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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Torres: um excelente passeio!

Praia da Guarita vista do barco.

Passei o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes em Torres com meus pais e meus filhos. Torres fica na divisa com Santa Catarina e é a última praia gaúcha, além de ser a mais bonita, em termos de belezas naturais.

“A cidade é um dos núcleos mais antigos do estado do Rio Grande do Sul e possui este nome devido à existência de três grandes rochedos que se estendem à Beira-Mar:

- Torre Norte - Morro do Farol
- Torre Centro - Morro das Furnas
- Torre Sul - Junto a Praia da Guarita”


Além de curtirmos a praia, aproveitamos para fazer um passeio de barco, que sai do Rio Mampituba, entra no mar e nos leva para avistar a Ilha dos Lobos e a Praia da Guarita.



As crianças e eu no barco.
Quando ele entrou no mar, eles começaram a chorar de medo.




Ilha dos Lobos vista do barco.
É proibido aproximar-se a menos de 500 metros e desembarcar nela.


“A Ilha dos Lobos é a única ilha marítima do Rio Grande do Sul. Tem esse nome porque é a única ilha do Brasil onde, nos meses de julho a novembro, os lobos marinhos - procurando águas mais quentes - chegam para o acasalamento.

Em 1983, foi declarada reserva ecológica, sendo proibido qualquer tipo de caça ou pesca marítima. Fica a 1800 metros da Praia Grande, seu relevo não ultrapassa 2 metros.

Constitui-se em uma importante área de descanso e alimentação de pinípedes (leões e lobos marinhos) além de servir de ponto de passagem para cetáceos (golfinhos, baleias e botos), aves e tartarugas marinhas.”


As crianças curtindo a Praia Grande.


A Praia Grande, com 2.000 metros de extensão, é a preferida para o banho de mar e onde ocorre a maioria dos eventos esportivos do verão como: futebol, vôlei, surf e outros.

Passar as férias ou mesmo um fim de semana em Torres é uma excelente pedida, eu recomendo!

Informações sobre Torres retiradas daqui.









sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim

Meu pai e eu recebemos o convite acima para o lançamento do livro "Vila Piratini - A História de um Bairro-Jardim" hoje à noite no Clube Piratini, em Charqueadas, onde moramos por 8 anos e onde passei a maior parte de minha infância.

Nós moramos na Vila Piratini de 1973 a 1981, quando meu trabalhou na Aços Finos Piratini, anos antes de ser privatizada e comprada pela Gerdau. Tenho excelentes lembranças daquela época, em que podíamos brincar livremente e sem perigo na rua, podíamos ir sozinhos à escola, podíamos ir sozinhos ao clube, podíamos andar de bicicleta e brincar até tarde da noite. Saímos de lá no início de 1982, de maneira que imagino que a Vila deve ter mudado muito, assim como tudo muda na vida. Essas belas e doces lembranças ficarão para sempre em minha memória, de ter tido uma excelente infância em um lugar agradável.

Segue abaixo uma breve descrição da Vila, retirada do blog da Associação de Moradores da Vila Piratini:

A Vila Aços Finos Piratini, implantada há mais de 35 anos, é um marco urbanístico, pois representa grande avanço em termos arquitetônicos e paisagísticos. Com proposta totalmente inovadora para época e lugar, fundamentada no conceito de Cidade Jardim, até hoje são raros os locais semelhantes no Brasil e no mundo. Foi o primeiro empreendimento habitacional de grande porte a ser construído no município e, por isso mesmo, possui relevante papel para o patrimônio de Charqueadas, com inestimável valor sócio-ambiental, cultural e urbanístico. É um lugar agradável, sinônimo de bem viver para a atual e para as futuras gerações. Porém, este verdadeiro tesouro pode estar fadado ao esquecimento, porque não há registros organizados de sua implantação e esta história, restrita a lembrança de algumas pessoas e seus diminutos acervos fotográficos, permanece inacessível a maioria da população. É preciso divulgar o conhecimento e as informações para que possamos preservar nosso bairro e contribuir para a preservação da história recente do município.

Tenhos amigos e conhecidos que vivem lá até hoje e será muito agradável reencontrar a vários deles no evento de hoje à noite.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Meme da Solidariedade


Recebi este meme da Ana Cláudia, de O Futuro do Presente, pedindo uma doação em nome da Defesa Civil de Santa Catarina. Como eu já havia feito a doação em novembro, estou postando aqui o comprovante de transferência que fiz através do Banco do Brasil, para a conta oficial deles, na Agência 3582-3, C/C 80.000-7.

Para participar do meme, deve-se scanear o comprovante e fazer um post no blog, difundindo o mesmo e linkando-o para o site Alles Blau, um site referêncai para notícias e informações sobre a tragédia ocorrida em Santa Catarina.


Segue o convite para alguns amigos para participarem do meme, mas fiquem à vontade de participar de acordo com suas possibilidades.

