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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ficar solteira ou casar a qualquer custo?

Na semana retrasada, descobri um blog delicioso, com algo de trágico e cômico na história. O nome do blog é "Ciega a Citas" (que traduzindo para o Português, ficaria "Escuras às Encontro", o inverso de "Encontro às Escuras" ou "Cita a Ciegas", no original). Ele é escrito por uma jornalista argentina, ela tem 30 anos, é solteira e vive sozinha em Buenos Aires.

A irmã mais nova dela marcou casamento para dali a nove meses e a mãe dela apostou que ela vai ir sozinha e deprimida como sempre. Tão segura a mãe está disso, que apostou com a irmã que se ela levar um namorado de verdade, paga a festa de casamento da filha. Assim começou o blog, contando as aventuras dela encontro em encontro, procurando por um namorado de verdade para fazer a mãe pagar a festa de casamento da irmã. E assim ela tem esse desafio: 258 dias para encontrar um namorado normal. O blog está em Espanhol e tem tons e já me garantiu boas risadas e algumas lágrimas com suas desventuras. Uma boa pedida para quem estuda Espanhol (viu, Socorro?).

Eu me identifico com a autora do blog em algumas partes, já que me casei depois dos 30 e tive que ouvir muito a frase: "E aí, Carla? Cadê o namorado?" por parte de amigas de minha mãe, tias, primas, etc. Minhas duas primas casaram aos 18 anos e já eram mães aos 19 anos, por isso cobravam de minha mãe: "Tia, quando é que a Carla vai arrumar um namorado e casar? Já tá passando da hora!". Elas brincavam com meu pai: "Tio, vê se maltrata um pouco a Carla e o Fabio (meu irmão), para que eles saiam logo de casa? Os dois já estão com 30 anos e continuam morando com vocês!". Tudo bem que uma delas casou grávida ... Tudo bem que minha meia-irmã casou grávida ... Tudo bem que a namorada de meu primo casou grávida ... Tudo bem que minha outra prima casou grávida ... Mesmo assim, elas ainda faziam troça de mim: "Vê se arranja um namorado para casar e ter filhos e a tia poder ser avó logo, tadinha!". E eu casei aos 31 anos e não estava grávida. O detalhe engraçado: meu irmão saiu de casa em abril e eu em maio do mesmo ano. De uma hora para outra, minha mãe ficou sem nenhum dos dois filhos em casa, depois de mais de 30 anos.

No blog, a jornalista argentina identificada apenas pelas letras "LG" questiona: "Sou eu a loser porque prefiro ficar sozinha antes do que ficar com qualquer cara? Ou serão as demais, que saem com qualquer imbecil para não ficar sozinhas?".

Por que não respeitam a opção da mulher de estar solteira - até mesmo por falta de opção? Não existe o ditado muito sábio: "Antes só do que mal acompanhada!"? Parece que todo mundo cobra da gente a obrigação de ter um homem do lado, transformando o ditado em "Antes mal acompanhada do que só!!!!". Na minha condição atual, divorciada, com dois filhos pequenos para criar, prefiro estar só do que com qualquer cara do meu lado. Eu estou bem sozinha - claro que sinto falta de alguém do meu lado, mas prefiro passar o tempo comigo mesma do que ter um loser do meu lado.

Já fui noiva, já fui casada, já sofri por um amor platônico e também por um amor impossível. Já tive namorado lindo, gordo, atlético, poeta, deprimido, playboy, neurótico, judeu e o que está sempre em busca da futura ex-Sra. XXXX. Cada adjetivo listado foi um relacionamento real em minha vida. Alguns duraram mais tempo, outros pouco. Meu ex-noivo foi a pessoa que mais me magoou no mundo e meu ex-marido foi o que me deu meus dois filhos lindos. De todos os outros, o único que lembro com ternura é o poeta - doce, romântico, sensível e meu amigo até hoje. Do resto, perdi o contato com o tempo. Alguns, prefiro nunca mais encontrar nesta vida.

