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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Há 7 anos ...

Hoje meu filho querido completa 7 anos de vida!




Há exatos 7 anos, eu me tornava mãe, depois de um longo e cansativo trabalho de parto, mas extremamente gratificante e empoderador, pois fui capaz de parir meu filho naturalmente.

Há 7 anos, Deus me deu um presente maravilhoso, que foi meu filho, com quem aprendi a ser mãe: a primeira mamada, a primeira troca de fraldas, o primeiro dentinho, a primeira febre, a primeira palavra, o primeiro passo e todos os outros primeiros.

Há 7 anos eu tinha o privilégio de colocar uma vida no mundo e espero que esta vida faça diferença nele.

Há 7 anos eu descobria a sensação de ter nos braços uma vida gerada em meu ventre.

Há 7 anos eu comecei a ser mais feliz.

Obrigada, meu filho, por estes 7 anos de tua vida em minha vida!


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ficar com os avós pode ser pior para os bebês?

Segundo um estudo britânico feito recentemente, sim.

Os avós trazem coisas positivas e negativas, segundo os pesquisadores.

Muitos dos bebês que ficam aos cuidados dos avós enquanto os pais trabalham talvez se saíssem melhor em creches e na escola maternal, afirma um estudo britânico.

Os avós com frequência podem ajudar a desenvolver o vocabulário de um bebê, mas talvez não possam oferecer outras experiências educacionais e sociais que uma criança necessita, dizem pesquisadores do Institute of Education, em Londres.

Eles verificaram que crianças que foram cuidadas pelos avós aos nove meses de idade foram consideradas como tendo mais problemas de comportamento aos três anos do que as que ficaram aos cuidados de uma creche, escolinha, babá ou outro membro da família.
Um artigo sobre o trabalho será publicado na próxima edição da revista científica Journal of Social Policy, da editora Cambridge University Press.
Motivos
A pesquisa envolveu 4.800 crianças britânicas nascidas em 2000 e 2001 que estão sendo monitoradas por um estudo de longo prazo, o Millennium Cohort Study.

Os problemas de comportamento relatados pareceram afetar crianças de todos os níveis sociais.
As pesquisadoras Kirstine Hansen e Denise Hawkes também constataram que crianças de três anos que, aos nove meses de idade, ficaram na escola maternal e em creches, com frequência estavam mais preparadas para a vida escolar do que as que tinham sido cuidadas pelos avós, babás, pessoas da família ou amigos.
Em média, elas conseguiram mais pontos em uma avaliação que mediu sua compreensão de cores, letras, números, tamanhos, comparações e formas.
Entretanto, crianças cujas mães tinham alto nível educacional apresentaram vocabulários maiores se criadas por um dos avós - na maioria dos casos, a avó materna.
O estudo não investigou os motivos pelos quais as crianças deixadas aos cuidados dos avós parecem apresentar mais problemas de comportamento.
Os pesquisadores mencionaram, no entanto, estudos anteriores que concluíram que ambientes pré-escolares como a escola maternal podem ajudar as crianças a desenvolver o traquejo social de que necessitam para se relacionar com os colegas.
"Crianças que são cuidadas pelos avós, por outro lado, passam mais tempo com adultos", disseram.
Ao concluir o estudo, os pesquisadores argumentaram que avós que cuidam dos netos merecem apoio, ao invés de críticas.
Meus filhos sempre ficaram com meus pais, em especial minha mãe, para eu poder sair para trabalhar desde que eles tinham 5 meses de idade, cada um. Sem a ajuda preciosa dela, eu teria gasto uma fortuna em escolinha e eles não teriam sido cuidados com o amor e carinho de uma avó devotada. Se eu não tivesse opção, lógico, os teria deixado na escolinha. Mas, enquanto bebê pequeninos, nada melhor que minha mãe para cuidar deles!
Lógico que deixar os filhos serem cuidados pela avó tem suas desvantagens, já que ela os mima muito, mas quem não gosta de receber um carinho de avó? Que meus filhos aproveitem ao máximo a avó que eu nunca tive e nem pude curtir. Minha avó materna morreu antes de eu nascer e eu sempre morei longe de minha avó paterna, que, além de tudo, nunca foi carinhosa ou amorosa como as avós devem ser. Assim, eu nunca fui mimada por nenhuma avó e acho o máximo que meus filhos possam curtir seus avós, enquanto os têm. Se é pior para eles em termos de comportamento, pode ser, mas em termos de amor, é muito melhor.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Torres: um excelente passeio!

