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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim

Meu pai e eu recebemos o convite acima para o lançamento do livro "Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim" hoje à noite no Clube Piratini, em Charqueadas, onde moramos por 8 anos e onde passei a maior parte de minha infância.

Nós moramos na Vila Piratini de 1973 a 1981, quando meu trabalhou na Aços Finos Piratini, anos antes de ser privatizada e comprada pela Gerdau. Tenho excelentes lembranças daquela época, em que podíamos brincar livremente e sem perigo na rua, podíamos ir sozinhos à escola, podíamos ir sozinhos ao clube, podíamos andar de bicicleta e brincar até tarde da noite. Saímos de lá no início de 1982, de maneira que imagino que a Vila deve ter mudado muito, assim como tudo muda na vida. Essas belas e doces lembranças ficarão para sempre em minha memória, de ter tido uma excelente infância em um lugar agradável.

Segue abaixo uma breve descrição da Vila, retirada do blog da Associação de Moradores da Vila Piratini:

A Vila Aços Finos Piratini, implantada há mais de 35 anos, é um marco urbanístico, pois representa grande avanço em termos arquitetônicos e paisagísticos. Com proposta totalmente inovadora para época e lugar, fundamentada no conceito de Cidade Jardim, até hoje são raros os locais semelhantes no Brasil e no mundo. Foi o primeiro empreendimento habitacional de grande porte a ser construído no município e, por isso mesmo, possui relevante papel para o patrimônio de Charqueadas, com inestimável valor sócio-ambiental, cultural e urbanístico. É um lugar agradável, sinônimo de bem viver para a atual e para as futuras gerações. Porém, este verdadeiro tesouro pode estar fadado ao esquecimento, porque não há registros organizados de sua implantação e esta história, restrita a lembrança de algumas pessoas e seus diminutos acervos fotográficos, permanece inacessível a maioria da população. É preciso divulgar o conhecimento e as informações para que possamos preservar nosso bairro e contribuir para a preservação da história recente do município.

Tenhos amigos e conhecidos que vivem lá até hoje e será muito agradável reencontrar a vários deles no evento de hoje à noite.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Amigos de Infância

