Ontem de manhã eu fui tirar sangue, para fazer os exames que a médica endocrinologista me pediu, que eu consultei por causa do projeto que tenho em conjunto com minhas amigas Cristiane, Léa e Ana Cláudia. Levei mais de um mês para criar coragem, já que eu tenho verdadeiro trauma de tirar sangue. Eu já chego no laboratório avisando que eu desmaio e olhando para o outro lado, de preferência o lado oposto de onde está a agulha e os frascos para coletar o sangue. Quem costuma rir de mim é meu gerente, dizendo que sou medrosa por uma agulhinha de nada. Minha mãe, então, me diz: "Como podes ter medo de tirar sangue, se tiveste teus dois filhos de parto normal sem anestesia?!". Não é a mesma coisa. Ter filho faz parte da natureza da mulher. Tirar sangue, não. É anti-natural. É uma invenção dos homens. É certo que analisando o sangue dá para descobrir um monte de coisas, como doenças, infecções e síndromes, mas convenhamos, não podia ter outro jeito de fazer isso?
Bem, depois de semanas me auto-convencendo que eu tinha que fazer os benditos exames, combinei com minha mãe vir à minha casa ficar com as crianças, para que eu pudesse ir fazer o exame de sangue. Cheguei no laboratório e logo fui chamada. A atendente me levou até a sala pediátrica e eu achei ótimo, porque ao invés de olhar para uma parede branca sem graça, eu tinha uma parede cheia de bichinhos pintados para me distrair. Haviam ainda brinquedos espalhados pelo chão da sala, obviamente para tentar distrair e convencer as crianças a tirar sangue.
Round 1: A enfermeira colocou a borracha no meu braço e começou a procurar uma veia. Começou a procura clássica: deu leves batidinhas meu braço, pediu para baixar o braço e abrir e fechar a mão com força. Eu avisei: "Minhas veias são profundas e difíceis de achar." Ela continuou procurando e nada. (A propósito, já estou passando mal, só de escrever o episódio). Ela perguntou: "Vamos tentar o outro braço?" Eu respondi: "Não, o outro braço é pior, normalmente é neste braço (esquerd0) que encontram uma veia." Afinal, ela disse: "Vou pedir para outro colega vir achar uma veia, porque eu não me sinto segura e não quero te machucar." "Perfeito", pensei eu, "ela vai chamar alguém mais experiente". Normalmente, é a enfermeira-chefe ou enfermeira-pediátrica que tem que me furar, pela dificuldade em achar uma veia.
Round 2: Entrou um enfermeiro na sala e começou a novela de novo: borracha no braço, batidinhas para encontrar a veia, abrir e fechar a mão. "É, tuas veias são difíceis mesmo de achar". "Grande novidade", pensei eu. Senti ele passar o algodão no meu braço, sinal de que ia enfiar a agulha. Sendo minhas veias profundas, sempre sinto a agulha entrando na carne. "Ótimo", pensei eu, "ele achou uma veia e esta tortura vai acabar logo". Senti a picada da agulha, uma dor, uma ardência. Contraí o rosto e senti o estômago embrulhando. Senti que ele mexia a agulha, mas não ouvi o barulhinho dos frascos. "Está tudo bem?", perguntou ele. "Não, não estou nada bem". "Estás sentindo tontura?", perguntou. "Sim, estou bem tonta". Ele tirou a agulha e eu olhei: os frascos vazios. "Não tirou sangue?". Ele respondeu, meio sem graça: "Não, não consegui. Por favor, senhora, deite-se ali na maca, para passar a t0ntura". Eu me deitei e ele colocou uma almofada sob meus pés. Sentia o estômago embrulhado e a visão meio embaçada pela queda de pressão. Ele disse: "Vou ver o que vamos fazer, pois a norma aqui no laboratório é furar o paciente uma só vez." Tudo o que eu queria era ir embora para casa. O exame de sangue que ficasse para outra vez.
Round 3: Entrou uma terceira enfermeira. "Como a senhora está se sentindo? Vou tentar encontrar uma veia". Borracha no braço. batidinhas, abrir e fechar a mão com força. Ela olhou as veias de minha mão. "Não, a mão não". Eu já tinha suficiente traumas de tirar sangue das veias da mão. Já perdi uma veia da mão esquerda por uma injeção de dipirona há 9 anos atrás. Na mão, de jeito nenhum. Ela tirou a borracha e disse: "Vou colocar um papel para não machucar teu braço, pois vou apertar bem forte". Ela apertou fortíssima a borracha. "Ah, agora apareceu uma veia. Vou pegar uma agulha bem fininha, pois a veia é bem fina também". Senti a dor e ardência da agulha entrando na carne. Meu estômago se contraiu mais ainda. Como a veia era muito fina, demorou para tirar o sangue. "Pronto. Terminei. Aperta bem forte teu braço, que eu vou colocar o algodão. Vai ficar um hematoma, pois a veia era bem fininha, um fiapo."
Eis o resultado:

Fazer exame de sangue de novo? Só no ano que vem.
Bem, depois de semanas me auto-convencendo que eu tinha que fazer os benditos exames, combinei com minha mãe vir à minha casa ficar com as crianças, para que eu pudesse ir fazer o exame de sangue. Cheguei no laboratório e logo fui chamada. A atendente me levou até a sala pediátrica e eu achei ótimo, porque ao invés de olhar para uma parede branca sem graça, eu tinha uma parede cheia de bichinhos pintados para me distrair. Haviam ainda brinquedos espalhados pelo chão da sala, obviamente para tentar distrair e convencer as crianças a tirar sangue.
Round 1: A enfermeira colocou a borracha no meu braço e começou a procurar uma veia. Começou a procura clássica: deu leves batidinhas meu braço, pediu para baixar o braço e abrir e fechar a mão com força. Eu avisei: "Minhas veias são profundas e difíceis de achar." Ela continuou procurando e nada. (A propósito, já estou passando mal, só de escrever o episódio). Ela perguntou: "Vamos tentar o outro braço?" Eu respondi: "Não, o outro braço é pior, normalmente é neste braço (esquerd0) que encontram uma veia." Afinal, ela disse: "Vou pedir para outro colega vir achar uma veia, porque eu não me sinto segura e não quero te machucar." "Perfeito", pensei eu, "ela vai chamar alguém mais experiente". Normalmente, é a enfermeira-chefe ou enfermeira-pediátrica que tem que me furar, pela dificuldade em achar uma veia.
Round 2: Entrou um enfermeiro na sala e começou a novela de novo: borracha no braço, batidinhas para encontrar a veia, abrir e fechar a mão. "É, tuas veias são difíceis mesmo de achar". "Grande novidade", pensei eu. Senti ele passar o algodão no meu braço, sinal de que ia enfiar a agulha. Sendo minhas veias profundas, sempre sinto a agulha entrando na carne. "Ótimo", pensei eu, "ele achou uma veia e esta tortura vai acabar logo". Senti a picada da agulha, uma dor, uma ardência. Contraí o rosto e senti o estômago embrulhando. Senti que ele mexia a agulha, mas não ouvi o barulhinho dos frascos. "Está tudo bem?", perguntou ele. "Não, não estou nada bem". "Estás sentindo tontura?", perguntou. "Sim, estou bem tonta". Ele tirou a agulha e eu olhei: os frascos vazios. "Não tirou sangue?". Ele respondeu, meio sem graça: "Não, não consegui. Por favor, senhora, deite-se ali na maca, para passar a t0ntura". Eu me deitei e ele colocou uma almofada sob meus pés. Sentia o estômago embrulhado e a visão meio embaçada pela queda de pressão. Ele disse: "Vou ver o que vamos fazer, pois a norma aqui no laboratório é furar o paciente uma só vez." Tudo o que eu queria era ir embora para casa. O exame de sangue que ficasse para outra vez.
Round 3: Entrou uma terceira enfermeira. "Como a senhora está se sentindo? Vou tentar encontrar uma veia". Borracha no braço. batidinhas, abrir e fechar a mão com força. Ela olhou as veias de minha mão. "Não, a mão não". Eu já tinha suficiente traumas de tirar sangue das veias da mão. Já perdi uma veia da mão esquerda por uma injeção de dipirona há 9 anos atrás. Na mão, de jeito nenhum. Ela tirou a borracha e disse: "Vou colocar um papel para não machucar teu braço, pois vou apertar bem forte". Ela apertou fortíssima a borracha. "Ah, agora apareceu uma veia. Vou pegar uma agulha bem fininha, pois a veia é bem fina também". Senti a dor e ardência da agulha entrando na carne. Meu estômago se contraiu mais ainda. Como a veia era muito fina, demorou para tirar o sangue. "Pronto. Terminei. Aperta bem forte teu braço, que eu vou colocar o algodão. Vai ficar um hematoma, pois a veia era bem fininha, um fiapo."
Eis o resultado:


Fazer exame de sangue de novo? Só no ano que vem.