Praia da Guarita vista do barco.

Passei o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes em Torres com meus pais e meus filhos. Torres fica na divisa com Santa Catarina e é a última praia gaúcha, além de ser a mais bonita, em termos de belezas naturais.

“A cidade é um dos núcleos mais antigos do estado do Rio Grande do Sul e possui este nome devido à existência de três grandes rochedos que se estendem à Beira-Mar:

- Torre Norte - Morro do Farol
- Torre Centro - Morro das Furnas
- Torre Sul - Junto a Praia da Guarita”


Além de curtirmos a praia, aproveitamos para fazer um passeio de barco, que sai do Rio Mampituba, entra no mar e nos leva para avistar a Ilha dos Lobos e a Praia da Guarita.



As crianças e eu no barco.
Quando ele entrou no mar, eles começaram a chorar de medo.




Ilha dos Lobos vista do barco.
É proibido aproximar-se a menos de 500 metros e desembarcar nela.


“A Ilha dos Lobos é a única ilha marítima do Rio Grande do Sul. Tem esse nome porque é a única ilha do Brasil onde, nos meses de julho a novembro, os lobos marinhos - procurando águas mais quentes - chegam para o acasalamento.

Em 1983, foi declarada reserva ecológica, sendo proibido qualquer tipo de caça ou pesca marítima. Fica a 1800 metros da Praia Grande, seu relevo não ultrapassa 2 metros.

Constitui-se em uma importante área de descanso e alimentação de pinípedes (leões e lobos marinhos) além de servir de ponto de passagem para cetáceos (golfinhos, baleias e botos), aves e tartarugas marinhas.”


As crianças curtindo a Praia Grande.


A Praia Grande, com 2.000 metros de extensão, é a preferida para o banho de mar e onde ocorre a maioria dos eventos esportivos do verão como: futebol, vôlei, surf e outros.

Passar as férias ou mesmo um fim de semana em Torres é uma excelente pedida, eu recomendo!

Informações sobre Torres retiradas daqui.









segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Benefícios da amamentação prolongada

Por Kelly Bonyata



(Tradução publicada no site Amigas do Parto, original no site KellyMom - Breasfeeding & Parenting)