A semana passada foi muito interessante, pois encontrei vários amigos de infância no orkut: a Ana, a Iara, o Ângelo e o Marcos. Fazia 25 anos que eu havia perdido o contato com a Iara e fiquei muito feliz de reencontrá-la. Já retomamos o contato e estamos trocando e-mails. Acho que fazia o mesmo tempo que eu não tinha notícias do Ângelo, apesar de nossos pais terem sido muito próximos, quando éramos pequenos. A Ana não está de fato no orkut, mas eu encontrei o filho dela lá, o adicionei no meu msn e no sábado à noite, pude ter um longo papo com ela. O Marcos, meu querido amigo e namorado da adolescência, me telefonou na sexta, me contando que está lançando um livro de poesias e depois me escreveu: "Algumas poesias tu reconhecerás, pois foram feitas pra ti." Ainda lembro das belas e tocantes poesias que ele escrevia e das que ele dedicou para mim, quando fomos namorados. Ainda faltam encontrar alguns amigos que não estão na internet, como o Ivo e o Zeca. Só consegui encontrar a irmã do Zeca no orkut e descobri que ela é vegetariana, como eu.
Apesar de ter me mudado muitas vezes quando criança, pois meu pai estava constantemente mudando de emprego e carregando a família para um lado e para outro, consegui manter alguns amigos de infância de Charqueadas, onde moramos por 8 anos (divididos em dois períodos de 4 anos, com um intervalo de um ano, no qual moramos em Minas Gerais).
Fiz o jardim de infância com o Ivo e o Ângelo e também as séries iniciais. A partir da 4ª série, fui colega também da Ana, do Marcos, da Iara e do Zeca.
O Zeca foi meu primeiro namorado, aos 12 anos. Foi um amor puro e inocente, diferente dos namoros dos jovens de hoje em dia. O máximo que fazíamos era pegar na mão. Beijo na boca? Que nada. Só dançávamos de rosto colado durante as músicas lentas (que época boa era aquela!).
A Ana e a Iara eram minhas vizinhas, além de serem minhas colegas de escola e companheiras de brincadeiras. Brincamos muito de Susi, de subir nas árvores e andamos de bicicleta. Morávamos na Vila Residencial da Aços Finos Piratini, onde tínhamos plena liberdade para brincar na rua, sem trânsito ou perigo. Íamos juntas às reuniões dançantes e disputávamos as atenções dos meninos: o Ivo, o Marcos e o Zeca. Eu lembro de ter chorado em uma reunião dançante da festa junina, porque o Zeca dançou com a Iara e não comigo. Lembro também do Marcos me convidando para dançar e deixando o Zeca louco de ciúmes. Lembro da Ana também chorar de ciúmes, quando o Marcos me convidava para dançar e não a ela.
O Ivo era meu amigo e disputava o status de ser o melhor da turma comigo. Lembro dele tirar uma nota baixa em uma prova e de eu procurá-lo para dar-lhe apoio, pois sabia que ele estava chateado com isso, uma vez que ele era muito exigente consigo mesmo. Ele era o menino mais bonito da turma e o mais cobiçado pelas meninas, mas para mim, ele era apenas um grande amigo.
O Ângelo foi meu colega, mas ele repetiu de ano na 6ª série e se tornou colega de meu irmão, tornando-se mais amigo dele do que de mim, pois tinham maiores afinidades. Eu só o via com freqüência, porque meus pais eram muito amigos dos pais dele.
Quando eu estava com 13 anos, meu pai saiu da Aços Finos Piratini e tivemos que ir embora de Charqueadas. Eu sofri muito, pois estava no início da adolescência e tive que deixar todos meus amigos e nem pude cursar a 8ª série com eles. Como tínhamos a casa lá e um apartamento em Porto Alegre, passamos o verão parte lá e parte em POA, até que nos mudamos definitivamente para Porto Alegre, quando meu pai vendeu a casa. Chorei muito naquele dia, pois sabia que não veria mais meus amigos diariamente e teria que entrar em uma nova escola e fazer novos amigos. Foram tempos difíceis para mim, pois era a novata na escola e as turmas já estavam formadas, de maneira que tive dificuldades em me entrosar. Meus pais também estavam com dificuldades financeiras e tive que encarar uma nova realidade, a de um nível social mais baixo do que estava acostumada.
Apesar de tudo, nunca perdi o contato com a Ana, pois éramos muito amigas e sempre demos um jeito de trocar correspondência (naquela época nem existia a internet ainda, no longíquo ano de 1982), nos telefonar e visitar uma à outra, nos anos que se seguiram, mesmo depois que ela foi embora de Charqueadas.
Eu encontrava a Ana, o Marcos e o Ivo na UFRGS e cheguei a namorar com o Marcos, durante o verão de 1988, quando ambos estávamos com 19 anos, mas depois disso, fiquei 15 anos sem vê-lo. Encontrei o Zeca uma vez em 1989 e nunca mais o vi. Fiquei 25 anos sem ter contato com a Iara e o Ângelo, até que finalmente os encontrei no orkut na semana passada.
São tantas histórias, tantas recordações, de meus amigos que nunca saíram de minha memória e de meu coração, pois eles foram parte importante de minha infância e início da adolescência.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Meu irmão e meu melhor amigo

Hoje, 29 de outubro, é um dia de comemoração dupla: uma alegre, pelo nascimento de meu irmão Fábio e outra triste, pelo falecimento de meu querido e saudoso amigo Guilherme.
Há 39 anos, nascia, em Buenos Aires, Argentina, meu irmão em um hospital público, através de um parto normal atendido por parteira. Foi o segundo filho de minha mãe, que já tinha a mim, com 15 meses de idade. Um ano e três meses mais tarde, minha família embarcava em um avião rumo a São Paulo, que foi nosso primeiro lar no Brasil. Dois anos mais tarde, chegamos ao Rio Grande do Sul, que se tornou nosso lar desde então. Passamos boa parte de nossa infância em Charqueadas, a 50 km de Porto Alegre, na Vila Residencial Aços Finos Piratini, onde tínhamos liberdade para brincar e correr na rua até tarde da noite, sem perigo de trânsito ou assaltantes. Muito brincamos de esconder, polícia e ladrão, andamos de bicicleta, skate e carrinho de rolemã e nos divertimos a valer na piscina do Clubinho.

