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terça-feira, 16 de junho de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”


Por Hugo Sabatino
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”, escrito por Raphael da Câmara Medeiros Parente (Médico do Ministério da Saúde - HSE; Doutor em Ginecologia - UNIFESP; Mestre em Epidemiologia - UERJ) e publicado no Jornal do CREMERJ - ABRIL 2009 - páginas 8 e 9.

"Atualmente, há uma forte campanha governamental a favor da humanização do parto e do parto vaginal. "

RESPOSTA: Esta informação é no mínimo incompleta e tendenciosa, já que as intervenções do governo Brasileiro para redução da cesárea começaram em 1979 com o pagamento igual de honorários médicos no parto vaginal e de cesárea do INAMPS. Continuando nos anos subseqüentes até nossos dias, pelo tanto esta campanha está cumprindo 30 anos , intensificada na era do atual Governador José Serra, quando ele era ministro da Saúde.

"Este conceito de humanização, há muito distorcido, é usado para retirar substancialmente o médico do atendimento obstétrico. Para isto, são divulgadas informações erradas e levianas de que os médicos são menos “humanizados“ que outros profissionais de saúde, que são os únicos responsáveis por altas taxas de cesariana com o objetivo único de preservar sua rotina e aumentar seus ganhos e que não respeitam a autonomia e o desejo das mulheres pelo parto vaginal. Vem sendo dito, inclusive, que o médico não sabe mais realizar um parto vaginal, dando a entender que esta capacidade somente é dominada pelas parteiras, enfermeiros, obstetrizes etc."

RESPOSTA: De fato o conceito de humanização é frequentemente interpretado em forma distorcida, inclusive pelo responsável deste documento, ao qual estou respondendo. Em várias publicações de nosso grupo na Universidade de Campinas, temos identificado, em casos de baixo risco, os seguintes pilares da Humanização:
A) Respeito aos processos fisiológicos da Gestação, parto, puerpério e amamentação materna;
B) Participação multiprofissional e interdisciplinares; e
C) Respeito as costumes regionais e individuais do casal .
Sem a presença destes três pilares não pode ser considerada a atenção ao nascimento de baixo risco, como humana. O problema é complexo porém bem claro para não abrir mão destes pilares. Realizar a finalização de uma gestação de baixo risco, mediante uma cesárea, sem causa médica que a justifique, ainda que esta seja a pedido da gestante (as indicações médicas estão identificadas claramente em todos os livros da especialidade), é uma conduta médica que não respeita os processos fisiológicos do trabalho de parto, parto e nascimento, por este motivo o procedimento cirúrgico realizado de forma desnecessária, deixa de ser um procedimento natural, humano ou fisiológico. Esta situação está bem explicada em todos os livros de texto da especialidade. Aquele profissional que não respeita este principio se coloca por em cima de este processo normal natural (humano), tentando com esta atitude superar este processo fisiológico, delicado, e bastante complexo que envolve qualidade de vida de duas pessoas e de uma família, Seria como pretender modificar fenômenos naturais como a saída do sol ou de um entardecer. O que podemos sim é participar ou assistir a esses fenômenos para sua contemplação com uma boa companhia, porém o que não podemos, ainda que sejamos profissionais competentes e inteligentes de ser capaz e melhorar esse processo. Em relação a querer melhorar o fenômeno do nascimento através de uma cesárea estou colocando a foto e comentário a este respeito, do eminente e respeitado Prof. Dr. Bussâmara Neme, matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 15 de Fevereiro deste ano. Pelo tanto aqueles médicos que realizam este procedimentos seguramente são menos humanos que aqueles que respeitam o processo fisiológico do nascimento em casos normais, e esta não é uma definição leviana e sim fundamentada na fisiologia do processo. O prestigioso pesquisador Holandês Pieter Eric Treffers (1996), na Guia de Maternidade Segura da OMS, nos informa que: “A Obstetrícia deve acompanhar a fisiologia. Intervenções cirúrgicas devem prevenir ou corrigir patologias e não aperfeiçoar a fisiologia”. Por outro lado todos os livros de cirurgia colocam a operação cesáreas como sendo “cirurgia de alto risco”, devido a que o cirurgião deve invadir o peritônio, aumentando com isto os riscos durante e após a cirurgia, sendo que no caso das cesáreas este risco se estende também a próximas gestações como o demonstram os estudos de Clark (1985). Fig. 2 Estes dados demonstram claramente que desde o ponto de vista dos riscos as mulheres que são submetidas a cesáreas desnecessárias estarão sendo colocadas (sem causa) em próximas gestações a riscos que aumentam significativamente a padecer de um acretismo placentário, o que pode de fato ser muito difícil de corrigir, colocando a vida da mulher em um grupo de maior chance de morte (lamentavelmente esta informação não e transmitida as mulheres que solicitam cesáreas desnecessárias). Esta atitude de sonegar informação esta em conflito com o juramento Hipocratico que diz “Primeiro não fazer dano” (Primum non noccere).
Leia o artigo na íntegra aqui.
Fonte: Grupo de Parto Alternativo - CAISM/UNICAMP