Amamentar crianças maiores têm benefício nutricional



Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança é muito parecido com o leite no primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança:
95% do total de vitamina C necessário
45% do total de vitamina A necessária
38% do total de proteína necessária
31% de caloria do total necessária
(UNICEF/Wellstart: Promoting Breastfeeding in Health Facilities: A short course for Administrators andPolicy Makers; WHO/CDR 93.4)
Leite materno permanece sendo um fonte importante de proteina, gordura, cálcio e vitaminas mesmo após os dois anos de vida (Jelliffe and Jelliffe,1978)
Alguns médicos podem pensar que a amamentação vai interferir em relação ao apetite da criança para outros alimentos. Contudo não existem pesquisas indicando que a criança amamentada têm maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou.
Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue para crianças com desnutrição severa (Briend et al, 1988; Rhode, 1988; Shattock and Stephens, 1975; Whitehead, 1985).
Crianças maiores que ainda amamentam adoecem menos
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).
Um estudo de Bangladesh demonstra, dramaticamente, os efeitos que essa imunidade pode ter. Nessas péssimas condições de vida, descobriu-se que crianças desmamadas entre o 18º e 36º mês de vida dobraram os riscos de morte (Briend et al, 1988). Este efeito foi atribuído especialmente aos fatores de imunidade, apesar de que, provavelmente a nutrição também foi muito importante.
Claro que, em países desenvolvidos o desmame não é uma questão de vida ou morte, mas a amamentação por mais tempo pode significar menos idas ao pediatra. Crianças entre 16 e 30 meses, que ainda são amamentadas, adoecem menos e por menos tempo que as que não são (Gulick, 1986)
Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas (Savilahti, 1987).
Crianças amamentadas são mais espertas
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas (Horwood and Fergusson, 1998). Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.
Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade. (Ferguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: "Existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação". Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amororso jeito de atender as necessidades dasa crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucões e o stress diario da infância.
Atender as necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança é a chave para ajudar a criança a alcançar sua independência. Crianças que conquistam sua independência em seu próprio ritmo são mais seguras dessa independência que as crianças dorçadas a isso prematuramente.
Amamentar crianças maiores é normal
A "American Academy of Pediatrics" recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS Policy Statement, 1997). A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais (Innocenti Declaration, 1990). A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4.2 anos. (Davidowitz, 1992)
Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas
a) A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
b) A amamentação reduz o risco de câncer de ovário (Schneider, 1987)
c) A amamentação reduz o risco de câncer de útero (Brock, 1989)
d) A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio (Petterson, 1986)
e) A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, quando o bebê é desmamado. Isso Não depende de um suplemento adicional naalimentação da mãe. (Blaauw, 1994)
f) A amamentação reduz o risco de câncer de mama (McTieman, 1986; Layde, 1989; Newcomb, 1994; Freudenheim, 1994).
g) A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Davies HA, British Med J, 1989).

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Depois da folga ...


Estive sumida do blog devido ao alto volume de trabalho nestas primeiras duas semanas de janeiro. Mudaram o sistema da empresa em que trabalho nesta virada de ano, de modo que ninguém se achava, nem se entendia, até termos um treinamento para clarear as coisas. Além disso, a empresa foi vendida e ninguém sabe o que irá acontecer daqui para a frente. Só nos resta esperar ...

Quanto ao lado pessoal, aproveitei os dias de folga desde o natal até o ano novo, para passar tempo com meus filhos e fazer tudo o que não consigo fazer durante a semana, já que trabalho. Pude levá-los, pela primeira vez, às aulas de natação, assistir enquanto faziam aula - um em cada turma, já que a Melissa está na turma dos iniciantes e o Gabriel já está mais adiantado. Pude também visitar minha melhor amiga, que não via há um ano, mas mantínhamos contato constante por telefone. Nossos filhos brincaram alegremente a tarde toda, enquanto aproveitamos para botar o papo em dia.

Fui também a Charqueadas, a cidade onde passei a maior parte de minha infância, visitar um de meus melhores amigos daquela época, o Marcos. Ele e a esposa estão no processo de adoção de duas lindas menininhas e eu tive a oportunidade de conhecê-las. O Marcos passou por uma provação muito grande há 3 anos atrás, ficou em coma por 40 dias, desenganado pelos médicos, mas conseguiu se recuperar. Além disso, passou por um transplante de rim no ano passado, doado pela própria esposa. Depois de tudo isso, ambos decidiram tocar a vida em frente, adotando essas crianças.

Agora a maior novidade da semana: comprei um peixe e uma tartaruga para meus filhos, pois eles os viram na casa de minha melhor amiga e quiseram ter um bichinho também, de modo que temos dois novos integrantes na família: Blue, o peixinho, e Turtle, a tartaruga, devidamente batizados pelo meu filho.
Ontem comecei a ler sobre aquarismo e fiquei encantada com tudo que se pode fazer. Já fiquei doida para comprar mais peixes, um aquário grande, plantas, mas o peixinho que comprei é um Beta, o chamado peixe-de-briga, e, por sua agressividade, ele não pode ser colocado junto com outros peixes. A tartaruga tampouco pode ser colocada junto aos peixes, já que ela os comerá, de modo que tenho dois aquários separados, um para cada animal. É incrível como eles reconhecem quem lhes dá de comer - no caso, eu - e vêm junto à superfície, esperando por seus bocados. O peixinho já começa a abocanhar a água, louco por suas bolinhas de ração e a tartaruga fica olhando para minha mão. Eu sempre tive cachorros e gatos como bicho de estimação e nunca pensei que gostaria tanto de ter um peixe ou um réptil como animal de estimação.
Update em 15/01/2009: Infelizmente, o Blue morreu. Ontem à noite, ao chegar em casa, encontrei-o FORA do aquário. Eu não sabia que os Bettas pulavam e deixei o aquário destampado. Como ele ainda se debatia, quando fui pegá-lo, coloquei-o de volta no aquário, mas ele não sobreviveu. Eu fiquei mais triste que meus filhos com a morte dele. :-(((((

