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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parto Domiciliar de Famoso!





Bebê veio ao mundo nesta quarta-feira, 10, de parto natural.

Um ambiente tranqüilo, familiar e sem a intervenção de medicamentos. Foi assim que Felipe, terceiro filho do ator Márcio Garcia e de sua mulher, a nutricionista Andréa Santa Rosa, veio ao mundo na manhã desta quarta-feira, 10, na casa do casal, no Joá, na Zona Sul do Rio. Pesando 3.950kg, o bebê nasceu às 6h da manhã, na cama do casal, e sem o uso de anestesia no parto. O nascimento foi assistido pela parteira Heloísa Lessa e pelo paizão Márcio, que fez questão de acompanhar tudo de perto.

“A Andréa estava bastante tranqüila, porque já sabia bastante coisa sobre o parto natural. Tanto é que ontem (09) ela estava no dentista quando começou a sentir algumas dores, mas continuou o tratamento e foi para casa numa boa”, contou a mãe do ator Eliana Garcia, que fez questão de ir paparicar o neto logo cedo.
Para continuar lendo a matéria, clique aqui.
Assim como a Fernanda Lima, que teve seus filhos gêmeos de parto normal, a mulher de Márcio Garcia optou por um parto domiciliar assistido por parteira. Só tenho que elogiar aos dois, por terem feito uma escolha tão bela, consciente e empoderadora e ainda tornar isso público.

Quem sabe assim mais mulheres desfaçam o mito do parto domiciliar e vejam que afinal de contas, não é um bicho de sete cabeças, é mais uma opção - senão a melhor - de parir um filho.
Não é necessário um hospital, nem procedimentos médicos, nem anestesia e nem tecnologia para parir. Tudo o que se necessita é de apoio, carinho e um profissional qualificado para atender o parto - e este não precisa ser, necessariamente, um médico.
Parabéns, Andréa Santa Rosa e Márcio Garcia, é de celebridades como vocês que o Brasil precisa!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Parto domiciliar aumenta no Reino Unido


Parto domiciliar aumenta no Reino Unido, à medida que mais mulheres têm receio de infecções hospitalares e da diminuição de obstetrizes nos hospitais

Daniel Martin – 26/09/2008 – Publicado no Daily Mail, traduzido para o Português por mim .

Mais mulheres no Reino Unido estão escolhendo parir em casa, para evitar os hospitais públicos e o risco de infecções.

Os partos domiciliares constituíram 2,7% de todos os partos na Inglaterra e País de Gales em 2006, o último ano em que as estatísticas estão disponíveis.

Isso representa 18.100 mulheres parindo seus filhos em casa naquele ano, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.
Os números de partos domiciliares estão gradualmente aumentando desde 1988, cujo índice era de apenas 0,9%.
Os especialistas dizem que as mulheres optam por parir em casa porque elas serão atendidas durante todo o tempo por uma obstetriz (ou parteira), e elas podem assegurar que sua casa estará limpa.




A falta de 5.000 obstetrizes do sistema público de saúde inglês significa que, em alguns hospitais, uma obstetriz tem que atender três mulheres ao mesmo tempo.



Uma recente pesquisa feita pela Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido encontrou 23% das gestantes mal alimentadas no hospital, enquanto que 26% disseram que haviam sido deixadas preocupadas ou sozinhas. Uma em cada cinco mulheres disse ao representante da Comissão que as enfermarias ou banheiros estavam sujos.

Mary Newburn, chefe da política de investigação no National Childbirth Trust*, disse: “As mulheres também se dão conta que quando dão à luz no hospital, elas perdem o controle sobre o que acontece com elas e com seus bebês, sua família geralmente é separada delas e elas sua privacidade, liberdade e intimidade são limitadas”.

Andrew Shennan, professor de Obstetrícia do Tommy's Baby Charity** disse: “Alguns hospitais podem ser muito desoladores e o ambiente pode ser até mesmo desagradável.” Os cuidados puerperais em hospitais também recebem críticas. “Há mulheres que estão preocupadas sobre as infecções hospitalares e isso é perfeitamente compreensível.”


Ele acrescenta: “Nos anos 70 e 80, se acreditava que os partos domiciliares eram perigosos. Houve então um forte incentivo ao parto hospitalar, porque as pessoas estariam rodeadas de equipamentos de alta tecnologia. As pessoas agora estão se dando conta que para as mulheres com baixo risco de complicações, o parto domiciliar pode ser mais apropriado.”

Há uma enorme variação regional em partos domiciliares, com os índices mais altos vistos nas áreas mais ricas.

O governo inglês quer que sejam oferecidas a todas as gestantes um “amplo leque de opções para o parto” até o final de 2009. Porém há um longo caminho a ser percorrido: 43% das gestantes sequer são consultadas sobre onde querem parir, diz a Comissão de Cuidados da Saúde do Reino Unido.


Os ministros também querem que todos os hospitais tenham os índices do “padrão-ouro” de algumas instituições, onde 12% das mulheres têm parto domiciliar.

Porém Cathy Warwick, do Colégio Real de Obstetrizes, disse: “Há muitas mulheres que querem parir em casa, mas não têm essa chance, simplesmente porque não há suficientes obstetrizes por aí para transformar essa escolha em realidade. Sem investimento em serviços de obstetrizes e maternidades, essa será uma promessa vazia.”

Em 2006, 24,3% dos nascimentos foram por cesárea no Reino Unido - 0,2% a mais do que no ano anterior. Os especialistas mostram preocupação, alertando que uma cesárea aumenta as chances do bebê de sofrer desconforto respiratório e que ela também pode dificultar o vínculo da mãe com o bebê.