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Entre a cruz e a caldeirinha

Iracema Sodre*

Na hora de ter filho, os brasileiros que vivem em Londres têm duas opções, nenhuma exatamente ideal. Podemos escolher ter o bebê no Brasil, um dos países onde mais se faz cesáreas no mundo, ou na Grã-Bretanha, onde se desencoraja a cirurgia mesmo quando a operação pouparia sofrimento.

Eu tive sorte. Meu parto, no Queen Elizabeth Hospital, em Londres, foi normal, sem anestesia (logo com muita dor), mas também sem traumas. Infelizmente, a experiência de muitas brasileiras que optam por ter seus filhos por estas bandas – ou são forçadas pelas circunstâncias - nem sempre é tão tranqüila.

Aqui mesmo, na redação da BBC Brasil, há histórias de partos complicados, que deixaram cicatrizes e memórias ruins, e que poderiam ter sido evitadas.

Entre os brasileiros, a fama do NHS, o sistema público de saúde britânico, é de que o tratamento nos hospitais é frio, as parteiras forçam a barra para que o parto seja normal e você, muitas vezes, não tem controle algum sobre o que vai acontecer.

Na minha opinião, várias das críticas são pertinentes. Só que a situação no Brasil, mesmo nos hospitais particulares, também não é essa maravilha toda, como algumas pessoas querem acreditar. Pelo menos não para quem gostaria de ter parto normal.

Várias amigas minhas, no Rio, São Paulo ou Brasília, escolheram obstetras que se diziam pró-parto normal e prometeram que fariam de tudo para evitar a cesárea, mas nunca as prepararam com dicas básicas sobre respiração, informação sobre os tipos de anestesia disponíveis e suas conseqüências, as fases do trabalho de parto etc.

E, no fim, adivinhem? Cesárea, claro. Rende mais para os médicos e anestesistas, é rápido e conveniente. Muitas vezes, as justificativas para a cirurgia (as pessoas esquecem, mas a cesárea é uma baita cirurgia) são completamente infundadas.

Então, para usar um ditado das antigas, estamos entre a cruz e a caldeirinha. Qual vocês preferem?

* Blog da BBC Brasil

Encontrei este texto há algum tempo na BBC Brasil, um site que gosto muito de ler, pois sempre tem notícias muito interessantes. Descobri os Blogs da BBC Brasil e o texto em questão.

Ele traz uma questão pertinente, que é da opção de escolha de como ter o filho em Londres. No caso, a opção é das brasileiras que vivem lá. Conheço vários casos de brasileiras vivendo no exterior e que vieram ao Brasil somente porque podiam fazer cesárea marcada. O medo, a falta de informação e todo o mito em torno do parto normal faz com quem muitas mulheres optem pela cesárea, sem ao menos ver qual seria a melhor opção para o caso dela. A cesárea é necessária em menos de 15% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Não sou contra a cesárea, pois ela pode salvar vidas em alguns casos, mas sou contra a banalização em torno da cesárea, uma cirurgia que é escolhida como quem escolhe uma roupa em uma loja ou um prato no cardápio.

Se a mulher tem medo de ter parto normal, cabe ao médico explicar as vantagens e desvantagens de cada método. A cesárea traz muito mais desvantagens para a mãe e o bebê do que o parto normal. O mito de que a cesárea é um "parto indolor" está muito difundido na cultura brasileira e que o parto normal estraga o "parque de diversões" da mulher também.