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Crianças nascidas de cesariana podem ser mais propensas à asma

PARIS (AFP) - As crianças nascidas de cesariana podem ser mais propensas adesenvolver asma do que os nascidos de parto normal, segundo um estudo holandês realizado com cerca de 3.000 crianças, que será publicado na edição desta semana da revista especializada Thorax.

O número de crianças que sofrem de asma aumentou consideravelmente nas últimas décadas, principalmente nos países industrializados.

Paralelamente, a proporção de partos por cesárea aumentou na maioria dos países desenvolvidos, passando de 5% nos anos 1970 para mais de 30% em 2000em certas regiões do mundo.

Caroline Roduit e seus colegas do Instituto holandês da Saúde e do Meio ambiente durante 8 anos 2.917 crianças nascidas entre maio de 1996 edezembro de 1997 na Holanda. Deste total, 247 (8,5%) eram nascidas porcesariana. A Holanda tem taxa de natalidade por cesariana fraca em relação aos demais países ocidentais.

No total da população estudada, 12,4% das crianças tiveram asma aos oitoanos de idade.

Os pesquisadores mostraram que as crianças nascidas de cesárea tinham risco maior de ter asmas, com mais probabilidade ainda entre as crianças cujos pais eram alérgicos e que tinham, portanto, uma "predisposição" a esta doença. O risco era multiplicado por dois entre as crianças com um dos pais alérgicos e por três entre as crianças com os dois países alérgicos.

"Nossos resultados destacam a importância das interações entre fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento da asma entre as crianças", indicaram os pesquisadores.

"O aumento do percentual de cesárea é parcialmente devido ao pedido das mães, sem razões médicas", destacaram os pesquisadores. "Elas devem ser informadas sobre o risco de asma para suas crianças, particularmente quandoos países têm antecedentes de asma ou alergia", concluíram.

Este estudo é interessante para ser lido por quem acha que a cesariana é mais uma opção de livre escolha na hora de ter um filho. A cesariana é uma cirurgia e como toda cirurgia, envolve riscos, não só para a mãe, como para o bebê. Ela só deveria ser indicada em apenas 15% dos casos.
A Holanda tem um dos maiores índices de parto normal do mundo e também os maiores índices de partos domiciliares. Para um país com mortalidade infantil de 6 por cada mil nascimentos, é um belo exemplo a ser seguido.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A ''epidemia'' dos partos cirúrgicos


Gilberto Dupas*


Nos últimos meses, a comunidade médica dos obstetras agitou-se em razão das medidas tomadas pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) procurando incentivar as mães a optarem pelo parto normal. Corporativismo e onipotência à parte, estamos cansados de saber que a aliança entre interesses financeiros dos hospitais, conforto dos médicos e comodismo ou receio mal esclarecido das mães têm feito dos partos cirúrgicos, com seus riscos de intervenção de grande porte, uma verdadeira epidemia no Brasil.