Caso já tenham feito doação e queiram participar do meme, basta seguir as regras que são: publicar o comprovante e linkar o Ales Blau.

Universo Gentil

[ drika.org ]

Compartilhando as Letras

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Fester Blog

Surfista Platinado

CLUBE SAPECA

Lavanderia Virtual


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ajude Santa Catarina

Esse cartaz foi criado por Rodrigo Muller, ajude a divulgar!http://www.flickr.com/photos/rodrigomuller/3063287023/


Vi este post no O Futuro do Presente e resolvi divulgar no meu blog também. Já fiz minha doação em dinheiro para Santa Catarina e vou ver o que posso doar de roupas, calçados e brinquedos.

Mais informações sobre doações de roupas, alimentos, calçados e etc:

http://santacatarinaurgente.blogspot.com/

Além das pessoas, os bichos também estão sofrendo:

"Em Santa Catarina, quem precisa muito de ajuda, também, são os bichinhos de estimação e cães e gatos de rua. Muitos animais foram abandonados ou perderam-se dos donos. A ONG APRABLU, em Blumenau, que é uma das cidades mais afetadas, está fazendo o que pode. Não ha mais ração para alimentar os animais que foram resgatados.

Quem puder ajudar com qualquer quantia, os dados da Aprablu são:

APRABLU

Banco BESC, Bando do Estado de Santa Catarina.

N. 027

Agência 003

Conta: 119.206-8

CNPJ: 03.585.420/0001-75

Para fazer o depósito em outras cidades, é só fazer pela internet, usando o número do banco ou entrando em contato atraves do e-mail: aprablu@terra.com.br

Contato: Barbara

Obrigada por pensar, também, nos bichos!"*

*Post retirado do blog Brazil Nut.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

A ''epidemia'' dos partos cirúrgicos


Gilberto Dupas*


Nos últimos meses, a comunidade médica dos obstetras agitou-se em razão das medidas tomadas pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) procurando incentivar as mães a optarem pelo parto normal. Corporativismo e onipotência à parte, estamos cansados de saber que a aliança entre interesses financeiros dos hospitais, conforto dos médicos e comodismo ou receio mal esclarecido das mães têm feito dos partos cirúrgicos, com seus riscos de intervenção de grande porte, uma verdadeira epidemia no Brasil.

É interessante lembrar que a hospitalização para o parto foi fato histórico-social traumático e prepotente. Ainda antes da anestesia e das técnicas mais elementares de assepsia - quando a internação tentou ser imposta como norma, rompendo uma tradição de milênios de partos feitos em casa e assistidos por mulheres experientes - as gestantes tiveram de ser "forçadas" à internação hospitalar e reagiram duramente. A razão principal era a "percepção" de violência e perda de intimidade. Mas havia outra razão importante: a propagação das infecções produzidas pelos médicos ao manipularem as mulheres "em série" nos hospitais, sem que sequer lavassem as mãos, o que aumentava em muito o índice de mortalidade nos partos. Na verdade, ao se liberar de maneira radical das crenças metafísicas, a medicina contemporânea operou uma verdadeira má revolução ética e uma ruptura do seu compromisso de estar a serviço do doente, e não da doença. Separando o doente - subjetivado na relação consigo mesmo e com seu médico - do combate à doença, o discurso médico não é mais capaz de levar em conta na sua prática o drama imaginário, a determinação simbólica e o aspecto ético do sofrimento na relação medicina-doença. O médico não pergunta mais "como você está se sentindo", mas "passe-me seus exames". E são muitos, e muito caros, os exames. O sofrimento fica restrito à doença e a dor, à neurofisiologia.

Para essa medicina tecnocientífica, o doente não é mais que o porta-voz dos sinais da sua doença através dos seus sintomas. Um exemplo importante são os procedimentos ligados ao nascimento de uma criança. A medicina transformou-o de uma função fisiológica - para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado - num evento fundamentalmente cirúrgico-hospitalar. Como lembra Vera Iaconelli, o corpo humano passa a ser considerado incapaz e necessitado de "constantes correções de seus desvios biológicos". Todo aparato hospitalar, diretamente ligado à história da industrialização e do capitalismo, vem sendo criticado há décadas e, no entanto, encontra incríveis resistências para ser modificado. Proliferam hospitais modernos e equipamentos sofisticados, mas o "médico da família" desaparece.