Primeiro, a cesárea é uma cirurgia de médio porte e como toda cirurgia em si, já traz um risco. A maioria das mulheres tem a capacidade de parir de modo normal seus filhos e a cesárea deveria ser utilizada apenas nos casos em que não é possível o parto vaginal - que são muito poucos. As justificativas para a cesárea são muitos e a maioria esmagadora delas é totalmente sem fundamento, como é explicado no texto Mitos e Fatos de Ana Cristina Duarte, no site Parto do Princípio.

Segundo, o parto normal em si não estraga o "parque de diversões" (ou seja, a vagina) da mulher (ou melhor, do marido), mas sim a episiotomia, um procedimento que os médicos fazem por rotina e não por evidências científicas e quase sempre, é desnecessário. A episiotomia deveria ser feita em apenas 20% dos casos, mas ela ela é praticada em mais de 80% dos casos, mesmo depois que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga. Hoje, inclusive, há uma campanha para abolir a episiotomia de rotina. Há exercícios que a mulher pode fazer durante a gestação para proteger o períneo e assim evitar sofrer a episiotomia. Mesmo que haja laceração durante o parto, Uma laceração natural na maioria das vezes envolve um número muito menor de pontos, além de ser mais superficial que o corte cirúrgico da episiotomia.

Li relatos de partos de mulheres que diziam: "Eu sofri episiotomia no meu primeiro parto, mas não no segundo, só que o períneo rasgou ao sair o bebê. Aí eu fiquei pensando: Se não tivesse cortado antes, será que teria rasgado?"

Eu me lembro que na época de minha primeira gravidez, eu participava de uma lista de discussão feminina e eu pregava: "É melhor rasgar do que cortar". Minhas amigas me chamavam de louca e diziam: "É melhor cortar do que rasgar!". Será? Eu não sofri episiotomia em meu primeiro parto e tive laceração, que levou apenas 5 pontos (2 internos e 3 externos). A recuperação foi bem dolorida e eu sofria para sentar, além dos pontos, da crise de hemorróidas. Em uma semana, eu já estava bem, meu períneo cicatrizou bem e eu pude voltar à minha vida sexual em menos de 40 dias após o parto, porque já me sentia bem. Não tive problemas nem dores nas relações sexuais por causa dos pontos.

Tive uma conhecida que era muito jovem quando teve sua filha de parto normal tradicional, com direito a episiotomia. Ela me contou que a recuperação da episiotomia foi terrível, pois ela criou quelóide durante a cicatrização, o que dificultou em muito sua vida sexual, a ponto de provocar a sua separação do marido. Lembro dela me relatando o quanto ela sofreu por causa dessa quelóide, que arruinou sua vida sexual de casada e que fez com que tivesse ter medo de ter outro filho. Surpreendentemente, ela era favorável à episiotomia! Ela até questionou, depois de ler meu relato de parto, de que adiantava eu ter tido meu filho de parto natural, se tinha rasgado igual. Eu respondi a ela: "A questão não era não rasgar e sim não cortar." Se rasga naturalmente, a laceração será menor e de cicatrização mais fácil. Se sofrer um corte, o bisturi irá cortar pele, músculo e nervos ou até mesmo vasos sangüíneos, como foi no caso de minha amiga de infância.

Na época, ambas estávamos grávidas e eu conversei muito com ela sobre a questão da episiotomia, já que ela já tinha tido seu primeiro filho de parto normal tradicional com episiotomia. Eu disse a ela que a episiotomia não era necessária, ainda mais que ela não era primípara. Na hora do parto, ela foi atendida pela médica de plantão, que lhe disse que só fazia partos com episiotomia. Minha amiga concordou, mas o corte que foi feito nela atingiu um vaso sangüíneo grande e ela teve uma importante hemorragia durante o parto. Se não tivesse cortado, ela não teria tido essa desnecessária hemorragia, pois uma laceração natural dificilmente rasgaria um vaso sangüíneo.