É interessante lembrar que a hospitalização para o parto foi fato histórico-social traumático e prepotente. Ainda antes da anestesia e das técnicas mais elementares de assepsia - quando a internação tentou ser imposta como norma, rompendo uma tradição de milênios de partos feitos em casa e assistidos por mulheres experientes - as gestantes tiveram de ser "forçadas" à internação hospitalar e reagiram duramente. A razão principal era a "percepção" de violência e perda de intimidade. Mas havia outra razão importante: a propagação das infecções produzidas pelos médicos ao manipularem as mulheres "em série" nos hospitais, sem que sequer lavassem as mãos, o que aumentava em muito o índice de mortalidade nos partos. Na verdade, ao se liberar de maneira radical das crenças metafísicas, a medicina contemporânea operou uma verdadeira má revolução ética e uma ruptura do seu compromisso de estar a serviço do doente, e não da doença. Separando o doente - subjetivado na relação consigo mesmo e com seu médico - do combate à doença, o discurso médico não é mais capaz de levar em conta na sua prática o drama imaginário, a determinação simbólica e o aspecto ético do sofrimento na relação medicina-doença. O médico não pergunta mais "como você está se sentindo", mas "passe-me seus exames". E são muitos, e muito caros, os exames. O sofrimento fica restrito à doença e a dor, à neurofisiologia.

Para essa medicina tecnocientífica, o doente não é mais que o porta-voz dos sinais da sua doença através dos seus sintomas. Um exemplo importante são os procedimentos ligados ao nascimento de uma criança. A medicina transformou-o de uma função fisiológica - para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado - num evento fundamentalmente cirúrgico-hospitalar. Como lembra Vera Iaconelli, o corpo humano passa a ser considerado incapaz e necessitado de "constantes correções de seus desvios biológicos". Todo aparato hospitalar, diretamente ligado à história da industrialização e do capitalismo, vem sendo criticado há décadas e, no entanto, encontra incríveis resistências para ser modificado. Proliferam hospitais modernos e equipamentos sofisticados, mas o "médico da família" desaparece.

No Brasil, quase 80% dos partos no serviço privado são feitos por cesariana, quando a Organização Mundial da Saúde a recomenda em apenas 10% a 15% dos casos. A redução desse índice tem encontrado enormes resistências, a principal delas é o aparato médico-hospitalar e seus interesses econômicos e de conforto. Na rede pública brasileira, esses índices caíram quando o reembolso do parto cirúrgico passou a ser reduzido em relação ao normal. Maternidade é vista como fábrica; parturiente, como máquina; e bebê, como produto. O parto, transformado em evento cirúrgico, vê na mulher meramente um recipiente a ser esvaziado. A ênfase na rapidez e no controle - que predominam nos partos - atrapalha os pais em se apoderarem de seu novo papel, levando-os a duvidar de sua capacidade futura de cuidar dos seus filhos. Vera Iaconelli lembra que o atendimento à gestante é um dos "exemplos mais notáveis da forma pela qual se lida com as questões da subjetividade, pois o espaço das elaborações do vivido mostra-se subtraído e evitado", imprimindo ao parto - início de uma nova vida - a marca registrada tecnológica contemporânea de lidar com o corpo, com a sexualidade e com a morte: banalização ou ocultamento.

Curioso notar que, quando as maternidades de hospitais de luxo querem "modernizar" seu atendimento de parto, introduzem pequenas concessões, como permitir ao bebês ficarem no quarto com a mãe ou serem colocados sobre seu colo, por alguns instantes, ainda na sala de parto. Só muito recentemente as normas hospitalares reconheceram as óbvias advertências de que crianças saram mais depressa em ambiente hospitalar quando a mãe pode ficar com elas nas internações, ou quando têm acesso a salas com jogos e pequenas diversões eventuais, como os chamados "médicos da alegria". Décadas de lutas se passaram para que os lobbies dos grandes fabricantes mundiais de leite em pó fossem parcialmente vencidos e médicos mais responsáveis voltassem a insistir no papel essencial do aleitamento materno exclusivo, para a saúde do bebê. Na realidade, são todos resquícios de um saber milenar que a medicina moderna havia rejeitado.

Enquanto isso, hospitais de periferia carentes de recursos substituem com enorme vantagem as caríssimas, invasivas e "frias" incubadoras pelos hábitos consagrados das "mães-canguru". Ou seja, arrogância e intolerância sempre embalaram as importantes e evidentes conquistas da medicina contemporânea.