No Brasil, quase 80% dos partos no serviço privado são feitos por cesariana, quando a Organização Mundial da Saúde a recomenda em apenas 10% a 15% dos casos. A redução desse índice tem encontrado enormes resistências, a principal delas é o aparato médico-hospitalar e seus interesses econômicos e de conforto. Na rede pública brasileira, esses índices caíram quando o reembolso do parto cirúrgico passou a ser reduzido em relação ao normal. Maternidade é vista como fábrica; parturiente, como máquina; e bebê, como produto. O parto, transformado em evento cirúrgico, vê na mulher meramente um recipiente a ser esvaziado. A ênfase na rapidez e no controle - que predominam nos partos - atrapalha os pais em se apoderarem de seu novo papel, levando-os a duvidar de sua capacidade futura de cuidar dos seus filhos. Vera Iaconelli lembra que o atendimento à gestante é um dos "exemplos mais notáveis da forma pela qual se lida com as questões da subjetividade, pois o espaço das elaborações do vivido mostra-se subtraído e evitado", imprimindo ao parto - início de uma nova vida - a marca registrada tecnológica contemporânea de lidar com o corpo, com a sexualidade e com a morte: banalização ou ocultamento.

Curioso notar que, quando as maternidades de hospitais de luxo querem "modernizar" seu atendimento de parto, introduzem pequenas concessões, como permitir ao bebês ficarem no quarto com a mãe ou serem colocados sobre seu colo, por alguns instantes, ainda na sala de parto. Só muito recentemente as normas hospitalares reconheceram as óbvias advertências de que crianças saram mais depressa em ambiente hospitalar quando a mãe pode ficar com elas nas internações, ou quando têm acesso a salas com jogos e pequenas diversões eventuais, como os chamados "médicos da alegria". Décadas de lutas se passaram para que os lobbies dos grandes fabricantes mundiais de leite em pó fossem parcialmente vencidos e médicos mais responsáveis voltassem a insistir no papel essencial do aleitamento materno exclusivo, para a saúde do bebê. Na realidade, são todos resquícios de um saber milenar que a medicina moderna havia rejeitado.

Enquanto isso, hospitais de periferia carentes de recursos substituem com enorme vantagem as caríssimas, invasivas e "frias" incubadoras pelos hábitos consagrados das "mães-canguru". Ou seja, arrogância e intolerância sempre embalaram as importantes e evidentes conquistas da medicina contemporânea.

Donald Woods Winnicott, famoso pediatra e psicanalista, já dizia sobre o parto que médicos são muito necessários quando algo dá errado. Mas "não são especialistas nas questões relativas à intimidade, vitais tanto para a mãe quanto para o bebê", que precisam apenas de "recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria". É o oposto do que faz, infelizmente, o aparato médico-cirúrgico contemporâneo.

*Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional (IRI-USP), presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais, O Mito do Progresso e o recém-lançado romance O Incidente

Artigo publicado no Estadão neste sábado, 18/10/2008, Dia do Médico.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Entre a cruz e a caldeirinha

Iracema Sodre*

Na hora de ter filho, os brasileiros que vivem em Londres têm duas opções, nenhuma exatamente ideal. Podemos escolher ter o bebê no Brasil, um dos países onde mais se faz cesáreas no mundo, ou na Grã-Bretanha, onde se desencoraja a cirurgia mesmo quando a operação pouparia sofrimento.

Eu tive sorte. Meu parto, no Queen Elizabeth Hospital, em Londres, foi normal, sem anestesia (logo com muita dor), mas também sem traumas. Infelizmente, a experiência de muitas brasileiras que optam por ter seus filhos por estas bandas – ou são forçadas pelas circunstâncias - nem sempre é tão tranqüila.

Aqui mesmo, na redação da BBC Brasil, há histórias de partos complicados, que deixaram cicatrizes e memórias ruins, e que poderiam ter sido evitadas.

Entre os brasileiros, a fama do NHS, o sistema público de saúde britânico, é de que o tratamento nos hospitais é frio, as parteiras forçam a barra para que o parto seja normal e você, muitas vezes, não tem controle algum sobre o que vai acontecer.

Na minha opinião, várias das críticas são pertinentes. Só que a situação no Brasil, mesmo nos hospitais particulares, também não é essa maravilha toda, como algumas pessoas querem acreditar. Pelo menos não para quem gostaria de ter parto normal.

Várias amigas minhas, no Rio, São Paulo ou Brasília, escolheram obstetras que se diziam pró-parto normal e prometeram que fariam de tudo para evitar a cesárea, mas nunca as prepararam com dicas básicas sobre respiração, informação sobre os tipos de anestesia disponíveis e suas conseqüências, as fases do trabalho de parto etc.

E, no fim, adivinhem? Cesárea, claro. Rende mais para os médicos e anestesistas, é rápido e conveniente. Muitas vezes, as justificativas para a cirurgia (as pessoas esquecem, mas a cesárea é uma baita cirurgia) são completamente infundadas.

Então, para usar um ditado das antigas, estamos entre a cruz e a caldeirinha. Qual vocês preferem?

* Blog da BBC Brasil

Encontrei este texto há algum tempo na BBC Brasil, um site que gosto muito de ler, pois sempre tem notícias muito interessantes. Descobri os Blogs da BBC Brasil e o texto em questão.

