sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Homenagem a um Amante do Vinho

Cântico das “Bodegas”
Por Rubem Rodrigues*

Deitadas

Encostadas

Uma na outra

Qual casal de amantes

Elas tremulam e

Não se cansam de

Embalar contentes

Seu conteúdo.

“Les boteilles chantent

pendant la nuit”

Dizia Beaudelaire

Eu diria:

As garrafas

Orgulhosamente

Exibem o que lhes é caro

No aroma, no sabor

No contexto final

Do seu talento.

O vinho

Que ameniza as penas

Que rega com mansidão

A união dos amantes

Da natureza

Do amor factual

Dos sentimentos

De pureza e singeleza.

Que é, enfim,

O bálsamo que nos unge

De carinho, de amizade

De fraternidade

Salva-nos,pois. Oh vinho

Desta dúvida insana

Que nos maltrata

E atormenta.

Faze-nos vassalos

Do amor e da bondade

Afasta-nos do pavor

E da maldade

Multiplica

Nossas inteligência,

Paciência e tolerância.

Faze-nos cúmplices

Do que é simples.

Faze-nos contentes

Qual combatentes

Que imolam o mal

No fogo incadescente

Da volúpia e da vaidade.


Rubem Rodrigues (1924-2002)

* Cardiologista e Professor Titular de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Professor Titular de Cardiologia da Faculdade Católica de Medicina. Foi meu chefe na Fundação Universitária de Cardiologia no período de 1997 a 2002.


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