*Instituição pública do Reino Unido que dá suporte e informações à população sobre Gravidez, Parto e Maternidade/Paternidade.


**Instituição pública do Reino Unido que fornece informações sobre gravidez e parto aos futuros pais e mães daquele país.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Parto normal ou cesárea?

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS*
Atualmente no Brasil, muitas mulheres grávidas têm sido submetidas ao que é conhecido como "desneCesárea".

O PARTO , além de ser um ato fisiológico, é também um evento familiar, pessoal e sagrado e, em mais de 80% dos casos, não deveria ser um ato médico.

A cesárea, indicada em 10% a 15% dos casos, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde), é uma cirurgia de grande porte e maior risco. Sendo assim, somente deveria ser realizada no intuito de salvar a vida da mãe e/ou do bebê ou de evitar risco de dano à integridade da unidade mãe-bebê.

Os índices de cesárea no país e no mundo vêm crescendo, é verdade, na maioria das vezes por razões de conveniência do médico ou da mulher. Dessa forma, devemos aplaudir todas as tentativas de normalizar a situação e incentivar o parto normal, como aquela recentemente tomada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A iniciativa da Anvisa traz um conjunto de medidas como o direito da parturiente de escolher o acompanhante durante o trabalho de parto e o pós-parto imediato e a liberdade de escolha quanto à posição em que dará à luz, entre outras.

Ainda há outras medidas de incentivo ao parto normal, como o são a construção de mais casas de parto -não só para as mulheres menos favorecidas- e a criação de mais cursos formadores de boas parteiras e enfermeiras obstetras.

Quais seriam, então, as situações em que o médico tem, necessariamente, de optar pela cesárea em detrimento do parto normal? Embora em alguns casos essa decisão possa ser tomada com antecedência, ainda durante o pré-natal -como nos casos de placenta prévia centro-total-, na grande maioria das vezes ela só pode ser tomada durante o trabalho de parto, como no herpes genital ativo.

Neste ponto, é importante destacar que situações como falta de dilatação do colo uterino antes do trabalho de parto efetivo, cesárea prévia, bacia estreita, bebê grande e gestação gemelar não são razões para a realização de uma cesárea.

Caso a cesárea seja de fato necessária, aí, sim -mas somente aí-, ela estaria indicada, e não da forma que vem acontecendo atualmente no Brasil, mormente no serviço privado, em que 80% a 90% das grávidas têm sido submetidas, na imensa maioria dos casos, ao que é conhecido como uma "desneCesárea".

A mulher deve ser incentivada a exercer o protagonismo ativo no processo de dar à luz. A mãe, plenamente informada sobre a evolução de um parto ainda durante as consultas pré-natal, terá ampla participação durante o processo e condições de tomar decisões compartilhadas com o profissional de saúde.

A palavra do médico, sua experiência cotidiana e a bagagem de conhecimento científico que carrega valem muito, evidentemente. Contudo, há toda uma exaustiva literatura científica que aponta ser a parteira a melhor profissional para acompanhar um parto normal numa gestante de baixo risco.

Ao médico caberia o atendimento dos 10% a 15% dos casos em que estaria verdadeiramente justificada a operação cesariana e dos 5% dos casos em que seriam necessárias intervenções, tais como o fórcipe e a vácuo-extração. Humanização? Sim! Não humanização do parto, pois este já é um evento humano e nós, profissionais de saúde, não somos desumanos, mas humanização da assistência ao parto e nascimento, evitando procedimentos muitas vezes ineficazes, danosos e dolorosos.

Para finalizar, é precsio dizer que devemos melhorar também a formação dos médicos, pois estes comumente terminam o período de residência, após a faculdade, com uma visão muito distorcida de um evento natural, o parto.

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS , 54, é professor assistente do departamento de obstetrícia da Unifesp/ EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina), plantonista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, do SUS. Médico obstetra e ginecologista, acompanha partos há 33 anos.

*Texto publicado em Tendências/Debates do Painel do Leitor da UOL.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Parteiras Urbanas

"Elas não são netas de índio e nem todas cresceram no mato entre ervas curativas. Hoje, vivem no agito das metrópoles e poderiam ser advogadas, médicas ou empresárias. Mas resolveram desenvolver o dom de ajudar mulheres a darem à luz sem sair de casa."

Belíssima matéria sobre as parteiras urbanas que assistem partos domiciliares nas grandes cidades brasileiras, publicada na Revista TPM.

Vale a pena conferir!


Eu vivo em uma das capitais brasileiras, Porto Alegre, sou uma pessoa essencialmente urbana - adoro cinema, shopping, teatro, etc - tenho curso superior completo e pós-graduação e tive minha filha em casa, em um maravilhoso e empoderador parto domiciliar. Tive o acompanhamento de meu obstetra, sua esposa parteira-enfermeira-obstetra e a doula.

Até hoje, ao relatar meu parto, sou chamada de "louca", "corajosa" e "antiquada". Eu costumo responder: "Eu acho que é preciso ter mais coragem para se internar em um hospital e ser submetida a uma cesárea, com todos os seus riscos." Uma cesárea é uma cirurgia e toda cirurgia tem riscos. Para que arriscar a minha vida e de meu bebê, só por medo de sentir dor ou por uma suposta segurança?


Bom mesmo é parto normal. E deixar a vida acontecer naturalmente, como diz a campanha do Ministério da Saúde.