terça-feira, 19 de agosto de 2008

A Escolha do Pediatra

Ao engravidar de meu primeiro filho, eu fiz um Curso para Gestantes com a psicóloga Flávia Koeche em 2002. O curso foi extremamente valioso, pois tínhamos palestras com diferentes profissionais da área da saúde, como obstetra, pediatra, enfermeira-obstétrica, dentista, nutricionista e de outras áreas, como doula e advogada, além da própria Flávia, que é psicóloga e especializada na área.

Foi no dia da palestra do pediatra que eu pude aprender sobre a homeopatia, que só conhecia superficialmente. Gostei muito do Dr. Cláudio, que proferiu a palestra, e decidi que ele seria o pediatra que atenderia meu parto e meu filho. Na reta final da gravidez, marquei uma consulta para conhecê-lo e conversar pessoalmente sobre as dúvidas que tinha em relação ao bebê - medos de mãe de primeira viagem. Depois, ele atendeu meu primeiro parto, que foi no hospital e por isso mesmo, exigia a presença de um pediatra. Só que ele me informou que aquele seria o último parto que ele atenderia pelo meu convênio, que ele estava se descadastrando. Fiquei muito triste, pois não podia bancar uma consulta particular nas revisões periódicas de meu filho recém-nascido. Fiz apenas a primeira consulta de meu filho e tive que procurar outro pediatra.

Pedi, então, a sugestão de um pediatra homeopata a meu obstetra, que me indicou a Dra. S. Até gostei dela na primeira consulta, apesar dela ter medido meu filho com 4 cm a menos do que ele mediu ao nascer, dizendo que tinham medido ele errado no hospital e que a régua dela é que estava certa. Na segunda consulta, pedi orientações de como fazer com meu filho, que chorava demais e só queria ficar mamando no peito sem parar. Como eu já havia lido muito a respeito, não queria oferecer chupeta a meu filho.

- Doutora, se eu oferecer chupeta a meu filho, ele vai confudir os bicos e vai acabando por desmamar precocemente.
- Mas que bobagem! Tem que dar chupeta a teu filho sim! Uma coisa não tem nada a ver com a outra!

Eu pensei comigo mesma: "Será que ela não leu NADA a respeito disso? Bem, mas ela é a pediatra e deve saber o que está dizendo". Eu caí no erro de acreditar na onipotência do médico, que eles sabem tudo e nós devemos acatar obedientemente o que eles dizem. Saí do consultório dela e comprei uma chupeta (bico) para meu filho. Para minha sorte, ele detestou a chupeta e não a aceitou. Ele queria o peito mesmo.

Na consulta seguinte, minha mãe foi comigo. Ela mediu, pesou, avaliou meu filho e estava tudo bem. Porém, no final da consulta, aos nos despedirmos, ela soltou a pérola:

- Pena que ele ainda é um bebê, porque se fosse maiorzinho, eu ia dar um pirulito para ele, como dou a todos meus pacientes!

Minha mãe e eu nos entreolhamos e pensamos juntas: "Como é que uma pediatra oferece pirulito aos pacientes?!" Eu havia aprendido no curso para gestantes que quanto mais eu retardasse o contato de meu filho com açúcares, melhor seria para a saúde bucal dele e agora a pediatra me soltava essa?! Foi nesse momento que eu soube que nunca mais poria os pés naquele consultório.

Retornei ao obstetra e relatei a questão da chupeta e do pirulito, que me pediu desculpas pela indicação inadequada. Infelizmente, ele não conhecia mais nenhum pediatra homeopata que atendesse pelo convênio para me indicar.

Eu me lembrei então de meu colega do Curso de Pós-Graduação que fiz na Faculdade de Medicina da UFRGS em 2000, o Dr. Mário. Eu pensei que, apesar dele não ser homeopata, se havia feito um curso de aperfeiçoamento, é porque tinha interesse em se manter atualizado profissionalmente. Ledo engano.

Ao comparecer na primeira consulta, o Dr. Mário ficou muito contente por rever sua ex-colega do Pós-Graduação e ao conhecer meu filho, já que na época, 2º semestre de 2000, eu estava organizando meu casamento, que ocorreu em janeiro de 2001. Ele pesou, mediu e fez os exames de rotina no meu filho de quase 4 meses e me orientou na introdução da alimentação, já que eu teria que voltar ao trabalho quando ele completasse 5 meses de idade. Até aí, tudo bem. Só que ele tinha a mania de limpar o ouvido do meu filho todas as vezes que o levava a uma consulta. Isso era extremamente incômodo para meu filho, que berrava e se debatia terrivelmente, enquanto eu ficava angustiada, permitindo que o médico torturasse meu filho daquele jeito. Depois, ele indicou as vacinas alternativas - e caríssimas - para serem aplicadas no meu filho. O que facilitava tudo é que ele próprio tinha uma clínica de vacinação, então "ficava prático, quando ele vinha à consulta, já tomava uma dose da vacina". Naquela época, eu não havia lido nada ainda sobre os efeitos adversos das vacinas e acabei dando as tais doses da vacina opcional em meu filho.

