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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mulheres: O Parto é Nosso!


Hoje resolvi tirar o pó de meu blog, que anda bem abandonadinho, coitado, por conta de meu novo trabalho na área de suporte, que me deixa ocupadíssima o dia inteiro e sem vontade de sentar na frente do computador à noite, exceto para assistir meus seriados americanos.


Recebi um artigo pela lista do Parto do Princípio e resolvi compartilhá-lo, apesar dele já ter sido brilhantemente comentado pela Kalu, do Mamíferas. Mas como eu tive meus dois filhos de parto natural, um no hospital e a outra em casa, quis dar minha contribuição, colocando trechos do artigo aqui no blog:


O parto é delas (por Luciana Benatti)



"Abuso de intervenções médicas, falta de informação e de segurança para decidir têm tirado de muitas mulheres o direito ao parto natural. A cesárea, indicada para situações de risco, ainda ocorre de forma indiscriminada no Brasil



Parto na água e sem anestesia? No país campeão mundial de cesarianas, pode parecer coisa de gente maluca. Na verdade, trata-se da escolha consciente de mulheres que, alheias ao apelo do parto “prático, rápido e indolor” prometido pelos defensores da cesárea com hora marcada, decidiram vivenciar o nascimento de seus filhos com a maior naturalidade possível. O que envolve também abrir mão de tecnologias e de intervenções médicas desnecessárias. Se a gestação for de baixo risco, o parto normal é mais seguro para a mãe e para o bebê.



Por ser uma cirurgia, a cesárea só é indicada quando há risco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, isso ocorre em, no máximo, 15% dos casos. No entanto, a cesariana representa 43% dos partos realizados no Brasil, considerando o setor público e o privado. No universo dos planos de saúde chega a 80%, enquanto no Sistema Único de Saúde soma 26%. Todos concordam: o procedimento, quando bem indicado, é capaz de salvar vidas. Por outro lado, se realizado sem uma indicação médica precisa, pode expor a mulher e o recém-nascido a riscos desnecessários. “Quando você agenda uma cesariana sem que a mulher tenha entrado em trabalho de parto, pode estar retirando o bebê antes da sua completa formação”, afirma Andréia Abib, gerente-técnico assistencial de produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula as atividades das operadoras de planos privados. “Uma mulher bem informada jamais iria desejar isso”, acredita Andréia. Como parte de uma campanha em favor do parto normal e da redução das cesarianas desnecessárias, a agência elaborou uma carta de esclarecimento e convidou as operadoras a enviá-la às usuárias. Em maio, o Ministério da Saúde também lançou campanha de incentivo ao parto normal, com um comercial estrelado pela atriz Fernanda Lima, que teve seus gêmeos dessa forma.


De acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz, em duas maternidades particulares do Rio de Janeiro, 92% das cesarianas foram feitas com data e hora marcadas, antes de a mulher entrar em trabalho de parto. “É um escândalo”, critica a epidemiologista Silvana Granado Nogueira da Gama, integrante da equipe.




O mesmo estudo da Fiocruz derruba um argumento muito freqüente, o de que as próprias mulheres brasileiras desejariam o parto cesáreo: 70% das gestantes não manifestaram preferência pela cesariana no início da gravidez, mas quase 90% a fizeram. “Isso indica que há um convencimento durante o pré-natal”, afirma Lena Peres, do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde.


“Cesariana é uma técnica. Parto normal, uma arte”, diz o obstetra Jorge Kuhn, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Muitos médicos se formam sem saber fazer parto normal”, afirma a doula e educadora perinatal Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama). A doula é uma acompanhante de parto treinada para oferecer suporte físico, emocional e afetivo."






Para ler o artigo completo, clique aqui.

Eu tive minha filha de parto domiciliar em outubro de 2004 e mesmo quase 5 anos depois, ainda vejo muitas mulheres tendo seus filhos de cesariana, seja ela eletiva ou não. As razões são as mais variadas: cordão enrolado, bebê muito grande, pouco líquido amniótico, falta de contração, falta de dilatação, bacia estreita, cesárea prévia, etc. É uma pena que as mulheres ainda deixem de tomar o evento do parto para si e deixem que os médicos decidam por elas!


Não somos nós que tivemos nossos filhos no aconchego de nosso lar e cercadas de pessoas dando-nos apoio e carinho as loucas e irresponsáveis e sim as mães que escolhem deliberadamente uma cesárea e que se submetem a uma cirurgia para tirar um bebê imaturo (de 38 semanas ou menos) do útero*. Essas sim são as loucas e irresponsáveis.


“Quando você agenda uma cesariana sem que a mulher tenha entrado em trabalho de parto, pode estar retirando o bebê antes da sua completa formação”, afirma Andréia Abib, gerente-técnico assistencial de produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula as atividades das operadoras de planos privados. “Uma mulher bem informada jamais iria desejar isso”, acredita Andréia.


O caminho natural é o mais óbvio: deixar a natureza seguir seu curso. Quem vai indicar que está pronto para nascer será seu bebê e é quando irá se iniciar seu trabalho de parto, que pode levar, em média, 12 horas (mas pode demorar mais, especialmente se for seu primeiro filho). O trabalho de parto é uma preparação do corpo para a expulsão do feto do útero e isso faz parte do processo de nascer. O bebê precisa fazer força para sair e encontrar a saída do útero e isso é uma metáfora para a vida: que temos, muitas vezes, fazer força para sair e encontrar nossos caminhos na vida. Tirar isso de um bebê é, no mínimo, muito egoísmo.


* Paráfrase de um trecho do post da Kalu.


Foto: Arquivo pessoal, outubro de 2004, durante meu trabalho de parto domiciliar.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Amamentação e Gripe A

Amamentação e Gripe A (H1N1 - “Gripe Suína”)



A amamentação é recomendada para proteger bebês durante surto de gripe suína pelo United States Breastfeeding Committee:

“Os bebês não amamentados estão especialmente vulneráveis a infecções e hospitalização por doença respiratória severa. Mulheres que dão bebês à luz devem ser estimuladas a iniciar cedo o aleitamento e a alimentar os filhos com frequência.


Pesquisas mostram, sem dúvida, que a amamentação é uma fonte segura e confiável de alimento, com uma infinidade de células e anticorpos que combatem totalmente as doenças, ajudando a proteger os bebês contra germes e enfermidades. Mães expostas à gripe produzem proteção específica aos filhos, transmitindo-as aos bebês através de seu leite. As formulas preparadas não oferecem essas propriedades específicas de combate a infecções. A suplementação desnecessária com fórmula deve ser eliminada, para que o bebê possa receber o máximo possível de anticorpos protetores maternos e outros fatores protetores imunológicos.


Além de manter o aleitamento materno, pais e cuidadores ajudam a proteger o bebê contra disseminação de germes, quando:

Adultos e bebês tiverem as mãos lavadas, com freqüência, com sabão e água, em especial, após os bebês colocarem as mãos na boca.

Mães e bebês forem mantidos próximos o mais possível e encorajados, bem cedo e com frequência, a terem contato pela pele.

Houver limites de partihamento de brinquedos e outros itens que tenham passado pela boca do bebê, com a lavagem completa das mãos, usando sabão e água, e dos objetos.