Lembro também de nossas longas viagens de carro à Argentina, onde íamos visitar nossos parentes (avós, tios e primos), terrivelmente entediantes para meu irmão e eu, que quando nos cansávamos de brincar, começávamos a brigar no banco de trás. Depois, na Argentina, nos divertíamos falando em Português entre nós, para que nossos primos não nos entendessem. Ou quando meu irmão me batia e eu reclamava para minha mãe dos socos e tapas que o Fabio havia me dado e meus primos perguntando: "¿Que es 'soco'? ¿Que es 'tapa'?". E também de quando ríamos das vozes dos dubladores da televisão argentina, tão acostumados que estávamos com os dubladores brasileiros. De brincar com nosso primo caçula na casa de nossa avó e de fazer bagunça na hora da "siesta", quando todos os adultos da casa se deitavam e nós, crianças, ficávamos livres para fazer o que queríamos. De ir comprar balas, chocolates e pirulitos no "kiosco" da esquina e de ir comprar pão na padaria e dar intermináveis explicações ao padeiro e a todos os vizinhos que éramos os netos de Doña Amalia e Don Atílio que viviam no Brasil. De ensinar palavrões em Português para a criançada da vizinhança, que se deliciavam repetindo os palavrões sem signficado para eles.

Meu irmão e eu freqüentamos as mesmas escolas até o 2º grau, quando cada um seguiu um rumo diferente, mas chegamos a cursar a mesma universidade e tivemos aula até mesmo com os mesmos professores em algumas cadeiras, já que ele cursou Engenharia Elétrica e eu, Matemática. Eu entrei inicialmente para Ciências Sociais e dois anos mais tarde pedi transferência para a Matemática, assim, ao cursar as disciplinas de Cálculo, eu pedia ajuda a meu irmão, que já havia cursado essas disciplinas. Lembro dele rir de mim, quando eu ainda não sabia calcular limites, derivadas e integrais e de caçoar, perguntando onde eu aplicava o que aprendia na Matemática, já que as disciplinas deles eram puramente de aplicação e as minhas, essencialmente teóricas.
Mas fora a questão universidade, nossas vidas tomaram rumos diferentes ainda na adolescência, quando eu comecei, aos 15 anos, a freqüentar a Igreja Batista e a qual meu irmão nunca quis me acompanhar, já que ele se denomina ateu, como nosso pai. Nossos grupos de amigos não eram os mesmos e muito menos nossas crenças. Quando meu irmão se formou na UFRGS, em janeiro de 1993, eu estava trabalhando como equipante voluntária no Acampamento do Palavra da Vida do Paraná e voltei de lá somente para estar presente à sua formatura, pois eu havia me comprometido para passar o verão todo lá. Ele é meu único irmão e eu não queria estar ausente em um evento tão importante de sua vida. Na formatura dele, estava presente meu grande e querido amigo, Guilherme, cujo amigo Rogério se formou junto com meu irmão.

Conheci o Guilherme na Mocidade da Conde, quando ambos tínhamos 17 anos e ele estava prestando vestibular para Medicina. Ele era um rapaz muito puro, sensível e amigo para todas as horas. Nós nos identificávamos, porque éramos ambos sozinhos na Igreja, já que nossas famílias não a freqüentavam e não tínhamos origem alemã, senão latina. A maioria esmagadora dos jovens da Mocidade tinha a família na Igreja, a Igreja Batista Alemã, a Conde, e quase todo mundo era primo de todo mundo. O Guilherme e eu éramos os "forasteiros", que íamos à igreja por vontade própria, não por imposição de nossos pais. Muito pelo contrário, nem os pais deles, nem os meus, viam com bons olhos nossa dedicação e assiduidade à igreja. Os pais dele, por serem católicos, e os meus, por serem ateus. Muitas e muitas vezes nós dois tivemos longas conversas sobre as dificuldades de sermos jovens cristãos em lares não evangélicos, de como nossos pais não compreendiam nossa fé e de como os meus muitas vezes me proibiam de ir à igreja. O Guilherme, com uma fé muito mais forte e dedicada que a minha, sempre me dizia para orar e pedir a Deus, pois um dia nossas famílias conheceriam a Deus. Nossa amizade transpôs os limites da igreja e ambos conhecíamos a família do outro, tanto que meus pais gostavam muito dele e os pais dele, a mim. Mesmo depois de 11 anos de seu falecimento, ainda sou amiga da família dele, seus pais, seus irmãos e sua avó, a quem considero a avó que eu sempre quis ter.


