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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim

Meu pai e eu recebemos o convite acima para o lançamento do livro "Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim" hoje à noite no Clube Piratini, em Charqueadas, onde moramos por 8 anos e onde passei a maior parte de minha infância.

Nós moramos na Vila Piratini de 1973 a 1981, quando meu trabalhou na Aços Finos Piratini, anos antes de ser privatizada e comprada pela Gerdau. Tenho excelentes lembranças daquela época, em que podíamos brincar livremente e sem perigo na rua, podíamos ir sozinhos à escola, podíamos ir sozinhos ao clube, podíamos andar de bicicleta e brincar até tarde da noite. Saímos de lá no início de 1982, de maneira que imagino que a Vila deve ter mudado muito, assim como tudo muda na vida. Essas belas e doces lembranças ficarão para sempre em minha memória, de ter tido uma excelente infância em um lugar agradável.

Segue abaixo uma breve descrição da Vila, retirada do blog da Associação de Moradores da Vila Piratini:

A Vila Aços Finos Piratini, implantada há mais de 35 anos, é um marco urbanístico, pois representa grande avanço em termos arquitetônicos e paisagísticos. Com proposta totalmente inovadora para época e lugar, fundamentada no conceito de Cidade Jardim, até hoje são raros os locais semelhantes no Brasil e no mundo. Foi o primeiro empreendimento habitacional de grande porte a ser construído no município e, por isso mesmo, possui relevante papel para o patrimônio de Charqueadas, com inestimável valor sócio-ambiental, cultural e urbanístico. É um lugar agradável, sinônimo de bem viver para a atual e para as futuras gerações. Porém, este verdadeiro tesouro pode estar fadado ao esquecimento, porque não há registros organizados de sua implantação e esta história, restrita a lembrança de algumas pessoas e seus diminutos acervos fotográficos, permanece inacessível a maioria da população. É preciso divulgar o conhecimento e as informações para que possamos preservar nosso bairro e contribuir para a preservação da história recente do município.

Tenhos amigos e conhecidos que vivem lá até hoje e será muito agradável reencontrar a vários deles no evento de hoje à noite.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Meu irmão e meu melhor amigo

Hoje, 29 de outubro, é um dia de comemoração dupla: uma alegre, pelo nascimento de meu irmão Fábio e outra triste, pelo falecimento de meu querido e saudoso amigo Guilherme.
Há 39 anos, nascia, em Buenos Aires, Argentina, meu irmão em um hospital público, através de um parto normal atendido por parteira. Foi o segundo filho de minha mãe, que já tinha a mim, com 15 meses de idade. Um ano e três meses mais tarde, minha família embarcava em um avião rumo a São Paulo, que foi nosso primeiro lar no Brasil. Dois anos mais tarde, chegamos ao Rio Grande do Sul, que se tornou nosso lar desde então. Passamos boa parte de nossa infância em Charqueadas, a 50 km de Porto Alegre, na Vila Residencial Aços Finos Piratini, onde tínhamos liberdade para brincar e correr na rua até tarde da noite, sem perigo de trânsito ou assaltantes. Muito brincamos de esconder, polícia e ladrão, andamos de bicicleta, skate e carrinho de rolemã e nos divertimos a valer na piscina do Clubinho.

Lembro também de nossas longas viagens de carro à Argentina, onde íamos visitar nossos parentes (avós, tios e primos), terrivelmente entediantes para meu irmão e eu, que quando nos cansávamos de brincar, começávamos a brigar no banco de trás. Depois, na Argentina, nos divertíamos falando em Português entre nós, para que nossos primos não nos entendessem. Ou quando meu irmão me batia e eu reclamava para minha mãe dos socos e tapas que o Fabio havia me dado e meus primos perguntando: "¿Que es 'soco'? ¿Que es 'tapa'?". E também de quando ríamos das vozes dos dubladores da televisão argentina, tão acostumados que estávamos com os dubladores brasileiros. De brincar com nosso primo caçula na casa de nossa avó e de fazer bagunça na hora da "siesta", quando todos os adultos da casa se deitavam e nós, crianças, ficávamos livres para fazer o que queríamos. De ir comprar balas, chocolates e pirulitos no "kiosco" da esquina e de ir comprar pão na padaria e dar intermináveis explicações ao padeiro e a todos os vizinhos que éramos os netos de Doña Amalia e Don Atílio que viviam no Brasil. De ensinar palavrões em Português para a criançada da vizinhança, que se deliciavam repetindo os palavrões sem signficado para eles.