Chupetas (inclusive o prendedor da chupeta e a alça) e outros itens forem mantidos afastados da boca dos adultos ou de outros bebês antes de serem dados ao seu bebê .

Tiverem nariz e boca cobertos ao tossir ou espirrar. ”

United States Breastfeeding Committee (USBC) – Comitê de Aleitamento Materno dos Estados Unidos. O United States Breastfeeding Committee (USBC) é uma coalisão independente e sem fins lucrativos de 41 organizações profissionais, educacionais e governamentais influentes, Representando mais de meio milhão de profissionais preocupados e famílias atendidas, o USBC e as organizações filiadas têm a mesma missão de melhorar a saúde do país através do trabalho conjunto de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno. Mais informações sobre esse centro podem ser obtidas em www.usbreastfeeding.org.


Vejam o artigo completo aqui.
Fonte: Amigas do Peito

terça-feira, 16 de junho de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”


Por Hugo Sabatino
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Resposta do Dr. Hugo Sabatino ao polêmico artigo ARTIGO “CESARIANA: A Polêmica das Taxas”, escrito por Raphael da Câmara Medeiros Parente (Médico do Ministério da Saúde - HSE; Doutor em Ginecologia - UNIFESP; Mestre em Epidemiologia - UERJ) e publicado no Jornal do CREMERJ - ABRIL 2009 - páginas 8 e 9.

"Atualmente, há uma forte campanha governamental a favor da humanização do parto e do parto vaginal. "

RESPOSTA: Esta informação é no mínimo incompleta e tendenciosa, já que as intervenções do governo Brasileiro para redução da cesárea começaram em 1979 com o pagamento igual de honorários médicos no parto vaginal e de cesárea do INAMPS. Continuando nos anos subseqüentes até nossos dias, pelo tanto esta campanha está cumprindo 30 anos , intensificada na era do atual Governador José Serra, quando ele era ministro da Saúde.

"Este conceito de humanização, há muito distorcido, é usado para retirar substancialmente o médico do atendimento obstétrico. Para isto, são divulgadas informações erradas e levianas de que os médicos são menos “humanizados“ que outros profissionais de saúde, que são os únicos responsáveis por altas taxas de cesariana com o objetivo único de preservar sua rotina e aumentar seus ganhos e que não respeitam a autonomia e o desejo das mulheres pelo parto vaginal. Vem sendo dito, inclusive, que o médico não sabe mais realizar um parto vaginal, dando a entender que esta capacidade somente é dominada pelas parteiras, enfermeiros, obstetrizes etc."

RESPOSTA: De fato o conceito de humanização é frequentemente interpretado em forma distorcida, inclusive pelo responsável deste documento, ao qual estou respondendo. Em várias publicações de nosso grupo na Universidade de Campinas, temos identificado, em casos de baixo risco, os seguintes pilares da Humanização:
A) Respeito aos processos fisiológicos da Gestação, parto, puerpério e amamentação materna;
B) Participação multiprofissional e interdisciplinares; e
C) Respeito as costumes regionais e individuais do casal .
Sem a presença destes três pilares não pode ser considerada a atenção ao nascimento de baixo risco, como humana. O problema é complexo porém bem claro para não abrir mão destes pilares. Realizar a finalização de uma gestação de baixo risco, mediante uma cesárea, sem causa médica que a justifique, ainda que esta seja a pedido da gestante (as indicações médicas estão identificadas claramente em todos os livros da especialidade), é uma conduta médica que não respeita os processos fisiológicos do trabalho de parto, parto e nascimento, por este motivo o procedimento cirúrgico realizado de forma desnecessária, deixa de ser um procedimento natural, humano ou fisiológico. Esta situação está bem explicada em todos os livros de texto da especialidade. Aquele profissional que não respeita este principio se coloca por em cima de este processo normal natural (humano), tentando com esta atitude superar este processo fisiológico, delicado, e bastante complexo que envolve qualidade de vida de duas pessoas e de uma família, Seria como pretender modificar fenômenos naturais como a saída do sol ou de um entardecer. O que podemos sim é participar ou assistir a esses fenômenos para sua contemplação com uma boa companhia, porém o que não podemos, ainda que sejamos profissionais competentes e inteligentes de ser capaz e melhorar esse processo. Em relação a querer melhorar o fenômeno do nascimento através de uma cesárea estou colocando a foto e comentário a este respeito, do eminente e respeitado Prof. Dr. Bussâmara Neme, matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 15 de Fevereiro deste ano. Pelo tanto aqueles médicos que realizam este procedimentos seguramente são menos humanos que aqueles que respeitam o processo fisiológico do nascimento em casos normais, e esta não é uma definição leviana e sim fundamentada na fisiologia do processo. O prestigioso pesquisador Holandês Pieter Eric Treffers (1996), na Guia de Maternidade Segura da OMS, nos informa que: “A Obstetrícia deve acompanhar a fisiologia. Intervenções cirúrgicas devem prevenir ou corrigir patologias e não aperfeiçoar a fisiologia”. Por outro lado todos os livros de cirurgia colocam a operação cesáreas como sendo “cirurgia de alto risco”, devido a que o cirurgião deve invadir o peritônio, aumentando com isto os riscos durante e após a cirurgia, sendo que no caso das cesáreas este risco se estende também a próximas gestações como o demonstram os estudos de Clark (1985). Fig. 2 Estes dados demonstram claramente que desde o ponto de vista dos riscos as mulheres que são submetidas a cesáreas desnecessárias estarão sendo colocadas (sem causa) em próximas gestações a riscos que aumentam significativamente a padecer de um acretismo placentário, o que pode de fato ser muito difícil de corrigir, colocando a vida da mulher em um grupo de maior chance de morte (lamentavelmente esta informação não e transmitida as mulheres que solicitam cesáreas desnecessárias). Esta atitude de sonegar informação esta em conflito com o juramento Hipocratico que diz “Primeiro não fazer dano” (Primum non noccere).
Leia o artigo na íntegra aqui.
Fonte: Grupo de Parto Alternativo - CAISM/UNICAMP

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mulheres desafiam médicos e aguentam a dor para dar à luz em casa

Elas dispensam tecnologia e anestesia para parir no conforto do lar.

Se você tivesse duas opções: sentir dor ou não sentir dor, qual escolheria? Um grupo de mulheres não tem dúvida: não ligam de sentir dor, quando ela compensa. São mães que abriram mão dos confortos da medicina moderna e tiveram seus filhos “à moda antiga”: em casa. A prática ganha cada vez mais adeptas, mas não têm o apoio de boa parte dos médicos.

“Fiquei 45 horas em trabalho de parto e oito horas em trabalho de parto ativo, com contrações regulares de minuto em minuto”, conta a cantora Ana Ariel, de 26 anos.

Parece muito sofrimento? Pois Ana afirma que foi exatamente o contrário: um alívio. “Pude depois de duas horas já tomar meu banho, no nosso banheiro, deitar na nossa cama, na nossa casa. E comer o merecido prato especial do maridão”, conta.