Lembro de quando o Guilherme tinha que decidir por uma especialidade médica e eu sugerir a Pediatria para ele. Ele me perguntou: "Tu achas que eu tenho jeito para pediatra?" e eu respondi: "Claro que sim! E um dia tu serás o pediatra de meus filhos!". Infelizmente, isso nunca se tornou realidade pois o Guilherme veio a falecer em um acidente de carro em 1997, alguns anos antes de eu me tornar mãe.
Nunca vou esquecer esse dia, 29 de outubro de 1997. Nosso amigo em comum, o Rogério, o mesmo da formatura, me ligou quase à meia-noite e eu atendi o telefone:

- Oi, Rogério, tudo bem? (estranhando o fato dele estar me ligando àquela hora)
- Não, não está nada bem. (suspiro de quem andou chorando)
Nessa hora, percebi que havia algo errado. As palavras saíram de minha boca sozinhas, sem pensar:
- Quem morreu?
- ... (silêncio)
- QUEM MORREU? - repeti eu
- O Guilherme! (chorando) - respondeu ele

Nesse momento, eu desabei a chorar, sem poder acreditar que havia perdido meu melhor amigo, meu amigo de todas as horas, meu apoio e a quem eu amava muito!

Deixo aqui minha homenagem àquele que foi o melhor amigo que eu já tive e de quem tenho enormes saudades. Ainda choro por ele, quando começo a lembrar. Eu o amei muito, mas nunca houve nada entre nós mais do que uma grande e sincera amizade. Ele foi um apoio muito grande nas horas que precisei, especialmente quando terminei meu noivado em 1992. Ele não permitiu que eu ficasse sozinha, depressiva, chorando em casa e me levava à igreja junto com ele. Foi meu acompanhante em casamentos e aniversários e sempre esteve presente, quando eu precisava de seu apoio. Sinto muitas saudades dele, mas sei que um dia vou reencontrá-lo, lá no céu, junto ao Pai. Então será somente alegria e eu vou poder sentir novamente o calor de seu abraço.
- Guilherme, que saudades!!! - direi eu, correndo para abraçá-lo
- Agora a saudade não existe mais, estamos junto ao Pai - dirá ele, com seu largo sorriso.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Aniversário de meu filho

Estos últimos dias têm sido tão corridos, que não tenho conseguido blogar. Na semana passada, meu querido filho completou 6 anos de idade e comemorei seu aniversário na escola.



Há exatos 6 anos, eu entrava nas delícias e desafios da maternidade, aprendendo a amamentar, a trocar fralda, a dar banho em recém-nascido, a não dormir nunca mais uma noite completa ... Ao mesmo tempo, sentir um orgulho imenso de alimentar um bebê tão pequeno e que crescia a cada dia a olhos vistos.
Com meu primogênito, descobri a força interior para parir naturalmente, mesmo após 24 horas de trabalho de parto, exausta e morrendo de sono por uma noite de sono perdida. A dor não me incomodou tanto, pior era o sono terrível, o cansaço, a vontade de dormir para recobrar as forças e recomeçar no dia seguinte. Após o parto, de me sentir vitoriosa por ter conseguido parir meu filho. E também as dores das hemorróidas, dos pontos da laceração do períneo, da fraqueza pelo extenuante trabalho de parto. A delícia de amamentar desde o primeiro momento, sem dor, sem dificuldade, sem trabalho algum.

Depois, descobrir o primeiro dentinho, a primeira febre, ver ele engatinhar pela primeira vez, dar os primeiros passos, ir à escolinha pela primeira vez, as primeiras palavras, os primeiros rabiscos no papel ...

Meu filho me introduziu no mundo da maternidade e com ele tenho aprendido a ser uma mãe melhor, mesmo que muitas vezes me sinta a pior mãe do mundo. Tenho a tarefa de prepará-lo para enfrentar o mundo e quero fazê-lo da melhor maneira possível, como tenho feito desde que o coloquei no mundo. Quero fazer dele um homem de bem, comprometido com Deus. Espero ser bem sucedida nessa tarefa. :-)






segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A filha pródiga

Ontem foi um dia muito especial para mim: depois de mais de dez anos, voltei a freqüentar uma igreja. Sou cristã convertida desde meus 15 anos, mas havia me afastado da comunhão com Cristo e com a Igreja em 1998.

Minha família é de origem italiana e, portanto, de tradição católica. Até ganhei um rosário de minha avó, para quando eu fizesse a primeira comunhão. Meu pai é ateu materialista e minha mãe deixou de acreditar em Deus e na Igreja há muito tempo. Fui criada em um lar sem religiosidade, sem aprender a rezar (orar) e nem ler a Bíblia.