Quando meu filho completou 5 meses, o Dr. Mário liberou todos os doces: "Pode dar tudo a teu filho, agora ele já pode comer coisas doces". Já fiquei com um pé atrás com isso e resolvi seguir o plano de introdução de alimentos que eu havia recebido da nutricionista no curso de gestantes, que não incluía açúcar durante o primeiro ano de vida. Após mais uma "sessão tortura" de limpeza de ouvido, eu decidi que não submeteria mais meu filho a esse tipo de tratamento e nunca mais botei os pés no consultório do Dr. Mário. Teria que partir em busca de outro pediatra. Pedi uma indicação à Flávia Koeche, que me indicou a Dra. Valéria.

Eu adorei a Dra. Valéria! Ela nos atendia vestida com seu quimono, o consultório cheio de objetos zen, muito calma, falando sempre em tom baixo. Enfrentamos uma crise terrível com meu filho, que contraíra o rota-vírus no aniversário de um ano, fazendo com que ele tivesse muita febre, vômito e diarréia. Eu não queria que ele tomasse antibiótico, mas ela me mostrou que, naquele momento, era a melhor opção para meu filho. Só depois de muita conversa e discussão a respeito, é que aceitei que ela receitasse o antibiótico. Gostei da postura dela, de conversar e explicar as razões para receitar tal medicamento. Se tivesse sido outro médico, teria simplesmente imposto sua decisão. Adotei-a como a pediatra perfeita para meu filho e, posteriormente, para minha filha.

Conversei muito com ela a respeito da questão das vacinas e ela me disse que tinha pacientes cujos pais eram contrários à vacinação e que ela respeitava a posição deles. Ela também sabia da minha intenção de ter minha filha de parto domiciliar e só me pediu para levá-la à primeira consulta no dia seguinte a seu nascimento. Ela concordou e respeitou minhas opções, o que levou a admirá-la muito como profissional.

Infelizmente, tudo é que bom, dura pouco: Dra. Valéria passou em um concurso público em uma cidade do litoral gaúcho e se mudou para lá. Perdi a pediatra perfeita de meus filhos e que eu adorava!

Em uma consulta de rotina com meu ginecologista-obstetra, ele me mencionou que conhecera uma pediatra em um parto que atendeu e que gostara muito da postura dela e que ela partilhava da mesma visão que nós (a humanização do parto e o resgate do protagonismo da mulher durante o trabalho de parto). Ele me passou o telefone da Dra. Jaqueline, que é a pediatra de meus filhos até hoje. Ela segue a linha da Homeopatia e Antroposofia e também é muito tranqüila e aberta ao diálogo como a Dra. Valéria.

Foi um longo caminho trilhado, cheio de tropeços, mas eu acabei aprendendo a identificar o que eu quero de melhor para meus filhos.

6 comentários:

Drika Bruzza disse...

Dá vontade de estudar medicina pra não precisar de pediatra.
Se tu fizer a conta, eles atender pelo convênio no mínimo 6 crianças por dia... ou mais! Sei lá, mas isso me parece como se não se criasse nenhum vínculo de atenção.
Recém, com 3 anos e meio, tive a minha experiência terrível. O Igor teve pneumonia, e infelizmente só foi constatada depois de 5 consultas em pediatras burros, levando no Hospital da Criança Sto. Antônio (Sta Casa), onde uma guria de uniforme (devia ser mais nova que eu) me perguntou se ninguém tinha pedido raio-X. A pneumonia já estava avançada, em quadro médio-grave.
Tu já pensou se eu seguisse enchendo meu filho de remédios de TUDO que é jeito?! Se eu acreditasse neles?! "É uma virose, é uma gripe, febre é normal, é uma tosse normal?!?"
Normal é a gente querer fazer medicina pra ser Pediatra. Isso é normal.

Beijo amiga!

Kathy disse...

Oi, Carla Beatriz
Realmente...muuito difícil encontrar um bom pediatra, que seja atualizado, que incentive a amamentação, que saiba dialogar, conversar e que não queira apenas impor suas idéias.
Mas você disse que a médica receitou antibiótico para rotavírus, foi isso mesmo? Porque pelo que sei, antibióticos são usados em doenças causadas por bactérias e não em doenças causadas por vírus.
Mas... o bom mesmo é não precisar de médico, né?

Carla Beatriz disse...