Ela não é a única. “Só de pensar que minha filha poderia ficar em observação quatro horas longe de mim me dava arrepios”, afirma a professora de yoga Fabiana Higa. “Em nenhum momento me passou pela cabeça ir para o hospital. Mesmo nas piores dores”, diz Fabiana que deu à luz em sua nova casa, que não tinha sido nem montada, nem tinha energia elétrica. Por pouco, a filha não nasceu no hotel. “Luana nasceu no aconchego dos braços dos pais”, conta ela

“Pode parecer meio doida toda a história, mas foi sensata do ponto de vista da natureza. Parir é um ato fisiológico extremamente natural da mulher”, diz Fabiana. A arquiteta Fernanda Passos, de 29 anos, concorda. “O nascer de um filho já é um evento único na vida de uma mulher e participar ativamente desse processo é incrível”, afirma ela, que no começo da gravidez nem considerava a possibilidade de parir em casa. “Me faltava coragem”, admite Fernanda.

A decisão só ocorreu após uma pedra no rim. “Fiquei cinco dias internada no hospital que eu teria minha filha. Queria fugir de todos aqueles procedimentos dos hospitais, da burocracia e das regrinhas ditadas por enfermeiras”, conta a arquiteta. “Logo que saí, falei para meu marido que não queria colocar meus pés lá nunca mais, que não conseguia me ver parindo naquele lugar”, avisou Fernanda.

Foi quando ela começou a primeira parte da “batalha” que as mães que querem ter seus filhos em casa enfrentam. Round 1: o marido. “Ele já foi logo dizendo: ‘não inventa!’", conta Fernanda. “Ele dizia que queria estar cercado de tecnologia, que se sentiria mais seguro.”

A discussão só foi vencida com o tempo. Em vez de brigar, Fernanda passou a contar relatos de partos domiciliares, informava dados sobre o assunto e levou o marido para um curso de preparação para o parto. “No curso ele percebeu o quão simples é nascer, tomou conhecimento da importância da mulher se sentir segura e a vontade para parir”, conta a arquiteta. “No segundo dia do curso, ele disse: ‘se você quer mesmo ter nossa filha em casa é melhor mandar arrumar o aquecedor’”.

Pacientes x Médicos

Depois de convencer o marido, vem a segunda parte: o médico. Fernanda abriu o jogo com sua ginecologista e teve o apoio dela. Na hora do parto, a médica foi até sua casa e fez o parto. Fernanda Higa também contou com o apoio do obstetra. “O médico deixou a decisão nas nossas mãos. Claro, ele alertou, mas a palavra final foi nossa. Ele respeitou o meu desejo.”

Mas isso é raro. Ana Ariel conversou com sua médica e a profissional concordou em limitar a intervenção médica ao mínimo possível – desde que o parto fosse no hospital. A cantora apresentava risco de parto prematuro, mas mesmo assim não abriu mão de parir em casa. O parto ocorreu apenas com o marido e uma parteira.

Grávida de 22 semanas, a terapeuta ocupacional Carla Arruda, de 25 anos, nem pretende informar seu médico da decisão de ter seu filho, Henrique, em casa. “Há muito preconceito e me expôr a um médico que não acredita no parto domiciliar só me traria desgaste. Faço apenas o pré-natal com esse médico para ter referência em meu hospital caso necessite ser internada ou algo de errado aconteça na minha gestação”, conta ela.

Leia o restante do artigo aqui.

A foto é do parto domiciliar de minha filha, ocorrido em outubro de 2004. Depois que o bebê nasce, a gente esquece de toda a dor. Basta olhar para meu grande sorriso com minha filha nos braços, logo após seu nascimento. Um parto de cócoras, sem drogas, sem intervenções, totalmente natural e extremamente empoderador.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Uma história de amamentação

Autor: Charles Attwood

Meu tataravô, Dr. Curtis Burke Attwood, que praticava medicina em Newberry, Carolina do Sul no século 18, não acreditaria se soubesse que temos hoje profissionais especializados em aleitamento materno, que atuam como consultores. Eles recebem certificado específico de uma entidade (um conselho) de classe, a International Board of Lactation Consultant Examiners. Nos tempos do meu avô, praticamente todas as mulheres amamentavam seus bebês, mas hoje apenas 59,7% das mães começam a amamentação no hospital e, depois de seis meses, só 21,6% continuam fazendo isso. O objetivo da campanha Healthy People 2000, que visa melhorar a saúde da população para o próximo milênio, é ter 75% das mulheres amamentando seus bebês ao saírem do hospital e 50% seguindo esse procedimento seis meses depois. Como se vê, estamos muito aquém dessa meta.

As vantagens do aleitamento materno são enormes. Os bebês ficam menos sujeitos a doenças agudas e alergias. Os vínculos entre a mãe a criança são reforçados, muito mais que entre mães e filhos que foram alimentados com mamadeira. Então por que só 1/5 das crianças até seis meses de idade mamam no peito? Eu sempre reclamei com meus colegas que nós não dispensamos tempo suficiente para explicar a nossas pacientes esses procedimentos e outras práticas saudáveis. O que acontece, na verdade, é que não damos a elas tempo para fazerem perguntas. Atualmente, as gestantes mal passam 24 horas dentro da maternidade depois de dar à luz; portanto, não temos muita oportunidade de explicar as coisas adequadamente - e frequentemente elas também não tomam a iniciativa de perguntar. Não é à toa que pensamos estar sendo mal compreendidos.

Recentemente, tive uma paciente que embora intimidada pela nossa postura apressada e distante, tentou, com muito esforço, extrair de nós algumas informações básicas. Tentou. Gloria, esse era o nome da jovem mãe, tinha dado à luz ao seu primeiro fiho, no meu hospital. Ela chamou a enfermeira e perguntou se ainda poderia amamentar o bebê, estando resfriada. "estou com tosse e com o nariz escorrendo", disse ela, "e fico preocupada com isso". Ela ia receber alta aquele dia e queria algumas respostas. Animado pela decisão dela de amamentar, orientei a enfermeira a dizer que fosse em frente. Sugeri que a enfermeira colocasse algumas máscaras descartáveis de rosto ao lado de sua cama, para que ela as utilizasse durante as mamadas. Dessa forma, Gloria não precisaria se preocupar muito. Deveríamos ter conversado com ela pessoalmente sobre aleitamento materno, mas ela estava de saída e não havia tempo. Mais tarde, durante a minha visita, parei no seu quarto. "Olá, Gloria", saudei, ao entrar e foi quando eu vi uma coisa que nunca mais esquecerei. Ponha-se agora no meu lugar. Precisei de todo o esforço possível de concentração para não alterar a minha expressão facial. Deparei com Gloria, com uma expressão confusa no rosto, e duas máscaras faciais, uma em cada seio. Depois que a história se espalhou por todo o hospital e as risadas finalmente cessaram na sala dos médicos, refleti sobre a humilhação por que Gloria passara e a sua extrema necessidade de orientação que não tivemos tempo de lhe dar. Meu bisavô Curtis Burke Attwood não teria achado a menor graça nesse episódio.

Texto retirado do livro: Dieta Vegetariana para Pais e Filhos
Foto: Minha filha Melissa mamando em meu peito, novembro de 2004.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Falando sobre Gravidez e Sexo

História verídica retirada do Surfista Platinado:


"Reunião agendada. Todos tomam seus lugares, inclusive uma das executivas, que já entrava em estágio avançado de gravidez. Enquanto eu ligava o laptop, Jurandir, meu colega de trabalho, resolveu ser simpático.
- Já está para nascer, né?