No meu segundo parto, apesar da laceração do parto anterior, eu tive lacerações mínimas, que não precisaram de pontos e minha recuperação foi ótima e muito rápida. Acho que isso responde à pergunta daquela moça, que questionava: "Se não tivesse cortado, será que teria rasgado?". Eu não fui cortada no primeiro parto e no segundo não rasgou, apesar da laceração anterior. Eu não tive problemas em minha vida sexual pós-parto. Por isso, sou defensora do parto natural sem episiotomia e sem intervenções desnecessárias.

Fiquei pensando na frase da Iracema Sodré no texto dela acima, "onde se desencoraja a cirurgia mesmo quando a operação pouparia sofrimento" e me questionei: qual seria tal sofrimento? Ter um filho de parto normal é sofrimento? Sim, pode-se sentir pouca, muita ou nenhuma dor, pode-se usar anestesia para não sentir dor, mas tudo isso passa, quando o bebê nasce.

Na cesárea, ao contrário, não se sente dor no momento do nascimento, mas a dor pós-operatória pode ser bem grande, dependendo da mulher. Lembro de visitar uma conhecida após a cesárea do filho e ela não conseguia nem dobrar o corpo para atender o telefone, de tanta que era a dor. Eu pensei: "Eu não quero isso para mim!". Eu estava de pé poucas horas após o nascimento de meus filhos e sem dificuldades de locomoção. Não dependia dos outros para me trazerem o bebê para mamar ou para trocar as fraldas dele. Minha melhor amiga me contou que como ela sentia muita dor na cicatriz da cesárea, tomou o analgésico que o médico lhe receitou e não ouviu sua filha chorar à noite. Quem atendeu a neném foi a colega de quarto dela, pois viu que ela não acordava com o choro do bebê. Eu optei por não usar anestesia em meus partos e assim não tive os desagradáveis efeitos colaterais da mesma. Eu vejo que eu sofri por algumas horas durante o trabalho de parto, mas tudo passou, quando o bebê nasceu. Minhas amigas e conhecidas não sofreram nada durante o trabalho de parto, mas sofreram no pós-parto com hemorragias e dores fortes do pós-operatório. Entre as duas opções, ainda fico com a primeira. É mais natural.


Por que falei tudo isso? Pesquisando na web, descobri uma entrevista do Michel Odent em que ele relata que "Em Londres, por exemplo, os médicos tentam de tudo para evitar a cesárea: drogas, anestesia, fórceps. Mas, no final, são obrigados a fazer a cesariana. Precisamos evitar essas tentativas, porque são perigosas. O objetivo básico é redescobrir as necessidades da mulher em trabalho de parto para satisfazê-la. O resto é conseqüência." Esse é o chamado "Parto Frankestein", por causa de todas as intervenções desnecessárias e que trazem sofrimento à parturiente. Essa tampouco é uma boa opção para as mulheres que, assustadas com relatos de partos assim, acabam optando compreensivelmente pela cesárea.


É bem como a Iracema falou: as mulheres brasileiras em Londres estão entre a cruz e a caldeirinha. A boa notícia é que é possível fugir de ambas, basta pesquisar bastante, conversar com outras mulheres que tiveram parto normal sem intervenções e encontrar profissionais que acreditem na capacidade que a mulher tem para parir. É difícil? É, mas não é impossível.


terça-feira, 29 de abril de 2008

Você sabe como identificar um Porto-Alegrense?

1. Divide o domingo entre antes e depois da passadinha no Brique ou no Parcão.

2. A partir de julho, pára de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios da Feira do Livro.

3. Odeia o muro da Mauá.

4. Fala mal das praias gaúchas, mas nunca recusa convite para passar o fim de semana em Imbé ou Atlântida.

5. Desfila, em qualquer rua de qualquer cidade, com cuia e garrafa térmica como se fosse coisa trinormal.

6. Ama ou odeia o PT. Não tem meio termo.

7. Acredita que a última batalha não será entre o bem e o mal ou entre a luz e as trevas, mas entre gremistas e colorados.

8. Em uma tarde consegue mostrar todos os pontos turísticos da cidade aos amigos que vêm de fora.

9. Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas parte para a briga com qualquer estrangeiro que ouse dizer uma barbaridade dessas.

10. Acredita piamente que existe uma comprovação científica para o fato de o pôr-do-sol no Guaíba ser o mais bonito no planeta. Talvez pelo fato do paralelo trinta passar na Rua da República.