Ele traz uma questão pertinente, que é da opção de escolha de como ter o filho em Londres. No caso, a opção é das brasileiras que vivem lá. Conheço vários casos de brasileiras vivendo no exterior e que vieram ao Brasil somente porque podiam fazer cesárea marcada. O medo, a falta de informação e todo o mito em torno do parto normal faz com quem muitas mulheres optem pela cesárea, sem ao menos ver qual seria a melhor opção para o caso dela. A cesárea é necessária em menos de 15% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Não sou contra a cesárea, pois ela pode salvar vidas em alguns casos, mas sou contra a banalização em torno da cesárea, uma cirurgia que é escolhida como quem escolhe uma roupa em uma loja ou um prato no cardápio.

Se a mulher tem medo de ter parto normal, cabe ao médico explicar as vantagens e desvantagens de cada método. A cesárea traz muito mais desvantagens para a mãe e o bebê do que o parto normal. O mito de que a cesárea é um "parto indolor" está muito difundido na cultura brasileira e que o parto normal estraga o "parque de diversões" da mulher também.

Primeiro, a cesárea é uma cirurgia de médio porte e como toda cirurgia em si, já traz um risco. A maioria das mulheres tem a capacidade de parir de modo normal seus filhos e a cesárea deveria ser utilizada apenas nos casos em que não é possível o parto vaginal - que são muito poucos. As justificativas para a cesárea são muitos e a maioria esmagadora delas é totalmente sem fundamento, como é explicado no texto Mitos e Fatos de Ana Cristina Duarte, no site Parto do Princípio.

Segundo, o parto normal em si não estraga o "parque de diversões" (ou seja, a vagina) da mulher (ou melhor, do marido), mas sim a episiotomia, um procedimento que os médicos fazem por rotina e não por evidências científicas e quase sempre, é desnecessário. A episiotomia deveria ser feita em apenas 20% dos casos, mas ela ela é praticada em mais de 80% dos casos, mesmo depois que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga. Hoje, inclusive, há uma campanha para abolir a episiotomia de rotina. Há exercícios que a mulher pode fazer durante a gestação para proteger o períneo e assim evitar sofrer a episiotomia. Mesmo que haja laceração durante o parto, Uma laceração natural na maioria das vezes envolve um número muito menor de pontos, além de ser mais superficial que o corte cirúrgico da episiotomia.

Li relatos de partos de mulheres que diziam: "Eu sofri episiotomia no meu primeiro parto, mas não no segundo, só que o períneo rasgou ao sair o bebê. Aí eu fiquei pensando: Se não tivesse cortado antes, será que teria rasgado?"

Eu me lembro que na época de minha primeira gravidez, eu participava de uma lista de discussão feminina e eu pregava: "É melhor rasgar do que cortar". Minhas amigas me chamavam de louca e diziam: "É melhor cortar do que rasgar!". Será? Eu não sofri episiotomia em meu primeiro parto e tive laceração, que levou apenas 5 pontos (2 internos e 3 externos). A recuperação foi bem dolorida e eu sofria para sentar, além dos pontos, da crise de hemorróidas. Em uma semana, eu já estava bem, meu períneo cicatrizou bem e eu pude voltar à minha vida sexual em menos de 40 dias após o parto, porque já me sentia bem. Não tive problemas nem dores nas relações sexuais por causa dos pontos.

Tive uma conhecida que era muito jovem quando teve sua filha de parto normal tradicional, com direito a episiotomia. Ela me contou que a recuperação da episiotomia foi terrível, pois ela criou quelóide durante a cicatrização, o que dificultou em muito sua vida sexual, a ponto de provocar a sua separação do marido. Lembro dela me relatando o quanto ela sofreu por causa dessa quelóide, que arruinou sua vida sexual de casada e que fez com que tivesse ter medo de ter outro filho. Surpreendentemente, ela era favorável à episiotomia! Ela até questionou, depois de ler meu relato de parto, de que adiantava eu ter tido meu filho de parto natural, se tinha rasgado igual. Eu respondi a ela: "A questão não era não rasgar e sim não cortar." Se rasga naturalmente, a laceração será menor e de cicatrização mais fácil. Se sofrer um corte, o bisturi irá cortar pele, músculo e nervos ou até mesmo vasos sangüíneos, como foi no caso de minha amiga de infância.

Na época, ambas estávamos grávidas e eu conversei muito com ela sobre a questão da episiotomia, já que ela já tinha tido seu primeiro filho de parto normal tradicional com episiotomia. Eu disse a ela que a episiotomia não era necessária, ainda mais que ela não era primípara. Na hora do parto, ela foi atendida pela médica de plantão, que lhe disse que só fazia partos com episiotomia. Minha amiga concordou, mas o corte que foi feito nela atingiu um vaso sangüíneo grande e ela teve uma importante hemorragia durante o parto. Se não tivesse cortado, ela não teria tido essa desnecessária hemorragia, pois uma laceração natural dificilmente rasgaria um vaso sangüíneo.