- Estou entrando no oitavo mês. Falta pouco.

- Que maravilha. E o sexo?

- Menino, continua uma maravilha. Eu nem imaginava que seria tão bom durante a gravidez.

Como assim???

- Errrr... não, não... veja bem... eu me referi ao sexo do bebê..."


É engraçado como as pessoas não pensam que uma mulher grávida tem desejo, libido e que além de mãe, ela continua sendo MULHER! Minha libido nunca diminuiu durante minhas duas gestações, pelo contrário, só aumentou e o sexo era muito melhor! Sem contar que fazer sexo nos últimas dias da gestação ajudam a iniciar o trabalho de parto, por causa do sêmen do homem. Ele ajuda a colocar para dentro e ajuda a tirar ... risos

Antes que perguntem: Não, eu NÃO estou grávida. Eu tinha este post guardado há um tempão e hoje resolvi publicar, porque achei muito engraçado. Claro que às vezes dá saudades de ter um bebê em casa, mas quando eu lembro de tudo o que passei na gravidez, com os enjôos, vômitos e crises de hemorróidas, que eu paro de pensar no assunto na mesma hora! Eu sofri muito nas duas gestações, especialmente na segunda, a da minha filha, já que, além de todo o sofrimento físico, a crise de meu casamento piorou muito e o mesmo acabou após três meses e meio depois dela nascer.
Já os partos de meus filhos foram MARAVILHOSOS, tenho excelentes lembranças de cada um. O primeiro, mais demorado, muitas horas em trabalho de parto, mas sem sentir quase dor, só mesmo cansaço e sono e no final, a sensação de VITÓRIA por conseguir parir meu filho naturalmente. O segundo, mais rápido e doloroso, mas extremamente gratificante e tranqüilo, pois pude parir no aconchego de meu lar e tive o apoio de meu ex-marido nesse momento tão importante de minha vida.
Eu sempre digo às pessoas: "Se eu pudesse engravidar e parir logo em seguida, sem ter que passar pelos nove meses da gestação, seria ótimo! " Eu sofri muito nas duas gestações e fiquei traumatizada pelas experiências. Poderia ter dez partos, mas não dez gestações!
Por isso, hoje eu gosto de colocar em meu blog todas as informações que possam ser úteis a mulheres tentantes e gestantes sobre gravidez, parto e amamentação e poder compartilhar minha experiência.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Famosa teve parto de cócoras!


Cássia Linhares: 'Fiz um parto de cócoras como as índias'

A atriz Cássia Linhares tornou-se mãe no dia 30 de dezembro de 2008. De parto de cócoras, ela deu à luz Eduarda, que nasceu com 3,3kg e 49cm, no hospital Barra D'Or.

- Mesmo na emergência, pois nenhuma maternidade tinha vaga disponível, conseguimos fazer um lindo parto humanizado, de cócoras como as índias - conta a atriz, que se diz realizada com a maternidade. - Estou completamente apaixonada, mudada, melhorada e tudo mais 'ada' de melhor no mundo.

De tão agarrada que já está à filha, a atriz não sabe nem se vai contratar uma babá:

- E sabe que nem sei se terei por enquanto, estou com tanto ciúmes dessa menina. Ai, que amor é esse?!

(Notícia retirada daqui.)

O parto de cócoras é um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade, mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não se tem mais a compressão de importantes vasos sanguíneos que acontece com a mulher deitada de costas. (Retirado daqui)

Desde a mais remota antigüidade, as mulheres procuravam posições que facilitassem o parto. Nas gravuras antigas o mais comum é ver mulheres ajoelhadas, de cócoras, ou em banquinhos baixos de parto. De um jeito ou de outro o que se observa é que as costas estão em posição vertical. A posição das pernas é variável.

Na civilização ocidental, com a entrada da figura do obstetra no parto, as mulheres foram colocadas deitadas de costas em mesas cada vez mais específicas, com as pernas abertas, para que a região genital pudesse ser bem observada. E assim é que funciona até hoje, para a maioria dos médicos e hospitais.

Algumas vantagens do parto de cócoras:

- O parto é mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade;

- A oxigenação do bebê é melhor, pois não ocorre a compressão da veia cava pelo peso do útero;

- A necessidade de episiotomia é menor;

- A mulher se sente mais no controle da situação;

- O companheiro tem uma participação mais ativa ao prover o suporte da posição.

(Retirado daqui.)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Benefícios da amamentação prolongada

Por Kelly Bonyata



(Tradução publicada no site Amigas do Parto, original no site KellyMom - Breasfeeding & Parenting)



Amamentar crianças maiores têm benefício nutricional



Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança é muito parecido com o leite no primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança:
95% do total de vitamina C necessário
45% do total de vitamina A necessária
38% do total de proteína necessária
31% de caloria do total necessária
(UNICEF/Wellstart: Promoting Breastfeeding in Health Facilities: A short course for Administrators andPolicy Makers; WHO/CDR 93.4)
Leite materno permanece sendo um fonte importante de proteina, gordura, cálcio e vitaminas mesmo após os dois anos de vida (Jelliffe and Jelliffe,1978)
Alguns médicos podem pensar que a amamentação vai interferir em relação ao apetite da criança para outros alimentos. Contudo não existem pesquisas indicando que a criança amamentada têm maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou.
Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue para crianças com desnutrição severa (Briend et al, 1988; Rhode, 1988; Shattock and Stephens, 1975; Whitehead, 1985).
Crianças maiores que ainda amamentam adoecem menos
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).
Um estudo de Bangladesh demonstra, dramaticamente, os efeitos que essa imunidade pode ter. Nessas péssimas condições de vida, descobriu-se que crianças desmamadas entre o 18º e 36º mês de vida dobraram os riscos de morte (Briend et al, 1988). Este efeito foi atribuído especialmente aos fatores de imunidade, apesar de que, provavelmente a nutrição também foi muito importante.
Claro que, em países desenvolvidos o desmame não é uma questão de vida ou morte, mas a amamentação por mais tempo pode significar menos idas ao pediatra. Crianças entre 16 e 30 meses, que ainda são amamentadas, adoecem menos e por menos tempo que as que não são (Gulick, 1986)
Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas (Savilahti, 1987).
Crianças amamentadas são mais espertas
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas (Horwood and Fergusson, 1998). Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.
Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade. (Ferguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: "Existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação". Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amororso jeito de atender as necessidades dasa crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucões e o stress diario da infância.
Atender as necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança é a chave para ajudar a criança a alcançar sua independência. Crianças que conquistam sua independência em seu próprio ritmo são mais seguras dessa independência que as crianças dorçadas a isso prematuramente.
Amamentar crianças maiores é normal
A "American Academy of Pediatrics" recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS Policy Statement, 1997). A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais (Innocenti Declaration, 1990). A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4.2 anos. (Davidowitz, 1992)
Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas
a) A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
b) A amamentação reduz o risco de câncer de ovário (Schneider, 1987)
c) A amamentação reduz o risco de câncer de útero (Brock, 1989)
d) A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio (Petterson, 1986)
e) A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, quando o bebê é desmamado. Isso Não depende de um suplemento adicional naalimentação da mãe. (Blaauw, 1994)
f) A amamentação reduz o risco de câncer de mama (McTieman, 1986; Layde, 1989; Newcomb, 1994; Freudenheim, 1994).
g) A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Davies HA, British Med J, 1989).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mulheres redescobrem o parto natural

O Brasil é um dos recordista de cesarianas no mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza uma taxa ideal em torno de 15% do total desse tipo de intervenção nos partos, no País, ainda de acordo com o órgão, alguns serviços privados de saúde atingem cifras de mais de 90%. Até na rede pública brasileira as cesarianas ficam entre 30 e 40%. Contudo, algumas mulheres invertem a tendência e estão preferindo o parto natural. Em Curitiba, um dos maiores defensores desse método foi o médico obstetra Moysés Paciornik, que morreu em 26/12/2008, após sofrer uma parada ardíaca ao ser submetido a uma cirurgia.


