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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A violência dos desenhos animados

Como mãe, eu me preocupo com a violência dos desenhos animados, sejam eles antigos ou atuais. Ontem, ao visitar o blog By Oscar Luiz, me deparei com esses desenhos sangrentos e confesso que fiquei assustada no início, mas depois percebi que eles, infelizmente, refletem a violência dos desenhos que nossos filhos assistem.

Hoje de manhã, encontrei esta matéria no BBCBrasil.com e entendi melhor aqueles desenhos.
Mostra revela morte sangrenta de personagens de desenhos animados
A exposição Splatter, que será aberta em Londres na sexta-feira, dá asas à imaginação de quem já pensou no que aconteceria de verdade quando os personagens de desenhos animados cometem atos de violência uns contra os outros.

Na mostra, que apresenta esculturas e ilustrações, Tom mata Jerry, o Coiote alcança e acaba com o Papa-léguas e Frajola finalmente almoça o Piu-piu.
"É incrivelmente sanguinário. As conseqüências reais da violência nos desenhos animados são reveladas. Eles massacram uns aos outros", disse o artista plástico britânico James Cauty.

O artista diz que a idéia para a mostra partiu de seu filho, Harry, de 15 anos de idade.

Você pode conferir os desenhos aqui. Aviso que as imagens são fortes e não são recomendáveis para crianças.
Para esta sexta-feira não ficar tão mórbida, coloco alguns selos e mimos de ganhei de amigas:
Ganhei este selo da querida Sonia Regly, do Compartilhando as Letras.
A finalidade deste selo é promover maior integração entre os blogs. Assim sendo, repasso agora essa distinção aos seguintes blogs, que fazem parte da minha lista:


Este mimo foi oferecido pelas minhas queridas amigas Semadar, do Universo Gentil, e da Sonia, do Compartilhando as Letras.

Este mimo é para aqueles editores de blog que tratam muito bem seus colegas, para os blogs que conquistam corações!
Sendo assim, repasso este mimo para os seguintes blogs:

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma questão de justiça

Estão vendo esta moça alegre do meu lado nas fotos abaixo? É minha colega Drika, cuja amizade transcendeu o trabalho e nos tornamos grandes e queridas amigas.


Pois bem, quando a gente conhece a Drika, não se dá conta da deficiência dela: ela teve a perna esquerda amputada, por causa de um acidente de moto em fevereiro de 2003. Não, ela não estava dirigindo a moto e nem andando de carona. Ela foi atravessar a avenida na frente da casa dela e um motoqueiro idiota, que vinha a 100 km/h, surgiu de repente e atropelou minha amiga. O acidente foi tão feio, que ela quase perdeu ambas as pernas. Felizmente, ela ainda conseguiu conservar a perna direita, mas os médicos tiveram que amputar a perna esquerda um pouco acima do joelho, tamanho foi o estrago. A Drika sofreu mais de 8 cirurgias enquanto esteve hospitalizada, ficou em cadeira de rodas por 3 anos, até receber uma prótese do SUS e começar andar de muleta. Vocês podem conferir a história dela aqui.

Apesar da perna amputada, da cadeira de rodas, da limitação de movimentos e de tudo, a Drika teve um filho com o então namorado em fevereiro de 2005, um dia antes da data do acidente, quando se completariam dois anos. Ele se chama Igor e é a coisa mais importante do mundo para a Drika e sua família. Hoje, ela é funcionária de uma multinacional americana e este semestre voltou a estudar Publicidade e Propaganda na PUCRS.


O que aconteceu com o motoqueiro que a atropelou? Bem, no processo criminal ele foi declarado culpado, mas como é da Policial Civil e, embora estivesse sem habilitação e em alta velocidade, foi condenado a pagar apenas seis cestas básicas para o Estado.

Agora o "melhor" da história: o cara reabriu agora o processo, colocando a culpa na Drika pelo atropelamento! Quer dizer que o cara anda numa moto Honda 750, com as luzes apagadas e em alta velocidade, atropelando-a com violência, fazendo com que perca uma perna e ela é que tem a culpa do acontecido?! Em que mundo estamos? Daqui a pouco todo motorista que dirigir imprudentemente e atropelar uma pessoa, poderá processar o atropelado, colocando a culpa nele de estar naquele momento atravessando a rua?!