11. Chama o carinha ali de “bagaceiro”, come “negrinho” e “branquinho” e ainda compra “cacetinho”!

12. Diminui metade das palavras e nem se dá mais conta disso: Findi, Churras, Super...

13. Ama Porto Alegre!


O Porto-alegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente (que não é o hemisfério, e sim um bar em Porto Alegre). Para começar, só existe uma interjeição: “báh!” - que é usada em mais ou menos 462 situações diferentes. Prá complicar, “báh!” tem, também, 497 entonações diferentes: pode ir de um simples “beh!”, até um complicado, “pãh!” dependendo do que se quer dizer.

Tem também as gírias. Porto Alegre é equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas chegam até a serem exportadas: “viajar na maionese” e “pirar na batatinha”, que agora estão na moda no Rio (?), são faladas há anos, ou em Porto Alegrês, “há horas”. Outras expressões cruzaram a fronteira, mas nunca chegaram a serem compreendidas. “Deu prá ti”, por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil inteiro. Talvez porque pensaram que “deu prá ti” fosse uma sacanagem quando na verdade só queria dizer “chega!”.

Também tem o “trilegal”, mas há horas ninguém fala trilegal em Porto Alegre. Se fala “tribom”, “triquente”, “triafim”, “trigente”, “triafu”(muito usado), “tri” o que tu quiseres.

Mas nada é mais porto alegrense quanto falar: “Tu vai ir?”. Repita agora, com sotaque: “Bah, mas tu vai ir? Bah, mas se tu for, eu também vou ir”. E deu prá ti “viu, guri”?

Não há nada melhor do que poder dizer: “Bah, eu sou de Porto”... com sotaque mais cantado possível... e a cara mais orgulhosa do mundo! :-)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sem Medo de Ser Infeliz

Fonte: Revista Saúde é Vital - André Santoro

Hoje em dia, a tristeza nem sempre é encarada como algo que faz parte da vida nem mesmo por boa parte dos médicos. E os critérios de diagnóstico que distinguem esse sentimento da depressão ainda não são claros. Resultado: muita gente anda se enchendo de antidepressivos sem necessidade.

Os economistas David Blanchflower, do Darthmouth College , nos Estados Unidos, e Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, publicaram recentemente um estudo que traz uma revelação sobre os nossos altos e baixos: segundo os pesquisadores, a probabilidade de termos episódios de tristeza profunda é muito maior na meia-idade, lá pelos 40 anos, do que na juventude ou na velhice. O artigo iluminou ainda mais um assunto que é alvo de muita discussão nos tempos atuais: a incidência de depressão e as formas de combatê-la.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença atinge cerca de 121 milhões de pessoas no planeta. Desse total, apenas 25% recebem tratamento adequado. A dificuldade é justamente diagnosticar um problema que é subjetivo e envolve emoções complexas. “Apesar das tentativas de padronização dos métodos que identificam esse mal, os critérios para isso ainda não são precisos”, justifica o psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília.

De forma geral, a depressão se distancia da tristeza quando os sintomas — falta de interesse pelas atividades cotidianas e insônia, entre vários outros — duram mais do que o esperado ou são desproporcionais ao episódio que despertou esse sentimento em determinado momento da vida. Nesses casos, e quando o médico afasta totalmente a possibilidade de se tratar de “tristeza reativa” — nome que os especialistas dão à dor que resulta de uma perda ou uma decepção —, os psiquiatras defendem a medicação. “Até mesmo os casos mais leves de depressão clínica devem ser tratados com antidepressivos para evitar que se transformem em problemas mais sérios lá na frente”, afirma Boechat.

“O crescimento do tratamento da depressão tem benefícios como a redução de suicídios e o aumento da produtividade”, alerta, em artigo recém-publicado no British Medical Journal, o psiquiatra Ian Hickie, da Universidade de Sydney, na Austrália. No entanto, há quem afirme que o número cada vez maior de diagnósticos de depressão denote a falta de critério dos médicos ao avaliar os pacientes. “Por falta de preparo, muitos acabam prescrevendo remédios para amenizar episódios simples de tristeza”, admite Boechat.


