A semana passada foi muito interessante, pois encontrei vários amigos de infância no orkut: a Ana, a Iara, o Ângelo e o Marcos. Fazia 25 anos que eu havia perdido o contato com a Iara e fiquei muito feliz de reencontrá-la. Já retomamos o contato e estamos trocando e-mails. Acho que fazia o mesmo tempo que eu não tinha notícias do Ângelo, apesar de nossos pais terem sido muito próximos, quando éramos pequenos. A Ana não está de fato no orkut, mas eu encontrei o filho dela lá, o adicionei no meu msn e no sábado à noite, pude ter um longo papo com ela. O Marcos, meu querido amigo e namorado da adolescência, me telefonou na sexta, me contando que está lançando um livro de poesias e depois me escreveu: "Algumas poesias tu reconhecerás, pois foram feitas pra ti." Ainda lembro das belas e tocantes poesias que ele escrevia e das que ele dedicou para mim, quando fomos namorados. Ainda faltam encontrar alguns amigos que não estão na internet, como o Ivo e o Zeca. Só consegui encontrar a irmã do Zeca no orkut e descobri que ela é vegetariana, como eu.
Apesar de ter me mudado muitas vezes quando criança, pois meu pai estava constantemente mudando de emprego e carregando a família para um lado e para outro, consegui manter alguns amigos de infância de Charqueadas, onde moramos por 8 anos (divididos em dois períodos de 4 anos, com um intervalo de um ano, no qual moramos em Minas Gerais).
Fiz o jardim de infância com o Ivo e o Ângelo e também as séries iniciais. A partir da 4ª série, fui colega também da Ana, do Marcos, da Iara e do Zeca.
O Zeca foi meu primeiro namorado, aos 12 anos. Foi um amor puro e inocente, diferente dos namoros dos jovens de hoje em dia. O máximo que fazíamos era pegar na mão. Beijo na boca? Que nada. Só dançávamos de rosto colado durante as músicas lentas (que época boa era aquela!).
A Ana e a Iara eram minhas vizinhas, além de serem minhas colegas de escola e companheiras de brincadeiras. Brincamos muito de Susi, de subir nas árvores e andamos de bicicleta. Morávamos na Vila Residencial da Aços Finos Piratini, onde tínhamos plena liberdade para brincar na rua, sem trânsito ou perigo. Íamos juntas às reuniões dançantes e disputávamos as atenções dos meninos: o Ivo, o Marcos e o Zeca. Eu lembro de ter chorado em uma reunião dançante da festa junina, porque o Zeca dançou com a Iara e não comigo. Lembro também do Marcos me convidando para dançar e deixando o Zeca louco de ciúmes. Lembro da Ana também chorar de ciúmes, quando o Marcos me convidava para dançar e não a ela.
O Ivo era meu amigo e disputava o status de ser o melhor da turma comigo. Lembro dele tirar uma nota baixa em uma prova e de eu procurá-lo para dar-lhe apoio, pois sabia que ele estava chateado com isso, uma vez que ele era muito exigente consigo mesmo. Ele era o menino mais bonito da turma e o mais cobiçado pelas meninas, mas para mim, ele era apenas um grande amigo.
O Ângelo foi meu colega, mas ele repetiu de ano na 6ª série e se tornou colega de meu irmão, tornando-se mais amigo dele do que de mim, pois tinham maiores afinidades. Eu só o via com freqüência, porque meus pais eram muito amigos dos pais dele.
Quando eu estava com 13 anos, meu pai saiu da Aços Finos Piratini e tivemos que ir embora de Charqueadas. Eu sofri muito, pois estava no início da adolescência e tive que deixar todos meus amigos e nem pude cursar a 8ª série com eles. Como tínhamos a casa lá e um apartamento em Porto Alegre, passamos o verão parte lá e parte em POA, até que nos mudamos definitivamente para Porto Alegre, quando meu pai vendeu a casa. Chorei muito naquele dia, pois sabia que não veria mais meus amigos diariamente e teria que entrar em uma nova escola e fazer novos amigos. Foram tempos difíceis para mim, pois era a novata na escola e as turmas já estavam formadas, de maneira que tive dificuldades em me entrosar. Meus pais também estavam com dificuldades financeiras e tive que encarar uma nova realidade, a de um nível social mais baixo do que estava acostumada.
Apesar de tudo, nunca perdi o contato com a Ana, pois éramos muito amigas e sempre demos um jeito de trocar correspondência (naquela época nem existia a internet ainda, no longíquo ano de 1982), nos telefonar e visitar uma à outra, nos anos que se seguiram, mesmo depois que ela foi embora de Charqueadas.
Eu encontrava a Ana, o Marcos e o Ivo na UFRGS e cheguei a namorar com o Marcos, durante o verão de 1988, quando ambos estávamos com 19 anos, mas depois disso, fiquei 15 anos sem vê-lo. Encontrei o Zeca uma vez em 1989 e nunca mais o vi. Fiquei 25 anos sem ter contato com a Iara e o Ângelo, até que finalmente os encontrei no orkut na semana passada.
São tantas histórias, tantas recordações, de meus amigos que nunca saíram de minha memória e de meu coração, pois eles foram parte importante de minha infância e início da adolescência.