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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Violência contra Crianças


Já está circulando na blogosfera (eu vi no Blog do Desabafo de Mãe) e com pedidos para divulgação . A Lele
Siedschlag do Every Woman is a Madonna foi testemunha de uma agressão covarde a duas crianças (ou pré-adolescentes, como queiram). Como mulher, mãe, cidadã e blogueira, estou fazendo minha parte, ao divulgar este triste acontecimento:

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Ontem eu fui ao Carrefour Villa-Lobos (ali perto da ponte do Jaguaré, em SP) - eram 22h20. No fim das compras (o supermercado estava supervazio), na hora de empacotar as coisas, ouvi gritos horríveis, de crianças. Um cara subiu correndo pela rampa e pediu pra chamar o gerente, ou o responsável pelo supermercado. Eu imaginei o pior, larguei tudo e fui ver o que era. Ele me contou: dois meninos tinham sido espancados pelo segurança do supermercado, no andar de baixo. Motivo: estavam brincando na esteira rolante.

Os meninos subiram depois de uns minutos. Um menino de 10 e outro de 13. O de 10 estava chorando também, mas o de 13 estava todo machucado. O segurança encostou os dois na parede e desceu o cacete, encheu os dois de botinada. Enquanto o cara chamou o gerente, eu liguei pra polícia. Dei meu nome e falei que ficaria esperando.

O "gerente" chegou, me viu chamando a polícia. Eu perguntei a ele qual o nome do segurança, ele não quis me dizer. Perguntei qual o nome dele, ele disse que não ia me dar a informação. Disse que ou ele respondia pelo supermercado ou não respondia. Ele disse que o supermercado NÃO RESPONDE pelos atos dos seguranças. Depois eu descobri que o cara nem gerente era, era um "fiscal", seja lá o que isso queira dizer. Na hora em que a polícia chegou, o segurança-animal passou um rádio pro tal fiscal pra avisar. E o fiscal respondeu "Se vira aí e responde pelo que você fez". Fiscal Pilatos, lava as mãos.

Desci pra falar com a polícia, estavam lá os garotos, as testemunhas (eu e um casal, logo apareceu uma loira que disse que estava no carro e viu tudo). O segurança ainda tentou falar que os meninos furtaram alguma coisa, mas foi prontamente desmentido. Os policiais tinham spray de pimenta nas mãos (por quê? Não faço idéia). Chamaram os pais dos meninos, que logo chegaram. Uma família superpobre, de algum barraco ali do lado. A mãe, chorando, disse que tinha mandado os meninos "comprar mistura". Os policiais me dispensaram e eu fui embora, mas antes tirei uma foto da perna do menino de 13 anos.



Se puderem divulgar eu agradeço. Eu não consegui dormir essa noite, de dor no peito. Duvido que se fosse uma filha minha, por exemplo, eles fizessem isso. Preto e pobre, essa é a equação que valeu ontem à noite.

Foto: Lele Siedschlag

quarta-feira, 19 de março de 2008

10 motivos pelos quais odeio ser argentina no Brasil


1. Copa do mundo. Todo mundo me faz a infalível pergunta: "Para quem você torce? Brasil ou Argentina?" Por essa razão, eu detesto futebol. Eu tinha 10 anos na Copa de 1978, realizada na Argentina e vencida por ela, naquele famoso jogo, em que o time argentino ganhou por 6x0. Meus colegas caçoavam de mim o tempo todo: "Argentina 78!". Isso me traumatizou, a ponto de não conseguir sequer olhar os jogos da Copa do Mundo.

2. Ser chamada de castelhana ou correntina.

3. Sempre tem alguém que me manda uma piada de argentino por e-mail.

4. Sempre tem alguém que me diz que odeia os argentinos.

5. Sempre tem alguém que compara o Maradona com o Pelé.

6. Nunca ter tido avós, tios e primos em minhas festas de aniversário. Isso me marcou muito na infância, pois eu sempre via que meus amiguinhos tinham familiares no aniversário e eu não, com exceção de meus pais e irmão.

7. Não existir facturas no Brasil. O mais parecido que existe com uma factura é o croissant, que lá é diferente e se chama media-luna. Hummm ... lembro do café da manhã clássico de todo hotel argentino: café con leche y medias-lunas.

8. Ter tido a desagradável experiência de ouvir a frase: "Volta para tua terra!", como se o Brasil não fosse um país de muitos imigrantes em todas as épocas de sua existência.

9. De esconder minha nacionalidade o máximo que posso, para evitar o preconceito. Como falo Português sem sotaque e sou naturalizada brasileira, as pessoas só descobrem que nasci na Argentina, se eu contar.

10. De não me sentir totalmente argentina nem totalmente brasileira, de ter minha identidade dividida.