Donald Woods Winnicott, famoso pediatra e psicanalista, já dizia sobre o parto que médicos são muito necessários quando algo dá errado. Mas "não são especialistas nas questões relativas à intimidade, vitais tanto para a mãe quanto para o bebê", que precisam apenas de "recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria". É o oposto do que faz, infelizmente, o aparato médico-cirúrgico contemporâneo.

*Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional (IRI-USP), presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais, O Mito do Progresso e o recém-lançado romance O Incidente

Artigo publicado no Estadão neste sábado, 18/10/2008, Dia do Médico.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A violência dos desenhos animados

Como mãe, eu me preocupo com a violência dos desenhos animados, sejam eles antigos ou atuais. Ontem, ao visitar o blog By Oscar Luiz, me deparei com esses desenhos sangrentos e confesso que fiquei assustada no início, mas depois percebi que eles, infelizmente, refletem a violência dos desenhos que nossos filhos assistem.

Hoje de manhã, encontrei esta matéria no BBCBrasil.com e entendi melhor aqueles desenhos.
Mostra revela morte sangrenta de personagens de desenhos animados
A exposição Splatter, que será aberta em Londres na sexta-feira, dá asas à imaginação de quem já pensou no que aconteceria de verdade quando os personagens de desenhos animados cometem atos de violência uns contra os outros.

Na mostra, que apresenta esculturas e ilustrações, Tom mata Jerry, o Coiote alcança e acaba com o Papa-léguas e Frajola finalmente almoça o Piu-piu.
"É incrivelmente sanguinário. As conseqüências reais da violência nos desenhos animados são reveladas. Eles massacram uns aos outros", disse o artista plástico britânico James Cauty.

O artista diz que a idéia para a mostra partiu de seu filho, Harry, de 15 anos de idade.

Você pode conferir os desenhos aqui. Aviso que as imagens são fortes e não são recomendáveis para crianças.
Para esta sexta-feira não ficar tão mórbida, coloco alguns selos e mimos de ganhei de amigas:
Ganhei este selo da querida Sonia Regly, do Compartilhando as Letras.
A finalidade deste selo é promover maior integração entre os blogs. Assim sendo, repasso agora essa distinção aos seguintes blogs, que fazem parte da minha lista:


Este mimo foi oferecido pelas minhas queridas amigas Semadar, do Universo Gentil, e da Sonia, do Compartilhando as Letras.

Este mimo é para aqueles editores de blog que tratam muito bem seus colegas, para os blogs que conquistam corações!
Sendo assim, repasso este mimo para os seguintes blogs:

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Gesso, Pronto Atendimento e Freddy, o Cachorrinho

Esta semana começou bem lá em casa: minha mãe caiu no sábado e rompeu os ligamentos do tornozelo. Teve a perna engessada e agora está de molho por três semanas. Como é ela quem me ajuda diariamente com as crianças, meu pai teve que assumir o lugar dela. Para piorar, meu filho caiu ontem na escola e torceu o joelho e sentia muita dor hoje de manhã. Pedi ao pai dele que o levasse no pronto atendimento, onde diagnosticaram uma torção e colocaram uma tala de gesso em meu filho também. Assim, estão os dois hoje deitados juntos e repousando: minha mãe e meu filho.