Fiquei tão indignada, quando soube do fato, que logo pensei: "Tenho que fazer alguma coisa para ajudá-la e para impedir esse infeliz de ganhar o processo e magoar mais ainda minha amiga." A primeira coisa que me veio à cabeça foi a de escrever um post sobre o assunto. Aliás, faz tempo que quero fazer um post sobre a Drika, mas ainda não havia surgido a oportunidade propícia. Quem a conhece, logo fica contagiado pela sua alegria, espontaneidade, jeito maluco e alternativo de ser, e que também é uma amiga dedicada, mãe amorosa e colega legal. Conversando com ela, a gente só percebe que ela tem uma "deficiência", quando ela se levanta e pega a muleta para caminhar. Às vezes, algumas pessoas nem percebem que ela é "diferente". Bem, diferente ela é, com suas inúmeras tatuagens e piercings espalhados pelo corpo, mas essa é outra história. :-)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Violência contra Crianças


Já está circulando na blogosfera (eu vi no Blog do Desabafo de Mãe) e com pedidos para divulgação . A Lele
Siedschlag do Every Woman is a Madonna foi testemunha de uma agressão covarde a duas crianças (ou pré-adolescentes, como queiram). Como mulher, mãe, cidadã e blogueira, estou fazendo minha parte, ao divulgar este triste acontecimento:

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Ontem eu fui ao Carrefour Villa-Lobos (ali perto da ponte do Jaguaré, em SP) - eram 22h20. No fim das compras (o supermercado estava supervazio), na hora de empacotar as coisas, ouvi gritos horríveis, de crianças. Um cara subiu correndo pela rampa e pediu pra chamar o gerente, ou o responsável pelo supermercado. Eu imaginei o pior, larguei tudo e fui ver o que era. Ele me contou: dois meninos tinham sido espancados pelo segurança do supermercado, no andar de baixo. Motivo: estavam brincando na esteira rolante.

Os meninos subiram depois de uns minutos. Um menino de 10 e outro de 13. O de 10 estava chorando também, mas o de 13 estava todo machucado. O segurança encostou os dois na parede e desceu o cacete, encheu os dois de botinada. Enquanto o cara chamou o gerente, eu liguei pra polícia. Dei meu nome e falei que ficaria esperando.

O "gerente" chegou, me viu chamando a polícia. Eu perguntei a ele qual o nome do segurança, ele não quis me dizer. Perguntei qual o nome dele, ele disse que não ia me dar a informação. Disse que ou ele respondia pelo supermercado ou não respondia. Ele disse que o supermercado NÃO RESPONDE pelos atos dos seguranças. Depois eu descobri que o cara nem gerente era, era um "fiscal", seja lá o que isso queira dizer. Na hora em que a polícia chegou, o segurança-animal passou um rádio pro tal fiscal pra avisar. E o fiscal respondeu "Se vira aí e responde pelo que você fez". Fiscal Pilatos, lava as mãos.

Desci pra falar com a polícia, estavam lá os garotos, as testemunhas (eu e um casal, logo apareceu uma loira que disse que estava no carro e viu tudo). O segurança ainda tentou falar que os meninos furtaram alguma coisa, mas foi prontamente desmentido. Os policiais tinham spray de pimenta nas mãos (por quê? Não faço idéia). Chamaram os pais dos meninos, que logo chegaram. Uma família superpobre, de algum barraco ali do lado. A mãe, chorando, disse que tinha mandado os meninos "comprar mistura". Os policiais me dispensaram e eu fui embora, mas antes tirei uma foto da perna do menino de 13 anos.



Se puderem divulgar eu agradeço. Eu não consegui dormir essa noite, de dor no peito. Duvido que se fosse uma filha minha, por exemplo, eles fizessem isso. Preto e pobre, essa é a equação que valeu ontem à noite.

Foto: Lele Siedschlag

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Violência – até quando?

Ontem à tarde, meu colega comentou que a namorada estava muito chateada, porque haviam baleado seu primo na frente da creche dos filhos. Eu, que não assisto aos noticiários na TV, não sabia do que ele estava falando.

- Você não viu? Passou em todos os noticiários ontem à noite e hoje de manhã! Olha na Zero Hora, que você vai ver a matéria.

E lá fui eu procurar a matéria no jornal Zero Hora de ontem (desculpe, Claudia!), nas páginas policiais: Pai é baleado ao deixar filhos em creche. Ao ler a matéria, eu imaginava que isso havia acontecido em um bairro distante de minha casa, mas qual não é minha surpresa, ao ler que esse pai foi baleado em uma creche muito próxima à minha casa, na mesma rua em que fica a creche de minha filha! A creche dela fica a apenas duas quadras mais abaixo dessa onde aconteceu o incidente e a quatro quadras de onde moram meus pais! Ao ler o relato, me chamou a atenção à semelhança desse roubo com a tentativa de assalto que sofri no ano passado, próxima à creche que meus filhos freqüentavam na ocasião. Ambos assaltantes eram motoqueiros e estavam próximos a uma creche, aguardando por um pai ou mãe desavisado para atacar.

