loss of Sadness. A única certeza é de que tristeza e alegria fazem parte de todas as nossas fases e merecem ser vivenciadas.



