Mostrando postagens com marcador responsabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador responsabilidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Semana Mundial dos Animais

A Semana Mundial dos Animais acontece de 4 a 11 de outubro, sendo que no dia 4 de outubro foi comemorado o Dia Mundial dos Animais, data internacional de celebração da vida animal.

Criado em 1931 por um grupo de ecologistas em Florença, na Itália, o Dia Mundial dos Animais inicialmente tinha como objetivo fazer as pessoas refletirem sobre o perigo da extinção das espécies. Desde então o dia passou a abranger todos os animais e a ser comemorado mundialmente, despertando nossa consciência para tratá-los com mais respeito, valorizando seu bem-estar e mantendo-os livres dos maus-tratos e da crueldade.


No dia 4 de novembro, uma audiência pública no Congresso Nacional definirá, em grande parte, o fim ou não do uso de animais em circos no Brasil. Para discutir a questão estarão presentes organizações de proteção animal, por um lado, e donos de circos com animais, por outro.
Atualmente, o PL 7291/2006 está sob análise da Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, que o votará em breve. O relator do projeto, deputado Antônio Carlos Biffi (PT-MS), já apresentou parecer favorável à proibição, na forma do substitutivo (pág 17 à 20). Entretanto, a pressão dos proprietários de circos pela manutenção da prática é grande e tem influenciado muitos políticos.
Razões para a proibição do uso de animais em circo:
  • Animais em circo sofrem uma vida inteira de maus-tratos. Estes não incluem apenas as formas desumanas de treinamento (em sua maioria com o uso de choques, chicotes ou bastões pontiagudos), mas também os espetáculos em si, onde os animais, por sofrerem agressões para um suposto aprendizado, se comportam como nunca se comportariam na natureza, apenas por um capricho do ser humano. Além disso, passam suas vidas em espaços muito pequenos e em constante transporte, circunstâncias que causam alto grau de estresse aos animais. E, para piorar a situação, muitas vezes não têm à disposição alimento de qualidade ou em quantidade suficiente.

  • Animais em circo expõem as pessoas a muitos riscos. Não é possível prever como um animal estressado irá reagir em uma determinada situação. Além disso, muitas vezes permanecem em instalações inadequadas e frágeis, expondo os funcionários do circo e a população em geral. Vários acidentes já foram documentados inúmeras vezes pela mídia, como o caso do menino de seis anos que, no ano de 2000, em Pernambuco, foi devorado por leões que não comiam há vários dias e estavam em local inseguro.

  • Animais em circo podem transmitir doenças aos seres humanos, visto que não existe vacinação eficiente para os animais selvagens.

  • Animais em circo estimulam o tráfico de animais selvagens ao redor do mundo, prática reconhecidamente cruel e criminosa.

Trajetória do Projeto de Lei


O PL 7291 foi originalmente apresentado pelo Senador Álvaro Dias, tendo sido aprovado no Senado e encaminhado à Câmara dos Deputados.
A ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e representantes do IBAMA já se manifestaram formalmente a favor da proibição da permanência e exibição de animais em circos; e Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) já aprovou o PL com substitutivo por unanimidade.
Uma vez aprovado pela Comissão de Educação e Cultura (CEC), o PL segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois volta para o Senado, onde haverá a votação final, concluindo o trâmite dentro do Congresso Nacional.
Em seguida, o PL vai para a sua etapa final, que é a apreciação pelo Presidente da República.
Viva o circo sem animal!

Circos sem animais valorizam seus artistas, que sozinhos conseguem maravilhar a sua platéia. Esta é a evolução natural do circo, prestigiando o ser humano. O maior exemplo disso é que diversos países já optaram pela proibição do uso de animais em circos (Áustria, Costa Rica, Dinamarca, Finlândia, Índia, Israel, Cingapura e Suécia), e, no Brasil, a proibição existe em 5 estados e em quase 50 cidades.

Locais onde o uso de animais em circo já é proibido:
Estados: Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul
Em tramitação: Ceará, Santa Catarina

Fonte: WSPA Brasil

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma questão de justiça

Estão vendo esta moça alegre do meu lado nas fotos abaixo? É minha colega Drika, cuja amizade transcendeu o trabalho e nos tornamos grandes e queridas amigas.


Pois bem, quando a gente conhece a Drika, não se dá conta da deficiência dela: ela teve a perna esquerda amputada, por causa de um acidente de moto em fevereiro de 2003. Não, ela não estava dirigindo a moto e nem andando de carona. Ela foi atravessar a avenida na frente da casa dela e um motoqueiro idiota, que vinha a 100 km/h, surgiu de repente e atropelou minha amiga. O acidente foi tão feio, que ela quase perdeu ambas as pernas. Felizmente, ela ainda conseguiu conservar a perna direita, mas os médicos tiveram que amputar a perna esquerda um pouco acima do joelho, tamanho foi o estrago. A Drika sofreu mais de 8 cirurgias enquanto esteve hospitalizada, ficou em cadeira de rodas por 3 anos, até receber uma prótese do SUS e começar andar de muleta. Vocês podem conferir a história dela aqui.