No meu segundo parto, apesar da laceração do parto anterior, eu tive lacerações mínimas, que não precisaram de pontos e minha recuperação foi ótima e muito rápida. Acho que isso responde à pergunta daquela moça, que questionava: "Se não tivesse cortado, será que teria rasgado?". Eu não fui cortada no primeiro parto e no segundo não rasgou, apesar da laceração anterior. Eu não tive problemas em minha vida sexual pós-parto. Por isso, sou defensora do parto natural sem episiotomia e sem intervenções desnecessárias.

Fiquei pensando na frase da Iracema Sodré no texto dela acima, "onde se desencoraja a cirurgia mesmo quando a operação pouparia sofrimento" e me questionei: qual seria tal sofrimento? Ter um filho de parto normal é sofrimento? Sim, pode-se sentir pouca, muita ou nenhuma dor, pode-se usar anestesia para não sentir dor, mas tudo isso passa, quando o bebê nasce.

Na cesárea, ao contrário, não se sente dor no momento do nascimento, mas a dor pós-operatória pode ser bem grande, dependendo da mulher. Lembro de visitar uma conhecida após a cesárea do filho e ela não conseguia nem dobrar o corpo para atender o telefone, de tanta que era a dor. Eu pensei: "Eu não quero isso para mim!". Eu estava de pé poucas horas após o nascimento de meus filhos e sem dificuldades de locomoção. Não dependia dos outros para me trazerem o bebê para mamar ou para trocar as fraldas dele. Minha melhor amiga me contou que como ela sentia muita dor na cicatriz da cesárea, tomou o analgésico que o médico lhe receitou e não ouviu sua filha chorar à noite. Quem atendeu a neném foi a colega de quarto dela, pois viu que ela não acordava com o choro do bebê. Eu optei por não usar anestesia em meus partos e assim não tive os desagradáveis efeitos colaterais da mesma. Eu vejo que eu sofri por algumas horas durante o trabalho de parto, mas tudo passou, quando o bebê nasceu. Minhas amigas e conhecidas não sofreram nada durante o trabalho de parto, mas sofreram no pós-parto com hemorragias e dores fortes do pós-operatório. Entre as duas opções, ainda fico com a primeira. É mais natural.


Por que falei tudo isso? Pesquisando na web, descobri uma entrevista do Michel Odent em que ele relata que "Em Londres, por exemplo, os médicos tentam de tudo para evitar a cesárea: drogas, anestesia, fórceps. Mas, no final, são obrigados a fazer a cesariana. Precisamos evitar essas tentativas, porque são perigosas. O objetivo básico é redescobrir as necessidades da mulher em trabalho de parto para satisfazê-la. O resto é conseqüência." Esse é o chamado "Parto Frankestein", por causa de todas as intervenções desnecessárias e que trazem sofrimento à parturiente. Essa tampouco é uma boa opção para as mulheres que, assustadas com relatos de partos assim, acabam optando compreensivelmente pela cesárea.


É bem como a Iracema falou: as mulheres brasileiras em Londres estão entre a cruz e a caldeirinha. A boa notícia é que é possível fugir de ambas, basta pesquisar bastante, conversar com outras mulheres que tiveram parto normal sem intervenções e encontrar profissionais que acreditem na capacidade que a mulher tem para parir. É difícil? É, mas não é impossível.


quarta-feira, 14 de maio de 2008

Campanha de Incentivo ao Parto Normal

O Ministério da Saúde lançou a Campanha Incentivo ao Parto Normal. A cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil no setor público e no privado. Nos planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chegando a 80%. Já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos.

Por ser uma cirurgia, a cesariana somente é indicada para os casos que tragam risco para a mãe ou o seu bebê. Quando realizada sem que exista uma indicação médica precisa, aumentam os riscos de complicações e de morte para a mulher e para o recém-nascido.

Não é raro que as cesarianas sejam agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Finalmente, as chances de a mulher sofrer uma hemorragia ou infecção no pós-parto também são maiores em caso de cesárea, existindo ainda um risco aumentado de ocorrer problemas em futuras gestações, como a ruptura do útero e o mau posicionamento da placenta.




LINDO! Eu vi comercial da campanha esta semana e ADOREI, além de ter me deixado comovida! Eu já havia elogiado a Fernanda Lima em meu post anterior e este comercial que ela fez só me fez aumentar a admiração pela grande mulher que ela é. Ela mostrou que as mulheres podem ser muito mais que somente um rosto bonito. Tudo o que ela diz no comercial é verdadeiro. Eu tive meus dois filhos de parto normal, participei ativamente do parto e minha recuperação foi rápida.

Mais um ponto para Fernanda Lima!