Em 1983, meus pais me matricularam em um colégio luterano, o Colégio Concórdia, e foi lá que, pela primeira vez em minha vida, eu adorei as aulas de Religião, tão diferentes daquelas aulas chatas e monótonas que eu tive na escola pública. Eu morava a duas quadras e meia da Primeira Igreja Batista em Porto Alegre, a Conde, e um dia resolvi ir conhecer, pois me parecia um lugar bastante agradável. Foi no dia 14 de agosto de 1983, aniversário de meu pai e a programação da reunião de jovens, a Mocidade Conde, era voltada para os pais. Fiquei encantada e voltei outras vezes, ao perceber que tudo aquilo que eu havia aprendido teoricamente nas aulas de religião da escola, eram verdadeiros e vividos por aqueles jovens. Não sei o dia exato de minha conversão, mas eu sei que um dia eu acordei e sabia que tinha Jesus no meu coração e desde então, estava disposta a segui-Lo. Freqüentei a Conde por 6 anos, mas sofri muita oposição de meus pais, que não gostaram de me ver "enfiada" na Igreja e ter-me tornado uma "fanática", segundo a visão deles. Diversas vezes meu pai me proibiu de ir na Igreja: "Tu já foste ontem (sábado), não precisa ir hoje (domingo)!" Ele não entendia que uma coisa era a Mocidade, aos sábados à noite, e outra, bem diferente, o culto, aos domingos à noite. Pior, às segundas-feiras era o dia do vôlei e todos os jovens iam lá para treinar. Os rapazes jogavam e nós, as meninas, aproveitávamos para conversar, fofocar e olhar os meninos. Quantas vezes meu pai me impediu de ir: "Já foste na igreja no sábado e no domingo e ainda queres ir hoje? Não vais ir!" Participei de muitos retiros, acampamentos, encontros de jovens e tantos outros eventos.

Em 1989, decidi trocar de igreja, por não me sentir à vontade na Conde, uma igreja alemã, com pessoas extremamente fechadas (com raras e honrosas exceções), voltadas para a família, já que lá todo mundo era primo de todo mundo (literalmente falando) e eu era praticamente uma estranha e sozinha, mesmo depois de estar freqüentando a igreja por 6 anos. A escolhida foi a Aliança Bíblica de Porto Alegre, com um perfil muito parecido à Conde, mas uma igreja mais jovem, mais brasileira e menos elitista. Na Aliança, pude realizar meu sonho de me batizar, já que meu pai não permitiu que eu me batizasse na Conde aos 15 anos. Quando completei 21 anos, a primeira coisa que fiz foi me batizar e meu pai esteve presente para assistir meu batismo na Aliança. Lá, pude participar muito mais ativamente, freqüentar a Escola Bíblica Dominical, que era uma hora antes do culto e aprendi muito sobre a Bíblia.

Mas as coisas não foram tão perfeitas assim: foi na Aliança que eu fiquei noiva do R., o líder da Mocidade na época. Um ano e meio depois, desmanchamos o noivado e eu sofri muito, mas muito mesmo, pois era muito apaixonada por ele e vi meu sonho de casar se desfazer em mil pedaços. Muitas pessoas não entenderam meu sofrimento e não me apoiaram, o que me levou ao afastamento gradativo da Igreja. Quatro anos depois, tive uma crise de depressão profunda, o qual me levou a me afastar de tudo e de todos. A total falta de apoio dos amigos da igreja e a morte de meu melhor amigo fizeram com que eu me afastasse completamente. Eu havia descoberto o mundo dos chats da internet e fiz novas amizades por lá. Foi o que bastou para que o tênue fio que me segurava se rompesse. Sem olhar para trás, fui em busca de minha nova realidade, a dos amigos virtuais.

Posso dizer que tenho grandes e verdadeiros amigos até hoje que conheci na internet e muitos deles me deram muito mais apoio do que jamais recebi na igreja, o que me levou a ter uma mágoa muito grande. Puxa! Eu era cristã, praticante, membro de igreja e não recebi nenhum apoio, enquanto que aquelas pessoas que conheci online estavam ali, diariamente, me dando apoio nos momentos mais difíceis! Não há dúvidas em ver qual caminho tomei ...

Apesar de tudo, eu sentia saudades da igreja, queria ir novamente, mas estava casada com alguém que não tinha o mínimo interesse em ir à igreja. Tive meus filhos e nunca os levei a uma igreja, a não ser para assistir a casamentos - em igrejas católicas. Falava de Jesus para eles, mas de uma maneira muito tímida, já que não estava em comunhão com ele ...