Meu irmão e eu freqüentamos as mesmas escolas até o 2º grau, quando cada um seguiu um rumo diferente, mas chegamos a cursar a mesma universidade e tivemos aula até mesmo com os mesmos professores em algumas cadeiras, já que ele cursou Engenharia Elétrica e eu, Matemática. Eu entrei inicialmente para Ciências Sociais e dois anos mais tarde pedi transferência para a Matemática, assim, ao cursar as disciplinas de Cálculo, eu pedia ajuda a meu irmão, que já havia cursado essas disciplinas. Lembro dele rir de mim, quando eu ainda não sabia calcular limites, derivadas e integrais e de caçoar, perguntando onde eu aplicava o que aprendia na Matemática, já que as disciplinas deles eram puramente de aplicação e as minhas, essencialmente teóricas.
Mas fora a questão universidade, nossas vidas tomaram rumos diferentes ainda na adolescência, quando eu comecei, aos 15 anos, a freqüentar a Igreja Batista e a qual meu irmão nunca quis me acompanhar, já que ele se denomina ateu, como nosso pai. Nossos grupos de amigos não eram os mesmos e muito menos nossas crenças. Quando meu irmão se formou na UFRGS, em janeiro de 1993, eu estava trabalhando como equipante voluntária no Acampamento do Palavra da Vida do Paraná e voltei de lá somente para estar presente à sua formatura, pois eu havia me comprometido para passar o verão todo lá. Ele é meu único irmão e eu não queria estar ausente em um evento tão importante de sua vida. Na formatura dele, estava presente meu grande e querido amigo, Guilherme, cujo amigo Rogério se formou junto com meu irmão.

Conheci o Guilherme na Mocidade da Conde, quando ambos tínhamos 17 anos e ele estava prestando vestibular para Medicina. Ele era um rapaz muito puro, sensível e amigo para todas as horas. Nós nos identificávamos, porque éramos ambos sozinhos na Igreja, já que nossas famílias não a freqüentavam e não tínhamos origem alemã, senão latina. A maioria esmagadora dos jovens da Mocidade tinha a família na Igreja, a Igreja Batista Alemã, a Conde, e quase todo mundo era primo de todo mundo. O Guilherme e eu éramos os "forasteiros", que íamos à igreja por vontade própria, não por imposição de nossos pais. Muito pelo contrário, nem os pais deles, nem os meus, viam com bons olhos nossa dedicação e assiduidade à igreja. Os pais dele, por serem católicos, e os meus, por serem ateus. Muitas e muitas vezes nós dois tivemos longas conversas sobre as dificuldades de sermos jovens cristãos em lares não evangélicos, de como nossos pais não compreendiam nossa fé e de como os meus muitas vezes me proibiam de ir à igreja. O Guilherme, com uma fé muito mais forte e dedicada que a minha, sempre me dizia para orar e pedir a Deus, pois um dia nossas famílias conheceriam a Deus. Nossa amizade transpôs os limites da igreja e ambos conhecíamos a família do outro, tanto que meus pais gostavam muito dele e os pais dele, a mim. Mesmo depois de 11 anos de seu falecimento, ainda sou amiga da família dele, seus pais, seus irmãos e sua avó, a quem considero a avó que eu sempre quis ter.


Lembro de quando o Guilherme tinha que decidir por uma especialidade médica e eu sugerir a Pediatria para ele. Ele me perguntou: "Tu achas que eu tenho jeito para pediatra?" e eu respondi: "Claro que sim! E um dia tu serás o pediatra de meus filhos!". Infelizmente, isso nunca se tornou realidade pois o Guilherme veio a falecer em um acidente de carro em 1997, alguns anos antes de eu me tornar mãe.
Nunca vou esquecer esse dia, 29 de outubro de 1997. Nosso amigo em comum, o Rogério, o mesmo da formatura, me ligou quase à meia-noite e eu atendi o telefone:

- Oi, Rogério, tudo bem? (estranhando o fato dele estar me ligando àquela hora)
- Não, não está nada bem. (suspiro de quem andou chorando)
Nessa hora, percebi que havia algo errado. As palavras saíram de minha boca sozinhas, sem pensar:
- Quem morreu?
- ... (silêncio)
- QUEM MORREU? - repeti eu
- O Guilherme! (chorando) - respondeu ele

Nesse momento, eu desabei a chorar, sem poder acreditar que havia perdido meu melhor amigo, meu amigo de todas as horas, meu apoio e a quem eu amava muito!

Deixo aqui minha homenagem àquele que foi o melhor amigo que eu já tive e de quem tenho enormes saudades. Ainda choro por ele, quando começo a lembrar. Eu o amei muito, mas nunca houve nada entre nós mais do que uma grande e sincera amizade. Ele foi um apoio muito grande nas horas que precisei, especialmente quando terminei meu noivado em 1992. Ele não permitiu que eu ficasse sozinha, depressiva, chorando em casa e me levava à igreja junto com ele. Foi meu acompanhante em casamentos e aniversários e sempre esteve presente, quando eu precisava de seu apoio. Sinto muitas saudades dele, mas sei que um dia vou reencontrá-lo, lá no céu, junto ao Pai. Então será somente alegria e eu vou poder sentir novamente o calor de seu abraço.
- Guilherme, que saudades!!! - direi eu, correndo para abraçá-lo
- Agora a saudade não existe mais, estamos junto ao Pai - dirá ele, com seu largo sorriso.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sessão Nostalgia - Anos 70 e 80


Continuando a série de textos sobre meu aniversário de 40 anos, fiz uma sessão nostalgia hoje: estive recordando e procurando na Internet tudo o que marcou minha infância e adolescência nos anos 70 e 80 (não necessariamente em ordem cronológica ou de importância). Tampouco listei tudo, pois a lista é enoooorme e o post ficaria incrivelmente longo. Fui escrevendo, à medida que vinha à minha mente ou encontrava em minhas pesquisas.

