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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A filha pródiga

Ontem foi um dia muito especial para mim: depois de mais de dez anos, voltei a freqüentar uma igreja. Sou cristã convertida desde meus 15 anos, mas havia me afastado da comunhão com Cristo e com a Igreja em 1998.

Minha família é de origem italiana e, portanto, de tradição católica. Até ganhei um rosário de minha avó, para quando eu fizesse a primeira comunhão. Meu pai é ateu materialista e minha mãe deixou de acreditar em Deus e na Igreja há muito tempo. Fui criada em um lar sem religiosidade, sem aprender a rezar (orar) e nem ler a Bíblia.

Em 1983, meus pais me matricularam em um colégio luterano, o Colégio Concórdia, e foi lá que, pela primeira vez em minha vida, eu adorei as aulas de Religião, tão diferentes daquelas aulas chatas e monótonas que eu tive na escola pública. Eu morava a duas quadras e meia da Primeira Igreja Batista em Porto Alegre, a Conde, e um dia resolvi ir conhecer, pois me parecia um lugar bastante agradável. Foi no dia 14 de agosto de 1983, aniversário de meu pai e a programação da reunião de jovens, a Mocidade Conde, era voltada para os pais. Fiquei encantada e voltei outras vezes, ao perceber que tudo aquilo que eu havia aprendido teoricamente nas aulas de religião da escola, eram verdadeiros e vividos por aqueles jovens. Não sei o dia exato de minha conversão, mas eu sei que um dia eu acordei e sabia que tinha Jesus no meu coração e desde então, estava disposta a segui-Lo. Freqüentei a Conde por 6 anos, mas sofri muita oposição de meus pais, que não gostaram de me ver "enfiada" na Igreja e ter-me tornado uma "fanática", segundo a visão deles. Diversas vezes meu pai me proibiu de ir na Igreja: "Tu já foste ontem (sábado), não precisa ir hoje (domingo)!" Ele não entendia que uma coisa era a Mocidade, aos sábados à noite, e outra, bem diferente, o culto, aos domingos à noite. Pior, às segundas-feiras era o dia do vôlei e todos os jovens iam lá para treinar. Os rapazes jogavam e nós, as meninas, aproveitávamos para conversar, fofocar e olhar os meninos. Quantas vezes meu pai me impediu de ir: "Já foste na igreja no sábado e no domingo e ainda queres ir hoje? Não vais ir!" Participei de muitos retiros, acampamentos, encontros de jovens e tantos outros eventos.

Em 1989, decidi trocar de igreja, por não me sentir à vontade na Conde, uma igreja alemã, com pessoas extremamente fechadas (com raras e honrosas exceções), voltadas para a família, já que lá todo mundo era primo de todo mundo (literalmente falando) e eu era praticamente uma estranha e sozinha, mesmo depois de estar freqüentando a igreja por 6 anos. A escolhida foi a Aliança Bíblica de Porto Alegre, com um perfil muito parecido à Conde, mas uma igreja mais jovem, mais brasileira e menos elitista. Na Aliança, pude realizar meu sonho de me batizar, já que meu pai não permitiu que eu me batizasse na Conde aos 15 anos. Quando completei 21 anos, a primeira coisa que fiz foi me batizar e meu pai esteve presente para assistir meu batismo na Aliança. Lá, pude participar muito mais ativamente, freqüentar a Escola Bíblica Dominical, que era uma hora antes do culto e aprendi muito sobre a Bíblia.

Mas as coisas não foram tão perfeitas assim: foi na Aliança que eu fiquei noiva do R., o líder da Mocidade na época. Um ano e meio depois, desmanchamos o noivado e eu sofri muito, mas muito mesmo, pois era muito apaixonada por ele e vi meu sonho de casar se desfazer em mil pedaços. Muitas pessoas não entenderam meu sofrimento e não me apoiaram, o que me levou ao afastamento gradativo da Igreja. Quatro anos depois, tive uma crise de depressão profunda, o qual me levou a me afastar de tudo e de todos. A total falta de apoio dos amigos da igreja e a morte de meu melhor amigo fizeram com que eu me afastasse completamente. Eu havia descoberto o mundo dos chats da internet e fiz novas amizades por lá. Foi o que bastou para que o tênue fio que me segurava se rompesse. Sem olhar para trás, fui em busca de minha nova realidade, a dos amigos virtuais.

Posso dizer que tenho grandes e verdadeiros amigos até hoje que conheci na internet e muitos deles me deram muito mais apoio do que jamais recebi na igreja, o que me levou a ter uma mágoa muito grande. Puxa! Eu era cristã, praticante, membro de igreja e não recebi nenhum apoio, enquanto que aquelas pessoas que conheci online estavam ali, diariamente, me dando apoio nos momentos mais difíceis! Não há dúvidas em ver qual caminho tomei ...