Há dez dias atrás, já tivemos que ir ao pronto atendimento por causa de minha filha, que levou uma mordida do cachorrinho que resgatei das ruas pelo risco de atropelamento. É um filhote e por causa do seu dente fininho, ele rasgou o lábio superior dela, que levou três pontos. O cachorro nem teve culpa, pois ela o estava incomodando e ele só se defendeu, mas minha mãe ficou furiosa comigo, pelo ferimento ter sido no rosto. Como fui eu quem levou o filhote para casa, é lógico que ela botou a culpa em mim. :-(
Eu nem cheguei a falar do Freddy aqui no blog, que passou umas duas semanas conosco, até eu encontrar um novo lar para ele. Eu o anunciei para doação no Bicho de Rua, uma rede solidária na defesa dos animais de rua. Em menos de uma semana, tive vários interessados no bichinho e consegui doá-lo com a maior facilidade.
Apesar de eu adorar animais, não tenho condições no momento de ter um em casa. Foi bom ter o Freddy em casa, mas foi melhor ainda, quando ele foi embora, devido ao trabalhão que dava. Mas é lógico que não podia ficar indiferente ao ver um filhote andando sozinho nas ruas, com sério risco de atropelamento. Na mesma hora, o peguei no colo e o levei para uma Pet Shop, para que dessem banho e tirassem os carrapatos dele. As crianças o adoraram, é lógico, e queriam ficar com ele, mas minha mãe foi taxativamente contra, já que a carga de trabalho aumentaria muito para ela, como, de fato, aconteceu. Não só para ela, como para mim, que tinha que chegar do trabalho e limpar o cocô do cachorro do meu minúsculo pátio (meu apartamento é térreo).
Enfim, o Freddy ganhou um novo lar e meus filhos tiveram uma pequena experiência do que é ter um bichinho de estimação em casa. Minha filha, tadinha, aprendeu que os animais também têm seu grau de tolerância e que revidam, quando incomodados.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ensinos

Charge de Edgar VasquesVia Tinta China

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Violência contra Crianças


Já está circulando na blogosfera (eu vi no Blog do Desabafo de Mãe) e com pedidos para divulgação . A Lele
Siedschlag do Every Woman is a Madonna foi testemunha de uma agressão covarde a duas crianças (ou pré-adolescentes, como queiram). Como mulher, mãe, cidadã e blogueira, estou fazendo minha parte, ao divulgar este triste acontecimento:

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Ontem eu fui ao Carrefour Villa-Lobos (ali perto da ponte do Jaguaré, em SP) - eram 22h20. No fim das compras (o supermercado estava supervazio), na hora de empacotar as coisas, ouvi gritos horríveis, de crianças. Um cara subiu correndo pela rampa e pediu pra chamar o gerente, ou o responsável pelo supermercado. Eu imaginei o pior, larguei tudo e fui ver o que era. Ele me contou: dois meninos tinham sido espancados pelo segurança do supermercado, no andar de baixo. Motivo: estavam brincando na esteira rolante.

Os meninos subiram depois de uns minutos. Um menino de 10 e outro de 13. O de 10 estava chorando também, mas o de 13 estava todo machucado. O segurança encostou os dois na parede e desceu o cacete, encheu os dois de botinada. Enquanto o cara chamou o gerente, eu liguei pra polícia. Dei meu nome e falei que ficaria esperando.

O "gerente" chegou, me viu chamando a polícia. Eu perguntei a ele qual o nome do segurança, ele não quis me dizer. Perguntei qual o nome dele, ele disse que não ia me dar a informação. Disse que ou ele respondia pelo supermercado ou não respondia. Ele disse que o supermercado NÃO RESPONDE pelos atos dos seguranças. Depois eu descobri que o cara nem gerente era, era um "fiscal", seja lá o que isso queira dizer. Na hora em que a polícia chegou, o segurança-animal passou um rádio pro tal fiscal pra avisar. E o fiscal respondeu "Se vira aí e responde pelo que você fez". Fiscal Pilatos, lava as mãos.

Desci pra falar com a polícia, estavam lá os garotos, as testemunhas (eu e um casal, logo apareceu uma loira que disse que estava no carro e viu tudo). O segurança ainda tentou falar que os meninos furtaram alguma coisa, mas foi prontamente desmentido. Os policiais tinham spray de pimenta nas mãos (por quê? Não faço idéia). Chamaram os pais dos meninos, que logo chegaram. Uma família superpobre, de algum barraco ali do lado. A mãe, chorando, disse que tinha mandado os meninos "comprar mistura". Os policiais me dispensaram e eu fui embora, mas antes tirei uma foto da perna do menino de 13 anos.



Se puderem divulgar eu agradeço. Eu não consegui dormir essa noite, de dor no peito. Duvido que se fosse uma filha minha, por exemplo, eles fizessem isso. Preto e pobre, essa é a equação que valeu ontem à noite.

Foto: Lele Siedschlag