Há umas duas semanas, reencontrei um velho amigo da Aliança Bíblica, o Paulo Ricardo, que passou no vestibular da PUCRS e que veio me visitar aqui no TECNOPUC. Almoçamos juntos por duas vezes e ele me questionou em relação à minha posição. Eu disse que nunca deixei de acreditar e amar a Jesus, apesar de meu afastamento, mas ele me cobrou que eu conhecia a Verdade, mas e meus filhos? Isso tocou fundo em meu coração, pois percebi que estava negando a meus filhos o conhecimento da Verdade e da comunhão com Cristo.

Assim, quando ele me convidou para ir à Igreja Batista Mont' Serrat, que ele freqüenta atualmente, eu vacilei, mas concordei em ir neste domingo. Levei meus filhos, para que pudessem conhecer uma igreja evangélica e para que pudessem ouvir a Palavra de Deus.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ficar solteira ou casar a qualquer custo?

Na semana retrasada, descobri um blog delicioso, com algo de trágico e cômico na história. O nome do blog é "Ciega a Citas" (que traduzindo para o Português, ficaria "Escuras às Encontro", o inverso de "Encontro às Escuras" ou "Cita a Ciegas", no original). Ele é escrito por uma jornalista argentina, ela tem 30 anos, é solteira e vive sozinha em Buenos Aires.

A irmã mais nova dela marcou casamento para dali a nove meses e a mãe dela apostou que ela vai ir sozinha e deprimida como sempre. Tão segura a mãe está disso, que apostou com a irmã que se ela levar um namorado de verdade, paga a festa de casamento da filha. Assim começou o blog, contando as aventuras dela encontro em encontro, procurando por um namorado de verdade para fazer a mãe pagar a festa de casamento da irmã. E assim ela tem esse desafio: 258 dias para encontrar um namorado normal. O blog está em Espanhol e tem tons e já me garantiu boas risadas e algumas lágrimas com suas desventuras. Uma boa pedida para quem estuda Espanhol (viu, Socorro?).

Eu me identifico com a autora do blog em algumas partes, já que me casei depois dos 30 e tive que ouvir muito a frase: "E aí, Carla? Cadê o namorado?" por parte de amigas de minha mãe, tias, primas, etc. Minhas duas primas casaram aos 18 anos e já eram mães aos 19 anos, por isso cobravam de minha mãe: "Tia, quando é que a Carla vai arrumar um namorado e casar? Já tá passando da hora!". Elas brincavam com meu pai: "Tio, vê se maltrata um pouco a Carla e o Fabio (meu irmão), para que eles saiam logo de casa? Os dois já estão com 30 anos e continuam morando com vocês!". Tudo bem que uma delas casou grávida ... Tudo bem que minha meia-irmã casou grávida ... Tudo bem que a namorada de meu primo casou grávida ... Tudo bem que minha outra prima casou grávida ... Mesmo assim, elas ainda faziam troça de mim: "Vê se arranja um namorado para casar e ter filhos e a tia poder ser avó logo, tadinha!". E eu casei aos 31 anos e não estava grávida. O detalhe engraçado: meu irmão saiu de casa em abril e eu em maio do mesmo ano. De uma hora para outra, minha mãe ficou sem nenhum dos dois filhos em casa, depois de mais de 30 anos.

No blog, a jornalista argentina identificada apenas pelas letras "LG" questiona: "Sou eu a loser porque prefiro ficar sozinha antes do que ficar com qualquer cara? Ou serão as demais, que saem com qualquer imbecil para não ficar sozinhas?".

Por que não respeitam a opção da mulher de estar solteira - até mesmo por falta de opção? Não existe o ditado muito sábio: "Antes só do que mal acompanhada!"? Parece que todo mundo cobra da gente a obrigação de ter um homem do lado, transformando o ditado em "Antes mal acompanhada do que só!!!!". Na minha condição atual, divorciada, com dois filhos pequenos para criar, prefiro estar só do que com qualquer cara do meu lado. Eu estou bem sozinha - claro que sinto falta de alguém do meu lado, mas prefiro passar o tempo comigo mesma do que ter um loser do meu lado.

Já fui noiva, já fui casada, já sofri por um amor platônico e também por um amor impossível. Já tive namorado lindo, gordo, atlético, poeta, deprimido, playboy, neurótico, judeu e o que está sempre em busca da futura ex-Sra. XXXX. Cada adjetivo listado foi um relacionamento real em minha vida. Alguns duraram mais tempo, outros pouco. Meu ex-noivo foi a pessoa que mais me magoou no mundo e meu ex-marido foi o que me deu meus dois filhos lindos. De todos os outros, o único que lembro com ternura é o poeta - doce, romântico, sensível e meu amigo até hoje. Do resto, perdi o contato com o tempo. Alguns, prefiro nunca mais encontrar nesta vida.

Mas, voltando ao tema do blog: já sofri muita discriminação por ser solteira e sem namorado. Lembro de alguns episódios que me marcaram bastante (e que me deram muita raiva também!):

Episódio 1:

Uma amiga da turma, muito jovem, casou grávida do namorado. Estamos conversando, ela com o barrigão enorme prestes a parir.

Ela: E aí, ainda continuas?
Eu: Continua o que?
Ela: Encalhada!!! Ahahahahahahahahahahahaha!!!
Eu: Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! (Pensando em responder: "Casar grávida é melhor do que ficar encalhada então?" Mas como sou educada, não falei nada, fiquei quieta mesmo com minha raiva)


Episódio 2:


Sabe aquela guria chata da turma, que vive se metendo nos programas, que ninguém chama ela, mas ela vem mesmo assim? Pois é ... não é que ela começou a namorar um cara super legal da turma, noivou e casou com ele? Eles foram a meu aniversário há alguns anos atrás e ela perguntou:

Ela: Que idade estás fazendo mesmo?
Eu: 27!
Ela: Com tua idade, eu já estava casada!
Eu: Grrrrrrrrrrrrrrrr! (Morrendo de vontade de pular no pescoço dela e esganá-la. Por acaso ela é melhor do que eu, só porque está casada?)


Episódio 3:

Tinha um conhecido muito chato que sempre que me via, perguntava: "E o gato?!" e eu sempre tinha que responder sem graça: "Não tenho namorado ...". Pois bem, quando comecei a namorar o R., meu ex-noivo, fui ao escritório onde o tal chatinho trabalhava para ver uma amiga e ele foi logo perguntando:

Ele: "E o gato?!"
Eu: "Vai bem, obrigada!!!!!!!!!!"
Ele: "O quêêêêêêêêêê? Tá namorandoooooooo?", respondeu, de queixo caído

Eu tinha que ter registrado o momento com uma foto, tal foi a cara de surpresa dele. O que ele pensou? Que eu nunca ia arranjar namorado? Babaca ...

Esta semana tenho pensado muito em uma amiga muito querida, que irei chamar de Lúcia (nome fictício). Ela é solteira, 30 e poucos anos, tem curso superior completo e mora sozinha há vários anos. Ela é muito especial para mim, pois ela é aquela amiga que nunca esquece de meu aniversário, que sempre liga para saber como estou, que vibrou quando eu casei, quando tive filho, etc. Ela teve um único namorado firme em toda a sua vida, por isso, fiquei surpresa quando, há poucos dias, me convidou para seu chá de panela e para seu casamento em breve. Ela havia me dito recentemente que estava namorando, mas eu não sabia que o negócio estava tão sério assim. Confesso que a primeira coisa que pensei com o convite de casamento dela foi: ela deve estar grávida, para casar tão rápido assim.

Ainda não conheci o noivo pessoalmente, que tem 51 anos, é solteiro, sem filhos e mora ... com a mãe. Ao perguntar para ela onde iriam morar, ela respondeu: "Ainda não sabemos, estamos vendo...". Como assim? A primeira coisa que a gente vê quando vai casar é onde vai morar, pois como diz o ditado: "Quem casa quer casa".

Eu: Como assim? Não sabem ainda onde vão morar?

Ela: É que ele está arrumando o telhado da casa dele ...
Eu: Mas ele mora sozinho?
Ela: Não, ele mora com a mãe dele e a cuida, pois ela tem a doença tal.
Eu: Ah ...

Que roubada! E quando eu ia puxá-la em um canto para conversar e aconselhá-la sobre o casamento tão rápido, ela me mostrou umas fotos. Eram do casamento civil!

Eu: Lúcia? Como assim? Você já casou no civil?!
Ela: É, ele quis casar logo ...
Eu: Hummmm ... - Melhor ficar quieta - pensei eu - já que o estrago já foi feito.

Moral da história: estou muito preocupada com minha amiga, que entrou de cabeça em um casamento muito rápido, não sabe ainda onde vai morar e já com uma sogra problemática. Vejo nuvens negras em seu horizonte.

E aí volta aquela pergunta: Ficar solteira ou casar a qualquer custo?



segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Lembranças de anos passados

Estava lendo o post de hoje do Ivo Fontan, “Brincar por brincar” no blog O Futuro do Presente, onde ele fala no diabolô (que diabos é isso?! risos) e no bilboquê, que me fez lembrar de uma quadrinha inventada por minha amiguinha e vizinha Cibele, mineira, e que morava na Vila Aços Finos Piratini em Charqueadas, onde morei boa parte de minha infância.

- Vamos brincar?
- Brincar de quê?
- De bilboquê!
- Seu pai não zanga?
- Zangar por quê?
- Você é uma boba!
- Boba é VOCÊ!

Há uns dias atrás, cantei essa quadrinha para meus filhos e eles me perguntaram: “Mãe, o que é um bilboquê?”. Como explicar a uma criança de 5 anos e outra de 3 anos o que é um bilboquê? Terei que comprar um para que eles saibam o que é um bilboquê e possam brincar com ele.

Ontem foi um dia de recordações, pois minha colega Núbia me levou no sábado o videocassete que negociei com ela. A mãe dela queria se livrar de várias tralhas, e eu me ofereci para ficar com o videocassete, já que ainda tenho algumas recordações em fitas VHS, como minha formatura em 1994, minha viagem aos EUA em 1996 e meu casamento em 2001. Assim, ontem coloquei primeiramente a fita do casamento para meus filhos assistirem, já que eles nunca a tinham visto antes, somente as fotos.

- Mãe! Olha tu e o papai! – exclamou minha filha
- É filha, é o casamento da mamãe e do papai.
- E onde eu estava, mãe?- perguntaram os dois juntos
- Vocês ainda não existiam, só nasceram depois do casamento.
- Mãe, quando você se despediu do papai, você ficou triste? – perguntou meu filho, questionando sobre a separação minha do pai dele, em fevereiro de 2005.
- Claro que a mamãe ficou triste, meu filho, mas agora eu estou bem.
- E quando você se despedir de mim, também vai ficar triste?
- Não, meu filho, você nunca deixará de ser meu filho.
- Ainda bem, mãe, porque eu quero sempre ficar contigo.

Minha mãe e eu, no dia de meu casamento.

Ao verem a troca das alianças, meu filho perguntou:

- Mãe, que anel é aquele?
- É a aliança de casamento, meu filho.
- Onde está? Por que você não está usando?
- É que eu me separei do papai e não uso mais aliança.
- Eu quero ver!


Agora vou ter que procurar a bendita aliança, que está guardada em algum lugar, para mostrar a meu filho.

Meu pai comigo, todo orgulhoso.


Foi interessante assistir à fita de meu casamento, ocorrido em 27 de janeiro de 2001.

(Curiosamente, ontem teria sido o meu 7º aniversário de casamento, se ainda estivesse casada. Seriam bodas de quê?)

Ver os amigos que compareceram à cerimônia, meus parentes que vieram da Argentina e de alguns que já não estão mais conosco, como minha prima Martha, um tio de meu ex-marido e um amigo de meu pai, Savino, uma amizade de mais de 35 anos. Fiquei emocionada, ao ver meus primos e primas, que vieram especialmente para meu casamento, a caminho das praias de Floripa. Nunca tive tantos parentes juntos de uma só vez aqui no Brasil. Fiquei muito feliz com a presença deles em minha festa e por isso realizei meu casamento em janeiro, para que eles pudessem vir.

Meus primos e primas da Argentina, com seus filhos e filhas. Minha prima Martha é a primeira à esquerda.


Também fiquei contente comigo mesma, por ter solicitado ao rapaz da filmagem para filmar bastante os convidados, pois apesar de que o casamento não tenha durado, pelo menos tenho a lembrança das pessoas que estiveram presentes naquela data tão especial para mim.

Depois do casamento, assisti à fita de minha formatura, ocorrida em
22 de janeiro de 1994. Fatos mais antigos e eu mais jovem ainda.

- Mãe, cadê o papai?
- Não, minha filha, a mamãe ainda não conhecia o papai nessa época.
- E eu, onde estou?
- Não, filhinha, você ainda nem existia nessa época.
- Mas eu queria estar ali!
- ...

- Mãe, por que vocês estavam usando essas roupas pretas?
- Se chama toga, é uma roupa especial que a gente usa na formatura.


Ainda falta assistir às várias fitas de minha viagem aos EUA, em janeiro de 1996, onde fui para New York para estudar Inglês por 4 semanas e onde comprei minha filmadora. Depois, ainda passei 10 dias em Center Harbor, New Hampshire, na casa de um americano e sua família, para o qual servi de intérprete, quando ele esteve em Porto Alegre. Mas isso fica para outro post. ;-)