A gente sempre pensa que a violência ocorre longe de onde moramos, mas ela está muito próxima. Moro em Porto Alegre desde 1982 e jamais havia sido assaltada na rua, apesar de ter morado por muitos anos em um bairro muito perigoso, onde prostitutas e travestis dominavam as ruas após o anoitecer. Durante o dia, era um bairro normal, com muito comércio e pessoas andando nas ruas. A rua em que eu morava era a mais residencial, a que tinha mais casas do que comércio ou indústria, mas era também muito utilizada por pedintes que passavam por ali, vindos ou a caminho do interior. Nunca gostei de morar desse bairro, tão feio, tão acinzentado, tão perigoso. Ironicamente, o sobrado em que moramos foi o lugar que por mais anos moramos – 20 anos. Apesar disso, nunca fui assaltada nessas ruas e nossa casa só foi roubada após 17 anos morando ali, depois que se formou uma vila ali próxima – a ex-Vila dos Papeleiros, hoje chamada Loteamento Santa Terezinha. Todas as casas de minha quadra foram roubadas ou arrombadas naquele mesmo ano. Roubaram meu computador novinho, que eu nem havia terminado de pagar. Roubaram aparelho de som, fax, calculadora, videocassete, televisão de nossa casa. Apesar de não haver ninguém em casa no momento do roubo, a gente sente a violência da mesma forma, se sente impotente, violentado. O roubo aconteceu em plena luz do dia, entre 2 e 3 horas da tarde e “ninguém” viu nada. De qualquer maneira, não era de se surpreender, já que morávamos em um bairro considerado perigoso por todos.

Alguns anos depois, meus pais resolveram se mudar do sobrado, já que meu irmão e eu estávamos casados e a casa estava muito grande para os dois sozinhos. Sugeri aos meus pais que comprassem um apartamento no bairro Santana, pois eu trabalhei por seis anos no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul e já conhecia bem o bairro, que considerava agradável e tranqüilo. Neste bairro, as pessoas andam com relativa tranqüilidade à noite, as ruas são bem iluminadas e há guardas particulares cuidando algumas esquinas, além de haver muito comércio aberto até tarde da noite, como supermercados e postos de gasolina. Eu também me mudei com meus filhos para o mesmo bairro, bem próximo ao apartamento de meus pais, em março de 2005, após minha separação. Apesar de toda a aparência sossegada do bairro, já ouvi relatos de roubos de carro, arrombamentos e assaltos à mão armada, mas nunca acontecera nada comigo ou com meus pais. Então, em maio do ano passado, sofri uma tentativa de assalto, quando eu estava indo a pé buscar meus filhos na creche em que estudavam. no Era final da tarde e ainda dia claro. Confesso, vinha bastante distraída, imersa em meus pensamentos e, quase não percebi, quando um motoqueiro me bloqueou a passagem na rua, a meia quadra da creche, pedindo que lhe entregasse a bolsa. Era uma sexta-feira e eu estava com viagem marcada para o Rio de Janeiro no domingo, para ir à matriz de minha empresa realizar um trabalho, por isso estava com documentos, dinheiro, vouchers de táxi e do hotel e meus dois celulares, o velho e o novo, na bolsa.

- Me dá tua bolsa. Estou armado – disse o motoqueiro, apontando para o bolso da jaqueta de couro que usava. Olhei para o bolso e não acreditei que houvesse um revólver ali, pois o bolso era pequeno e não caberia uma arma. Não sei por que pensei isso, mas na hora me ocorreu que ele estava mentindo e que não estava armado.

- Só um pouquinho... – disse eu, pensando no que entregaria para ele e o que pediria para não levar, como meus documentos. Então, com raiva, eu pensei: “Peraí, porque vou entregar minha bolsa para ele?” Olhei para frente e vi que se aproximava um rapaz a pé, por trás do motoqueiro.

- Ô moço, me ajuda aqui? – Gritei eu para o rapaz. Vendo que eu chamei ajuda, o motoqueiro saiu e foi meia quadra adiante e se dispunha a voltar para o lugar em que eu me encontrava, quando comecei a gritar mais ainda:

- SOCORRO!!! TEM UM LADRÃO AQUI!!!

Isso chamou a atenção de algumas mães que estavam na frente da creche e o motoqueiro acabou fugindo. Tive mais sorte que juízo, porque consegui assustá-lo, sem que levasse minha bolsa, mas depois disso, nunca mais ouvi um ronco de moto próximo a mim, sem tremer de medo e temer ser assaltada novamente.

(O rapaz a quem pedi ajuda? Ah sim, ignorou totalmente meu apelo, continuou caminhando sem se abalar e sem olhar para o lado.)

Fiquei muito abalada com a violência que sofri e muito abalada com a notícia da violência sofrida por esse pai ontem, ainda mais que foi tão próximo de onde minha filha está. Odeio andar com medo nas ruas. Odeio ter que ficar olhando para trás toda hora, observando quem passa por mim, sempre com medo de ser assaltada. Odeio ter medo de motoqueiros e ciclistas que passam por mim, sempre imaginando qual deles irá me atacar. Vejo raríssimos brigadianos* nas ruas e não me sinto protegida, andando nas ruas de Porto Alegre.

Quero ter paz e sossego para andar nas ruas com meus filhos sem medo. Será que um dia terei isso?

* Policial da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.