Além de defender que os bebês nasçam por intervenção cirúrgica apenas quando houverem riscos para a vida da mãe ou da própria criança, ele foi um grande divulgador dos benefícios do parto de cócoras. Nele, como o próprio nome diz, as mulheres têm seus filhos acocoradas - como fazem as integrantes de tribos indígenas - e não deitadas.“O parto normal deitado nasceu na Europa, mas não é o mais indicado à saúde da mulher, pois pode causar problemas no canal vaginal. As mulheres que passam por ele, quando estão perto da menopausa, geralmente apresentam problemas de útero e bexiga. Em contrapartida, isto não acontece com as índias, que geralmente têm dezenas de filhos sem passar por cesariana e permanecem com a saúde perfeita”, afirmou o médico durante entrevista concedida a O Estado na semana anterior ao Natal. Segundo Moysés, quando a gestante deita para ter o filho, seu canal vaginal se estreita em torno de 28%, o que dificulta a passagem do bebê e o obriga a forçar caminho para nascer.

Já no parto de cócoras, o períneo (região que, para as mulheres, começa na parte de baixo da vulva e vai até o ânus) vai para trás e a bexiga sobe, o que faz com que o canal de parto se alargue e o nascimento seja facilitado.

“O parto de cócoras é menos dolorido e muito mais rápido, pois a mãe empurra a criança de maneira mais fácil. Quando comecei a divulgá-lo por aqui (no Paraná), há cerca de 30 anos, ele foi muito criticado. Porém, atualmente, está sendo cada vez mais aceito e tido seus benefícios reconhecidos”, declarou. “O parto de cócoras é muito gratificante para a mulher, pois é ela quem o realiza e não o médico. Além disso, ela vê o filho nascer, o que não acontece no parto deitado.” Em Curitiba, no hospital público Victor Ferreira do Amaral e no particular Santa Cruz, já existem mesas de parto especiais que permitem que a mulher fique em variadas posições e não apenas deitada.
Vivência
A missionária Cynthia Palumbo, de 46 anos, vivenciou tanto a experiência de ter um filho por cesariana quanto por parto normal de cócoras. Há 26 anos, devido a algumas complicações gestacionais, ela teve seu primeiro filho por procedimento cirúrgico.
Na segunda gestação, ficou decepcionada ao ouvir de um médico que, por ter tido o primeiro bebê por cesariana, não conseguiria ter o segundo de forma natural. Foi então que ela procurou Paciornik e conseguiu fazer o parto de cócoras. Posteriormente, teve outros cinco filhos por este método, sendo o último há dez anos.

“O primeiro parto de cócoras foi um pouco difícil, mas mesmo assim bem mais tranquilo do que a cesárea. A partir do segundo, foi ficando cada vez mais rápido e fácil. Além disso, a recuperação é muito mais rápida. Nos dias seguintes à cesariana, eu mal conseguia levantar em função da dor que sentia e era mais difícil fazer as coisas, inclusive cuidar do bebê.”
Artigo publicado no Paraná Online em 01/01/2009.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Memórias de um Ex-cesarista



Recebi este excelente texto de autoria da Dydy, cuja parte inicial eu transcrevo aqui. Vale a pena ler!


Memórias de um Ex-cesarista


Antes eu era um obstetra normal. Era chamado para as festas corporativas de final de ano, dormia a noite inteira e raramente recebia ligações de gestantes nos feriados. E se acontecesse, eu ligava para um colega de plantão e ele operava pra mim.Tinha uma vida social e ia a todos os compromissos pré-agendados, inclusive minhas cesáreas. Tudo pontualmente.


Foi quando conheci a Clara, uma enfermeira recém formada em obstetrícia, contratada para humanizar o parto numa das maternidades em que eu operava. Essas “pressões do governo para reduzir cesárea, sabe como é. Pensei que fosse só pra constar. Afinal, eu já tinha uma postura muito humanizada, oras. Entre a extração do bebê e a seção de tubos nasais da pediatra, eu mostrava a criança rapidamente para a mãe, que ficava emocionada. Mas a pediatra precisava fazer o trabalho dela e isso era o prioritário naquele momento. A mãe teria o resto da vida para curtir. Uma noite sem ele, não mudaria nada.


Enfim, esta Enfermeira começou a conversar com as gestantes que chegavam antes de eu chegar, até que um dia, as peguei numa posição constrangedora: ela e a “mãezinha” de cócoras! Até então só tinha visto tamanha acrobacia em filmes eróticos muitos selecionados. Peguei a doente e operei antes que acontecesse algo pior.


Um dia quando fui ao hospital após a ligação de uma paciente “pós-termo” (40 semanas) e, enquanto me paramentava, escutei um gemido suave e um choro de bebê. Corremos para salvá-los, mas já era tarde. O feto nasceu de um parto completamente “contaminado”. E por sorte, ficaram bem, e tiveram alta após uma semana de nosso ritual de descontaminação. Fizemos o que pudemos: antibióticos, desinfecção. Nunca cheirei tanto éter na vida....


Por pouco não cai no chão. Nas mãos de uma enfermeira que dizia “Acostume-se, ‘doutor’, no futuro os partos serão assim...” O que ela sabia sobre futuro com estas práticas retrogradas? Foi muito traumatizante pra mim, mas pelo menos, ambos sobreviveram.


Para ler o final da história, clique aqui. :-)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar do filho de Márcio Garcia causa polêmica

"Uma reportagem do jornal O Dia de hoje fala sobre a polêmica que causou o parto do filho do ator Márcio Garcia e de Andréa Santa Rosa, realizado em casa. "

Eu vi o post acima sobre a polêmica do parto domiciliar do Márcio Garcia e Andréa Santa Rosa no blog Nave Mãe e resolvi colocar a reportagem aqui:

Parto em casa: uma técnica polêmica

Obstetra afirma que conforto do lar não compensaria falta de segurança

Dar à luz de forma natural, sem injeções e anestesia, dentro da própria casa? Ou optar por ter o bebê num hospital e contar com profissionais e equipamentos preparados para qualquer imprevisto?