Apesar de tudo, eu sentia saudades da igreja, queria ir novamente, mas estava casada com alguém que não tinha o mínimo interesse em ir à igreja. Tive meus filhos e nunca os levei a uma igreja, a não ser para assistir a casamentos - em igrejas católicas. Falava de Jesus para eles, mas de uma maneira muito tímida, já que não estava em comunhão com ele ...

Há umas duas semanas, reencontrei um velho amigo da Aliança Bíblica, o Paulo Ricardo, que passou no vestibular da PUCRS e que veio me visitar aqui no TECNOPUC. Almoçamos juntos por duas vezes e ele me questionou em relação à minha posição. Eu disse que nunca deixei de acreditar e amar a Jesus, apesar de meu afastamento, mas ele me cobrou que eu conhecia a Verdade, mas e meus filhos? Isso tocou fundo em meu coração, pois percebi que estava negando a meus filhos o conhecimento da Verdade e da comunhão com Cristo.

Assim, quando ele me convidou para ir à Igreja Batista Mont' Serrat, que ele freqüenta atualmente, eu vacilei, mas concordei em ir neste domingo. Levei meus filhos, para que pudessem conhecer uma igreja evangélica e para que pudessem ouvir a Palavra de Deus.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O que ensinar a nossos filhos?


Ontem foi colocado no Blog do Desabafo de Mãe uma questão interessante por uma mãe: devemos alimentar a fantasia dos nossos filhos em relação ao Coelhinho da Páscoa ou Papai Noel?

A Ceila, uma das autoras do blog, colocou a questão em pauta, perguntando qual era a nossa opinião sobre o assunto.

"Certo ou errado? Verdade ou Mentira? Será mesmo que essa dicotomia faz parte do mundo da fantasia e da inocência infantil? Ou essa dualidade faz parte da formação das nossas crianças?" (Parte do texto publicado no blog)

Segue meu comentário ao post dela:

Não sei até que ponto a fantasia faz bem às crianças.

Meu filho ontem me disse: "Eu queria voar!" e eu disse que nenhuma pessoa consegue voar sozinha, só nos desenhos. Ele também tem medo do bicho-papão, por causa de uma propaganda do Cartoon Network, apesar de eu NUNCA ter sequer mencionado o bicho-papão a ele. Eu simplesmente digo: "Não precisa ter medo, o bicho-papão NÃO existe!" Quando ele era pequeno, adorava o Scooby-Doo, mas morria de medo dos monstros e fantasmas que ele perseguia. Eu dizia para ele: "Monstro não existe, é um titio que usa uma máscara". Assim, ele não tinha mais medo. Quando chegou a época de entender sobre o Natal, eu continuei dizendo a mesma frase, só que adaptada: "Papai Noel não existe, é um titio que usa uma máscara".

Eu comparo dizer que Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Fada do Dente existem com dizer que Deus existe. Se
Papai Noel não existe, mas mamãe disse que existia e era mentira, então Deus não existe e mamãe também me mentiu, dizendo que existia. Esse é o raciocínio que eu uso.

Certa vez, li na parede da universidade que eu estudava: "Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Deus são crenças de otário". Eu quero que me filho saiba que Deus existe (pois essa é minha crença) e penso que ele é mais importante do que o Papai Noel no Natal.
Por que não ensinar a verdade a nossos filhos?

Natal = Comemora-se o nascimento de Jesus
Páscoa = Comemora-se a ressurreição de Jesus


Papai Noel e Coelhinho da Páscoa foram incorporados à tradição e muita gente esquece o verdadeiro
significado das datas.

Antigamente, se ensinava às crianças que os bebês eram trazidos pela cegonha ou nasciam em repolhos. Essa fantasia fazia bem às crianças?

Li uma vez o relato de uma mãe que contou a verdade sobre o nascimento do filho e depois o amiguinho lhe disse que eram as cegonhas que traziam os bebês. Resultado: O filho acreditou no amiguinho e nunca mais confiou na mãe, que contou a verdade.


Eu prefiro dizer a verdade.


Em resposta a meu comentário, a Ceila me convidou a fazer um desabafo no site Desabafo de Mãe, como segue abaixo:

Oi Carla,
gostei muito da sua opinião contrária a minha e, por isso, gostaria de lhe pedir um desabafo para site sobre este tema, topa?

Já enviei meu desabafo para o site e fiz algumas modificações no texto acima. Você pode ler aqui.

Eu não acredito em Papai Noel, nem Coelhinho da Páscoa, nem Fada do Dente, nem Bicho-Papão e ensino meus filhos que eles não existem.

O que você acha? O que você ensina a seus filhos? No que você acredita?