Kathy,

No momento que a pediatra receitou o antibiótico, ela ainda não sabia se o que meu filho tinha era causado por vírus e bactéria. Se fosse vírus, realmente não precisava, mas se fosse bactéria, seria bem grave. Então, pelo sim, pelo não, os pediatras receitam o antibiótico mesmo.
Acho que foi dessa vez ou quando ele teve uma amigdalite bem feia, aproximadamente um mês depois, contraída na creche que ele só freqüentou por três dias.
Meu filho ainda ficou três dias internado no hospital por conta da desidratação decorrente dos vômitos e diarréia. Aí o tratamento foi somente sintomático, já que não deram nada para o vírus, especificamente.

Carla Beatriz disse...

Drika,

A Melissa também teve pneumonia, mas causada pelo refluxo esofágico - a única que não é causada por vírus ou bactéria.
Ela foi diagnosticada pela Dra. Carmen (que eu esqueci de colocar no post, ela foi depois da Dra. Valéria e antes da Dra. Jaqueline), que solicitou um raio-X de pulmão.
Na segunda vez que ela teve pneumonia, eu a levei direto ao Hospital Santo Antônio e informei à pediatra de plantão que ela já havia tido pneumonia anteriormente, então a encaminharam direto para o raio-X.
Estranho mesmo os pediatras que consultaste não terem diagnosticado logo a pneumonia no Igor. A Melissa tinha uma "tosse de cachorro", horrorosa, que não deixava dúvidas quanto ao estado dela.
É por isso que eu ainda prefiro um pediatra homeopata, eles são mais abertos ao diálogo e só receitam antibiótico em caso de extrema necessidade.

Beijos

Sonia Regly disse...

Carlinha,
Deixei um outro selo de presente para vc lá no Compartilhando as Letras.Beijinhos.

Daisoca Minhoca disse...

CARLA...
MINHA FILHA LAURA ESTÁ COM 2ANOS E 10MESES. E AO LER TUA POSTAGEM, ME IDENTIFIQUEI UITO... A GENTE TEM A MANIA DE ACHAR QUE MÉDICO É UMA AUTORIDADE. QUANDO COMECEI A TROCAR DE PEDIATRA, CHEGUEI A ME SENTIR CULPADA (DEVO SER MUITO DOIDA, MESMO...) POR ACHAR QUE NENHUM DOS MÉDICOS SE ENQUADRAVA NAS COISAS QUE EU ACREDITAVA SER CORRETAS... TIVE HISTÓRIAS TERRÍVEIS... PASSEI PELA MÃO DE PEDIATRAS QUE NÃO PODERIAM SER MÉDICOS... A LAURA, AO COMPLETAR 3 MESES, PASSOU A DAR SINAIS DE INTOLERÂNCIA À PROTEÍNA LACTEA...TENHO CERTEZA DE QUE FUI A MAIS DE 20 PEDIATRAS... TEVE UMA QUE ME ACONSELHOU A NÃO OLHAR A FRALDA DELA (DEIXA A BABÁ TROCAR) PRA NÃO VER O SANGRAMENTO NAS FEZES...E ELA É PEDIATRA NA PUC RS...ATÉ HOJE, ACREDITO QUE ESTE PROBLEMA TENHA OCORRIDO EM FUNÇÃO DE INTRODUÇÃO PRECOCE DE LEITE ARTIFICIAL PELA PRIMEIRA PEDIATRA DELA QUE ACHOU QUE ELA NÃO ESTAVA GANHANDO PESO SUFICIENTE, ENTÃO MANDOU DAR O COMPLEMENTO...MINHA SORTE É QUE INTERROMPI O TAL COMLEMENTO LOGO...E VOLTEI A ALIMENTAR MINHA FILHA EXCLUSIVAMENTE COM LEITE MATERNO...
HOJE EM DIA, ENFRENTO SITUAÇÃO COMPLICADA, POIS A LAURA TEM TIDO DIFICULDADES RESPIRATÓRIAS... FAZ TRATAMENTO CONSTANTE PARA RINITE, MAS ACHO QUE AGORA (ESTE FOI O DIAGNÓSTICO DA PEDIATRA DE PLANTÃO NO MÃE DE DERUS, ONTEM) ESTÁ COM SINUSITE...
JÁ ESTOU TROCANDO MAIS UMA VEZ DE PEDIATRA... É UMA BRIGA... UMA LOTERIA...
BOA SORTE PRA NÓS... E PRAS FUTURAS MAMÃES, DIGO QUE A MAIOR DIFICULDADE NÃO É DAR CONTA DOS PEQUENOS...E SIM, ENCONTRAR UM BOM PEDIATRA...BEIJO, GURIA...
DAISY MASCARELLO - POA