O nascimento do pequeno Felipe, filho de Andrea Santa Rosa e do ator Márcio Garcia, em casa, alimentou a polêmica em torno dos partos caseiros. A criança veio ao mundo pelas mãos da enfermeira Heloísa Lessa, 48 anos, parteira há 20. Com 202 nascimentos no ‘currículo’, ela crê que a mulher precisa “colocar o bebê” por conta própria, sem interferências externas, na posição em que mais se sentir confortável e num ambiente acolhedor. Tudo isso para que os hormônios citocina e endorfina — necessários ao parto — sejam produzidos naturalmente.

Leia a reportagem completa aqui.

Ainda sobre este assunto, coloco aqui a entrevista que a revista Caras fez com a parteira Heloísa Lessa, sobre o parto domiciliar da Andréa Santa Rosa:

Mulher de Márcio Garcia dá à luz em casa... sem anestesia. Andréa Santa Rosa já está bem após ter dado à luz Felipe, na manhã de ontem, na residência do casal, no Rio de Janeiro.

De acordo com a enfermeira obstetra Heloisa Lessa, responsável pelo nascimento do terceiro filho do ator, o parto domiciliar, sem anestesia, é doloroso, mas proporciona um prazer enorme à mãe e ao bebê e, inclusive, diminui a ocorrência de depressão pós-parto. "Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites, é uma viagem", declarou a parteira em entrevista exclusiva ao Portal Caras.

Ela já realizou mais de 200 partos fisiológicos ou naturais, ou seja, sem o uso de anestesias ou fórceps. Há quase duas décadas atuando nas casas das gestantes, Heloisa conclui que o método está virando uma tendência. "Até o ano 2000, fazia três partos por ano. Agora, são 35 a cada 12 meses em média".

Por Patrícia Moraes

-Foi a primeira vez que Andréa deu à luz em casa?
-Sim. A primeira vez, no nascimento de Pedro, foi cesariana. Na segunda, quando Nina nasceu, ela fez um parto normal no hospital e com anestesia. A Andréa é do tipo de mulher que não gosta de tomar remédios. Então, optou pelo parto fisiológico, em casa.

-E como a mulher se prepara para esse tipo de parto?
-Ela tem que se convencer de que é capaz de dar à luz sem anestesia, como deve ser. Mais de 85% das mulheres são capazes, as outras têm mesmo que procurar o hospital. Não há ritual, nem preparação. Há um pré-natal bem feito, para se ter informações sobre a saúde de mãe e filho. Se não corresse tudo bem com a Andréa, por exemplo, nós iríamos para um hospital. Tenho uma equipe de plantão para qualquer emergência.

-Como é o nascimento?
-No caso do Felipe, a Andréa começou a sentir contrações às 21h e ele só nasceu às 6h30. No intervalo entre as contrações, a mulher descansa. Quando vem aquele pico de dor, eu faço massagem, seguro a mão e converso com a parturiente. Tudo para acalmá-la e não prejudicar o momento.

-O que acontece com o corpo da mulher ao ser adotado esse tipo de procedimento?
-Há muita liberação de hormônio. Ao contrário do parto no hospital, que estressa a mulher por causa da preparação, dos médicos e do ambiente, o parto em casa é perfeito para a mulher relaxar e curtir o momento. O organismo libera oxitocina, responsável pelas contrações, e endorfina, que, como a cocaína, proporciona um prazer enorme. É uma verdadeira viagem. Tem que passar por isso para entender.

-E a dor?
-É grande. Não vou dizer que a mulher não sente nada. Há dor, mas, ao final, a mulher tem a sensação que extrapolou os seus limites. Toda mulher, na hora, fala: 'Eu não agüento mais'. A Andréa chegou a dizer que queria desistir. Aí, eu liguei para o hospital e disse que estávamos indo. Quando desliguei o telefone ela disse: 'Já cheguei até aqui. Vamos continuar'. E o bebê nasceu. Como era de madrugada, o Márcio estava dormindo e acordou quando a cabecinha do bebê já estava aparecendo. Foi uma experiência incrível para pai, mãe e bebê.

-Como é após o nascimento?
-O bebê nasce e logo vai mamar no peito. Isso aproxima a criança e mulher. Por isso, não há depressão pós-parto depois desse procedimento. A satisfação da mulher é enorme. Peço que a mãe fique em casa, em repouso, por uma semana, acompanhando cada novidade do filho. Depois, tudo volta ao normal.

-A senhora tem filhos?
-Tenho três. Minha história é muito parecida com a da Andréa. Na primeira gravidez, não estava muito ambientada com a idéia do parto natural, meu bebê estava sentando, então, fiz cesárea. Mas, já no segundo, quis fazer parto normal. Foi de cócoras, com as luzes apagadas. No terceiro, foi em casa. Minha neta, Julia, de 2 anos, também nasceu assim. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Foi lindo.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar de Famoso!





Bebê veio ao mundo nesta quarta-feira, 10, de parto natural.

Um ambiente tranqüilo, familiar e sem a intervenção de medicamentos. Foi assim que Felipe, terceiro filho do ator Márcio Garcia e de sua mulher, a nutricionista Andréa Santa Rosa, veio ao mundo na manhã desta quarta-feira, 10, na casa do casal, no Joá, na Zona Sul do Rio. Pesando 3.950kg, o bebê nasceu às 6h da manhã, na cama do casal, e sem o uso de anestesia no parto. O nascimento foi assistido pela parteira Heloísa Lessa e pelo paizão Márcio, que fez questão de acompanhar tudo de perto.

“A Andréa estava bastante tranqüila, porque já sabia bastante coisa sobre o parto natural. Tanto é que ontem (09) ela estava no dentista quando começou a sentir algumas dores, mas continuou o tratamento e foi para casa numa boa”, contou a mãe do ator Eliana Garcia, que fez questão de ir paparicar o neto logo cedo.
Para continuar lendo a matéria, clique aqui.
Assim como a Fernanda Lima, que teve seus filhos gêmeos de parto normal, a mulher de Márcio Garcia optou por um parto domiciliar assistido por parteira. Só tenho que elogiar aos dois, por terem feito uma escolha tão bela, consciente e empoderadora e ainda tornar isso público.

Quem sabe assim mais mulheres desfaçam o mito do parto domiciliar e vejam que afinal de contas, não é um bicho de sete cabeças, é mais uma opção - senão a melhor - de parir um filho.
Não é necessário um hospital, nem procedimentos médicos, nem anestesia e nem tecnologia para parir. Tudo o que se necessita é de apoio, carinho e um profissional qualificado para atender o parto - e este não precisa ser, necessariamente, um médico.
Parabéns, Andréa Santa Rosa e Márcio Garcia, é de celebridades como vocês que o Brasil precisa!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cansei!


Eu não costumo ser contundente em minhas opiniões sobre a cesárea em meu blog, mas tem horas que simplesmente não dá para engolir. Já cansei da lenga-lenga de amigas e conhecidas (com raras e honrosas exceções) que me dizem: "Meu médico(a) é a favor do parto normal" ou "Estou fazendo de tudo para ser parto normal" ou "Eu quero parto normal, é claro!" e vejo cada uma delas cair em uma cesárea desnecessária - por crise de hemorróidas, por "falta" de dilatação, por "falta" de contração, por cordão enrolado no pescoço, por presença de mecônio, por rotura "prematura" da bolsa de água, por uma ou mais cesáreas prévias, etc. Pior de tudo é depois ter que ouvir o mesmo discurso de sempre: "Ah, mas minha cesárea FOI necessária."