Apesar da perna amputada, da cadeira de rodas, da limitação de movimentos e de tudo, a Drika teve um filho com o então namorado em fevereiro de 2005, um dia antes da data do acidente, quando se completariam dois anos. Ele se chama Igor e é a coisa mais importante do mundo para a Drika e sua família. Hoje, ela é funcionária de uma multinacional americana e este semestre voltou a estudar Publicidade e Propaganda na PUCRS.


O que aconteceu com o motoqueiro que a atropelou? Bem, no processo criminal ele foi declarado culpado, mas como é da Policial Civil e, embora estivesse sem habilitação e em alta velocidade, foi condenado a pagar apenas seis cestas básicas para o Estado.

Agora o "melhor" da história: o cara reabriu agora o processo, colocando a culpa na Drika pelo atropelamento! Quer dizer que o cara anda numa moto Honda 750, com as luzes apagadas e em alta velocidade, atropelando-a com violência, fazendo com que perca uma perna e ela é que tem a culpa do acontecido?! Em que mundo estamos? Daqui a pouco todo motorista que dirigir imprudentemente e atropelar uma pessoa, poderá processar o atropelado, colocando a culpa nele de estar naquele momento atravessando a rua?!

Fiquei tão indignada, quando soube do fato, que logo pensei: "Tenho que fazer alguma coisa para ajudá-la e para impedir esse infeliz de ganhar o processo e magoar mais ainda minha amiga." A primeira coisa que me veio à cabeça foi a de escrever um post sobre o assunto. Aliás, faz tempo que quero fazer um post sobre a Drika, mas ainda não havia surgido a oportunidade propícia. Quem a conhece, logo fica contagiado pela sua alegria, espontaneidade, jeito maluco e alternativo de ser, e que também é uma amiga dedicada, mãe amorosa e colega legal. Conversando com ela, a gente só percebe que ela tem uma "deficiência", quando ela se levanta e pega a muleta para caminhar. Às vezes, algumas pessoas nem percebem que ela é "diferente". Bem, diferente ela é, com suas inúmeras tatuagens e piercings espalhados pelo corpo, mas essa é outra história. :-)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Violência contra Crianças


Já está circulando na blogosfera (eu vi no Blog do Desabafo de Mãe) e com pedidos para divulgação . A Lele
Siedschlag do Every Woman is a Madonna foi testemunha de uma agressão covarde a duas crianças (ou pré-adolescentes, como queiram). Como mulher, mãe, cidadã e blogueira, estou fazendo minha parte, ao divulgar este triste acontecimento:

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Ontem eu fui ao Carrefour Villa-Lobos (ali perto da ponte do Jaguaré, em SP) - eram 22h20. No fim das compras (o supermercado estava supervazio), na hora de empacotar as coisas, ouvi gritos horríveis, de crianças. Um cara subiu correndo pela rampa e pediu pra chamar o gerente, ou o responsável pelo supermercado. Eu imaginei o pior, larguei tudo e fui ver o que era. Ele me contou: dois meninos tinham sido espancados pelo segurança do supermercado, no andar de baixo. Motivo: estavam brincando na esteira rolante.

Os meninos subiram depois de uns minutos. Um menino de 10 e outro de 13. O de 10 estava chorando também, mas o de 13 estava todo machucado. O segurança encostou os dois na parede e desceu o cacete, encheu os dois de botinada. Enquanto o cara chamou o gerente, eu liguei pra polícia. Dei meu nome e falei que ficaria esperando.

O "gerente" chegou, me viu chamando a polícia. Eu perguntei a ele qual o nome do segurança, ele não quis me dizer. Perguntei qual o nome dele, ele disse que não ia me dar a informação. Disse que ou ele respondia pelo supermercado ou não respondia. Ele disse que o supermercado NÃO RESPONDE pelos atos dos seguranças. Depois eu descobri que o cara nem gerente era, era um "fiscal", seja lá o que isso queira dizer. Na hora em que a polícia chegou, o segurança-animal passou um rádio pro tal fiscal pra avisar. E o fiscal respondeu "Se vira aí e responde pelo que você fez". Fiscal Pilatos, lava as mãos.

Desci pra falar com a polícia, estavam lá os garotos, as testemunhas (eu e um casal, logo apareceu uma loira que disse que estava no carro e viu tudo). O segurança ainda tentou falar que os meninos furtaram alguma coisa, mas foi prontamente desmentido. Os policiais tinham spray de pimenta nas mãos (por quê? Não faço idéia). Chamaram os pais dos meninos, que logo chegaram. Uma família superpobre, de algum barraco ali do lado. A mãe, chorando, disse que tinha mandado os meninos "comprar mistura". Os policiais me dispensaram e eu fui embora, mas antes tirei uma foto da perna do menino de 13 anos.