Mas, voltando ao tema do blog: já sofri muita discriminação por ser solteira e sem namorado. Lembro de alguns episódios que me marcaram bastante (e que me deram muita raiva também!):

Episódio 1:

Uma amiga da turma, muito jovem, casou grávida do namorado. Estamos conversando, ela com o barrigão enorme prestes a parir.

Ela: E aí, ainda continuas?
Eu: Continua o que?
Ela: Encalhada!!! Ahahahahahahahahahahahaha!!!
Eu: Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! (Pensando em responder: "Casar grávida é melhor do que ficar encalhada então?" Mas como sou educada, não falei nada, fiquei quieta mesmo com minha raiva)


Episódio 2:


Sabe aquela guria chata da turma, que vive se metendo nos programas, que ninguém chama ela, mas ela vem mesmo assim? Pois é ... não é que ela começou a namorar um cara super legal da turma, noivou e casou com ele? Eles foram a meu aniversário há alguns anos atrás e ela perguntou:

Ela: Que idade estás fazendo mesmo?
Eu: 27!
Ela: Com tua idade, eu já estava casada!
Eu: Grrrrrrrrrrrrrrrr! (Morrendo de vontade de pular no pescoço dela e esganá-la. Por acaso ela é melhor do que eu, só porque está casada?)


Episódio 3:

Tinha um conhecido muito chato que sempre que me via, perguntava: "E o gato?!" e eu sempre tinha que responder sem graça: "Não tenho namorado ...". Pois bem, quando comecei a namorar o R., meu ex-noivo, fui ao escritório onde o tal chatinho trabalhava para ver uma amiga e ele foi logo perguntando:

Ele: "E o gato?!"
Eu: "Vai bem, obrigada!!!!!!!!!!"
Ele: "O quêêêêêêêêêê? Tá namorandoooooooo?", respondeu, de queixo caído

Eu tinha que ter registrado o momento com uma foto, tal foi a cara de surpresa dele. O que ele pensou? Que eu nunca ia arranjar namorado? Babaca ...

Esta semana tenho pensado muito em uma amiga muito querida, que irei chamar de Lúcia (nome fictício). Ela é solteira, 30 e poucos anos, tem curso superior completo e mora sozinha há vários anos. Ela é muito especial para mim, pois ela é aquela amiga que nunca esquece de meu aniversário, que sempre liga para saber como estou, que vibrou quando eu casei, quando tive filho, etc. Ela teve um único namorado firme em toda a sua vida, por isso, fiquei surpresa quando, há poucos dias, me convidou para seu chá de panela e para seu casamento em breve. Ela havia me dito recentemente que estava namorando, mas eu não sabia que o negócio estava tão sério assim. Confesso que a primeira coisa que pensei com o convite de casamento dela foi: ela deve estar grávida, para casar tão rápido assim.

Ainda não conheci o noivo pessoalmente, que tem 51 anos, é solteiro, sem filhos e mora ... com a mãe. Ao perguntar para ela onde iriam morar, ela respondeu: "Ainda não sabemos, estamos vendo...". Como assim? A primeira coisa que a gente vê quando vai casar é onde vai morar, pois como diz o ditado: "Quem casa quer casa".

Eu: Como assim? Não sabem ainda onde vão morar?

Ela: É que ele está arrumando o telhado da casa dele ...
Eu: Mas ele mora sozinho?
Ela: Não, ele mora com a mãe dele e a cuida, pois ela tem a doença tal.
Eu: Ah ...

Que roubada! E quando eu ia puxá-la em um canto para conversar e aconselhá-la sobre o casamento tão rápido, ela me mostrou umas fotos. Eram do casamento civil!

Eu: Lúcia? Como assim? Você já casou no civil?!
Ela: É, ele quis casar logo ...
Eu: Hummmm ... - Melhor ficar quieta - pensei eu - já que o estrago já foi feito.

Moral da história: estou muito preocupada com minha amiga, que entrou de cabeça em um casamento muito rápido, não sabe ainda onde vai morar e já com uma sogra problemática. Vejo nuvens negras em seu horizonte.

E aí volta aquela pergunta: Ficar solteira ou casar a qualquer custo?



quarta-feira, 26 de março de 2008

Eu, meus filhos e meus pais

Quando eu ainda era casada, eu me ressentia muito de ter que sair para trabalhar e deixar meu filho chorando, pois meu marido não ganhava o suficiente para que eu pudesse largar meu emprego e me dedicar a ser somente mãe em tempo integral. Eu sempre saía do apartamento de meus pais com o coração apertado, onde tinha deixado meu filho, para poder ir trabalhar. Dois anos depois, sendo já nascida minha filha, eu dei graças a Deus por ter meu trabalho, pois pude sair de casa com meus filhos e desistir de um casamento insatisfatório e infeliz e de um marido insensível e egoísta que, além de tudo, era violento com nosso filho. Com o apoio de meus pais, aluguei um apartamento para morar com meus filhos e, desde então, sou a única provedora de meu lar. Quantas vezes pensei comigo mesma: "Virei o homem da casa!" Não dependi absolutamente para nada de meu ex-marido para poder reconstruir minha vida, muito pelo contrário, ele "esqueceu" que tinha filhos comigo nos primeiros meses pós-separação. Minha filha passou o primeiro ano de sua vida, sem saber que tinha um pai, já que ele sequer compareceu ao seu aniversário de um ano, apesar de ter sido convidado. Ele tampouco compareceu ao aniversário de nosso filho naquele mesmo ano, mesmo tendo sido convidado. Os pais dele, que nunca aceitaram nosso relacionamento e nosso casamento, primeiro aparentaram felicidade com nossa separação e depois também ignoraram solenemente a mim e meus filhos, depois de ter passado todo meu casamento falando da primeira ex-mulher e dos filhos do casamento anterior de meu ex-marido. Mesmo tendo eu os convidado inúmeras vezes para nos visitar e ver seus netos, dá para contar nos dedos as vezes que eles botaram os pés em meu apartamento nos últimos três anos.



Quem sempre foi meu suporte e minha "terra firme" são meus pais, incansáveis e totalmente dedicados a me ajudar no cuidado e criação de meus filhos. São eles quem levam e buscam meus filhos na escola todos os dias, enquanto trabalho. A eles, todo meu amor e agradecimento, por serem esses pais tão maravilhosos, que mesmo ambos com mais de 70 anos, me ajudam como se tivessem menos de 50. Sem eles, eu não estaria onde estou hoje e tampouco meus filhos teriam o amor de dois avós amorosos e dedicados. Minha filha, até bem pouco tempo, chamava minha mãe de "minha mãe outra" e meu pai era o único pai com quem ela conviveu. Meus filhos amam os avós de todo coração e é a eles a quem apelam, quando eu lhes digo um "não".

A meus pais, a quem devo tudo o que sou hoje.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Lembranças de anos passados

Estava lendo o post de hoje do Ivo Fontan, “Brincar por brincar” no blog O Futuro do Presente, onde ele fala no diabolô (que diabos é isso?! risos) e no bilboquê, que me fez lembrar de uma quadrinha inventada por minha amiguinha e vizinha Cibele, mineira, e que morava na Vila Aços Finos Piratini em Charqueadas, onde morei boa parte de minha infância.

- Vamos brincar?
- Brincar de quê?
- De bilboquê!
- Seu pai não zanga?
- Zangar por quê?
- Você é uma boba!
- Boba é VOCÊ!

Há uns dias atrás, cantei essa quadrinha para meus filhos e eles me perguntaram: “Mãe, o que é um bilboquê?”. Como explicar a uma criança de 5 anos e outra de 3 anos o que é um bilboquê? Terei que comprar um para que eles saibam o que é um bilboquê e possam brincar com ele.