Como diz o ditado, "o pior cego é aquele que não quer enxergar", estas mulheres estão enganando a si mesmas, inconscientemente ou não, para não ter que lidar com o fato de que não foram capazes de resistir aos argumentos de um médico dito “pró-parto-normal”, mas que, na verdade, é um cesarista disfarçado. Não é um cordão enrolado, um mecônio, uma hemorróida, uma cesárea prévia ou uma dilatação lenta que irá impedir um médico verdadeiramente a favor do parto normal de deixar a natureza correr seu curso. Ele irá monitorar com mais atenção os batimentos cardíacos do feto e da mãe, irá conferir o estado de ambos e só então, irá indicar a cesárea, se for realmente o caso.

Já ouvi tantas desculpas para as cesáreas:

“Eu cheguei ao hospital com contrações de 5 em 5 minutos, mas aí eu não tinha dilatação, por isso teve que ser cesárea.”

Hummm ... Acho que ela chegou cedo demais ao hospital e a equipe médica não quis esperar, tacou a faca nela mesmo.

“Entrei em trabalho de parto, mas quando a bolsa estourou, vimos que ele já tinha feito mecônio há mais de um dia. Esperamos uma hora para ver se eu dilatava, mas não deu. Tive de fazer cesárea de emergência.”

Como assim, Bial? Cesárea de emergência? Que emergência? Presença de mecônio sem batimentos cardíacos fetais alterados NÃO é indicativo de cesárea!
Esperar somente UMA hora para ver se dilatava? O parto de primeiro filho pode levar de 6 a 12 horas (ou até mais tempo) e a dilatação também! São raras as mulheres que conseguem a dilatação completa em uma hora!


No início da gravidez: “Eu quero parto normal”
No meio da gravidez, em meio a uma crise de hemorróidas: “Meu médico disse que não vai dar para ser parto normal, por causa das hemorróidas.”
No final da gravidez: “Afinal, eu marquei a cesárea para o dia tal, vocês podem ir me visitar no dia seguinte.”

Essa foi uma das conhecidas que mais me decepcionou, pois na primeira dificuldade (as hemorróidas), ela desistiu rapidinho de ter um parto normal e caiu no papo do médico, mesmo depois de eu ter buscado informações de que hemorróidas não contra-indicavam, de maneira alguma, o parto normal. Ela nem esperou entrar em trabalho de parto, fez uma cesárea com hora marcada! Para quem queria parto normal, ela mudou de idéia muito rapidinho e sem questionar!
E mais tarde, quando fui visitá-la no hospital, ela mal conseguia se mexer por causa da dor do corte da cesárea. Será que valeu a pena?

“A médica marcou uma data para eu começar a sentir as dores. Se as dores não começassem até aquela data, ela faria a cesárea. Aí o dia chegou, eu não sentia dor nenhuma, então ela marcou a cesárea.”

Quer dizer que agora tem hora marcada para começar a sentir as dores do trabalho de parto? O que vem a seguir? Marcar a cesárea quando confirma a gravidez? Ah é ... há mulheres que já fazem isso ...

Finalizo com o discurso que 10 entre 10 mulheres que sofrem uma cesárea dizem, depois de não terem conseguido um parto normal pelas razões que eu listei acima:

“Minha médica é super a favor de parto normal. Ela tentou de tudo. Confio plenamente nela e a cesárea foi absolutamente necessária.”

Então tá. A médica é tão a favor do parto normal, que acabou fazendo uma cesárea desnecessária. Imagina se ela não fosse ... !!!


terça-feira, 21 de outubro de 2008

A ''epidemia'' dos partos cirúrgicos


Gilberto Dupas*


Nos últimos meses, a comunidade médica dos obstetras agitou-se em razão das medidas tomadas pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) procurando incentivar as mães a optarem pelo parto normal. Corporativismo e onipotência à parte, estamos cansados de saber que a aliança entre interesses financeiros dos hospitais, conforto dos médicos e comodismo ou receio mal esclarecido das mães têm feito dos partos cirúrgicos, com seus riscos de intervenção de grande porte, uma verdadeira epidemia no Brasil.

É interessante lembrar que a hospitalização para o parto foi fato histórico-social traumático e prepotente. Ainda antes da anestesia e das técnicas mais elementares de assepsia - quando a internação tentou ser imposta como norma, rompendo uma tradição de milênios de partos feitos em casa e assistidos por mulheres experientes - as gestantes tiveram de ser "forçadas" à internação hospitalar e reagiram duramente. A razão principal era a "percepção" de violência e perda de intimidade. Mas havia outra razão importante: a propagação das infecções produzidas pelos médicos ao manipularem as mulheres "em série" nos hospitais, sem que sequer lavassem as mãos, o que aumentava em muito o índice de mortalidade nos partos. Na verdade, ao se liberar de maneira radical das crenças metafísicas, a medicina contemporânea operou uma verdadeira má revolução ética e uma ruptura do seu compromisso de estar a serviço do doente, e não da doença. Separando o doente - subjetivado na relação consigo mesmo e com seu médico - do combate à doença, o discurso médico não é mais capaz de levar em conta na sua prática o drama imaginário, a determinação simbólica e o aspecto ético do sofrimento na relação medicina-doença. O médico não pergunta mais "como você está se sentindo", mas "passe-me seus exames". E são muitos, e muito caros, os exames. O sofrimento fica restrito à doença e a dor, à neurofisiologia.

Para essa medicina tecnocientífica, o doente não é mais que o porta-voz dos sinais da sua doença através dos seus sintomas. Um exemplo importante são os procedimentos ligados ao nascimento de uma criança. A medicina transformou-o de uma função fisiológica - para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado - num evento fundamentalmente cirúrgico-hospitalar. Como lembra Vera Iaconelli, o corpo humano passa a ser considerado incapaz e necessitado de "constantes correções de seus desvios biológicos". Todo aparato hospitalar, diretamente ligado à história da industrialização e do capitalismo, vem sendo criticado há décadas e, no entanto, encontra incríveis resistências para ser modificado. Proliferam hospitais modernos e equipamentos sofisticados, mas o "médico da família" desaparece.

No Brasil, quase 80% dos partos no serviço privado são feitos por cesariana, quando a Organização Mundial da Saúde a recomenda em apenas 10% a 15% dos casos. A redução desse índice tem encontrado enormes resistências, a principal delas é o aparato médico-hospitalar e seus interesses econômicos e de conforto. Na rede pública brasileira, esses índices caíram quando o reembolso do parto cirúrgico passou a ser reduzido em relação ao normal. Maternidade é vista como fábrica; parturiente, como máquina; e bebê, como produto. O parto, transformado em evento cirúrgico, vê na mulher meramente um recipiente a ser esvaziado. A ênfase na rapidez e no controle - que predominam nos partos - atrapalha os pais em se apoderarem de seu novo papel, levando-os a duvidar de sua capacidade futura de cuidar dos seus filhos. Vera Iaconelli lembra que o atendimento à gestante é um dos "exemplos mais notáveis da forma pela qual se lida com as questões da subjetividade, pois o espaço das elaborações do vivido mostra-se subtraído e evitado", imprimindo ao parto - início de uma nova vida - a marca registrada tecnológica contemporânea de lidar com o corpo, com a sexualidade e com a morte: banalização ou ocultamento.