Se puderem divulgar eu agradeço. Eu não consegui dormir essa noite, de dor no peito. Duvido que se fosse uma filha minha, por exemplo, eles fizessem isso. Preto e pobre, essa é a equação que valeu ontem à noite.

Foto: Lele Siedschlag

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Filhos Alheios: cuidar deles é uma grande responsabilidade

Hoje, na volta do almoço, meus colegas e eu vínhamos discutindo o caso da menina Isabella. Eles estavam comentando sobre o pai e a madrasta da menina e julgavam que a última poderia ter sufocado ou estrangulado a menina em um momento de raiva durante uma briga. Eu comentei com eles que achava tão difícil isso acontecer, pois eu própria já fui madrasta e sentia o peso da responsabilidade de ter crianças que não eram meus filhos sob meus cuidados. Eu ficava ansiosa e só voltava a respirar tranqüilamente, quando devolvia as crianças à sua mãe. Imagina se algo acontecesse com um deles, enquanto estivesse sob meus cuidados? O que dizer à mãe dessa criança?
Em 1998, eu namorava um rapaz que tinha um menino. Na Páscoa daquele ano, fomos passar o feriadão em Florianópolis, com um casal e seu filho. Meu namorado teve que voltar antes para Porto Alegre, pois ele tinha um trabalho para entregar e queria terminá-lo antes do término do feriado. Ele me deixou lá com o casal amigo e os meninos. Antes de sair, ele me disse:

- Deixo contigo o bem mais precioso que eu tenho: meu filho.
- Pode deixar, que cuidarei bem dele - respondi eu.

Voltamos de carro com esse casal amigo, à noite, na perigosa BR 101, de volta para Porto Alegre. Como eu estava de carona, eles foram se revezando no volante. Ela, especialmente, dirigia muito rápido e fazia ultrapassagens um tanto imprudentes. Os meninos dormiam no banco de trás a meu lado e eu passei a viagem toda preocupada, cuidando do filho de meu namorado, com receio que algum acidente pudesse acontecer. Chegamos em Porto Alegre de madrugada e eu só sosseguei, quando entreguei o menino nas mãos de meu namorado. Somente depois disso é que relaxei e respirei aliviada. Tinha dado conta do recado e entregado a criança inteira de volta a seu pai.

Dois anos mais tarde, já casada com que hoje é meu ex-marido, recebíamos as visitas de seus filhos, de seu casamento anterior. Eles eram pequenos na época e eu ainda não tinha os meus próprios. Lembro que eu também ficava tensa, quando eles passavam o fim de semana conosco, pois nos davam bastante trabalho: a gente dava banho, vestia, dava de comer, botava para dormir. Na hora de atravessar a rua, a atenção era redobrada. Eu apertava forte a mãozinha do menino, que era menor e muito desatento. Eu pensava sempre: "Deus me livre que aconteça algo com estas crianças! O que direi à mãe deles?". Acho que é algo involuntário, pois minha filha de 3 anos me pergunta sempre: "Mãe, por que sempre apertas minha mão, quando andamos na rua?". Eu acabo apertando a mãozinha dela com mais força, cada vez que temos que atravessar a rua. Na dúvida, prefiro pecar por excesso do que falta de cuidado.

Comentei ligeiramente isso com meus colegas, mas eles disseram:

- Carla, essa é tu, teu jeito de ser. Outras pessoas não se importam em cuidar dos filhos dos outros, não estão nem aí.

Será que é assim? Eu penso que quando entrego meus filhos na escola, que eles estarão sendo bem cuidados, até o momento de ir buscá-los. Cuidar dos filhos dos outros é uma grande responsabilidade. Assim como eu cuido bem de meus filhos, quero que eles sejam bem cuidados, quando estão sob a responsabilidade temporária de terceiros. Quando um amiguinho vem à minha casa brincar com meu filho, eu o trato bem, como trato de meu filho. Sei que aquela mãe confiou seu filho a meus cuidados e que devo devolvê-lo da mesma maneira com que chegou à minha casa: íntegro.

Por isso, fico muito pensando no caso da menina Isabella, como seu pai e a madrasta se sentem, uma vez que a menina estava sob sua responsabilidade e a criança morreu. Imagino a dor dessa mãe, que entregou sua filha viva e íntegra, para passar o fim de semana com o pai e lhe devolvem a criança morta. Não tenho opinião formada sobre o assunto: não acuso o pai e a madrasta de serem os autores do crime, porque só sei o que vejo na mídia. Mas fico pensando: eles foram negligentes, ao permitir que a criança morresse, quando estava sob sua responsabilidade. Eu sei, acidentes acontecem, mas neste caso, é difícil supor que foi um mero acidente. Quem é o culpado? Não sei. Só sei a dor que ficou para essa mãe e eu me solidarizo, como mãe que também sou.