Parabéns, Fernanda! O Brasil precisa de mais celebridades como você! Continue assim!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Você sabe como identificar um Porto-Alegrense?

1. Divide o domingo entre antes e depois da passadinha no Brique ou no Parcão.

2. A partir de julho, pára de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios da Feira do Livro.

3. Odeia o muro da Mauá.

4. Fala mal das praias gaúchas, mas nunca recusa convite para passar o fim de semana em Imbé ou Atlântida.

5. Desfila, em qualquer rua de qualquer cidade, com cuia e garrafa térmica como se fosse coisa trinormal.

6. Ama ou odeia o PT. Não tem meio termo.

7. Acredita que a última batalha não será entre o bem e o mal ou entre a luz e as trevas, mas entre gremistas e colorados.

8. Em uma tarde consegue mostrar todos os pontos turísticos da cidade aos amigos que vêm de fora.

9. Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas parte para a briga com qualquer estrangeiro que ouse dizer uma barbaridade dessas.

10. Acredita piamente que existe uma comprovação científica para o fato de o pôr-do-sol no Guaíba ser o mais bonito no planeta. Talvez pelo fato do paralelo trinta passar na Rua da República.

11. Chama o carinha ali de “bagaceiro”, come “negrinho” e “branquinho” e ainda compra “cacetinho”!

12. Diminui metade das palavras e nem se dá mais conta disso: Findi, Churras, Super...

13. Ama Porto Alegre!


O Porto-alegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente (que não é o hemisfério, e sim um bar em Porto Alegre). Para começar, só existe uma interjeição: “báh!” - que é usada em mais ou menos 462 situações diferentes. Prá complicar, “báh!” tem, também, 497 entonações diferentes: pode ir de um simples “beh!”, até um complicado, “pãh!” dependendo do que se quer dizer.

Tem também as gírias. Porto Alegre é equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas chegam até a serem exportadas: “viajar na maionese” e “pirar na batatinha”, que agora estão na moda no Rio (?), são faladas há anos, ou em Porto Alegrês, “há horas”. Outras expressões cruzaram a fronteira, mas nunca chegaram a serem compreendidas. “Deu prá ti”, por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil inteiro. Talvez porque pensaram que “deu prá ti” fosse uma sacanagem quando na verdade só queria dizer “chega!”.

Também tem o “trilegal”, mas há horas ninguém fala trilegal em Porto Alegre. Se fala “tribom”, “triquente”, “triafim”, “trigente”, “triafu”(muito usado), “tri” o que tu quiseres.

Mas nada é mais porto alegrense quanto falar: “Tu vai ir?”. Repita agora, com sotaque: “Bah, mas tu vai ir? Bah, mas se tu for, eu também vou ir”. E deu prá ti “viu, guri”?

Não há nada melhor do que poder dizer: “Bah, eu sou de Porto”... com sotaque mais cantado possível... e a cara mais orgulhosa do mundo! :-)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Todo brasileiro deveria escutar esta mensagem, afinal, nunca é tarde para mudanças!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Rádio ONU: Combate ao Analfabetismo

Autor: Letícia Camargo - Reportagens e Destaques, programa da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas lançaram em 2003, a Década da Alfabetização, considerada um reforço à 2ª. Meta do Milênio: alcance universal da educação primária. Atualmente, 20% da população mundial não sabem ler nem escrever. Acompanhe como o Brasil tem tentando combater o analfabetismo nesta reportagem de Letícia Camargo.

A alfabetização é um processo simples, mas que leva tempo. Para um aluno ser capaz de ler um simples bilhete ou escrever seu póprio nome, ele precisa aprender o alfabeto, soletrar sílabas e reunir palavras. Os resultados, no entanto, são enriquecedores e trazem mudanças positivas, segundo professores e alunos.

Mas essa realidade ainda não é comum a todos. O senador brasileiro, Cristovam Buarque, ex-Ministro da Educação do Brasil, diz que a educação, infelizmente, ainda não é considerada fundamental no país.

"A educação não é um valor fundamental no imaginário da população brasileira, seja pobre ou seja rica. O rico gasta dinheiro na educação do filho não é para que ele seja educado, é para que ele tenha um bom salário depois de adulto. O pobre no Brasil ficou tão acostumdao a ser relegado que ele não considera a educação como algo fundamental. Um pobre brasileiro acredita que tem direito a ter um carro igual ao rico, mas não acredita que tem direito de ter uma escola igual à do rico", disse.

A realidade das pessoas que não sabem ler e escrever não é nada fácil e a falta de expectativa de finalmente ter acesso à educação fez com que pessoas como João José de Souza, um agricultor de Mamanguape, no interior da Paraíba, arranjasse seus próprios meios de levar a vida.