Curioso notar que, quando as maternidades de hospitais de luxo querem "modernizar" seu atendimento de parto, introduzem pequenas concessões, como permitir ao bebês ficarem no quarto com a mãe ou serem colocados sobre seu colo, por alguns instantes, ainda na sala de parto. Só muito recentemente as normas hospitalares reconheceram as óbvias advertências de que crianças saram mais depressa em ambiente hospitalar quando a mãe pode ficar com elas nas internações, ou quando têm acesso a salas com jogos e pequenas diversões eventuais, como os chamados "médicos da alegria". Décadas de lutas se passaram para que os lobbies dos grandes fabricantes mundiais de leite em pó fossem parcialmente vencidos e médicos mais responsáveis voltassem a insistir no papel essencial do aleitamento materno exclusivo, para a saúde do bebê. Na realidade, são todos resquícios de um saber milenar que a medicina moderna havia rejeitado.

Enquanto isso, hospitais de periferia carentes de recursos substituem com enorme vantagem as caríssimas, invasivas e "frias" incubadoras pelos hábitos consagrados das "mães-canguru". Ou seja, arrogância e intolerância sempre embalaram as importantes e evidentes conquistas da medicina contemporânea.

Donald Woods Winnicott, famoso pediatra e psicanalista, já dizia sobre o parto que médicos são muito necessários quando algo dá errado. Mas "não são especialistas nas questões relativas à intimidade, vitais tanto para a mãe quanto para o bebê", que precisam apenas de "recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria". É o oposto do que faz, infelizmente, o aparato médico-cirúrgico contemporâneo.

*Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional (IRI-USP), presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais, O Mito do Progresso e o recém-lançado romance O Incidente

Artigo publicado no Estadão neste sábado, 18/10/2008, Dia do Médico.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Celebridades, Parto Normal e Cesárea Desnecessária

Muitas pessoas se inspiram nas celebridades, por isso o Ministério da Saúde as tem usado para promover suas campanhas de incentivo ao parto normal e da amamentação. Mas é sempre bom separar o joio do trigo, sabendo que nem todas as celebridades são um bom exemplo a ser seguido, principalmente quando elas optam por uma cesárea eletiva (e desnecessária), deixam o filho recém-nascido para trabalhar ou desmamam precocemente seus bebês.

A Renata, do blog Mamíferas, escreveu um excelente texto a respeito da experiência de amamentação das celebridades e que vale a pena ler. Ali, ela fala bandeira levantada pelas mulheres de "não ser menos mãe" e da preciosa oportunidade que essas mulheres deixam de aproveitar para crescer e se empoderar.

Eu digo mais: as mulheres que optam por uma cesárea eletiva, ou que queriam um parto normal, mas acabam sofrendo uma cesárea e se resignam, dizendo: "Não deu para ser parto normal, mas meu bebê nasceu bem e eu não sou menos mãe por causa disso", sem ao menos questionar o porquê daquela cesárea, estão enganando a si mesmas. (É importante dizer que eu não sou contra a cesárea, e sim contra a cesárea desnecessária e sua conseqüente banalização)

Em um universo de 80% de cesáreas em hospitais privados, dá para perceber que algo está errado: ou as mulheres perderam a capacidade de parir, ou a cesárea está sendo banalizada e as mulheres adotam o discurso "não sou menos mãe" para não se sentirem inferiorizadas em relação às mulheres que tiveram seus filhos de parto normal. Aceitar passivamente que "não deu para ser normal" e considerar a cesárea como um "parto indolor" tem sido prejudicial para as mulheres que vão ter seus bebês após elas.

Em minha opinião, Cada vez que uma mulher opta por uma cesárea eletiva, ela está diminuindo as chances de outra mulher ter seu filho de parto normal, pois o médico irá induzir essa outra mãe a ter seu filho de cesárea, para facilitar a vida dele. Quanto mais mulheres tiverem seus filhos de cesárea desnecessária, mais mulheres terão que lutar para ter seus filhos de parto normal e não serem bem sucedidas em muitos casos, como eu já vi acontecer. Isso é o mais triste: essas mulheres querem ter seus filhos de parto normal e não conseguem, porque os médicos não estão mais preparados para atender um parto e sim fazer uma cesárea, que deveria ser feita em somente 15% dos casos.

Por isso, é louvável quando celebridades como a Fernanda Lima têm seus bebês de parto normal, para mostrar às mulheres que é possível sim, parir o filho naturalmente, sem precisar recorrer à cesárea desnecessariamente.

Mais louvável ainda é quando mulheres comuns se unem para dar orientação e apoio umas às outras, como os sites Amigas do Parto e Parto do Princípio e a ONG Amigas do Parto. Com essas iniciativas, as mulheres brasileiras têm acesso a informações e têm a oportunidade de vivenciar um parto normal e empoderador, além de conseguir amamentar seus filhos.
Aproveitem e leiam esta reportagem da revista Galileu: Parto sem Cortes, que mostra a história de mulheres que optaram ter seus bebês de parto natural, sem a aplicação de anestesia e até mesmo longe de médicos e hospitais.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A violência dos desenhos animados

Como mãe, eu me preocupo com a violência dos desenhos animados, sejam eles antigos ou atuais. Ontem, ao visitar o blog By Oscar Luiz, me deparei com esses desenhos sangrentos e confesso que fiquei assustada no início, mas depois percebi que eles, infelizmente, refletem a violência dos desenhos que nossos filhos assistem.

Hoje de manhã, encontrei esta matéria no BBCBrasil.com e entendi melhor aqueles desenhos.
Mostra revela morte sangrenta de personagens de desenhos animados
A exposição Splatter, que será aberta em Londres na sexta-feira, dá asas à imaginação de quem já pensou no que aconteceria de verdade quando os personagens de desenhos animados cometem atos de violência uns contra os outros.

Na mostra, que apresenta esculturas e ilustrações, Tom mata Jerry, o Coiote alcança e acaba com o Papa-léguas e Frajola finalmente almoça o Piu-piu.
"É incrivelmente sanguinário. As conseqüências reais da violência nos desenhos animados são reveladas. Eles massacram uns aos outros", disse o artista plástico britânico James Cauty.

O artista diz que a idéia para a mostra partiu de seu filho, Harry, de 15 anos de idade.

Você pode conferir os desenhos aqui. Aviso que as imagens são fortes e não são recomendáveis para crianças.
Para esta sexta-feira não ficar tão mórbida, coloco alguns selos e mimos de ganhei de amigas:
Ganhei este selo da querida Sonia Regly, do Compartilhando as Letras.
A finalidade deste selo é promover maior integração entre os blogs. Assim sendo, repasso agora essa distinção aos seguintes blogs, que fazem parte da minha lista:


Este mimo foi oferecido pelas minhas queridas amigas Semadar, do Universo Gentil, e da Sonia, do Compartilhando as Letras.

Este mimo é para aqueles editores de blog que tratam muito bem seus colegas, para os blogs que conquistam corações!
Sendo assim, repasso este mimo para os seguintes blogs: