quarta-feira, 26 de março de 2008

Eu, meus filhos e meus pais

Quando eu ainda era casada, eu me ressentia muito de ter que sair para trabalhar e deixar meu filho chorando, pois meu marido não ganhava o suficiente para que eu pudesse largar meu emprego e me dedicar a ser somente mãe em tempo integral. Eu sempre saía do apartamento de meus pais com o coração apertado, onde tinha deixado meu filho, para poder ir trabalhar. Dois anos depois, sendo já nascida minha filha, eu dei graças a Deus por ter meu trabalho, pois pude sair de casa com meus filhos e desistir de um casamento insatisfatório e infeliz e de um marido insensível e egoísta que, além de tudo, era violento com nosso filho. Com o apoio de meus pais, aluguei um apartamento para morar com meus filhos e, desde então, sou a única provedora de meu lar. Quantas vezes pensei comigo mesma: "Virei o homem da casa!" Não dependi absolutamente para nada de meu ex-marido para poder reconstruir minha vida, muito pelo contrário, ele "esqueceu" que tinha filhos comigo nos primeiros meses pós-separação. Minha filha passou o primeiro ano de sua vida, sem saber que tinha um pai, já que ele sequer compareceu ao seu aniversário de um ano, apesar de ter sido convidado. Ele tampouco compareceu ao aniversário de nosso filho naquele mesmo ano, mesmo tendo sido convidado. Os pais dele, que nunca aceitaram nosso relacionamento e nosso casamento, primeiro aparentaram felicidade com nossa separação e depois também ignoraram solenemente a mim e meus filhos, depois de ter passado todo meu casamento falando da primeira ex-mulher e dos filhos do casamento anterior de meu ex-marido. Mesmo tendo eu os convidado inúmeras vezes para nos visitar e ver seus netos, dá para contar nos dedos as vezes que eles botaram os pés em meu apartamento nos últimos três anos.



Quem sempre foi meu suporte e minha "terra firme" são meus pais, incansáveis e totalmente dedicados a me ajudar no cuidado e criação de meus filhos. São eles quem levam e buscam meus filhos na escola todos os dias, enquanto trabalho. A eles, todo meu amor e agradecimento, por serem esses pais tão maravilhosos, que mesmo ambos com mais de 70 anos, me ajudam como se tivessem menos de 50. Sem eles, eu não estaria onde estou hoje e tampouco meus filhos teriam o amor de dois avós amorosos e dedicados. Minha filha, até bem pouco tempo, chamava minha mãe de "minha mãe outra" e meu pai era o único pai com quem ela conviveu. Meus filhos amam os avós de todo coração e é a eles a quem apelam, quando eu lhes digo um "não".

A meus pais, a quem devo tudo o que sou hoje.

10 comentários:

Andréa N. disse...

Linda homenagem aos seus pais!! Tambem adoro os meus, Carla, e morar longe deles nao eh facil.

Quanto a ex-maridos...well, agradeco aos ceus nunca ter tido filhos com o meu ex. That's it.

Parabens pela familia linda!

Carla Beatriz disse...

Andréa,

Eu sempre digo: "Eu me arrependo de ter casado com o homem com quem me casei, mas NÃO me arrependo em nenhum momento de ter tido meus dois filhos."

A melhor coisa do mundo é quando meu filho vem, me abraça e me beija e me diz: "Mamãe, eu te amo muito. Eu sempre vou cuidar de ti, viu?"

Isso vale qualquer sacrifício. :-)

Beijos mil

Carla Beatriz disse...

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Drika Bruzza disse...

Carla, vou comentar sobre teus pais, ou melhor, MEUS pais :)
As coisas foram bem difíceis pra mim nos últimos anos. Antes do acidente, trabalhava, estudava, tinha minha própria casa e há um bom tempo era só visita na casa dos meus pais.
Quando as coisas mudaram de repente, de uma hora pra outra, e a dependência foi muito mais necessária do que a liberdade, a minha mãe (que quando eu era criança trabalhava, e por isso fui criada por uma babá) me deu o colo e nele foi onde eu consegui reassimilar o que era importante na vida, realmente. Foi onde eu vi que na vida não existe namorado, ex-marido, ex-namorado, marido... existe SIM a FAMÍLIA, que é o único lugar que pode nos proporcionar segurança e afeto sincero. Na real, meu pai ainda não aceita a situação da deficiência, mas ainda assim sinto nele um arco de proteção e de carinho... mesmo que ele seja turrão e não demonstre. Mas EU sei sentir. Aprendi a sentir.
A mãe o filho são únicos, e repito, o único laço REALMENTE vital, o que realmente é seguro e garantido.
Claro, nem sempre, mas a gente sabe bem, eu e tu, que um marido ou pai nas circunstâncias atuais não faz A MENOR DIFERENÇA pra gente ser feliz, e pra deitar na cama de noite com as crianças gritando na volta, fazendo bagunça, rindo alto, falando de coisas bobas, mas muito importantes... aí sim, Carla, o carinho nos faz tão feliz, que a gente chega a pensar que vai acabar não aguentando...e MORRENDO DE AMOR!!! :D

Te adoro, amiga.
Beijos. :)

(Linda homenagem!)

Carla Beatriz disse...

Drika,

Minha querida e grande amiga, tu sabes que eu te admiro muito, pois a gente acaba só lembrando de tua deficiência, na hora em que pegas a muleta para caminhar.
Com certeza, tua mãe é como a minha, que sempre deu o maior apoio à filha e cria e defende os netos com garras de leoa. Apesar de nossas mães mimarem um pouco (ou muito) nossos filhos, nós sabemos que é porque lhes sobra amor e dedicação e que é pela força dela que somos o que somos e que chegamos aqui.
Quanto a nossos filhos, cabe a nós transformá-los em homens de bem.
Quanto à minha filha, vou ensinar-lhe o que é ser uma mulher forte e independente e que ela não precisa de um pai, namorado ou marido para ser feliz. ;-)

Beijos mil

Isabella disse...

Oi Carla, tb tenho tanto a agradecer aos meus pais! E olha q já dei trabalho, viu?

Vc faz bem em homenageá-los!

Quanto aos demais, esqueça! Não merecem seu tempo.

bjs

Cristiane Fetter disse...

Na vida tudo passsa a ser aprendizado não é?

Pais assim devem ser muito valorizados mesmo, pois este é um compromisso para toda a vida e depois dela.

Depois passa la no que tem um presente para você.

Beijocas

Carla Beatriz disse...

Isabella,

Sim, meus pais merecem toda e qualquer homenagem de minha parte! :-)

Beijos

Carla Beatriz disse...

Cris,

Sim, a Bíblia diz que devemos honrar pai e mãe, para que tenhamos vida longa sobre a terra. ;-)

Obrigada pelo presentinho, ainda nem consegui responder o prêmio que me deste esta semana.

Beijos mil

Cristiana Soares disse...

Fiquei emocionada.

Olha, Carla, é muito melhor ter a figura de um pai em um avô bacana do que em um pai insensível. Então, fica tranqüila porque seus filhos vão crescer muito saudavelmente em relação à figura masculina.

Fico feliz por eles. E manda um beijão para os seus pais.