"Eu nunca fui na escola, não aprendi a ler nada mas sempre fui inteligente: planto macaxeira, inhame, batata e tenho até uma casinha que eu fiz. Eu me martirizo porque não aprendi nada, mas não tem mais jeito então eu vou escapando até o dia que Deus quiser. Quando eu não sei, eu falo com o povo. Eu tenho andado por todos os cantos e nunca me perdi, aí quando tem uma pessoa mais velha, mais inteligente, eu pergunto para ele. Carta eu não escrevo para ninguém. Notícia só falando assim. Eu mando os outros lerem e eu escuto", disse.

Quando foi inaugurada, a Década da Alfabetização, em 2003, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, houve um grande entusiasmo de líderes governamentais em agir em seus países para encarar o problema e atingir metas de redução no analfabetismo até 2012.

Mas segundo analistas, a questão da educação no mundo requer muito mais do que iniciativas. Assim como uma boa lição, a implementação de projetos educacionais precisa de planejamento, dedicação e investimentos a longo prazo.

Segundo Cristovam Buarque, é preciso que haja campanhas não apenas de alfabetização, mas também para a erradicação dela.

"É inacreditável que em pleno século 21, o mundo ainda tenha tantos milhões de analfabetos adultos. O pior é que isso pode ser resolvido sem grandes dificuldades. Quando faz-se uma campanha de erradicação, vai-se às prefeituras, às ONGs, às igrejas, às famílias e mobiliza-se todo mundo com um prazo para concluir o trabalho. Essa é a grande diferença, a erradicação define um prazo, assim como a Década da Alfabetização das Nações Unidas. Quando isso é feito pouco a pouco, afabetiza-se menos do que os novos adultos que chegam analfabetos pelo fracasso das escolas das crianças", disse.

Durante a cerimônia de abertura, o Diretor-Geral da Unesco, o Embaixador Koïchiro Matsuura, afirmou que "por meio da alfabetização os menos favorecidos podem encontrar sua voz".

Para o diretor do Departamento de Educação de Jovens e Adultos do Ministério da Educação e Cultura no Brasil, Timothy Ireland, é importante mobilizar através da educação explicando como a vida, após o aprendizado, pode mudar, mas não necessariamente revolucionar.

"Mobilizar e sensibilizar as pessoas para que eles entendam que a alfabetização deve contribuir para melhorar a qualidade de suas vidas. Não pode ser uma mobilização que engana. Eu acho que a educação freqüentemente muda a vida mas não vai revolucionar, e a pessoa não vai passar a ganhar muito mais por ser alfabetizado, mas tem vários aspectos de sua vida que vão melhorar", disse.

No Brasil, o número de analfabetos começou a diminuir somente nos últimos 20 anos. Hoje em dia, são 15 milhões de analfabetos absolutos, dos quais 3 milhões têm idade entre 15 e 29 anos.

De acordo com o relatório da Unesco, o Brasil está entre os países que estão seriamente em risco de não conseguirem atingir a meta de 80% de alunos alfabetizados nos próximos cinco anos.

Para mudar essa realidade, o Ministério da Educação conta com o programa nacional "Brasil Alfabetizado", apoiado pela Unesco. Segundo Ireland, o programa está progredindo mas os resultados não são vistos.

"Ao longo do período de 2003 a 2006 foram atendidos mais de 7 milhões de jovens e adultos em salas de aulas de alfabetização, mas este número não se reflete na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). A Pnad capta que o Brasil está fazendo um esforço grande mas não há uma redução que esperávamos", disse.

O índice de analfabetismo ainda é mais alto em áreas rurais, como no Pará, o norte de Minas Gerais e a região nordeste do país, que é o foco do programa. De acordo com o MEC, a área concentra hoje 90% dos municípios brasileiros com taxa de analfabestismo superior a 35%.

Gileusa Santos, moradora de Santa Rita, na Paraíba, é um exemplo disso. Com 44 anos, ela nunca pode estudar porque era a mais velha de uma família com mais de 20 irmãos.

"Apesar de eu ser analfabeta, eu gosto de me informar. Eu sei as primeiras letras. Eu conheço as letras, só não sei formas as palavras. Eu sei quais são os ônibus que eu pego para os lugares, identifico bem assim mesmo. Eu não aprendo porque não ligo", disse.

A Unesco chama atenção para o fato de que educar adultos não é o mesmo que educar crianças. Para pessoas que não foram educadas durante a infância, é necessário que sejam consideradas as suas prioridades durante a aprendizagem para manter o alunos interessados e engajados, como explica o senador Cristovam Buarque.

"É difícil aprender a ler depois de uma certa idade. O adulto foge de ser alfabetizado pela dificuldade. O adulto trabalha, o professor então tem uma dificuldade tremenda. Além disso o próprio processo cognitivo, a capacidade de aprender, é mais fácil numa criança do que num adulto. Por isso, o método de alfabetizar o adulto tem que chegar à maneira como ele pensa o mundo, tem que motivá-lo conforme o aprendizado dele pode beneficiar na sua vida, no dia-a-dia", explicou.

