segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Uma história de amamentação

Autor: Charles Attwood

Meu tataravô, Dr. Curtis Burke Attwood, que praticava medicina em Newberry, Carolina do Sul no século 18, não acreditaria se soubesse que temos hoje profissionais especializados em aleitamento materno, que atuam como consultores. Eles recebem certificado específico de uma entidade (um conselho) de classe, a International Board of Lactation Consultant Examiners. Nos tempos do meu avô, praticamente todas as mulheres amamentavam seus bebês, mas hoje apenas 59,7% das mães começam a amamentação no hospital e, depois de seis meses, só 21,6% continuam fazendo isso. O objetivo da campanha Healthy People 2000, que visa melhorar a saúde da população para o próximo milênio, é ter 75% das mulheres amamentando seus bebês ao saírem do hospital e 50% seguindo esse procedimento seis meses depois. Como se vê, estamos muito aquém dessa meta.

As vantagens do aleitamento materno são enormes. Os bebês ficam menos sujeitos a doenças agudas e alergias. Os vínculos entre a mãe a criança são reforçados, muito mais que entre mães e filhos que foram alimentados com mamadeira. Então por que só 1/5 das crianças até seis meses de idade mamam no peito? Eu sempre reclamei com meus colegas que nós não dispensamos tempo suficiente para explicar a nossas pacientes esses procedimentos e outras práticas saudáveis. O que acontece, na verdade, é que não damos a elas tempo para fazerem perguntas. Atualmente, as gestantes mal passam 24 horas dentro da maternidade depois de dar à luz; portanto, não temos muita oportunidade de explicar as coisas adequadamente - e frequentemente elas também não tomam a iniciativa de perguntar. Não é à toa que pensamos estar sendo mal compreendidos.

Recentemente, tive uma paciente que embora intimidada pela nossa postura apressada e distante, tentou, com muito esforço, extrair de nós algumas informações básicas. Tentou. Gloria, esse era o nome da jovem mãe, tinha dado à luz ao seu primeiro fiho, no meu hospital. Ela chamou a enfermeira e perguntou se ainda poderia amamentar o bebê, estando resfriada. "estou com tosse e com o nariz escorrendo", disse ela, "e fico preocupada com isso". Ela ia receber alta aquele dia e queria algumas respostas. Animado pela decisão dela de amamentar, orientei a enfermeira a dizer que fosse em frente. Sugeri que a enfermeira colocasse algumas máscaras descartáveis de rosto ao lado de sua cama, para que ela as utilizasse durante as mamadas. Dessa forma, Gloria não precisaria se preocupar muito. Deveríamos ter conversado com ela pessoalmente sobre aleitamento materno, mas ela estava de saída e não havia tempo. Mais tarde, durante a minha visita, parei no seu quarto. "Olá, Gloria", saudei, ao entrar e foi quando eu vi uma coisa que nunca mais esquecerei. Ponha-se agora no meu lugar. Precisei de todo o esforço possível de concentração para não alterar a minha expressão facial. Deparei com Gloria, com uma expressão confusa no rosto, e duas máscaras faciais, uma em cada seio. Depois que a história se espalhou por todo o hospital e as risadas finalmente cessaram na sala dos médicos, refleti sobre a humilhação por que Gloria passara e a sua extrema necessidade de orientação que não tivemos tempo de lhe dar. Meu bisavô Curtis Burke Attwood não teria achado a menor graça nesse episódio.

Texto retirado do livro: Dieta Vegetariana para Pais e Filhos
Foto: Minha filha Melissa mamando em meu peito, novembro de 2004.

5 comentários:

Andréa N. disse...

Oi Carla,

Vi essa notinha e lembrei de voce na hora:
http://www.ecorazzi.com/2009/02/09/erykah-badu-has-natural-birth-for-organic-vegan-baby/

Tipo de noticia que nos deixa (as duas) felizes, ne? Vc pelo parto normal e tal e eu pelos babies veganos, hehe. I heart Erykah Badu!

Lola disse...

Oi, linda, desculpe a falta de tempo...

Eu fico triste quando uma mãe diz que o peito vai cair, ou que dói e pára de amamentar o filho. Eu amamentei até dois anos e meio meus dois filhos e não me arrependo, o peito está no lugar certinho:) e meus filhos,fortes e saudáveis, pois tiveram resistência sobre várias doenças, pois eu já havia tido e passei imunidade através do leite.

Beijão!

Max disse...

Oi Carla,

Coitada da Glória!

Mais mulheres não mamam (excluindo aquelas que não produzem leite) devido à promoção da futilidade e vaidade na nossa sociedade.

As mulheres ficam numa de que se derem de mamar os seios cairão...que absurdo! A minha mãe deu de mamar a duas crianças e os seus seios continuaram (e continuam) em pé!
Em África, as mulheres do mato dão de mamar aos seus filhos, não usam soutien e mantêm os seus seios em pé!
Por isso, dar de mamar não causa descaimento do seio (não necessáriamente).

Adorei este artigo! E fiquei mesmo com pena da Glória...tadinha!

Beijos

FashionMama disse...

Ola!!

Vim te convidar a conhecer o novo espaco meu e do Lucca!!

Link a gente novamente!
www.fashionmamabybru.blogspot.com

Bjs Bru e Lucca!

Ps: Prometo que nao troco mais de blog!!rs

luzdeluma disse...

Infelizmente a falta de informação é o maior impedimento para a amamentação e para tantas outras questões envolvendo família.
Li uma vez uma reportagem dizendo dos adolescentes, a diferença comportamental entre os que foram amamentados pelas mães e os que não foram. Bem interessante! Eu amamentei meu filho exclusivamente até os 8 meses e só parei quando ele tinha 3. Assim mesmo foi por recomendação do meu ginecologista. Acho que pelo pediatra, ele mamava até hoje! (rs*) Boa semana! Beijus