Médicos, psicólogos e psicanalistas do mundo todo começam a levantar uma bandeira que pode parecer estranha: a de que a tristeza não deve ser evitada a qualquer custo, pois faz parte do nosso cotidiano e até nos ajuda a crescer. “Há um sentido existencial nesse sentimento, pois ele nos faz questionar a nossa vida e buscar caminhos alternativos”, defende o psicólogo Fabiano Murgia, de São Paulo, autor do livro Salve a Depressão (Editora Edicta). Ele acredita que os quadros depressivos geralmente são criados por emoções mal resolvidas. E o remédio, de acordo com essa visão, alivia apenas o sintoma, sem cuidar da raíz do problema em si.

Essa tese, aliás, é defendida por vários pesquisadores. O livro The Antidepressant Solution (“A solução dos antidepressivos”, sem edição em português), do psiquiatra Joseph Glenmullen, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, provocou alvoroço ao colocar os antidepressivos na berlinda. Além de defender um controle mais rígido sobre o diagnóstico dos casos de depressão, o autor traz à tona possíveis efeitos colaterais dos medicamentos. Em teoria, eles são seguros e não provocam dependência. “Mas os efeitos de longo prazo ainda não são totalmente conhecidos”, ressalva o estudioso Jerome Wakefield, da Universidade de Nova York, que escreveu The Loss of Sadness (“A perda da tristeza”, também sem edição em português).

O ideal, então, seria procurar um especialista com formação adequada para lidar com casos de depressão. E recorrer aos remédios apenas quando eles forem realmente necessários. Afinal de contas, como disse Carlos Drummond de Andrade no poema Viver Não Dói, “o sofrimento é opcional; a dor é inevitável”.

MELANCÓLICOS E CRIATIVOS

Vários artistas e intelectuais, atormentados por situações que deram origem à angústia severa, encontraram nas artes o meio para superar a dor ao longo da vida. Um exemplo é o holandês Vincent van Gogh (1853-1890). Aos 27 anos, quando decidiu se dedicar à pintura, ele acreditava que suas telas iriam livrá-lo da melancolia que o assolava. No caso dele, a arte como remédio não funcionou. Mas os resultados dessa estratégia são reconhecidos, hoje, como algumas das obras mais importantes da história da pintura. O compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) é outro gênio que, no caso, se refugiou na música. Pouco antes de morrer, já completamente surdo, ele continuava escrevendo suas partituras para aliviar uma permanente sensação de sofrimento intenso.

A ANATOMIA DA TRISTEZA

Pessoas jovens e idosas têm menos chances de desenvolver quadros de angústia e depressão do que aquelas que estão na meia-idade. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista Social Science & Medicine pelos economistas David Blanchflowere Andre Oswald. Os pesquisadores fizeram um levantamento de estatísticas sobre o bem-estar da população de vários países e descobriram que o gráfico da felicidade tem a forma da letra “U”, levando-se em conta a evolução do bem-estar nas diferentes fases da vida. No Brasil, por exemplo, a idade média para que alguém atinja o fundo do poço é 36,6 anos. “É uma idade inferior à registrada em outros países, mas o padrão de evolução do bem-estar é igual em todas as regiões do globo”, garante Oswald. A interpretação da análise é simples: crianças, jovens e idosos sentem-se melhor porque sofrem menos pressões e cobranças econômicas e sociais. Mas há quem ressalve: “Outras pesquisas indicam uma incidência maior de bem-estar na meia-idade”, diz Allan Horwitz, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, co-autor do livro The Loss of Sadness. A única certeza é de que tristeza e alegria fazem parte de todas as nossas fases e merecem ser vivenciadas.


domingo, 13 de abril de 2008

Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

Autor: Mário Quintana
Foto: Dulce Helfer

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Plágio na Blogosfera

Recebi a visita do Carlos Lima em meu blog e ele me convidou para fazer parte da campanha contra o plágio na blogosfera. Aderi à campanha e já coloquei o selo no meu blog.
Sempre detestei receber textos com autoria errada ou assumindo a autoria de um texto de outra pessoa. Sempre fiz questão de informar o autor ou a fonte do texto citado, ou mesmo informar aos desavisados que aquele texto já tinha autor ou que o autor estava errado.
A César o que é de César (autor da frase: Jesus Cristo)