Um aspecto simples mas extremamente importante quando considera-se alfabetização já adulta é questão da visão. Muitos adultos que voltam às salas de aula, acabam tendo dificuldades na hora de enxergar o quadro, como explica o professor Luis Antônio dos Santos, professor municipal do estado do Rio de Janeiro.

"O que eu vejo colegas reclamando é que a maioria das pessoas com mais idade têm mais dificuldades para enxergar e para entender, mas eu acho que isso são coisas que podem ser resolvidas," disse.

Na Tanzânia, por exemplo, na década de 70, o número de alunos alfabetizaados dobrou após uma grande campanha nacional, onde mais de um 1 milhão de óculos foram distribuídos e livros e documentos começaram a ser impressos com letras maiores.

Mas o analfabetismo é apenas o primeiro problema a ser resolvido, a grande questão ainda é a quantidade de alunos que deixam a escola sem ter a capacidade real de utilizarem seus conhecimentos adquiridos na prática. Esse tipo de situação, extremamente conhecido no Brasil, é chamado de analfabestismo funcional, ou seja, alunos que foram alfabetizados mas não chegaram a completar nem quatro anos de estudos para concluírem o Ensino Fundamental e não possuem as habilidades necessárias para satisfazer as demandas do seu dia-a-dia e se desenvolver pessoal e profissionalmente.

Em todo o mundo, duas em cada três crianças não terminam os quatro anos de educação após a alfabetização. No Brasil os últimos números mostram que existem mais de 32 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, 26% da população de 15 anos ou mais de idade.

Um bom exemplo é o uso da matemática que, apesar de ser considerada uma língua mundial, atualmente é preciso que se tenha um conhecimento da cultura ocidental para ser capaz de entender os cálculos. Nisso inclui-se a capacidade de ver as horas, calcular as estações, e fazer medidas simples.

O agricultor João explica que a necessidade de entender os cálculos fez com que ele se interessasse pela matemática.

"Conta eu sei, não faço ela mas eu entendo todinha. Essas continhas de supermercado, quando o cabra faz eu sei todinha. Eu chego em casa confiro e dá certinho. Direitinho eu confiro. Tudo que eu vou fazer, eu já sei como é que é", disse.

O custo de educação ainda é um dos maiores obstáculos pois programas educacionais precisam ser cuidadosamente implementados e isso requer tempo.

De acordo com o MEC, até o final de 2007, R$ 300 milhões serão destinados à alfabetização de jovens e adultos no país, R$ 100 milhões a mais que em 2006.

Um preço, que pode ser alto para muitos, mas que produzirá dividendos sem valor.

Reportagens e Destaques, programa da Rádio ONU em Nova York.

Apresentação: Eduardo Costa

Reportagem: Letícia Camargo

Produção: Helder Gomes, Eduardo Costa e Letícia Camargo

Direção Técnica: Peter Kurisko

http://www.un.org/av/radio/pt/


quarta-feira, 19 de março de 2008

10 motivos pelos quais odeio ser argentina no Brasil


1. Copa do mundo. Todo mundo me faz a infalível pergunta: "Para quem você torce? Brasil ou Argentina?" Por essa razão, eu detesto futebol. Eu tinha 10 anos na Copa de 1978, realizada na Argentina e vencida por ela, naquele famoso jogo, em que o time argentino ganhou por 6x0. Meus colegas caçoavam de mim o tempo todo: "Argentina 78!". Isso me traumatizou, a ponto de não conseguir sequer olhar os jogos da Copa do Mundo.

2. Ser chamada de castelhana ou correntina.

3. Sempre tem alguém que me manda uma piada de argentino por e-mail.

4. Sempre tem alguém que me diz que odeia os argentinos.

5. Sempre tem alguém que compara o Maradona com o Pelé.

6. Nunca ter tido avós, tios e primos em minhas festas de aniversário. Isso me marcou muito na infância, pois eu sempre via que meus amiguinhos tinham familiares no aniversário e eu não, com exceção de meus pais e irmão.

7. Não existir facturas no Brasil. O mais parecido que existe com uma factura é o croissant, que lá é diferente e se chama media-luna. Hummm ... lembro do café da manhã clássico de todo hotel argentino: café con leche y medias-lunas.

8. Ter tido a desagradável experiência de ouvir a frase: "Volta para tua terra!", como se o Brasil não fosse um país de muitos imigrantes em todas as épocas de sua existência.

9. De esconder minha nacionalidade o máximo que posso, para evitar o preconceito. Como falo Português sem sotaque e sou naturalizada brasileira, as pessoas só descobrem que nasci na Argentina, se eu contar.

10. De não me sentir totalmente argentina nem totalmente brasileira, de ter minha identidade dividida.