Ontem foi um dia de recordações, pois minha colega Núbia me levou no sábado o videocassete que negociei com ela. A mãe dela queria se livrar de várias tralhas, e eu me ofereci para ficar com o videocassete, já que ainda tenho algumas recordações em fitas VHS, como minha formatura em 1994, minha viagem aos EUA em 1996 e meu casamento em 2001. Assim, ontem coloquei primeiramente a fita do casamento para meus filhos assistirem, já que eles nunca a tinham visto antes, somente as fotos.

- Mãe! Olha tu e o papai! – exclamou minha filha
- É filha, é o casamento da mamãe e do papai.
- E onde eu estava, mãe?- perguntaram os dois juntos
- Vocês ainda não existiam, só nasceram depois do casamento.
- Mãe, quando você se despediu do papai, você ficou triste? – perguntou meu filho, questionando sobre a separação minha do pai dele, em fevereiro de 2005.
- Claro que a mamãe ficou triste, meu filho, mas agora eu estou bem.
- E quando você se despedir de mim, também vai ficar triste?
- Não, meu filho, você nunca deixará de ser meu filho.
- Ainda bem, mãe, porque eu quero sempre ficar contigo.

Minha mãe e eu, no dia de meu casamento.

Ao verem a troca das alianças, meu filho perguntou:

- Mãe, que anel é aquele?
- É a aliança de casamento, meu filho.
- Onde está? Por que você não está usando?
- É que eu me separei do papai e não uso mais aliança.
- Eu quero ver!


Agora vou ter que procurar a bendita aliança, que está guardada em algum lugar, para mostrar a meu filho.

Meu pai comigo, todo orgulhoso.


Foi interessante assistir à fita de meu casamento, ocorrido em 27 de janeiro de 2001.

(Curiosamente, ontem teria sido o meu 7º aniversário de casamento, se ainda estivesse casada. Seriam bodas de quê?)

Ver os amigos que compareceram à cerimônia, meus parentes que vieram da Argentina e de alguns que já não estão mais conosco, como minha prima Martha, um tio de meu ex-marido e um amigo de meu pai, Savino, uma amizade de mais de 35 anos. Fiquei emocionada, ao ver meus primos e primas, que vieram especialmente para meu casamento, a caminho das praias de Floripa. Nunca tive tantos parentes juntos de uma só vez aqui no Brasil. Fiquei muito feliz com a presença deles em minha festa e por isso realizei meu casamento em janeiro, para que eles pudessem vir.

Meus primos e primas da Argentina, com seus filhos e filhas. Minha prima Martha é a primeira à esquerda.


Também fiquei contente comigo mesma, por ter solicitado ao rapaz da filmagem para filmar bastante os convidados, pois apesar de que o casamento não tenha durado, pelo menos tenho a lembrança das pessoas que estiveram presentes naquela data tão especial para mim.

Depois do casamento, assisti à fita de minha formatura, ocorrida em
22 de janeiro de 1994. Fatos mais antigos e eu mais jovem ainda.

- Mãe, cadê o papai?
- Não, minha filha, a mamãe ainda não conhecia o papai nessa época.
- E eu, onde estou?
- Não, filhinha, você ainda nem existia nessa época.
- Mas eu queria estar ali!
- ...

- Mãe, por que vocês estavam usando essas roupas pretas?
- Se chama toga, é uma roupa especial que a gente usa na formatura.


Ainda falta assistir às várias fitas de minha viagem aos EUA, em janeiro de 1996, onde fui para New York para estudar Inglês por 4 semanas e onde comprei minha filmadora. Depois, ainda passei 10 dias em Center Harbor, New Hampshire, na casa de um americano e sua família, para o qual servi de intérprete, quando ele esteve em Porto Alegre. Mas isso fica para outro post. ;-)