Divirta-se, lendo a lista e lembrando de cada coisa:

Brinquedos
Milady
Princesinha
Mini Máquina de Costura
Autorama
Ferrorama
Genius
Cubo Mágico
Falcon
Playmobil
Geleca
Mão Biônica
Cinenima portátil
Aquaplay
Triciclo
Tonka
Transfer
Espirograf

Bonecas

Xuxu Beleza
Lalá e Lulu
Amiguinha
Mãezinha
Susi & Beto
Fofolete
Beijoca
Bebê Atchim
Feijãozinho
Manequinho
Bate Palminha
Bebê Coração
Gui Gui
Agarradinho
Bonecas de papel

Disquinhos coloridos
Chapeuzinho Vermelho
Pedro e o Lobo
O Rouxinol do Imperador
Os Três Porquinhos
O Macaco e a Velha
A Cigarra e a Formiga
A Formiguinha e a Neve
O Macaco e a Velha
Festa no Céu

Gibis
Mônica e Cebolinha
Luluzinha e Bolinha
Tio Patinhas
Donald
Pelezinho
Tininha
Brotoeja
Bolota
Riquinho
Sujismundo
Turma do Pererê

Programas de TV
O Homem de Seis Milhões de Dólares
A Mulher Biônica
Os Pioneiros
As Panteras
Incrível Hulk
Casal 20
Manimal
Bonanza
Chaparral
Ultraman
Ultraseven
Spectreman
Elo Perdido
Mulher Maravilha
A Poderosa Ísis
Batman e Robin
Chips
Esquadrão Classe A
Flipper
A Feiticeira
Jeannie é um Gênio
O Túnel do Tempo
Viagem ao Fundo do Mar
Dallas
Daniel Boone
O Homem do Fundo do Mar
Buck Rogers
Ilha da Fantasia
Agente 86
A Noviça Voadora
Perdidos no Espaço
Terra de Gigantes
S.W.A.T
Vegas
Os Três Patetas
Os Waltons
Hawai 5.0
Missão Impossível
The Banana Split Show
Magnum
Super Vicky
Clube do Mickey
O Super Herói Americano
Fuga nas Estrelas
Kojac
Columbo
Zorro
O Gordo e o Magro
TV Mulher
Malu Mulher
Carga Pesada
Vila Sésamo
ToppoGigio
Daniel Azulay
Zebrinha da Loteria Esportiva no Fantástico
Os Trapalhões
Boa Noite Cinderela
Armação Ilimitada
Sítio do Pica-Pau Amarelo (1ª versão)
Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta
Planeta dos Homens
Balança mas Não Cai
Viva o Gordo
Caras e Caretas
Primo Cruzado
Domingo no Parque
TV Pirata
Muppet Show
Chacrinha
Moacir Franco Show
Clubinho Gaúcha Zero Hora (ou TV Globinho)
A Linha
Mio e Mao
Vermelho e Azul
Barbapapa

Sessão da Tarde
Os filmes do Jerry Lewis
Os filmes do Elvis Presley
Os filmes dos Trapalhões
O Pássaro Azul com Shirley Temple
Fantástica Fábrica de Chocolate
Simbad, O Marujo


Novelas
Escrava Isaura
Cinderela 77
Cabocla
A Sucessora
O Bem Amado
Gabriela
Feijão Maravilha
Te Contei?
Baila Comigo
Água Viva
Dancing Days
Meu Pé de Laranja Lima
Chispita

Jogos
Detetive
War
Cai-Não-Cai
Bingola da Disney, que vinha nas tampinhas das garrafas da Coca-Cola

Cantores e Grupos Musicais
Michael Jackson
Menudo
As Frenéticas
Kleiton e Kledir
Tetê Espíndola
Blitz

Músicas
We Are The World
Thriller

Diversos
Sabonete Alma de Flores
Televisão Telefunken
TV Manchete
Creme Nívea
Sorvete Chicabon
Sandália Melissa
Sorvetes Fura-Bolo e Cornetto da Gelatto
Calçados Ortopé
Bicicleta Calói (a Calói Ceci para meninas)
Bicicleta Monark (Monareta)
Almanaque do Escoteiro Mirim
Amarelinha
Pula- Sela
Queimada
Stop
5 Marias
Lápis-borracha
Mochila emborrachada
Bala Sugus
Bala Soft


Acontecimentos
Copa do Mundo na Argentina (1978)
Guerra das Malvinas (1982)
Diretas Já! (1984)
Fim da
União Soviética (1989)

Cinema
King Kong (1976)
Tubarão (1977)
Guerra nas Estrelas (1977)
Superman (1979)
ET (1982)
Poltersgeist (1982)
Godzilla - os filmes japoneses que passavam na matinê de domingo no cinema (1977)

Modas
Meias de Lurex (1979)
Andar para trás do Michael Jackson (1983)
Gel New Wave no cabelo (1985)


Computadores
TK85
CP200
Apple


Créditos:
Memory Chips e Tá na Cara que é Bom.